Montenegro (Rio Grande do Sul)

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Município de Montenegro
"Cidade das artes"
Morro São João.jpg

Bandeira de Montenegro
Brasão de Montenegro
Bandeira Brasão
Hino
Aniversário 5 de maio
Fundação 5 de maio de 1873
Gentílico montenegrino
CEP 95780-000
Prefeito(a) Paulo Azeredo (PDT)
(2013–2016)
Localização
Localização de Montenegro
Localização de Montenegro no Rio Grande do Sul
Montenegro está localizado em: Brasil
Montenegro
Localização de Montenegro no Brasil
29° 41' 20" S 51° 27' 39" O29° 41' 20" S 51° 27' 39" O
Unidade federativa  Rio Grande do Sul
Mesorregião Metropolitana de Porto Alegre IBGE/2008 [1]
Microrregião Montenegro IBGE/2008 [1]
Região metropolitana Porto Alegre
Municípios limítrofes Triunfo, Nova Santa Rita, Capela de Santana, Pareci Novo, São José do Sul, Maratá, Brochier e Paverama
Distância até a capital 55 km
Características geográficas
Área 420,017 km² [2]
População 59 436 hab. Censo IBGE/2010[3]
Densidade 141,51 hab./km²
Altitude 31 m
Clima Não disponível
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,755 alto PNUD/2012 [4]
PIB R$ 1 421 097,843 mil IBGE/2008[5]
PIB per capita R$ 24 041,58 IBGE/2008[5]
Página oficial

Montenegro é um município do estado brasileiro do Rio Grande do Sul, pertencente à Região Metropolitana de Porto Alegre.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Localiza-se a 29º41'19" de latitude sul e 51º27'40" de longitude oeste, a uma altitude de 31 metros. Segundo o censo 2010 do IBGE, a população é de 59.415 habitantes.

Possui uma área de 440,84 km².

Aspectos históricos[editar | editar código-fonte]

As terras de Montenegro estavam entre as primeiras a serem desbravadas por portugueses e espanhóis após o descobrimento do Brasil. O rio Caí foi importante rota para mercadores espanhóis que subiam o rio da Prata e portugueses, vindos da Lagoa dos Patos pelo rio Jacuí. Os desbravadores faziam incursões terrestres, com o objetivo de explorar e dominar terras, além de procurar índios para usá-los como mão de obra na mineração e engenhos de açúcar nas capitanias do Norte.

Os ibiraiaras[editar | editar código-fonte]

Montenegro está na região que os indígenas denominavam Ibiaçá, que significa "Travessia do Caminho do Rio". Esta região abrangia desde a ilha de Santa Catarina até a margem esquerda do rio Jacuí. Nela estava incluída a região de Ibiá, que se estendia entre as bacias dos rios Taquari e Caí.

Por volta de 1635 os índios ibiraiaras habitavam a região. Falavam diferentes línguas e tinham costumes diferentes dos tupis. Eram chamados de bilreiros, por usarem nos lábios botoques semelhantes a bilros. Usavam grandes tacapes, manejados com perícia.

As bandeiras e a Colônia de Sacramento[editar | editar código-fonte]

Aproximadamente em 1636 surgiram os bandeirantes paulistas, entre eles Antônio Raposo Tavares, e destruíram grande parte das aldeias. Isso obrigou os jesuítas a se retirarem para a margem direita do rio Uruguai.

Em 1680 foi fundada a Colônia do Sacramento, no atual território do Uruguai, à margem esquerda do rio de mesmo nome, que viria a estimular o desenvolvimento da capitania de São Pedro do Rio Grande, a qual formaria depois o estado do Rio Grande do Sul. Atraídos pela riqueza e fartura das terras, os tropeiros, suas famílias e escravos se estabeleceram definitivamente. Criaram as invernadas, que se transformavam em estâncias.

Os açorianos[editar | editar código-fonte]

A colonização dos açorianos iniciou uma nova era de desenvolvimento no Rio Grande do Sul. Mostravam disciplina e dedicação ao trabalho, através da exploração da agricultura, pecuária, navegação e pesca. Dominavam a carpintaria, luminária e ferraria, além da alfaiataria e o tear. O couro era muito utilizado na confecção de cobertores, camas, parte interna das casas, cadeiras, botas e roupas de trabalho.

Os portugueses Antônio de Sousa Fernando, Bartolomeu Gonçalves de Magalhães e Antônio José Machado de Araújo e suas famílias, foram os primeiros a se instalar no município de Montenegro, à margem direita do rio Caí, na década de 1730 a 1740.

A primeira moradia construída na sede foi a de Estêvão José de Simas, por volta de 1785, na colina onde se encontra hoje a Escola Delfina Dias Ferraz. A casa era de pedras, coberta com telhas - raras na época. Foi edificada por José de Araújo Vilela e mais tarde, habitada por Tristão José Fagundes, genro de Simas e fundador da cidade.

Alemães, italianos e franceses[editar | editar código-fonte]

Após os primeiros colonizadores portugueses e paulistas, vieram os imigrantes alemães, italianos e franceses.

Em 1824 chegou o primeiro grupo de imigrantes alemães em pequeno número, num total de 126 pessoas. Alguns meses depois vieram mais 157 famílias, com 909 pessoas. Em uma segunda etapa da imigração, por volta de 1857, aportaram aqui imigrantes alemães e italianos em quantidade considerável. Eles se destacaram pela economia agrícola e suinocultura. Os franceses vieram em menor número e desenvolveram principalmente o artesanato.

O porto da cidade sobre o rio Caí era ponto de desembarque das famílias de imigrantes que vinham de Porto Alegre em direção as novas colônias. Eram conduzidas provisoriamente para um galpão grande, situado numa chácara onde hoje está instalado o Parque Centenário. Em função desta parada, muitas famílias não seguiram adiante, preferindo ficar na região.

A Revolução Farroupilha[editar | editar código-fonte]

Em 1835 os gaúchos se rebelaram contra a monarquia, dando início a mais longa guerra civil do Brasil, que durou 3.466 dias. Durante a Revolução Farroupilha, o território de Montenegro se tornou passagem obrigatória das tropas, causando grandes prejuízos às estâncias, que eram saqueadas e perdiam gado, cavalos e mantimentos.

A ferrovia[editar | editar código-fonte]

Prédio da antiga Estação Ferroviária, hoje um centro cultural

A cidade contava com uma linha da Rede Ferroviária Federal, vinda do braço de São Leopoldo, tendo sido inaugurada em 1909. A linha férrea levou progresso e desenvolvimento a toda a região. Foi a viação férrea que deu largo impulso a outros municípios da região, tais como Maratá, Salvador do Sul e Barão que eram parte de Montenegro.

A Estação férrea de Montenegro expandiu-se, recebeu reformas e melhorias em 1932 e depois de novo em 1950. O movimento de cargas e passageiros nesta região do rio Caí foi desativada no final da década de 1960.

Atualmente o prédio da estação Montenegro está sendo restaurado para abrigar um centro cultural na cidade. Quando estiver pronta a obra de restauração, deverá estar à disposição da comunidade um amplo complexo de lazer e cultura com cerca de 45 mil metros quadrados.

História política[editar | editar código-fonte]

Sua primeira designação foi a de "Porto das Laranjeiras", integrando o 2º Distrito da Vila de Triunfo. A partir da Lei nº 630, de 18 de outubro de 1867, passou a denominar-se freguesia de São João do Monte Negro.

Em 1873 as 33 vilas existentes no Estado foram, por força da evolução da legislação e das Constituições, se transformando em municípios. Neste mesmo ano é criada oficialmente a Vila de São João do Monte Negro, no dia 5 de maio, através da Lei nº 885. Porém a sua instalação como Vila e sede, aconteceu somente no dia 4 de agosto de 1873, com o desmembramento da Vila de Triunfo.

A primeira Câmara Municipal de Montenegro foi instituída em 1873, composta por sete vereadores eleitos, tendo como presidente da Intendência José Rodrigues da Rosa.

Em 14 de outubro de 1913, pelo Decreto nº 2.026, a então vila de São João do Monte Negro foi elevada a categoria de cidade, já então com a denominação de São João de Montenegro.

Em 31 de março de 1938, pelo Decreto nº 7.199 o município já denominado Montenegro foi dividido em onze distritos: Montenegro, Maratá, Harmonia, Barão, Bom Princípio, Estação São Salvador (atual Salvador do Sul), São Vendelino, Tupandi, Brochier, Poço das Antas e Pareci Novo.

Cultura[editar | editar código-fonte]

Artes[editar | editar código-fonte]

Recebeu o título de "Cidade das Artes" e conta com o complexo de artes cênicas e visuais da UERGS (Universidade Estadual do Rio Grande do Sul), que é um convênio com a Fundarte (Fundação Municipal de Artes de Montenegro).

Mídia[editar | editar código-fonte]

Televisão

Em Montenegro está localizada a sede da TV Cultura do Vale, canal 53 UHF.

Rádio


Jornais

Há Três jornais com sede em Montenegro:

  • Jornal O Progresso
  • Jornal Ibiá
  • Jornal Hoje
  • Jornal Fato Novo
Revistas
  • Expressão
  • Evidência
Guias comerciais
  • AzCidades

Pontos de interesse[editar | editar código-fonte]

Cais do Porto[editar | editar código-fonte]

Cais do Porto

Inaugurado em 7 de setembro de 1904, o porto da cidade sobre o rio Caí era ponto de desembarque das famílias de imigrantes que vinham de Porto Alegre em direção às novas colônias.

Hoje, os adeptos de caminhadas e mateadas utilizam a infraestrutura do Cais do Porto. Ele recebeu bancos, quiosques e calçadão em quase toda a sua extensão. O rio Caí, considerado um cartão postal da cidade, também é o atrativo para os desportistas que praticam jet-ski e canoagem.

Morro São João[editar | editar código-fonte]

Morro São João

O Morro São João é avistado de longe pelos que chegam ao município. Localizado no centro da cidade, possui uma estrada de acesso e dois mirantes. Diz a lenda que o morro é um gigante adormecido.

Casa da Atafona[editar | editar código-fonte]

Atafonas são prédios destinados a produzir farinha de mandioca. A palavra é de origem árabe, de acordo com o Novo Dicionário Aurélio, 2ª edição, pág. 190: attahuna (at-tahunâ), significando moinho ou, ainda, pedra de moinho.

A dedicação da família de Martim Maurer é um exemplo de agricultura ecológica. Bisneto de imigrantes alemães e um dos fundadores da maior cooperativa de sucos cítrico orgânicos do Rio Grande do Sul, a "ECOCITRUS". Na Casa da Atafona, antiga casa dos seus bisavós, a história da família alemã no RS e a prática da agricultura saudável estão a disposição de todos os que desejam conhecer um pedaço da história do Brasil.

Usina Maurício Cardoso[editar | editar código-fonte]

Não há registro exato da data de construção da Usina. O local ocupado pela Usina hoje já foi a Praça Borges de Medeiros e hoje funciona como sede da Câmara de Vereadores e de diversos eventos artísticos e culturais. A Usina Maurício Cardoso foi inaugurada em 22 de maio de 1938 e sua parada definitiva ocorreu em 1º de novembro de 1955, quando a Prefeitura firmou contrato com a CEEE, passando a administração da Usina e o fornecimento de energia à cidade para a estatal.

A Usina Mauricio Cardoso foi construída pelo engenheiro alemão Eugen Wilhelm Thudium. Thudium, nascido em Stuttgart no ano de 1884, era engenheiro da Deutz AG e transferiu-se para Porto Alegre no início do século XX, contratado pela Sociedade Anônima Moinhos Rio-Grandenses (SAMRIG). Em meio ao projeto que desenvolvia na capital, foi contratado pelo então prefeito de Montenegro e chefiou a construção da Usina Maurício Cardoso, vindo a se estabelecer na cidade futuramente. Casou-se com a montenegrina descendente de alemães Elvira Enck e logo se tornou uma das grandes figuras locais, sendo Thudium e o prefeito da época os únicos a possuírem um automóvel na cidade. Em 6 de agosto de 1938, veio a falecer subitamente devido a um acidente vascular cerebral. O engenheiro Eugen Wilhelm Thudium foi responsável pela construção de dezenas de usinas pelo Rio Grande do Sul e também pelo estabelecimento do sobrenome alemão Thudium no Brasil, cujos descendentes residem em Porto Alegre até os dias de hoje.

Capacidade: a Usina abastecia Montenegro, Porto dos Pereiras, Porto do Maratá, Pareci Novo e São Sebastião do Caí, com um motor de 600HP da marca Deutz Otto. O motor era movido a gás pobre e acoplado a um dínamo de corrente alternada. Usava como combustível lenha e carvão. Dispunha de dois gasogênios, sendo um para lenha e outro para carvão. Antigos moradores locais contam que a construção tremia quando as máquinas funcionavam, parando somente aos sábados para a limpeza geral.[6]

Curiosidades[editar | editar código-fonte]

Está sediada na cidade a fábrica da CBC (Companhia Brasileira de Cartuchos), que produz armas de fogo e pressão, além de munições.

Montenegrinos ilustres[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Divisão Territorial do Brasil. Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  2. IBGE (10 out. 2002). Área territorial oficial. Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Página visitada em 5 dez. 2010.
  3. Censo Populacional 2010. Censo Populacional 2010. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (29 de novembro de 2010). Página visitada em 11 de dezembro de 2010.
  4. Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil. Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2012). Página visitada em 09 de novembro de 2013.
  5. a b Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Página visitada em 11 dez. 2010.
  6. Montenegro - Pontos Turísticos

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • KAUTZMANN, Maria Eunice Müller (Coordenação). Montenegro de Ontem e de Hoje (2 volumes). Rotermund S.A., São Leopoldo 1979. (perfil em books.google.com.br)