Monte do Templo
O Monte do Templo (em hebraico: הר הבית, transl. Har Ha-Bayit), em alusão ao antigo templo, pelos judeus e cristãos, e Nobre Santuário (الحرام الشريف, transl. Al-Haram ash-Sharif) pelos muçulmanos. Também conhecida como a Esplanada das Mesquitas, é um lugar sagrado para muçulmanos e judeus e é um dos locais mais disputados do mundo.
É o lugar mais sagrado do judaísmo, já que no Monte Moriá se situa a história bíblica do sacrifício de Isaac (para os muçulmanos, lá teria ocorrido o sacrifício de Ismael. O lugar da "pedra do sacrifício" (a Sagrada Pedra de Abraão) foi eleito pelo rei David para construir um santuário que albergasse o objecto mais sagrado do judaísmo, a Arca da Aliança. As obras foram terminadas por Salomão no que se conhece como Primeiro Templo ou Templo de Salomão e cuja descrição só conhecemos através da Bíblia, já que foi profanado e destruído por Nabucodonosor II em 587 a.C., dando início ao exílio judaico na Babilónia. Uns anos depois foi reconstruído o Segundo Templo, que voltou a ser destruído em 70 d.C. pelos romanos, com a excepção do muro ocidental, conhecido como Muro das Lamentações, que ainda se conserva e que constitui o lugar de peregrinação mais importante para os judeus. Segundo a tradição judaica, é o sítio onde deverá construir-se o terceiro e último templo nos tempos do Messias.
O local é o terceiro lugar mais sagrado do islamismo, referência a viagem até Jerusalém e a ascensão de Muhammad ao paraíso. O local é também associado a vários profetas judeus, sendo que os próprios muçulmanos consideram estes profetas judeus como muçulmanos. Lá localiza-se a Mesquita de Al-Aqsa e o Domo da Rocha, construídas ambas no século VII, uma das estruturas mais antigas do mundo muçulmano.[1]
[editar] História
Segundo a ortodoxia judaica, os judeus não devem penetrar no Monte do Templo porque o consideram um lugar sagrado profanado e porque poderiam, sem querer, violar o sancta sanctorum do desaparecido templo, isto é, a zona do mesmo cuja entrada só estava permitida, e ainda é assim, ao sumo sacerdote.
O Califa Omar ordenou a construção de uma mesquita ao lado sudeste do local, em direção a Meca, somente 78 anos após isto foi concluída a mesquita de al-Aqsa. A construção original ficou conhecida por ter sido feito de madeira.[2]
Em 691 uma mesquita octogonal com uma cúpula foi construída sobre as rochas, chefiada pelo califa Abd al Malik, ficando o santuário conhecido como a Domo da Rocha (Qubbat as-Sakhra قبة الصخرة). Sua cúpula em si foi coberta de ouro somente em 1920. Em 715, os omíadas liderados pelo califa al-Walid I, construíram um templo nas proximidades de Chanuyos (ver ilustrações e imagem detalhada), que deram o nome de al-Masjid al-Aqsaالمسجد الأقصى, a al-Aqsa ou traduzido "a mais distante mesquita ", correspondente à crença muçulmana de milagrosa jornada noturna como relatado no Alcorão e hadith feita por Muhammad. O termoal-Haram al-Sharifالحرم الشريف (Santuário Nobre) refere-se a toda a área que circunda a rocha, como foi chamado mais tarde pela mamelucos e Império Otomano.[3]
Após o local ter sido conquistado pelos cruzados, Saladino reconquistou Jerusalém e os templos em 2 de outubro de 1187, através do Cerco a Jerusalém. Antes da queda pelos cristãos, Saladino ofertou generosos termos de rendição, os quais foram rejeitados. Após o cerco ter iniciado, ele ofereceu 25% do reino de Jerusalém ao povo cristão, que também foi rejeitado, porém após a morte de uma série de muçulmanos (estima-se 5.000), as forças cristãs lideradas por Balião de Ibelin iniciaram a destruição dos locais sagrados muçulmanos localizados na Esplanada das Mesquitas,[4][5] o que gerou a revolta entre os muçulmanos. Após a captura de Jerusalém, Saladino convidou os judeus a voltarem a cidade, sendo que estes anteriormente foram expulsos pelos cristãos.[6] Os judeus de Ashkelon, uma grande população judaica, aceitaram este convite e voltaram a viver em Jerusalém.[7]
[editar] História recente
Frequentemente[8] o acesso aos templos é bloqueado por questões de segurança (o que algumas organizações vêem como violações aos direitos humanos[9]), porém em determinadas ocasiões do ano o acesso de fiéis oriundos da Cisjordânia é liberado pelo exército israelense; durante o Ramadã de 2008, por exemplo, o então ministro da defesa do país, Ehud Barak, permitiu o acesso, durante as reuniões de sexta-feira, apenas de homens entre 45 e 50 casados, mulheres de 30 e 45 anos, além de homens com mais de 50 e mulheres com mais de 45 anos.[10]
Referências
- ↑ Rizwi Faizer (1998). The Shape of the Holy: Early Islamic Jerusalem. Rizwi's Bibliography for Medieval Islam.
- ↑ Was the Aksa Mosque built over the remains of a Byzantine church?, por ETGAR LEFKOVITS, Jerusalem Post, November 16, 2008 [1]
- ↑ Oleg Grabar,O Haram ak-Sharif: Um ensaio em interpretação, vol BRIIFS vol. 2 no 2 (Autumn 2000).
- ↑ E. J. Brill's First Encyclopaedia of Islam, 1913-1936.
- ↑ The era of the Second and Third Crusades » The Crusader states to 1187, Encyclopaedia Britannica
- ↑ Scharfstein e Gelabert, 1997, p. 145.
- ↑ Rossoff, 2001, p. 6.
- ↑ Liga Árabe condena fechamento da Esplanada das Mesquitas, Agência EFE - Terra, 5 de outubro de 2009.
- ↑ On Israeli Human Rights Violations in the Occupied Palestinian Territory
- ↑ Israel libera palestinos da Cisjordânia para irem a Al Aqsa por Ramadã - Yahoo Notícias, 31 de agosto de 2009.