Monotremata
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Os monotremados (Monotremata [1]), ou monotrématos, são mamíferos que põem ovos, diferindo significativamente com os modos reprodutivos dos marsupiais e dos placentários. Eles retêm muitas características de seus ancestrais terapsídeos, porém apresentam várias características mamalianas importantes, como a presença de pêlos, coração dividido em quatro câmaras, três ossículos auditivos e a presença de glândulas mamárias com produção de leite. Encontrados na Austrália, Tasmânia e Nova Guiné, os monotremados provavelmente originaram-se durante o Mesozóico, quando se separaram da vertente Theria. Compreendendo duas famílias, três gêneros e quatro espécies viventes, esta ordem constitui uma das mais distintas entre os mamíferos atuais.
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[editar] Características
Os monotremados mantiveram algumas características esqueléticas presentes nos seus ancestrais reptilianos, entre as quais as mais importantes são a estrutura da cintura escapular e alguns traços craniais. O crânio é razoavelmente grande, a caixa craniana arredondada e o focinho alongado. Os adultos das espécies viventes não possuem dentes. Dentes vestigiais estão presentes na mandíbula de jovens ornitorrincos, mas eles nunca irrompem da gengiva. Várias espécies fósseis apresentam a dentição totalmente desenvolvida. Os monotremados retêm cartilagens escleróticas, embora elas não sejam ossificadas, formando um anel ósseo, como o que ocorre com os demais amniotas, incluindo os sinapsídeos não-mamíferos. Também está presente o osso septomaxilar, o qual não é encontrado nos térios. O arco zigomático está reduzido ou ausente. O dentário (que forma a mandíbula) é delgado com um vestígio rudimentar do processo coronóide. Os ossos lacrimais estão ausentes e não possuem bula timpânica (cóclea).
O esqueleto pós-craniano dos monotremados é também único entre os mamíferos. Mostram um mosaico de características inerentes dos terapsídeos não encontradas em nenhum outro mamífero, e modificações provavelmente relatadas aos hábitos escavadores dos monotremados modernos. A cintura pélvica apresenta o formato derivado mamaliano, apesar de conservar os ossos epipúbicos, enquanto sua cintura escapular é mais similar à condição tipicamente réptil, conservando os ossos coracóide, epicoracóide e interclavícula. O ombro é mais rigidamente ligado ao esqueleto axilar. O fêmur e úmero são perpendiculares ao corpo como nos répteis. Apresentam costelas cervicais.
A cloaca está presente em ambos os sexos, e constitui o orifício único, que deu nome a ordem, onde desembocam o sistema digestório, urinário e reprodutivo. Nos machos, os testículos são abdominais e o pênis situado na parte ventral da cloaca, conduz apenas o esperma. As fêmeas são ovíparas, não possuem vagina, apresentam ovidutos, onde os óvulos são fertilizados, cobertos pelo albúmen e recobertos com uma casca, e como todos os mamíferos apresentam glândulas mamárias, apesar de não possuir mamilos (tetas).
Os machos apresentam um esporão no tornozelo, nos ornitorrincos esse esporão é sulcado para a passagem de uma substância glandular venenosa.
Apesar de possuírem muitas características reptilianas, os monotremados são tipicamente mamíferos. Como todos os mamíferos, possuem pêlos, o coração dividido em quatro câmaras, nutrem seus filhotes com leite e são animais de sangue quente.
[editar] Classificação
- Ordem MONOTREMATA[2] Bonaparte, 1837
- Família †Kollikodontidae Flannery, Archer, Rich e Jones, 1995
- Gênero †Kollikodon Flannery, Archer, Rich e Jones, 1995
- †Kollikodon ritchiei Flannery, Archer, Rich e Jones, 1995
- Gênero †Kollikodon Flannery, Archer, Rich e Jones, 1995
- Família Ornithorhynchidae Gray, 1825
- Gênero Ornithorhynchus Blumenbach, 1800
- Ornithorhynchus anatinus (Shaw, 1799) - Ornitorrinco
- Gênero †Obdurodon Woodburne e Tedford, 1975
- †Obdurodon dicksoni Archer, Jenkins, Hand, Murray e Godthelp, 1992
- †Obdurodon insignis Woodburne e Tedford, 1975
- Gênero Monotrematum Pascual, Archer, Ortiz, Jaureguizar, Prado, Godthelp e Hand, 1992
- †Monotrematum sudamericanum [3] Pascual, Archer, Ortiz, Jaureguizar, Prado, Godthelp e Hand, 1992
- Gênero Ornithorhynchus Blumenbach, 1800
- Família †Kollikodontidae Flannery, Archer, Rich e Jones, 1995
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- Família †Steropodontidae [4] Archer, Flannery, Ritchie e Molnar, 1985
- Gênero †Steropodon Archer, Flannery, Ritchie e Molnar, 1985
- †Steropodon galmani Archer, Flannery, Ritchie e Molnar, 1985
- Gênero †Teinolophos Rich, Vickers-Rich, Constantine, Flannery, Kool e van Klaveren, 1999
- †Teinolophos trusleri Rich, Vickers-Rich, Constantine, Flannery, Kool e van Klaveren, 1999
- Gênero †Steropodon Archer, Flannery, Ritchie e Molnar, 1985
- Família Tachyglossidae Gill, 1872 - Équidnas
- Gênero Tachyglossus Illiger, 1811
- Tachyglossus aculeatus (Shaw, 1792)
- Gênero Zaglossus Gill, 1872
- Zaglossus attenboroughi Flannery e Groves, 1998
- Zaglossus brujini (Peters e Doria, 1876)
- Zaglossus bartoni Thomas, 1907
- †Zaglossus hacketti (Glauert, 1914)
- †Zaglossus harrisoni [5] Scott e Lord, 1922
- Gênero †Megalibgwilia Griffiths, Wells e Barrie, 1991
- †Megalibgwilia robusta (Dun, 1986)
- †Megalibgwilia ramsayi (Owen, 1884)
- Gênero Tachyglossus Illiger, 1811
- Família †Steropodontidae [4] Archer, Flannery, Ritchie e Molnar, 1985
Notas e referências
- ↑ Do grego monos, único + trema, orifício, uma alusão a presença da cloaca.
- ↑ Mckenna e Bell (1997) dividiram os monotremados em duas ordens Platypoda Gill, 1872 e Tachyglossa Gill, 1872, e consideraram o termo Monotremata sinônimo de Prototheria. Entretanto, como o período de divergência entre as duas famílias ainda é desconhecido, conservativamente, Groves (2005) manteve as famílias em uma única ordem, a Monotremata.
- ↑ Alguns taxonomistas colocam-no no gênero Obdurodon, por apresentar semelhanças morfológicas.
- ↑ Alguns taxonomistas incluem-na na família Ornithorhynchidae.
- ↑ Pode ser considerada como sinônimo de Megalibgwilia ramsayi.
[editar] Referências gerais
- NOVAK, R. M. Walker’s Mammals of the World. Baltimore: John Hopkins University Press, 1999.
- GRZIMEK, B.; SCHLAGER, N.; OLENDORF, D. Grzimek's Animal Life Encyclopedia. Detroit: Thomson Gale, 2003.
- COLBERT, E. H; MORALES, M.; MINKOFF, E. C. Colbert's Evolution of the Vertebrates. 5ª ed. Nova Iorque: Wiley-Liss, 2001.
- GROVES, C. Monotremata. In: WILSON, D. E., REEDER, D. M. (eds). Mammal Species of the World, 3ª edição, Johns Hopkins University Press, 2005. p. 1-2.
- McKENNA, M. C.; BELL, S. K. Classification of Mammals - Above the Species Level., Columbia University Press, New York, 1997.
- DYKES, T. (2001). Monotremata (On-line). Mezocoic mammals - an internet directory. Acessado em 7 de março de 2008.
- WOODBURNE, M. O., TEDFORD, R. H. (1975). The first tertiary monotreme from Australia. American Museum Novitates, 2588, pp. 1–11. [1]
[editar] Ligações externas
- In the shadow of dinosaurs, the mammals' story (em inglês)
- TOLWEB - Monotremata (em inglês)
- Introduction to Monotremata - Berkeley University (em inglês)
- Mikko's Haaramo Phylogeny - Monotremata