Mortalismo cristão

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Mortalismo cristão é a crença de que a alma morre, e que o "sono" da morte é inconsciente. Esta doutrina também é chamada de Estado Inconsciente dos Mortos. Outro nome que esta doutrina recebe é de Sono da alma.

Baseado em pensamento bíblico, o Mortalismo cristão é aceito por algumas denominações ditas protestantes. É completamente abandonado e considerado heresia, pela maioria das igrejas evangélicas(Batistas, Assembleia de Deus, Presbiteriana e etc) assim como a Igreja Católica e Episcopal

Os seguidores do espiritismo, por razões óbvias, também não acreditam no Mortalismo cristão.

Termo[editar | editar código-fonte]

O termo "mortalismo cristão" é um termo acadêmico que data dos anos 60 no estudo da Reforma Inglesa e do racionalismo. O termo foi popularizado pelo historiador Norman Burns, em seu estudo de William Tyndale, John Milton, Thomas Hobbes, Isaac Newton e John Locke.[1] Anteriormente, os historiadores haviam usado o termo "aniquilacionismo", mas isso não fazia distinção entre a aniquilação total e a crença no "sono da morte" e "ressurreição final".[2]

Base teórica[editar | editar código-fonte]

Todas essas denominações têm certeza que essa ideia está fundamentada na Bíblia. Alguns dos versos bíblicos utilizados por eles: Genesis 3:19; Jó 3:11-19; Salmo 6:5; 146:4; Eclesiaste 9:5; 12:7; Isaias 38:18.

Segundo eles, todos os mortos agora estão dormindo nas sepulturas e os justos que "morreram em Cristo" reviverão no dia da Ressurreição para assim possuírem a vida eterna. "Só assim podemos conseguir a vida eterna" dizem seus argumentadores. (João5:28,29; 1 Corintios15:51-53;1 tessalonicenses4:16.) E assim, terá uma segunda ressurreição para os ímpios, eles serão consumidos no fogo do inferno e nunca mais existirão. (Daniel12:2; Apocalipse20:5,6.)

A Reforma[editar | editar código-fonte]

Um defensor do princípio da mortalidade da alma foi Martinho Lutero:

"Differunt tamen somnus sive quies hujus vitae et futurae. Homon enim in hac vita defatigatus diurno labore, sub noctem intrat in cubiculum suum tanquam in pace, ut ibi dormiat, et ea nocte fruitur quiete, neque quicquam scit de ullo malo sive incendii, sive caedis. Anima autem non sic dormit, sed vigilat, et patitur visiones loquelas Angelorum et Dei. Ideo somnus in futura vita profundior est quam in hac vita et tamen anima coram Deo vivit. Hac similitudine, quam habeo a somno viventia." [3] [4]

Como conseqüência da sua crença, Lutero rejeitou a interpretação de que o ladrão na cruz, foi diretamente para o paraíso, e qualquer interpretação literal da história do homem rico e Lázaro.

Seu principal adversário neste assunto foi João Calvino, que chamou a crença de Lutero "sono da alma" em contraste com sua própria crença: "Psychopannychia" - "a vigília da alma".[5] [6] [7] Nos anos seguintes, o título grego do livro de Calvino, "Psychopannychia" (psyche "alma", pan-nychis "toda a noite") foi mal interpretado e aplicado à crença de Lutero.


Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Norman Burns, Christian Mortalism from Tyndale to Milton Cambridge, Massachussets 1972
  2. Albert C. Labriola Milton Studies, Volume 45‎ 2005 p17
  3. Martin Luther, Christopf Stephan Elsperger (Gottlieb) Luther - Exegetica opera Latina, Volumes 5-6 p120)
  4. J Fritschel Zeitschrift für die gesammte lutherische Theologie und Kirche "Denn dass Luther mit den Worten "anima non sic dormit, sed vigilat et patitur visiones, loquelas Angelorum et Dei" nicht dasjenige leugnen will, was er an allen andern Stellen seiner Schriften vortragt" p657
  5. Psychopannychia - qua refellitur quorundam imperitorum error qui animas post mortem usque ad ultimum iudicium dormire putant.(Strasbourg 1542)
  6. Greef s.152
  7. Psychopannychia - traitte par lequel est prouvé que les ames veillent et vivent après qu'elles sont sorties des corps contre l'erreur de quelques ignorans qui pensent qu'elles dorment jusques au dernier jugement. (Geneva, Conrad Badius, 1558)