Modelo biomédico

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O Modelo biomédico de medicina tem sido em torno desde meados do século XIX, como o modelo predominante usado por médicos no diagnóstico de doenças.

De acordo com o modelo biomédico, a saúde constitui a liberdade de doença, dor, ou defeito, o que torna a condição humana normal "saudável". O foco do modelo sobre os processos físicos, tais como a patologia, a bioquímica e a fisiologia de uma doença, não leva em conta o papel dos fatores sociais ou subjetividade individual. O modelo também ignora o fato de que o diagnóstico (que efeito do tratamento do paciente) é um resultado de negociação entre médico e paciente.[1]

No entanto, é muito limitante. Ao não ter em conta a sociedade em geral, a prevenção da doença é omitido. Muitas doenças que afectam os países do primeiro mundo hoje em dia, tais como doenças cardíacas e diabetes tipo 2 são muito dependentes de ações de uma pessoa e crenças.

Desenvolvimento do modelo biomédico[editar | editar código-fonte]

Os princípios metateóricos do modelo biomédico actual baseiam-se na orientação científica do século XVII, consistindo numa visão mecanicista e reducionista do Homem e da Natureza que surgiu quando filósofos como Galileu, Descartes, Newton, Bacon e outros conceberam a realidade do mundo como uma máquina.

Newton imaginou o Universo a partir de um modelo mecânico. Os seus elementos são partículas materiais, objectos pequenos, sólidos e indestrutíveis, que se movem no espaço e no tempo. E a partir dos quais toda a matéria é feita. Na mecânica newtoniana, todos os acontecimentos físicos são reduzidos ao movimento dessas partículas materiais (Mayer, 1988). Esse movimento é o resultado da força da gravidade, a qual é traduzida em equações matemáticas, que constituem a base da mecânica clássica.

O mundo é considerado como uma máquina e, à semelhança desta, formado por um conjunto de peças. Deste modo, para o compreender, basta utilizar o mesmo método que se utiliza para perceber uma máquina, isto é, desmonta-se e separam-se as peças.

Esta concepção do mundo físico foi generalizada aos seres vivos (Mayer, 1988). Assim, tal como se faz com as máquinas, estudam-se os seres vivos desarticulando as suas partes constituintes (os órgãos). E cada parte é estudada separadamente. Cada uma destas partes desempenha uma determinada função observável. O conjunto, que representa o organismo, é explicado pela soma das partes ou das propriedades.

Nesta perspectiva, Descartes concebeu também o corpo humano como uma máquina, comparando um homem doente a um relógio avariado e um saudável a um relógio com bom funcionamento.

A ideia de um mundo concebido à maneira de um modelo mecânico, e a utilização da metáfora do relógio para o caracterizar, constituem a metateoria a partir da qual as Ciências da Natureza se fundamentam. A natureza é vista como sendo exterior ao Homem e com uma existência objectiva e independente dele; constituída por peças que se movem segundo leis fixas.

Salienta-se que esta visão mecanicista do mundo, tendo sido acompanhada pelo médicos e fisiologistas mais célebres da época, fez com que, de facto, o corpo humano fosse conceptualizado como um grande engenho cujas peças se encaixam ordenadamente e segundo um processo racional.

Referências

  1. Annandale, The Sociology of Health and Medicine: A Critical Introduction, Polity Press, 1998