Moscas volantes

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Impressão artística de algumas moscas volantes (muscae volitantes), como seriam vistas contra o céu azul.A forma e até a cor podem variar bastante(do branco opaco até o escuro esfumaçado)

Moscas volantes (do latim muscae volitantes, "moscas esvoaçantes") são fenômenos entópticos caracterizados por formas semelhantes a sombras que aparecem sozinhas ou junto com muitas outras no campo visual do indivíduo. Eles podem ter a forma de pontos, linhas, ou fragmentos de teias de aranhas, que flutuam vagarosamente em frente aos olhos.

A maioria das pessoas (principalmente as míopes) relata conseguir enxergar essas manchas ao olhar para o céu. Se forem poucas (e constantes), não devem ser levadas em consideração; porém, se surgirem de repente ou forem aumentando progressivamente, deve-se procurar ajuda médica imediatamente.

Descrição[editar | editar código-fonte]

As moscas volantes estão suspensas no humor vítreo, o fluido viscoso ou gel que preenche o olho. Assim, geralmente acompanham os movimentos rápidos do olho, enquanto "deslizam" vagarosamente dentro do fluido. Moscas volantes localizadas um pouco fora do centro do olhar podem ser muito incômodas. Quando são notadas inicialmente, a reação natural é tentar olhar diretamente para elas. Entretanto, as tentativas de se olhar diretamente para elas são frustantes, pois as moscas volantes acompanham o movimento do olho e continuam fora da direção do olhar. Moscas volantes são, de fato, visíveis somente porque não ficam perfeitamente fixas dentro do olho. Embora os vasos sangüíneos do olho também obstruam a luz, estes são invisíveis sob circunstâncias normais (e assim não incomodam) pois estão numa localização fixa em relação à retina, e o cérebro "desliga" imagens estabilizadas. Isso não ocorre com as moscas volantes -- elas ficam visíveis e, quando são grandes e numerosas, incomodam muito.

Moscas volantes são notadas particularmente quando o indivíduo está olhando para o céu. Apesar do nome "esvoaçantes", muitas destas têm a tendência de afundar em direção ao chão no olho, em qualquer direção que se esteja olhando. A posição com o rosto voltado para cima tende a concentrá-las próximo à fovea, que é o centro da visão, enquanto o céu limpo e uniforme constrói o plano de fundo ideal para visualizá-las.

Moscas volantes não são incomuns, embora elas raramente causem problemas para aqueles que as têm. Moscas volantes podem ser um incômodo e uma distração para aqueles que sofrem de casos severos, já que os pontos parecem deslizar através do campo de visão. As formas são sombras projetadas na retina por pequenas estruturas de proteína ou de restos de outras células descartadas ao longo dos anos e aprisionadas no humor vítreo. Isto não é só um problema de pessoas mais velhas, entretanto; pode certamente se tornar um problema para pessoas jovens, especialmente se são míopes. Eles também são comuns após cirurgias de catarata ou depois de um trauma. Em alguns casos, as moscas volantes são congênitas.

Causas[editar | editar código-fonte]

Existem várias causas para o aparecimento de moscas volante, das quais as mais comuns estão descritas aqui. Basicamente, de qualquer forma que um material entre no humor vítreo, este é a causa das moscas volantes.

Sinérese vítrea[editar | editar código-fonte]

A causa mais comum das moscas volantes é o encolhimento do humor vítreo: esta substância parecida com um gel consiste em 99% de água e 1% de elementos sólidos. A porção sólida consiste em uma rede de colágeno e ácido hialurônico, com o último retendo moléculas de água. A despolimerização desta rede faz com que o ácido hialurônico libere sua água retida, deste modo, liquefazendo o gel. O colágeno quebra-se em fibrilos. que finalmente são as moscas volantes que são a praga do paciente. Moscas volantes causadas desta forma tendem a ser poucas em número e de uma forma linear.

Descolamentos vítreos posteriores e desgrudamentos retinais[editar | editar código-fonte]

Com o tempo, o corpo vítreo liquefeito perde apoio e as suas contrações estruturais. Isso causa o descolamento vítreo posterior, no qual o corpo vítreo é liberado da retina sensorial. Durante esse descolamento, o encolhimento vítreo pode estimular a retina mecanicamente, causando ao paciente a visão de "flashes" aleatórios através do seu campo visual. O lançamento final do vítreo às vezes faz aparecer uma grande mosca volante, geralmente no formato de um anel. Numa complicação, parte da retina pode ser rasgada pelo deslocamento do corpo vítreo, em um processo chamado descolamento de retina. Isso freqüentemente causa o vazamento de sangue no vítreo, que é visto pelo paciente como um repentino aparecimento de numerosos pequenos pontos movendo através de todo o campo de visão. O descolamento de retina requer imediata atenção médica, já que pode facilmente causar cegueira. Tanto a aparição de "flashes" quanto o repentino aparecimento de numerosas moscas volantes requerem uma investigação oftalmológica.

Regressão da artéria hialóide[editar | editar código-fonte]

A artéria hialoide, uma artéria que corre através do humor vítreo durante o estágio fetal de desenvolvimento, regride no terceiro trimestre da gravidez. Sua desintegração pode às vezes deixar material celular.

Outras causas comuns[editar | editar código-fonte]

Outras causas comuns para moscas volantes incluem toxoplasmose ativa, edema macular cistóide e hialose asteróide. A última é uma anomalia do humor vítreo, onde filamentos de cálcio grudam na rede de colageno. Os corpos formados assim movem vagarosamente com o movimento do olho, mas retornam às suas posições fixas.

Restos do filme lacrimal[editar | editar código-fonte]

Às vezes a aparição de moscas volantes pode ser atribuído a pedaços escuros no filme lacrimal. Tecnicamente, estes não são moscas volantes, mas eles parecem ser do ponto de vista do paciente. Pessoas com blefarite ou uma glândula meibomiana disfuncional são especialmente sujeitos a este causa, mas alergias oculares ou mesmo o uso de lentes de contato podem causar o problema. Para diferenciar entre material no humor vítreo do olho e restos do filme lacrimal, o indivíduo pode olhar para o efeito da piscada: restos no filme lacrimal vão se mexer rapidamente com uma piscada, enquanto moscas volantes difícilmente vão responder a isso. Restos no filme lacrimal são diagnosticados pela eliminação da possibilidade de verdadeiras moscas volantes e degeneração macular.


Não há evidências cientificas que os antidepressivos de qual quer tipo, possam causar a dvp ou moscas volantes.

Tratamento[editar | editar código-fonte]

Normalmente, não há tratamento indicado. Cirurgia de vitrectomia para removê-las normalmente não são aconselhadas por elas serem arriscadas e poderem causar problemas mais sérios ou até cegueira. O indivíduo deve ter em mente que moscas volantes podem tornar-se menos incômodas à medida que a pessoa cresce acostumando-se a elas ou até mesmo não as notando mais.

Outro tratamento é a vitreólise a laser. Neste procedimento, um laser de Nd:YAG é focalizado na mosca volante e, em um rápido estouro, vaporiza a estrutura em outra menos densa e com uma consistência não tão notável. Este procedimento pode consumir tempo e não há consenso sobre sua completa eficácia. Um estudo descobriu que a vitreólise a laser "é tratamento primário seguro mas moderadamente eficaz conferindo benefício clínico a um terço dos pacientes" [1].

É necessário um acompanhamento semestral com mapeamento de retina, exame simples que visualiza o fundo do olho, para verificar se há evolução na degeneração do humor vítreo e se existem ruturas na retina, podendo ser necessário o isolamento destas áreas de rutura com laser para impedir uma progressão para um rasgo ou descolamento da retina.

Observando moscas volantes[editar | editar código-fonte]

Moscas volantes são freqüentemente prontamente observados por um médico com o uso de um oftalmoscópio ou biomicroscópio. Aumentando a iluminação de fundo ou usando um "pinhole" para diminuir o diâmetro da pupila pode permitir uma pessoa obter uma melhor visualização das suas moscas volantes. A cabeça pode ser inclinada de uma maneira que uma das moscas volantes deslize para o eixo central do olho.

Citações[editar | editar código-fonte]

Uma experiência comum... é para uma pessoa que tem um certo problema ocular que danifica sua visão para tornar-se de repente ciente das chamadas "mouches volantes" no seu campo visual, embora as causas desse fenômeno tenham estado no seu humor vítreo por toda a sua vida. Ainda agora ele vai firmemente persuadido que estes cospúsculos se desenvolveram como resultado de sua doença, embora a verdade simplesmente é que, devido à sua doença, o paciente tem prestado mais atenção para o fenômeno visual.
— H. von Helmholtz, Handbuch der Physiologischen Optik, publicado como "Helmholtz's Treatise on Physiological Optics, Traduzido da Tercira Edição Alemã para o inglês e posteriormente para o português," ed. James P. C. Southall, 1925, The Optical Society of America. v. III, pp. 6-7
Eles podiam ter feito a mesma coisa, sozinhos, no quintal, olhando as formas nadando no céu. Eu me esqueço qual era a minha idade quando eu perguntei a alguém sobre isso, e me falou que aqueles maravilhosos pontos flutuantes eram imperfeições no fluido de meu olho, que o que eu estava vendo estava no meu olho. No seu olho! Naquele tempo, para uma criança, o céu estava cheio de maravilhas, estas formas estavam no céu, o céu estava cheio de coisas transparentes que escorregavam e nadavam. Elas eram quase invisíveis, e, eu pensava, quase sem corpo, elas estavam lá, mas você podia ir através delas, elas eram animais que viviam no ar. Você vê, nós não fomos por aí conversando sobre coisas como isso. É só agora, que já estou crescido e sei de tudo, que eu falo sobre isto.
Robert Paul Smith, 1957, Where Did You Go? Out. What Did You Do? Nothing. Norton, New York.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]