Monotremata

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Como ler uma caixa taxonómicaMonotremata
Ocorrência: Cretáceo Inferior - Recente
Ornitorrinco
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Subclasse: Prototheria
Ordem: Monotremata
Bonaparte, 1837
Famílias
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Os monotremados (Monotremata [1]), ou monotrématos, são mamíferos que põem ovos, diferindo significativamente com os modos reprodutivos dos marsupiais e dos placentários. Eles retêm muitas características de seus ancestrais terapsídeos, porém apresentam várias características mamalianas importantes, como a presença de pêlos, coração dividido em quatro câmaras, três ossículos auditivos e a presença de glândulas mamárias com produção de leite. Encontrados na Austrália, Tasmânia e Nova Guiné, os monotremados provavelmente originaram-se durante o Mesozóico, quando se separaram da vertente Theria. Compreendendo duas famílias, três gêneros e quatro espécies viventes, esta ordem constitui uma das mais distintas entre os mamíferos atuais.

Índice

[editar] Características

Os monotremados mantiveram algumas características esqueléticas presentes nos seus ancestrais reptilianos, entre as quais as mais importantes são a estrutura da cintura escapular e alguns traços craniais. O crânio é razoavelmente grande, a caixa craniana arredondada e o focinho alongado. Os adultos das espécies viventes não possuem dentes. Dentes vestigiais estão presentes na mandíbula de jovens ornitorrincos, mas eles nunca irrompem da gengiva. Várias espécies fósseis apresentam a dentição totalmente desenvolvida. Os monotremados retêm cartilagens escleróticas, embora elas não sejam ossificadas, formando um anel ósseo, como o que ocorre com os demais amniotas, incluindo os sinapsídeos não-mamíferos. Também está presente o osso septomaxilar, o qual não é encontrado nos térios. O arco zigomático está reduzido ou ausente. O dentário (que forma a mandíbula) é delgado com um vestígio rudimentar do processo coronóide. Os ossos lacrimais estão ausentes e não possuem bula timpânica (cóclea).

O esqueleto pós-craniano dos monotremados é também único entre os mamíferos. Mostram um mosaico de características inerentes dos terapsídeos não encontradas em nenhum outro mamífero, e modificações provavelmente relatadas aos hábitos escavadores dos monotremados modernos. A cintura pélvica apresenta o formato derivado mamaliano, apesar de conservar os ossos epipúbicos, enquanto sua cintura escapular é mais similar à condição tipicamente réptil, conservando os ossos coracóide, epicoracóide e interclavícula. O ombro é mais rigidamente ligado ao esqueleto axilar. O fêmur e úmero são perpendiculares ao corpo como nos répteis. Apresentam costelas cervicais.

A cloaca está presente em ambos os sexos, e constitui o orifício único, que deu nome a ordem, onde desembocam o sistema digestório, urinário e reprodutivo. Nos machos, os testículos são abdominais e o pênis situado na parte ventral da cloaca, conduz apenas o esperma. As fêmeas são ovíparas, não possuem vagina, apresentam ovidutos, onde os óvulos são fertilizados, cobertos pelo albúmen e recobertos com uma casca, e como todos os mamíferos apresentam glândulas mamárias, apesar de não possuir mamilos (tetas).

Detalhe do esporão presente no Ornitorrinco.

Os machos apresentam um esporão no tornozelo, nos ornitorrincos esse esporão é sulcado para a passagem de uma substância glandular venenosa.

Apesar de possuírem muitas características reptilianas, os monotremados são tipicamente mamíferos. Como todos os mamíferos, possuem pêlos, o coração dividido em quatro câmaras, nutrem seus filhotes com leite e são animais de sangue quente.


[editar] Classificação

Équidnas em ilustração de John Gould para o livro Mammals of Australia (1849-1861).

Notas e referências

  1. Do grego monos, único + trema, orifício, uma alusão a presença da cloaca.
  2. Mckenna e Bell (1997) dividiram os monotremados em duas ordens Platypoda Gill, 1872 e Tachyglossa Gill, 1872, e consideraram o termo Monotremata sinônimo de Prototheria. Entretanto, como o período de divergência entre as duas famílias ainda é desconhecido, conservativamente, Groves (2005) manteve as famílias em uma única ordem, a Monotremata.
  3. Alguns taxonomistas colocam-no no gênero Obdurodon, por apresentar semelhanças morfológicas.
  4. Alguns taxonomistas incluem-na na família Ornithorhynchidae.
  5. Pode ser considerada como sinônimo de Megalibgwilia ramsayi.

[editar] Referências gerais

  • NOVAK, R. M. Walker’s Mammals of the World. Baltimore: John Hopkins University Press, 1999.
  • GRZIMEK, B.; SCHLAGER, N.; OLENDORF, D. Grzimek's Animal Life Encyclopedia. Detroit: Thomson Gale, 2003.
  • COLBERT, E. H; MORALES, M.; MINKOFF, E. C. Colbert's Evolution of the Vertebrates. 5ª ed. Nova Iorque: Wiley-Liss, 2001.
  • GROVES, C. Monotremata. In: WILSON, D. E., REEDER, D. M. (eds). Mammal Species of the World, 3ª edição, Johns Hopkins University Press, 2005. p. 1-2.
  • McKENNA, M. C.; BELL, S. K. Classification of Mammals - Above the Species Level., Columbia University Press, New York, 1997.
  • DYKES, T. (2001). Monotremata (On-line). Mezocoic mammals - an internet directory. Acessado em 7 de março de 2008.
  • WOODBURNE, M. O., TEDFORD, R. H. (1975). The first tertiary monotreme from Australia. American Museum Novitates, 2588, pp. 1–11. [1]

[editar] Ligações externas

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