Mobilidade urbana no município de São Paulo

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A mobilidade urbana no município de São Paulo é caracterizada por um sistema de transportes complexo, composto de diversas variáveis e subsistemas. Diariamente, movimentam-se na cidade indivíduos oriundos dos vários municípios que formam a Região Metropolitana de São Paulo, de forma que a questão da mobilidade nesta cidade engloba necessariamente a escala metropolitana e regional. Além disso, a cidade é conhecida pela convergência de diversas rodovias estaduais e federais, com destinos outros que não a cidade, de forma que sistemas de transporte de carga com destinos e origens diferentes de São Paulo passam obrigatoriamente pela cidade. O transporte em São Paulo é vulgarmente chamado caótico (título criticado por especialistas, devido à superficialidade com que a questão é tratada), sendo um dos principais itens de campanha política de vários dos principais políticos do Município em períodos eleitorais.

Traffic jam Marginal Pinheiros 6122 SAO 07 2009

A cidade de São Paulo tem como um de seus símbolos o grande congestionamento de carros em suas principais vias. O transporte coletivo, no entanto, representa um papel fundamental no dia-a-dia da metrópole. São Paulo conta com uma imensa estrutura de linhas de ônibus, com uma frota de mais de 14.000 unidades, sob responsabilidade da SPTrans. Os trens da CPTM, o Metrô, a EMTU-SP e o sistema de interligação entre eles completam o sistema municipal e estadual de tranporte na cidade. Informalmente também nota-se o uso de lotações clandestinas para o transporte daqueles que tem pouco acesso ao transporte existente.

Divisão modal[editar | editar código-fonte]

De acordo com pesquisa feita em 2007 pelo Metrô de São Paulo[1] , dos 23,5 milhões de deslocamentos feitos diariamente na cidade de São Paulo, 30,8% são feitos a pé, 28,3% de ônibus (público, fretado ou escolar), 28% de carro particular, 10,1% de metrô ou trem, 1,7% de moto, 0,6% de bicicleta, 0,3% de táxi, e 0,1% outros.

De acordo com os mesmos dados, o ápice do uso do transporte individual (carro particular ou a pé) ocorreu em 2002; entre 2002 e 2007, houve declínio em ambas os modos de deslocamento, com aumento correspondente do uso de transporte coletivo (ônibus, trem e metrô).

Sistema viário[editar | editar código-fonte]

Vista aérea da Marginal Tietê.

O sistema viário do município é notadamente heterogêneo, especialmente do ponto de vista rodoviário. A cidade é cortada por duas grandes vias que têm papel estruturador, tanto na escala intra-urbana quanto na metropolitana: a Marginal Tietê e a Marginal Pinheiros. As duas avenidas são consideradas as principais "artérias" (ou vias expressas) do município, sendo que a elas chegam diversas rodovias estaduais e federais.

O desenvolvimento rodoviário da cidade, ao longo da história, tem origens variadas, mas muitas das atuais características da estruturação viária paulistana encontram referências no ideário proposto pelo Plano de Avenidas de Prestes Maia, um projeto urbanístico discutido longamente e parcialmente implementado durante as décadas de 1930 e 40, que propõe uma série de anéis viários em camadas gradativas a partir do Centro Histórico. Estes anéis seriam ligados por vias estruturadoras (como pela Avenida 9 de Julho, por exemplo). Observando-se a atual malha viária da cidade, é possível detectar semelhante raciocíno, composto por vias de organização radial, através da importância que as seguintes vias possuem: avenida 23 de Maio, avenida Radial Leste, avenida Rebouças, avenida Nove de Julho, avenida do Estado, avenida Prestes Maia, avenida Cruzeiro do Sul entre outras. Cada uma destas vias constituem diferentes eixos de estruturação da cidade.

Rodovia dos Bandeirantes na entrada da cidade de São Paulo. A rodovia liga a cidade ao interior paulista.
Trecho da Rodovia dos Imigrantes que liga a cidade à Baixada Santista.

Rodovias[editar | editar código-fonte]

Para entrar ou sair da cidade, utiliza-se o grande número de estradas que cortam ou desembocam na cidade. As principais são:

Grandes rodovias
Pequenas estradas

Rodoanel[editar | editar código-fonte]

Desde a década de 1950 existia a ideia de um anel rodoviário que circundasse a cidade de São Paulo, evitando que ônibus, carros e caminhões fossem obrigados a trafegar dentro do perímetro urbano e aumentassem os crescentes congestionamentos da capital paulista. Apenas em 1998, depois de muitas tentativas fracassadas, o projeto começou a sair do papel partindo da iniciativa do governador da época, Mário Covas.[2] Quando concluído o rodoanel será uma rodovia em formato circular em torno da Região Metropolitana de São Paulo com uma extensão de aproximadamente 170 km,[2] interligando as principais rodovias que dão acesso à metrópole: Régis Bittencourt, Raposo Tavares, Castello Branco, Anhanguera, Bandeirantes, Fernão Dias, Dutra, Ayrton Senna, Anchieta e Imigrantes. Metade da obra já foi entregue.

Sistema cicloviário[editar | editar código-fonte]

São Paulo possuiu um sistema cicloviário em crescimento, embora ainda bastante tímido em comparação com as dimensões da cidade. Ele é composto de:

  • Ciclovias propriamente ditas, ou seja, segregadas do tráfego de automóveis, geralmente instaladas junto a vias expressas. Existem três grandes ciclovias no município:
  • Ciclofaixas, similares à ciclovias, porém sem separação física do trânsito de automóveis, como as instaladas no bairro de Moema[6] ;
  • Ciclorrotas, vias de trânsito compartilhado entre bicicletas e automóveis, onde a sinalização marca preferência das bicicletas. Podem ser encontradas no Brooklin e em Moema[7] .
  • Ciclofaixas de lazer, acessíveis somente aos domingos e feriados e em determinados horários
  • Bicicletários públicos, mais comumente encontrados junto à estações de trem e metrô

Aeroportos[editar | editar código-fonte]

São Paulo possui dois aeroportos:

Além desses, o município é servido pelo Aeroporto Internacional de Guarulhos, o principal e o mais movimentado aeroporto do Brasil, localizado na cidade de Guarulhos, no bairro de Cumbica, distante 25 quilômetros do centro de São Paulo. É o principal aeroporto que serve a cidade.

Transporte público[editar | editar código-fonte]

Os sistemas de transporte público também apresentam certa heterogeneidade e, eventualmente, alguma contraditoriedade. São comuns críticas ao sistema no sentido de que os vários sistemas que o compõem não respondem a uma mesma autoridade de planejamento, o que resultaria em situações paradoxais e duplicação de esforços. Tal fato se deve, primariamente, pelo fato dos dois principais meios de transporte público (o metrô e os ônibus) serem administrados por esferas diferentes: o Metrô de São Paulo, a CPTM e a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo, são empresas cujo sócio principal é o Estado de São Paulo, enquanto o sistema de ônibus municipais (composto por diversas empresas particulares) responde à SPTrans, entidade municipal.

Sistemas de transporte rápido[editar | editar código-fonte]

Estação da Luz, um importante terminal ferroviário e metroviário localizado no centro de São Paulo.

A malha metroferroviária da cidade tem 323,9 quilômetros de extensão, sendo 65,3 quilômetros de linhas construídas e operadas pela Companhia do Metropolitano (34,6 quilômetros inteiramente subterrâneos), com 4 linhas em operação e 58 estações de embarque[8] , além de 258,6 quilômetros de linhas e 92 estações administradas pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM)[9] . A CPTM e o Metrô transportam juntamente 7,3 milhões de pessoas em média por dia útil[10] ; algumas linhas subterrâneas que estão sendo construídas tendem a adicionar ainda mais passageiros ao sistema dentro dos próximos cinco anos. Segundo dados da administração atual espera-se expandir o sistema de trens metropolitanos de São Paulo dos atuais 330 quilômetros para mais de 500 quilômetros nos próximos 10 anos[11] . São Paulo tem três sistemas de transporte rápido. São eles:

  • O sistema operado pelo Metrô, com quatro linhas completas, mais uma em construção e uma em planejamento, sendo todas elas parcialmente subterrâneas e parcialmente com estações construídas em elevado;
  • O sistema operado pela CPTM, com seis linhas que atendem regiões da capital que não são alcançadas pela malha do Metrô, incluindo outras cidades da região metropolitana;
  • O sistema de ônibus de pista-rápida: por toda a cidade existem diversas linhas de ônibus chamadas "Passa Rápido", um conceito de transporte urbano onde os pontos são no canteiro central e os ônibus tem porta à esquerda[12] .

Transporte sobre trilhos[editar | editar código-fonte]

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Este artigo ou secção contém informações sobre uma construção futura.
É provável que contenha informações de natureza especulativa, e seu conteúdo pode mudar drasticamente.
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Mapa da rede metro-ferroviária de São Paulo

O sistema de transporte ferroviário de São Paulo é moderno, seguro, limpo e eficiente, com certificado pelo ISO 9001 da NBR. Tem quatro linhas gerenciadas pela Companhia do Metropolitano de São Paulo - Metrô, mais quatro em obras e outras em projeto, além de seis linhas em operação administradas pela CPTM.

São administradas pela Companhia do Metropolitano as seguintes linhas:

  • Linha 1 - Azul: (Jabaquara ↔ Tucuruvi) A primeira linha de metrô construída no Brasil, conecta a zona norte à zona sul da cidade. As conexões estão disponíveis para as linhas 2, 3, 4, 7, 10 e 11. Os terminais de ônibus do Tietê e Jabaquara também estão conectados à Linha Azul.
  • Linha 2 - Verde: (Vila Madalena ↔ Vila Prudente) A Linha Verde cruza a Avenida Paulista, e liga o Ipiranga à Vila Madalena; e faz a integração com as linhas 1, 4 e 10.
Trem da Linha 5 do Metrô de São Paulo.
  • Linha 3 - Vermelha: (Palmeiras-Barra Funda ↔ Corinthians-Itaquera) Uma das linhas mais movimentadas de São Paulo, conecta a zona leste ao centro expandido. Existem conexões com as linhas 1, 4, 7, 8, 10, 11 e 12. O terminal de ônibus da Barra Funda é interligado a essa linha.
  • Linha 5 – Lilás: (Capão Redondo ↔ Largo Treze) Construída pela CPTM e voltada aos usuários que precisam alcançar lugares específicos da zona sudoeste de São Paulo. Somente um pequeno trajeto da linha está disponível (seis estações completas), conectando à Linha 9 na estação de Santo Amaro. O restante está em fase de licitação e prevê a extensão até a Chácara Klabin, fazendo conexão com a Linha 2, e passando por regiões como Itaim Bibi, Moema, Ibirapuera e Vila Clementino.

Está sendo construída pelo Consórcio Via Amarela e atualmente é operada pela ViaQuatro:

  • Linha 4 - Amarela: (Butantã ↔ Luz) Inaugurada em maio de 2010, a Linha 4 - Amarela conectará a zona oeste à Estação Luz, na zona central, em uma rota construída imediatamente abaixo das avenidas Consolação e Rebouças. Atualmente funciona com as estações Butantã, Pinheiros, Faria Lima, Paulista, República e Luz, restando as estações São Paulo - Morumbi, Vila Sônia, Fradique Coutinho, Oscar Freire e Higienópolis - Mackenzie a serem entregues. Essa linha terá conexões com as linhas 1, 2, 3, 6, 7, 9, 10 e 11.

Está sendo licitada, com regime de operação e construção em formato de uma PPP:

  • Linha 6 - Laranja: (Pirituba ↔ Anália Franco) Anunciada em março de 2008 pelo governador José Serra e pelo prefeito Gilberto Kassab, está ainda em fase de projeto, com previsão de início das obras em 2013 e conclusão em 2017. Em sua primeira fase, prevê a ligação do bairro de Freguesia do Ó até a estação São Joaquim da Linha 1, no distrito da Liberdade, estando quase inteiramente dentro do centro expandido, passando por distritos como Perdizes, Consolação e Bela Vista. Terá conexões com as linhas 1, 4 e 7. Em uma segunda fase, está prevista a expansão para a estação Anália Franco, na zona leste, fazendo conexão com a linha 2 na Vila Prudente.

Além destas, também existem as linhas do Sistema de Trens Metropolitanos, administradas pela CPTM, as quais possuem intervalo superior às linhas da Companhia do Metropolitano, variando de 4 a 10 minutos nos horários de pico, dependendo da linha e trecho. A saber:

Trem da CPTM

Ônibus[editar | editar código-fonte]

São Paulo possui uma frota de aproximadamente 15.000 ônibus de transporte público (que incluem aproximadamente 215 trólebus), coloridos de acordo com a região que atuam. Durante muitos anos, havia uma forte presença de vans ilegais em toda a cidade, mas ações públicas conseguiram registrar a maior parte desse tipo de transporte, implantando o mesmo sistema de cores utilizados nos ônibus. Para ajudar na fluidez do tráfego foram construídos por toda a cidade corredores de ônibus, faixas que são de uso exclusivo desse tipo de transporte. Além dos corredores, a cidade conta com um sistema VLP denominado Expresso Tiradentes, Encontra-se em operação o trecho Sacomã - Parque Dom Pedro II e o trecho Vila Prudente - Parque Dom Pedro II.O sistema funciona diariamente, das 4h00 às 0h00

Projetos ferroviários[editar | editar código-fonte]

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Embora as ferrovias sejam subutilizadas no Brasil, há um projeto para construir um serviço trens de alta velocidade que ligaria as duas principais cidades do Brasil, São Paulo e Rio de Janeiro.[13] Os trens chegariam a velocidade de 280 quilômetros por a hora (o desengate duraria aproximadamente 1 hora e 30 minutos). Este projeto específico ainda está esperando um anúncio oficial pelo governo brasileiro, que está tentando obter o financiamento internacional com uma parceria público-privada.

O outro projeto importante é o "Expresso Bandeirantes", que é um serviço de trilho de média velocidade (aproximadamente 160 km/h) de São Paulo a Campinas, que reduziria o tempo da viagem das atuais uma hora e meia de carro para aproximadamente 50 minutos, ligando as cidades de São Paulo, Jundiaí e Campinas. Este serviço seria conectado ao serviço de trens entre o centro da cidade de São Paulo e o aeroporto de Guarulhos.

Referências

Referências bibliográficas[editar | editar código-fonte]

  • ESTADO DE SÃO PAULO, PITU 2020 - Plano integrado de transportes urbanos para São Paulo; São Paulo: STM, 1999
  • TOLEDO, Benedito Lima de; São Paulo: três cidades em um século; São Paulo: Editora Cosac e Naify, 2004; ISBN 85-7503-356-5

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]