Montreal

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Ville de Montréal, Québec
Cidade de Montreal, Quebec
Mont.jpg
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Armoiries de Montréal.svg
Bandeira Brasão
Lema(s): Concordia Salus
(Do latim: Salvação Através de Harmonia)
Ville de Montréal, QuébecCidade de Montreal, Quebec está localizado em: Canadá
Ville de Montréal, Québec
Cidade de Montreal, Quebec
Localização no Canadá
Coordenadas: 45°30′32"N, 73°33′15"O
Província Quebec
Fundado em 1642
Incorporado em 1832
Prefeito Denis Coderre
Código postal H
Área  
 - Cidade 366,2 km², 141,3 mi²
 - Metrópole 4 047 km², 1 563 mi²
Altitude 57 m, 187 ft
Fuso horário UTC -5/-4
População (2006)  
 - Cidade 1 620 693
 - Densidade 4 326,5 hab/km², 11 205,6 hab/mi²
 - Metrópole 3 635 700
Website: ville.montreal.qc.ca

Montreal (em francês Montréal 2) é a maior cidade da província canadense de Quebec, a segunda mais populosa do Canadá, e também uma das mais populosas cidades francófonas do mundo. É também uma região administrativa do Quebec. Situa-se na ilha homônima do Rio São Lourenço, sendo um dos principais centros industriais, comerciais e culturais da América do Norte.

Montreal possui a segunda maior população francófona do mundo, depois de Paris. Porém, Montreal também possui uma considerável comunidade anglófona, e um crescente número de pessoas cujo idioma materno não é nem o francês nem o inglês.

A palavra "Montréal" é a versão arcaica, escrita de forma simplificada, de Mont-Royal, um morro localizado na cidade, no centro da ilha. Montreal é um dos centros culturais mais importantes do país, sediando vários eventos nacionais e internacionais. Entre eles estão o Juste pour Rire, um dos maiores festivais de comédia do mundo, o Festival de Jazz de Montréal, um dos maiores festivais de jazz do mundo, e o Grand Prix de Montreal. Com todos estes eventos, aliado ao seu centro antigo, "le Vieux-Montréal", Montreal é considerada a cidade mais europeia da América do Norte.

Montreal possui uma das populações mais bem educadas do mundo, possuindo a maior concentração de estudantes universitários per capita de toda a América do Norte. A cidade possui quatro universidades - duas delas francófonas e duas delas anglófonas - e 12 faculdades. É um centro da indústria de alta tecnologia - especialmente na área de medicina e na indústria aeroespacial. Montreal é atualmente uma das cidades mais seguras do continente americano, sendo que em 2005 foram cometidos apenas 35 homicídios em toda a cidade.

Montreal foi uma das primeiras cidades do Canadá, tendo sido fundada em 1642. Montreal, desde então, foi até a década de 1960 o principal polo financeiro e industrial do Canadá, bem como a maior cidade do país. Considerada até então a capital econômica do Canadá, Montreal também era considerada uma das cidades mais importantes do mundo. Porém, durante a década de 1970, a anglófona Toronto tomou o posto de capital financeira e industrial do país. Em 2001, os 27 subúrbios de Montreal na ilha homônima foram fundidos com Montreal. Em 2004, após os resultados de um referendo, 15 destas ex-cidades tornaram-se administrativamente independentes de Montreal em 1 de janeiro de 2006, voltando a serem cidades à parte.

História[editar | editar código-fonte]

Gravura em madeira de Hochelega, entre 1556 e 1606.

O local onde fica a cidade de Montreal era habitado por nativos algonquinos, hurões e iroqueses, por milhares de anos antes da chegada dos primeiros europeus. Os rios e lagos da região eram cheios de peixes, que serviam como alimento aos nativos, além de servir como rotas de transportes.

O primeiro europeu a pisar na atual cidade de Montreal foi Jacques Cartier, que havia navegado o Rio São Lourenço acima, em 1535. Ouvindo rumores numa aldeia iroquesa, onde atualmente está localizada a cidade de Quebec, de que existia ouro na Ilha de Montreal, e impedido de continuar sua exploração rio acima pelas Cataratas de Lachine (geograficamente ao sul de Montreal), Cartier explorou a ilha, avistando uma aldeia iroquesa, Hochelaga, onde viviam aproximadamente mil nativos. A aldeia estava localizada ao pé do Monte Royal. Cartier então fincou uma cruz, a primeira de uma série, em honra ao Rei francês Francisco I, que havia patrocinado a excursão de Cartier. Para a infelicidade do navegador francês, o que os nativos haviam descrito como um "metal brilhante" não passava de quartzo, ou possivelmente pirita (o ouro dos tolos).

Samuel de Champlain foi à Ilha de Montreal duas vezes, em 1603 e 1611, quase um século depois de Cartier. Hochelaga, então, já havia sido abandonada pelos iroqueses.

Colonização francesa[editar | editar código-fonte]

Em 1639, o cobrador de impostos Jérôme Le Royer criou uma companhia, em Paris. O objetivo da companhia era a colonização da atual Ilha de Montreal. Em 1641, a companhia enviou um grupo de missionários cristãos, cujo objetivo principal era "cristianizar" os nativos locais. Em 1642, o grupo missionário, composto por cerca de 50 pessoas, desembarcou na ilha e construiu um forte, estabelecendo a Vila Maria de Montreal (Ville Marie de Montréal).

Ataques iroqueses assolaram continuamente o forte, esperando destruir a então rentável troca de peles que os franceses mantinham com os algonquinos e hurões, rivais dos iroqueses. Apesar destes ataques, Montreal prosperava como centro católico de troca e venda de peles, bem como uma base central para a exploração de outras regiões da Nova França (regiões da América do Norte fazendo parte do império francês). No início do século XVII, a pequena Ville-Marie passou a ser chamada de Montreal. Então, possuía uma população de aproximadamente 3,5 mil habitantes.

Colonização inglesa[editar | editar código-fonte]

Mapa da Ilha de Montreal em 1744.

Montreal foi invadida por forças inglesas em 1760, durante a Guerra Franco-Indígena (1754 a 1763), e passou definitivamente para controle britânico em 1763, dada a decisão francesa de manter a Ilha de Guadalupe, no Tratado de Paris, cedendo as colônias na América do Norte para o Reino Unido.

Foi ocupada temporariamente pelos Estados Unidos durante a guerra da independência dos Estados Unidos em 1776. Benjamin Franklin e outros diplomatas americanos tentaram conseguir o apoio de canadenses francófonos à causa da independência das Treze Colônias contra os britânicos, sem sucesso. Em junho de 1776, com a chegada de tropas britânicas, os americanos recuaram.

No início do século XVIII, Montreal possuía aproximadamente nove mil habitantes, quando imigrantes vindos da Escócia começaram a se instalar na cidade. Embora constituindo apenas uma pequena percentagem da população da cidade, foram essenciais para a construção do Canal de Lachine, em 1825, que permitiu a navegação de grandes navios pelo rio, tornando a pequena Montreal em um dos principais centros portuários da América do Norte. Os pioneiros escoceses também criaram a primeira ponte conectando a ilha ao continente, o primeiro shopping center da cidade, ferrovias, e o Banco de Montreal, o primeiro banco do Canadá, e atualmente um dos maiores bancos do país.

Foi a capital da província colonial do Canadá entre 1844 e 1849, e centro de uma explosão econômica que atraiu muitos imigrantes de língua inglesa, como irlandeses, escoceses e ingleses. Isto tornou a cidade por um curto período de tempo primariamente anglófona, até a chegada de mais imigrantes franceses nas décadas de 1840 e 1850. Este crescimento acelerado fez de Montreal a maior cidade da América Inglesa, e indiscutivelmente a capital econômica e cultural do Canadá, causando um boom populacional: entre 1825 e 1850, a população da cidade cresceu de 16 mil habitantes para 50 mil habitantes.

De 1867 à década de 1950[editar | editar código-fonte]

O crescimento da cidade, tanto em termos econômicos (construção de indústrias e ferrovias) como populacionais (a cidade alcançou os 100 mil habitantes no fim da década de 1860, dos quais metade eram de origem francesa), continuava. A importância e a prosperidade econômica da cidade aumentou quando a primeira ferrovia transcontinental canadense, a Canadian Pacific Railway, foi construída, conectando Montreal com Vancouver, na Colúmbia Britânica, e outras cidades importantes no interior. Na virada do século, Montreal possuía uma população de aproximadamente 270 mil habitantes.

Vista da cidade do Monte Royal em 1902.

Na Primeira Guerra Mundial, na qual o Canadá lutou do lado dos aliados (França, Reino Unido, e, posteriormente, os Estados Unidos), os habitantes anglófonos da cidade apoiaram o governo, com muitos deles oferecendo-se para lutar na guerra. Os habitantes francófonos, contudo, não tiveram o mesmo entusiasmo. Em 1917, com insuficiência de soldados, a voluntarização forçada de quaisquer pessoas elegíveis a lutar na guerra causou revoltas em Montreal, afastando a população anglófona e francófona uma da outra.

Depois da Primeira Guerra Mundial, com a proibição de bebidas alcoólicas nos Estados Unidos, Montreal tornou-se um paraíso para americanos em busca de bebidas alcoólicas. A cidade ganhou o infame apelido de Sin City (Cidade do Pecado), graças à venda de bebidas alcoólicas, jogo e prostituição.

Rue Saint-Jacques (atual St. James Street) em 1910.

Apesar de duramente atingida pela Grande Depressão econômica na década de 1930, Montreal continuou a se desenvolver, com a construção de vários arranha-céus. Entre eles, o Sun Life Building, o mais alto arranha-céu da Commonwealth Britânica por um período de tempo.

A Segunda Guerra Mundial e o alistamento forçado de pessoas trouxeram novamente problemas de cunho cultural entre anglófonos e francófonos. Desta vez, sem maiores consequências que a prisão de Camillien Houde, então prefeito da cidade, que incentivara os habitantes de Montreal a ignorar a causa do governo canadense na guerra, exortando ao não alistamento na mesma.

Décadas de 1960 e 1970[editar | editar código-fonte]

Por volta de 1950, a cidade de Montreal alcançou seu primeiro milhão de habitantes. Jean Drapeau foi eleito prefeito da cidade em 1954, ficando no cargo até 1957, e, depois, de 1960 até 1986, iniciando grandes projectos como um sistema de metrô, uma cidade subterrânea, a expansão da baía portuária, a inauguração do canal hidroviário do Rio São Lourenço e a construção de modernos edifícios comerciais no centro financeiro da cidade.

Montreal foi o centro do crescimento do nacionalismo quebequense, que havia começado nos anos 50, e crescido até o começo da década de 1970. Em 1967, Montreal foi sede da Expo 67, uma feira internacional que coincidiu com o centenário da independência canadense. A Expo 67 acabou por ser uma das maiores já realizadas da história, além de ter sido o palco de um famoso discurso do então presidente francês, Charles de Gaulle, no qual expressava o seu apoio aos nacionalistas quebequenses, causando turbulências nas relações franco-canadianas.

Montreal organizou os Jogos Olímpicos de Verão de 1976, o que endividou profundamente a cidade (na ordem dos bilhões de dólares canadenses), devido a gastos não controlados e à corrupção. A dívida continuou a ser paga até o início de 2006. Embora Montreal tenha planejado concorrer nas seletivas que determinariam a cidade que sediará os Jogos Olímpicos de 2016, muitos dos habitantes da cidade não querem que a cidade sedie outra Olimpíada.

O maior centro urbano do Canadá e principal centro comercial e industrial do país desde os primórdios da história moderna do Canadá, Montreal foi superado, em número de habitantes e importância econômica, pela cidade de Toronto (Toronto e seus cinco subúrbios da época, que atualmente compõem a cidade de Toronto), na província de Ontário, entre a década de 1970 e década de 1980.

O crescimento do nacionalismo Quebequense teve como consequência a ocorrência de atos terroristas, cometidos na cidade por extremistas entre 1963 e 1970. A aprovação da Lei 101 pelo governo de Quebec, em 1977, limitando o uso do inglês e outros idiomas que não o francês na política, comércio e na mídia, foram fatores decisivos, causando o afastamento de comerciantes e empresas internacionais, que se mudaram principalmente para Toronto, e a diminuição do número de imigrantes instalados na cidade.

Em 6 de dezembro de 1989, Marc Lépine matou 14 estudantes do sexo feminino na Escola Politécnica de Montreal e feriu outros 13 estudantes, antes de cometer suicídio. Este evento, o Massacre da Escola Politécnica de Montreal, é o maior massacre já realizado no país. Em 1992, Valery Fabrikant matou quatro colegas de trabalho na Universidade Concórdia.

Montreal celebrou o seu 350.º aniversário em 1992.

Uma ilha, uma cidade[editar | editar código-fonte]

A cidade de Montreal e seus 27 subúrbios, antes da fusão, ocorrida em 2001.
Montreal, entre 2001 e 2005.

Em 2001, o Partido Quebequense, então no governo da província, fundiu as outras 27 cidades que ocupavam a ilha a Montreal, formando uma única cidade - a cidade de Montreal - sob o slogan Une île, une ville (Uma ilha, uma cidade), à mesma época da fusão de outras cidades de Quebec. Isto foi feito por razões econômicas, uma vez que era esperado que cidades maiores seriam mais eficientes em termos econômicos, podendo ser mais competitivas com outras cidades canadenses, como Toronto, que se tinha fundido com outras cinco cidades vizinhas em 1998.

As cidades que existiam na Ilha de Montreal, unidas nesta fusão eram Anjou, Baie d'Urfé, Beaconsfield, Côte Saint-Luc, Dollard-des-Ormeaux, Dorval, Hampstead, Île-Bizard, Île-Dorval, Kirkland, Lachine, LaSalle, Montréal-Est, Montréal-Nord, Montréal-Ouest, Outremont, Mont-Royal, Pierrefonds, Pointe Claire, Roxboro, Sainte-Anne-de-Bellevue, Sainte-Genéve, Saint-Laurent, Saint-Léonard, Senneville, Verdun e Westmount.

Porém, como aconteceu em outras fusões que haviam ocorrido Canadá afora, a fusão destas 69 posições não foi bem aceita por boa parte da população das cidades envolvidas. Complicava ainda mais esta situação a presença de cidades anglófonas, que seriam fundidas à francófona Montreal. A população destas cidades temia que seus direitos fossem desrespeitados com este ato.

Em abril de 2002, o Partido Liberal do Quebec derrotou o Partido Quebequense. De acordo com as promessas eleitorais, o Partido Liberal concedeu um referendo entre as cidades que haviam sido fundidas com Montreal, votando a favor ou contra a fusão. Tal referendo foi realizado em 20 de julho de 2004, sendo realizado em 22 das 27 antigas cidades. Seguindo os resultados da votação, 15 das antigas cidades iriam recuperar sua independência a 1 de janeiro de 2006. As cidades que decidiram continuar com Montreal foram Anjou, Île-Bizard, Lachine, LaSalle, Montréal-Nord, Outremont, Pierrefonds, Roxboro, Saint-Géneve, Saint-Laurent, Saint-Léonard e Verdun.

Século XXI[editar | editar código-fonte]

Montreal atualmente.

As boas condições econômicas da cidade permitiram atuais avanços na infra-estrura da cidade, com a expansão do sistema de metrô para a cidade vizinha de Laval e o desenvolvimento de um anel rodoviário em torno da Ilha de Montreal. A revitalização de vários bairros, antes decadentes, também está ocorrendo.

Montreal sediou o World Outgames de 2006, um evento esportivo patrocinado pela comunidade homossexual internacional. Estima-se que 18,5 mil pessoas participaram no evento.

Em 13 de setembro de 2006, Kimveer Gill entrou armado dentro do prédio principal da Faculdade Dawson, do qual ele era um estudante, abrindo fogo, matando um estudante e ferindo 22 pessoas, antes de ser incapacitado por policiais. Gill então cometeu suicídio. Foi o terceiro tiroteio realizado em uma instituição educacional em Montreal, e o quinto em território canadense. Em 30 de setembro de 2006, uma rampa de acesso da uma via expressa ao norte da cidade desabou na via. Os destroços esmagaram dois carros que passavam sob a via no momento, matando os cinco ocupantes dos veículos, e ferindo seriamente seis pessoas, de quatro carros que estavam sobre a rampa no momento do acidente e de carros que utilizavam a via expressa e não tiveram tempo de frear quando a rampa desabou.

Panorama de Montreal à noite, vista do Monte Royal.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Localização Geográfica[editar | editar código-fonte]

A cidade localiza-se na Ilha de Montreal, no Rio São Lourenço, incorporando um total de 74 ilhas menores localizadas perto da Ilha de Montreal. Localiza-se a 75 km a leste da província canadense de Ontário, a 150 km a leste da capital do país, Ottawa e a aproximadamente 250 km a sudoeste da capital da província, a cidade de Quebec. As coordenadas geográficas de Montreal são 45°28′Norte e 73°45′Oeste; a altitude média da cidade é de de 57 m, sendo de 23 m nas margens do São Lourenço, e de 233 m no ponto mais alto do Monte Royal.

A Ilha de Montreal possui 50 km de comprimento por 16 km de largura, na sua máxima extensão, e uma área de 482,84 km². Por estar numa posição diagonal, os habitantes da cidade possuem um jeito atípico de descrever direções na cidade: o norte da cidade corresponde na verdade à direção nordeste na bússola magnética; o sul da cidade, ao sudoeste magnético, o leste da cidade, ao sudeste magnético, e o oeste da cidade, ao noroeste magnético.

Região metropolitana[editar | editar código-fonte]

Montreal é o centro de uma região metropolitana que se estende por um raio de aproximadamente 40 km da cidade. A metrópole de Montreal é a segunda mais populosa do Canadá, e a décima mais populosa da América do Norte.

A Metrópole Comunitária de Montreal (Communauté Métropolitaine de Montréal) é o órgão público encarregado do planejamento, coordenação e financiamento de desenvolvimento econômico, transporte público, coleta de resíduos, etc, nesta região metropolitana, que compreende 3 839 km² e possui 3 431 551 habitantes. O presidente da Metrópole Comunitária de Montreal é o prefeito da cidade de Montreal.

As cidades que compõem a Região Metropolitana de Montreal são listadas abaixo.

Clima[editar | editar código-fonte]

Uma cena comum em Montreal, nos dias de inverno.

O clima de Montreal varia bastante, devido à localização da cidade numa área onde grandes frentes de ar, uma vindo do pólo norte, e outra, dos Estados Unidos, costumam encontrar-se. A instabilidade do tempo é considerada pelos habitantes de Montreal como parte do caráter da cidade.

A precipitação é abundante na região. Aproximadamente 2,4 metros de neve caem anualmente na cidade, e a chuva é abundante ao longo do ano, principalmente no verão, a estação mais úmida da cidade. A remoção de neve das principais ruas e vias expressas da cidade custa a Montreal mais de 50 milhões de dólares canadenses por ano.

O clima de Montreal é temperado, com quatro estações bem definidas e variadas. No inverno, a temperatura média da cidade é de -10,4 °C (não incluindo o fator do vento), com mínimas entre -40 °C a -10 °C e máximas entre 0 °C e 25 °C. No verão, a média é de 21 °C, com máximas entre 23 °C a 35 °C.

Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano
Temperatura média mínima (°C) -13,9 -12,2 -6,1 1,7 8,3 13,4 16,1 15 10 3,9 5 -10,5 2,2
Temperatura média máxima

(°C)

-6,1 -4,5 1,7 10,5 18,3 22,8 26,1 24,5 18,9 12,2 -1,7 -2,8 10,5
Precipitação (cm) 7,19 6,6 7,19 7,36 6,85 8,38 8,64 9,14 8,38 7,62 8,89 8,64 94,74
Fonte: Weatherbase

Demografia[editar | editar código-fonte]

Crescimento populacional de Montreal
Ano Habitantes
1801 9 000
1811 13 300
1821 18 767
1831 27 297
1841 40 356
1851 57 715
1861 90 323
1871 107 225
1881 140 747
1891 216 650
1901 267 730
Ano Habitantes
1911 467 986
1921 618 506
1931 818 577
1941 903 007
1951 1 036 542
1961 1 257 537
1971 1 214 532
1981 1 018 609
1991 1 017 666
2001 1 583 590
Fonte: Cidade de Montréal

Montreal possui 1 583 590 habitantes dentro de seus limites municipais (tinha cerca de 1,82 milhão de habitantes quando seus limites municipais incorporavam toda a Ilha de Montreal). A Grande Montreal possui 3 635 400 habitantes, com 3 215 665 habitantes dentro da área urbanizada da cidade, segundo uma estimativa da Statistics Canada. Habitantes da cidade são conhecidos como Montrealer, em inglês, e Montréalais (pessoa do sexo masculino) ou Montréalaise (pessoa do sexo feminino), em francês.

Raças e etnias[editar | editar código-fonte]

Composição racial da população de Montreal:

A cidade de Montreal, como em outras grandes cidades canadenses, é uma cidade multicultural, ou seja, possui uma grande variedade de etnias e culturas diferentes. Juntamente com os descendentes de franceses e ingleses, coexistem comunidades irlandesas, italianas, judaicas, gregas, árabes, hispânicas, haitianas e portuguesas.

Chinatown da cidade de Montreal.

Mais de 25% (embora certas estatísticas elevem esse número a 50%) da população de Montreal é descendente de dois ou mais grupos étnicos. Habitantes não nascidos no país compõem 20% da população da cidade.

Montreal é atualmente uma cidade multicultural, mas a cidade é uma exceção na província de Quebec. Enquanto habitantes de descendência francesa continuam a sair da cidade para estabelecerem-se em subúrbios, ou mesmo em outras cidades da província, mais imigrantes continuam a se estabelecer na cidade.

Brancos compõem 86,7% da população de Montreal, percentagem que aumenta ainda mais quando toda a população de sua região metropolitana é incluída, uma vez que brancos formam mais de 90% da população da grande maioria dos subúrbios de Montreal, com exceção de Kahnawake, uma reserva nativo americana. Montreal possui a maior percentagem de brancos entre qualquer grande cidade da América do Norte, tanto na cidade propriamente dita quanto na região metropolitana.

Religião[editar | editar código-fonte]

A religião predominante na cidade é o catolicismo (dadas as raízes francesas), embora expressivas quantidades de protestantes, muçulmanos e judeus vivam atualmente dentro da cidade.

O fato de Montreal ter sido desde sua fundação um centro católico favoreceu a imigração de irlandeses em grandes quantidades, devido à grande maioria ser também católica.

Idioma[editar | editar código-fonte]

Montreal é a segunda cidade francófona mais populosa do mundo, atrás apenas de Paris. Embora Kinshasa e Abidjan, situadas em países cuja língua oficial é o francês, sejam mais populosas que Montreal, o francês não é falado ou entendido pela maioria da população das duas cidades africanas.

A maioria dos habitantes de Montreal possui como idioma materno o francês. O francês foi reforçado depois que a Lei 101 entrou em vigor na década de 1970. Porém, uma minoria expressiva possui o inglês como idioma materno, e uma crescente quantidade de pessoas possui fluência em ambos os idiomas.

67,8% dos habitantes da Região Metropolitana de Montreal são francófonos, 13,8% são anglófonos, e o restante, 18,4%, possuem outro idioma como língua materna. Enquanto isso, 53% da população da Ilha de Montreal são francófonos, 18% são anglófonos e 29% possuem outro idioma como língua materna. Uma pesquisa realizada em maio de 2004 mostrou que 53% dos habitantes da cidade de Montreal falam tanto o francês como o inglês, 37% apenas francês e 7% apenas inglês.

Administração[editar | editar código-fonte]

A cidade de Montreal é administrada por um prefeito e um conselho municipal composto de 73 membros. Os habitantes da cidade elegem o prefeito. A cidade está dividida em 73 distritos municipais diferentes. A população de cada distrito elege um candidato, que atuará como representante do distrito no conselho municipal, para mandatos de quatro anos de duração. O prefeito da cidade é o principal administrador do governo da cidade, supervisionando e orientando os vários departamentos da cidade. O conselho municipal, por sua vez, discute e aprova diferentes projetos, bem como o orçamento anual.

O conselho municipal é o principal órgão administrativo da cidade de Montreal. O conselho possui mais poder do que o prefeito. O conselho tem órgão jurisdicional em vários domínios, incluindo a segurança pública, as trocas intergovernamentais, o ambiente, o urbanismo e certos programas de subvenções. O conselho de cidade está igualmente carga de supervisionar ou aprovar certas decisões dos conselhos de distritos.

O conselho municipal opera sete comissões. As comissões do conselho são respnsáveis pelas relações públicas e da recepção de comentários, sugestões e críticas ligadas ao conselho municipal. São sobretudo órgãos de consulta, e não possuem nenhum poder administrativo na cidade. A principal função das comissões do conselho é informar e favorecer a participação dos cidadãos em debates públicos relacionados à administração da cidade, e informar a população sobre os membros do conselho municipal, e os candidatos a serem membros deste conselho em eleições municipais. Cada comissão é formada por sete a nove membros eleitos (com excepção de um representante do governo do Quebec à comissão sobre a segurança pública), incluindo um presidente e um Vice-Presidente.

Aglomeração Urbana de Montreal.

Montreal também possui um conselho executivo, cuja função é a preparação de diversos documentos, como o orçamento ou os regulamentos municipais, sujeitos seguidamente ao julgamento do conselho de cidade. Tais documentos envolvem primariamente a concessão dos contratos, subvenções, gestão dos recursos humanos e financeiros, abastecimento e os edifícios municipais.

Montreal está dividida em 27 arrondissements diferentes (não confundir com as 27 antigas municipalidades existentes anteriormente à fusão ocorrida em 2001, esses mesmos números são apenas coincidências). Cada uma destas cidades possui seus próprios conselhos administrativos, os conselhos distritais. A função dos 27 conselhos distritais da cidade de Montreal é o planejamento urbano da coleta de resíduos, vigilância de estabelecimentos culturais e de lazer, do desenvolvimento comunitário, recursos humanos, prevenção de incêndios, da gestão financeira e de tarifações não-fiscais dos respectivos distritos.

Cerca de 40% da renda da cidade provém de impostos cobrados a propriedades. O resto dos fundos municipais provém de taxas cobradas a estabelecimentos comerciais e ao consumo de água, bem como de fundos provenientes da província de Quebec.

Cidades-irmãs[editar | editar código-fonte]

Montreal tem algumas cidades-irmãs:

Subdivisões[editar | editar código-fonte]

As seguintes 29 cidades são atualmente parte de Montreal, mas segundo os resultados do referendo de 2004, serão separadas de Montreal, e tornarão-se cidades independentes novamente:

Mapa atual de Montreal e seus 15 subúrbios.

A área das quinze cidades somadas é de aproximadamente 134 km², e a população delas, somada, é de aproximadamente 160 mil habitantes.

Ilhas da região[editar | editar código-fonte]

Margem norte do São Lourenço[editar | editar código-fonte]

Margem sul do Rio São Lourenço[editar | editar código-fonte]

Economia[editar | editar código-fonte]

Vista do centro financeiro de Montreal.

Desde o século XIX até meados do século XX, a economia da cidade foi dominada por comerciantes e empresas anglófonas, que mantinham seus ambientes de trabalho quase sempre em inglês, obrigando os habitantes da cidade a dominarem esta língua, caso pretendessem um emprego bom e bem pago. A Lei 101, contudo, obrigou quaisquer estabelecimentos e empresas com mais de 50 funcionários a manter também o francês na área de trabalho.

Montreal possui atualmente uma força de trabalho bem experiente mas em declínio, com a migração de habitantes da classe média e alta (especialmente francófonos) para outras cidades vizinhas, e com a entrada de migrantes de outras partes de Quebec, especialmente de áreas rurais, que não possuem experiência ou educação para conseguir um bom trabalho, tendo uma renda mínima, muitas vezes insuficiente para cobrir os altos custos de vida na grande cidade.

Comércio e finanças[editar | editar código-fonte]

Sendo o segundo maior centro financeiro do país, atrás apenas de Toronto, Montreal continua um dos principais centros financeiros da América do Norte. Suas raízes bilíngues e sua posição estratégica na América do Norte atraem empresas interessadas em trabalhar no continente norte-americano, especialmente, companhias francesas, dando a Montreal um acesso especial ao mercado francês e europeu.

Importantes empresas, tanto companhias canadenses sediadas na cidade, bem como companhias de outros países que escolheram a cidade como principal sede no país ou mesmo no continente, possuem seus quartéis-generais na cidade, como a Air Canada, o IBM Canada e a Bombardier. Montreal é o segundo centro econômico de língua francesa mais importante do mundo.

A bolsa de valores da cidade (Bourse de Montréal), inaugurada em 1874, a primeira do Canadá e a principal do país até 1999, já não movimenta mais ações (agora realizadas na bolsa de valores de Toronto). Agora, está especializada na troca e venda de derivatives (contratos de investimento). Outra importante fonte de renda importante da cidade é o turismo.

Centro financeiro em 2006 de Montreal visto do Monte Royal.

Manufatura[editar | editar código-fonte]

O porto hidroviário de Montreal, com o centro da cidade ao fundo.

Cerca de cinco mil fábricas instaladas em Montreal empregam cerca de 25% da força de trabalho da cidade. Montreal é um centro de indústria farmacêutica, de alta tecnologia, têxtil e de manufatura de roupas. Produz também produtos eletrônicos, equipamentos de transporte e de telecomunicação, alimentos industrializados, e é um centro de processamento de tabaco.

A Região Metropolitana de Montreal é um dos principais centros aeroespaciais do mundo, onde está localizado a maioria das fábricas da Bombardier, empregando milhares de trabalhadores. A OACI (Organização da Aviação Civil Internacional) e a CAE (produtora de simuladores de vôo) também estão sediadas na cidade.

Refinarias de petróleo instaladas na cidade produzem boa parte da gasolina do país. A cidade também é um forte centro de processamento de alimentos, graças à sua localização na província, uma das regiões mais férteis do país.

Infra-estrutura[editar | editar código-fonte]

Mídia[editar | editar código-fonte]

Montreal possui 28 estações de rádio (17 em francês, dez em inglês e uma bilíngue), nove estações de televisão (cinco em francês e quatro em inglês), quatro jornais diários (três em francês e um em inglês), além de vários outros jornais comunitários, publicados semanalmente, em francês, inglês e outros idiomas.

Os três jornais diários em francês são La Presse, Le Journal de Montréal e o Le Devoir. O Le Journal de Montréal é o jornal de maior circulação em Quebec, e também é o jornal francófono de maior circulação na América do Norte.

O Montreal Gazette é o único jornal diário publicado em inglês na cidade, e, sendo publicado pela primeira vez em 1778, é também o jornal mais antigo da cidade.

Educação[editar | editar código-fonte]

Escolas[editar | editar código-fonte]

O centro de ensino de artes da Universidade McGill.

Existem dois sistemas públicos de escolas públicas na cidade, um encarregado de atender alunos cujo idioma materno é o francês, e outro para atender alunos primariamente anglófonos. Os pais também podem optar por deixar suas crianças no sistema católico de ensino, que é subsidiado pelo município.

A taxa de alunos estudando em escolas particulares na cidade é a maior do Canadá. Aproximadamente 24% dos alunos morando em Montreal estudam em escolas privadas.

Bibliotecas[editar | editar código-fonte]

O sistema de bibliotecas públicas de Montreal compõe-se de uma biblioteca central e de outras, menores, ao redor da cidade. Enquanto a maioria das edições de enciclopédias e outros livros importantes sejam em francês, outras coleções, livros e revistas podem ser encontradas em inglês e mesmo em outros idiomas, das quais as mais comuns são em italiano, chinês, português, espanhol e em árabe, entre outros.

Educação superior[editar | editar código-fonte]

Montreal possui a maior população universitária per-capita da América do Norte, devido às suas quatro universidades, sendo três delas altamente reconhecidas na América do Norte: a Universidade McGill (que ensina em inglês), a Universidade Concórdia (também em inglês),e a Universidade de Montreal (que ensina em francês). Outras universidades na Região Metropolitana de Montreal são a Universidade do Quebec em Montreal, e na cidade vizinha de Longueuil, a Universidade de Sherbrooke em Longueuil. Montreal possui também várias faculdades.

Transportes[editar | editar código-fonte]

Montreal é o maior pólo rodoviário, ferroviário e portuário do Canadá, bem como possui o terceiro mais movimentado aeroporto do país, o Aeroporto Internacional Pierre Elliot Trudeau.

Vias públicas[editar | editar código-fonte]

Montreal é uma cidade bem servida por estradas, com seis rodovias nacionais conectando a cidade a outras cidades canadenses, e aproximadamente 85 quilômetros de vias expressas cortando a cidade. Outras 60 km de vias expressas estão localizadas nas imediações da cidade. Está conectada com suas cidades vizinhas através de quatro pontes, em direção à margem sul do São Lourenço, seis em direção à Laval, e duas em direção à margem norte do São Lourenço.

Apesar disto, a cidade possui vários problemas de trânsito, decorrentes do grande tráfego de veículos procedentes dos subúrbios, principalmente de Longueuil, onde a largura do Rio São Lourenço torna a construção de pontes cara e difícil.

Endereços

Uma vez que Montreal localiza-se em uma ilha, as direções usadas na cidade não correspondem precisamente com direções de uma bússola, estando orientadas de acordo com a geografia da ilha. Norte e sul estão divididos em um eixo perpendicular ao Rio São Lourenço e ao Rivière des Prairies, sendo que o norte está próximo ao Rivière des Prairies, e o sul, próximo ao Rio São Lourenço. Leste e oeste são divididos em uma linha paralela ao longo do Rio São Lourenço (que corre do sudoeste para o nordeste) e o Rivière des Prairies.

A Saint Lawrence Boulevard, também conhecida como The Main, divide Montreal em dois setores, leste e oeste. Ruas que correm em ambos os lados da Saint Lawrence são divididos em duas partes. Os prefixos Est (Leste) ou Ouest (Oeste) são adicionados ao nome da rua, dependendo se esta secção está localizada a leste ou oeste da Saint Lawrence. Ruas que correm em apenas um dos lados da Saint Lawrence geralmente não indicam a direção em seus nomes. A numeração de endereços inicia-se na Saint Lawrence, onde estabelecimentos estão numerados como "1". Os números aumentam à medida que se afasta da Saint Lawrence Boulevard. Em ruas que correm em um sentido norte-sul, o numeramento de endereços inicia-se no Rio São Lourenço e no Canal de Lachine, e aumentam no norte. Estruturas que se localizam no lado leste ou norte de uma rua recebem um número ímpar, enquanto que os lados oeste ou sul recebem números pares.

Além disso, os endereços estão organizados em um sistema de gradeamento, com ruas correndo em uma direção norte-sul ou leste-oeste, cortando-se perpendiculamente entre si, como ocorre em muitas cidades do Canadá e dos Estados Unidos em geral. Ruas geralmente mantêm sua direção ao longo de seu curso.

Uma anormalia é que zero é o Rio São Lourenço e o Canal de Lachine, sendo que os números de endereços ao sul do canal iniciam em zero no rio, e aumentam em direção ao canal, sendo que então este reinicia a numeração de endereços para zero novamente. Existem apenas duas ruas na cidade que cruzam o canal sem mudarem seus nomes (Atwater e Charlevoix), sendo que endereços ao sul do canal adicionam um zero antes do número de endereço, para que este aja como um número negativo. 0400 Charlevoix, por exemplo, localiza-se ao sul do canal, e 400, a oeste.

O sistema de gradeamento foi introduzido pela Cidade de Montreal na década de 1920, embora tenha sido pouco usado por cidades vizinhas. Por isto, nos distritos (anteriormente cidades, que foram fundidas com Montreal em 2002) utilizam até os dias atuais sistemas de numeramento de endereços diferentes, embora a maioria das ruas que iniciam nos nove distritos originais utilizem o sistema de numeração de Montreal. O maior número de endereço da cidade é 23000 Gouin Boulevard West, no distrito de Pierrefonds.

Nomenclatura

A maioria das ruas de Montreal não mudam de nome ao longo de seu curso (não incluindo o uso dos prefixos de direção Est-Ouest. Vias públicas tais como Saint Lawrence Boulevard, Papineau Avenue, De Lorimier Avenue e Pie-IX Boulevard correm ao longo de ambos os rios, e algumas ruas reiniciam, mesmo tendo "vazios" (interrupções). Existem algumas exceções notáveis, que continuam a ser usadas por motivos históricos. Algumas ruas norte-sul que iniciam na Vieux-Montréal mudam seu nome na Rue Sainte-Antoine, que corre ao longo do que era antes a antiga muralha da cidade (Saint-Pierre → Bleury, Bonsecours → Saint-Denis). Apenas uma rua muda de nome diversas vezes: Rue McGill → Rue Square-Victoria → Beaver Hall Hill → Frère-André Place → Phillips Place → Phillips Square → Rue Aylmer

De acordo com as regras da Commission de toponymie du Québec, o francês é o único idioma oficial, e é para ser utilizado em todos os idiomas. Por exemplo, chemin de la Côte-des-Neiges; rue Sainte-Catherine; côte du Beaver Hall. A maioria dos anglófonos, porém, utilizam equivalentes genéricos do inglês, tais como street ou road, incluindo a mídia anglófona, como o Montreal Gazette. Distritos oficialmente bilíngues possuem o direito de utilizar tais equivalentes anglófonos a nível oficial, tais como em sinais de trânsito. No passado, algumas vias públicas possuíam tanto nomes em inglês e em francês, tais como avenue du Parc ou Park Avenue, rue de la Montagne ou Mountain Street, rue Saint-Jacques ou Saint James Street. Alguns destes nomes ainda são usados coloquialmente pelos anglófonos, uso perpetuado pela indústria do turismo. Muitas vias públicas possuem nomes oficiais em inglês, não traduzidas para o francês, tais como chemin Queen Mary, rue University, avenue McGill College. Existem também alguns casos onde tanto o nome em francês quanto o em inglês são oficiais, como é o caso de chemin du Bord-du-Lac/Lakeshore Road.

Muitos anglófonos ainda utilizam os nomes das vias públicas da cidade em inglês em geral, mesmo sendo o formato francês o único oficial na cidade. Nomes tais como Park Avenue, Mountain Street, Saint Lawrence Boulevard, Pine Avenue, Saint John's Boulevard, entre outros, são de uso comum entre os anglófonos. O posto de correios do Canadá aceita nos endereços o uso de expressões inglesas, mas não uso do formato anglófono dos nomes das vias públicas propriamente dita. Por exemplo, de la Montagne Street ou Du Parc Avenue são permitidos, mas não Montains Street ou Park Avenue, mesmo os primeiros quase nunca sendo utilizadas entre anglófonos. Outra anormalia é a René Lévesque Boulevard. Uma vez chamada de Dorchester Boulevard, esta longa rua leste-oeste foi renomeada em homenagem ao nacionalista quebequense René Lévesque, exceto em secções que correm ao longo da cidade anglófona de Westmount. Porém, a rua como um todo ainda é chamada por alguns como Dorchester.

É bom notar que em Montreal, como em outras cidades, as expressões genéricas (como "rua" ou "avenida") são geralmente omitidas, tanto em francês quanto em inglês. Por exemplo, Saint Lawrence Boulevard é constantemente chamada simplesmente como Saint Lawrence (ou Saint Laurent). Muito raramente diferentes vias públicas recebem o mesmo nome. Se duplicação de nomes ocorre, isto acontece sempre em diferentes distritos ou cidades, e é mantido por razões históricas. Por exemplo, Montreal possui seis vias públicas diferentes nomeadas Victoria, e outras nove, em subúrbios fora da Ilha de Montreal. Em anos recentes, Montreal e a maioria de seus subúrbios tem abandonado o uso de expressões genéricas, colocando simplesmente apenas o nome oficial nos seus sinais de trânsito.

Transporte público[editar | editar código-fonte]

Mapa da rede de trens de subúrbio da área metropolitana de Montreal.

O órgão público encarregado de administrar o sistema de transportes públicos de Montreal é a Société de Transport de Montréal - STM (Sociedade de Transportes de Montreal). São um total de 361 linhas de ônibus, além de sistema de metrô que possui 64 quilômetros de comprimento e 65 estações, todas com acesso a linhas de ônibus. O sistema de transportes públicos de Montreal é totalmente integrado, como é de praxe no Canadá, e em muitas cidades dos Estados Unidos.

As estações de metrô de Montreal são verdadeiras obras de arte, grandes, usando de artifícios artísticos como estátuas, pinturas e arquitetura, que lhe renderam o apelido de As maiores obras de arte subterrânea do mundo. De fato, todo o sistema de metrô de Montreal fica abaixo do solo, com o objetivo de maximizar a temperatura dentro das estações nos dias rigorosos de inverno.

Ferrovias[editar | editar código-fonte]

A cidade de Montreal é o principal centro ferroviário do Canadá, devido ao seu porto de grandes dimensões e à sua localização estratégica no continente. A cidade abriga a sede da Canadian National Railway, e abrigou a sede da Canadian Pacific Railway até 1996, quando a companhia mudou sua sede para Calgary.

Montreal é um ponto de conexão para o transporte de cereais, açúcar, derivados de petróleo, maquinaria e produtos acabados, que se transaccionam não somente com outras cidades canadenses, como também com cidades do interior do nordeste dos Estados Unidos. Cinco pontes ferroviárias conectam a Ilha de Montreal com o continente. As principais estações da cidade são a Central e a Windsor.

Aeroportos[editar | editar código-fonte]

Montreal é servida pelo Aeroporto Internacional Pierre Elliot Trudeau, localizado na cidade vizinha de Dorval, atendendo principalmente a vôos de passageiros e da aviação geral, e pelo Aeroporto Internacional Montréal-Mirabel, localizado a cerca de 50 quilômetros do centro financeiro de Montreal, na cidade de Mirabel, que atende primariamente a vôos de carga aérea.

O Aeroporto Internacional Pierre Elliot Trudeau está no momento passando por um programa de reformas e expansão que se iniciou em 2000 e deverá terminar ainda em 2006. Este programa fará com que o aeroporto seja um dos primeiros do continente americano a permitir a operação do Airbus A380, o maior avião comercial do mundo. A Air France pretende utilizar A380s na rota Montreal-Paris, quando receber estas aeronaves.

Porto de Montreal[editar | editar código-fonte]

O porto de Montreal estende-se por quinze quilômetros ao longo da margem sul e leste do Rio São Lourenço, tanto servindo grande navios oceânicos de grande porte como navios menores adaptados para uso nos Grandes Lagos. Movimenta cerca de 23 milhões de toneladas de carga anualmente. Montreal é um dos principais centros portuários da América do Norte, e o segundo principal do Canadá, atrás apenas do porto de Vancouver.

Cultura[editar | editar código-fonte]

Habitat, um dos pavilhões da Expo 67.

Pontos turísticos[editar | editar código-fonte]

Montreal é o terceiro maior pólo turístico do Canadá, atrás de Vancouver e Toronto. Anualmente, a cidade é visitada por milhões de turistas.

Bairros[editar | editar código-fonte]

  • O centro financeiro da cidade, com seus vários prédios modernos. O edifício Place Ville Marie, um dos mais altos da cidade com seus 188 metros de altura, forma o núcleo da cidade subterrânea de Montreal, onde está localizada o maior shopping center subterrâneo do mundo (com mais de 1 600 lojas).
  • Vieux Montréal (Velho Montreal), um centro histórico com atrações como o Porto antigo da cidade, o edifício Jacques-Cartier e a Basílica Notre-Dame de Montreal.
  • O Quartier international de Montréal, ou QIM (Quarteirão Internacional de Montreal), uma área no centro da cidade que foi revitalizada entre 2000 e 2001. Possui várias praças, e é onde está localizado o centro de convenções da cidade (ver abaixo).

Parques[editar | editar código-fonte]

Montreal possui centenas de parques e áreas verdes dentro da cidade e nas várias ilhazinhas cercando a Ilha de Montreal. Entre as mais famosas estão:

Ruas[editar | editar código-fonte]

Vista da rue Sainte-Catherine.
  • A rue Sainte-Catherine é uma rua comercial que atrai diversos turistas, devido aos seus shopping centers, grandes lojas, teatros e restaurantes.
  • A Boulevard Saint-Laurent, a principal avenida de Montreal, cortando-na num sentido norte-sul, é uma mostra da variedade cultural da cidade, onde lojas, restaurantes e comunidades portuguesas, gregas, judaicas, russas, ucranianas e latino-americanas estão localizadas. Além disso, a rua corta o centro financeiro, Chinatown e a Pequena Itália (centro da comunidade italiana) da cidade.
  • A rue Sherbrooke, com suas lojas luxuosas e suas galerias de arte.
  • Boulevard René-Levésque, o centro financeiro da cidade, onde a maior parte dos arranha-céus da cidade estão localizados.

Outros[editar | editar código-fonte]

O Palais des Congrès de Montreal.
  • O estádio olímpico, inaugurado em 1976, que possui a maior torre inclinada do mundo, com seus 170 metros de altura.
  • A arquitetura de muitos dos prédios de apartamentos de dois a quatro andares da cidade caracteriza-se pela presença de escadas fora do edifício, com o objetivo de economizar espaço interno.
  • O Palais des Congrès, o centro de convenções da cidade, localizado no Quarteirão Internacional de Montreal (QIM). Foi construído antes da revitalização ter ocorrida no QIM.
  • Montreal é um dos maiores centros homossexuais da América do Norte, possuindo uma das maiores vilas gays do continente. Seu festival de Orgulho Gay é o segundo maior da América do Norte, atrás somente daquele realizado em Toronto.

Esportes[editar | editar código-fonte]

O esporte mais famoso e praticado na cidade é o hóquei. A história deste esporte, aliás, remonta a Montreal. Além do estádio olímpico, a cidade possui um circuito de Fórmula 1, o Circuito Gilles Villeneuve.

Os principais times da cidade são:

Notas[editar | editar código-fonte]

  • As flores na bandeira e no selo da cidade são símbolos da França, da Inglaterra, da Escócia e da Irlanda.
  • Nota 2: O nome da cidade origina-se de Mont Royal, o monte em cujo topo Jacques Cartier havia estacado uma cruz, e que o navegador nomeou em homenagem ao Rei que o havia patrocinado, Francisco I de França. Eventualmente, o nome do monte passaria a ser associado também com a cidade.
  • O nome oficial da cidade é Montréal, segundo o governo do Canadá e do Quebec, devendo aparecer acentuado, em todos os materiais impressos no país, seja em inglês ou em francês. Porém, costuma-se omitir o acento em materiais anglófonos, enquanto materiais francófonos mantêm a acentuação.

Cidades vizinhas[editar | editar código-fonte]

Norte:
Laval, Terrebonne, Repentigny, Boisbriand, Ste-Thérèse, Blainville, St-Eustache
Oeste: Dorval, Vaudreuil-Dorion, Île-Perrot, Pincourt, Pointe-Claire

Norte
Oeste  Montreal  Leste
Sul

Leste: Longueuil, Boucherville
Sul:
Kahnawake, Brossard, Candiac, Châteauguay

Referências

  1. Sister Towns — MONTREAL. International Cooperation. Yerevan Municipality. Página visitada em 2008-06-25.
  2. Window of Shanghai. Humanities and Social Sciences Library. McGill University (2008). Página visitada em 2008-06-25.
  3. Partner cities of Lyon and Greater Lyon. Ville de Lyon. Página visitada em 2008-06-25.
  4. Mairie de Paris. Les pactes d'amitié et de coopération. Página visitada em 2007-10-14.
  5. mastindia.com. Little India Montreal!. Página visitada em 2008-02-17.
  6. Sister City: The City of Montreal. International Relations Division, International Peace Promotion Department. The City of Hiroshima (2001). Página visitada em 2008-06-25.
  7. Manila-Montreal Sister City Agreement Holds Potential for Better Cooperation. The Republic of the Philippines (June 24, 2005). Página visitada em 2008-06-25.
  8. Busan News-Efforts increased for market exploration in N. America. Community > Notice. Busan Dong-Gu District Office (2007-06-04). Página visitada em 2008-06-25.
  9. Ville de Montréal. Déclaration d'intention d'amitié et de coopération entre les Villes de Montréal et le Gouvernorat du Grand Alger (mars 1999). Página visitada em 2009-07-02.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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