Mosteiro de São Bento (Rio de Janeiro)
| Mosteiro e Colégio de São Bento |
|
|---|---|
| Igreja de Nossa Senhora de Montserrat | |
| Construção | 1633-1671 |
| Diocese | Arquidiocese do Rio de Janeiro |
| Local | |
O Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro é um histórico mosteiro localizado no Morro de São Bento, no Centro da cidade do Rio de Janeiro, no Brasil. É um dos principais monumentos de arte colonial da cidade e do país.
Índice |
[editar] História
O Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro foi fundado por monges beneditinos vindos da Baía em 1590. O mosteiro ainda funciona como tal, existindo, a seu lado, um dos estabelecimentos educacionais mais importantes e tradicionais do Brasil: o Colégio de São Bento, fundado em 1858, que formou uma quantidade considerável de personalidades brasileiras, como Pixinguinha, Benjamin Constant, Noel Rosa, Antônio Silva Jardim, Villa-Lobos, entre outros.
[editar] Arquitetura
A história do mosteiro começou em 1590, quando foi doado, pelos nobres Manoel de Brito e seu filho Diogo de Brito de Lacerda, aos monges beneditinos Pedro Ferraz e João Porcalho, que haviam vindo do Mosteiro de São Bento de Salvador em outubro de 1589, um vasto terreno no Centro da cidade do Rio de Janeiro que incluía o atual Morro de São Bento[1].
Na época, os monges residiam, como o historiador carioca Vivaldo Coaracy explica em O Rio de Janeiro no Século 17, página 145, num "hospício acanhado" junto à Ermida de Nossa Senhora da Conceição, ermida de barro esta que havia sido erguida por Aleixo Manuel no atual Morro da Conceição. Devido a este fato, o mosteiro então criado adotou, como santa padroeira, Nossa Senhora da Conceição. Em 1596, uma decisão da Junta Geral da Congregação Portuguesa ordenou que todos os mosteiros beneditinos no Brasil deveriam ter, como patrono, São Bento. O mosteiro adicionou, então, o nome São Bento à sua denominação. Em 1602, o então Mosteiro de São Bento de Nossa Senhora da Conceição trocou sua denominação para Nossa Senhora de Montserrat, para homenagear a santa de devoção do governador dom Francisco de Souza[2].
Os recursos financeiros necessários para a construção do atual mosteiro vieram das inúmeras propriedades que os monges foram recebendo através de doações no interior da Capitania do Rio de Janeiro, especialmente em Iguaçu e em Campos dos Goitacazes. Essas propriedades produziam, principalmente, cana-de-açúcar. O trabalho braçal da construção do mosteiro foi executado por escravos. As pedras utilizadas como matéria-prima foram provenientes do Morro da Viúva, no atual bairro do Flamengo[3].
Os planos do novo edifício foram traçados em 1617 pelo engenheiro militar português Francisco Frias de Mesquita, segundo a estética maneirista despojada ("chã") vigente em Portugal naquele período. As obras da igreja só começaram em 1633, pela capela-mor e, quando era abade Frei Francisco da Madalena, por volta de 1651, prosseguiram com ênfase para terminar aproximadamente em 1671. O projeto original foi alterado, durante a construção, pelo arquiteto Frei Bernardo de São Bento Correia de Souza e a igreja passou de uma a contar com três naves[4].
A fachada é a do projeto original maneirista, com um corpo central com três arcos de entrada e um frontão triangular. Flaqueiam a entrada duas torres coroadas por pináculos piramidais. Passando os arcos de entrada se encontra uma galilé com azulejos e portões de ferro do século XIX. O mosteiro anexo à igreja só foi concluído em 1755, com a construção do claustro, projetado pelo engenheiro militar José Fernandes Pinto Alpoim.
[editar] Interior
O interior da igreja é riquíssimo, totalmente forrado com talha dourada que vai do estilo barroco de fins do século XVII ao rococó da segunda metade do século XVIII. O primeiro escultor ativo na igreja foi o monge português Frei Domingos da Conceição (c. 1643 - 1718) que desenhou e esculpiu parte da talha da nave e capela-mor (a da capela foi substituída depois). São suas as magníficas estátuas de São Bento e de Santa Escolástica e, no altar-mor da igreja, a Nossa Senhora do Monte Serreado (titular da igreja), além de outras obras. A partir de 1714, seu projeto foi seguido pelos entalhadores Alexandre Machado Pereira, Simão da Cunha e José da Conceição e Silva, que entalharam a maior parte da talha da nave e várias imagens.
Entre 1789 e 1800, trabalhou, na igreja, um dos grandes escultores do rococó do Rio de Janeiro, Inácio Ferreira Pinto. Mestre Inácio refez a capela-mor (1787 - 1794), preservando, porém, detalhes anteriores, como as telas sobre a vida de santos beneditinos, as quais haviam sido pintadas entre 1676 e 1684 pelo monge alemão Frei Ricardo do Pilar. A bela capela rococó do Santíssimo Sacramento (1795 - 1800) é também obra de mestre Inácio. Os lampadários junto à capela-mor foram projetados e executados entre 1781 e 1783 por Mestre Valentim. Na sacristia do mosteiro, está a obra-prima do pintor Frei Ricardo, uma tela representando o Senhor dos Martírios, pintada cerca de 1690.
Dentro da igreja, existem, ainda, sete capelas laterais de irmandade: Capela de Nossa Senhora da Conceição (Concepção), Capela de São Lourenço, Capela de Santa Gertrudes, Capela de São Brás, Capela de São Caetano, Capela de Nossa Senhora do Pilar e Capela de Santo Amaro.
Atualmente, existem visitas monitoradas à igreja, onde são apresentadas e explicadas as obras, imagens, talhas e estilos arquitetônicos, entre outros.
[editar] Abades
O abade dom Roberto Lopes (Ordem de São Bento) renunciou ao cargo no dia 11 de agosto de 2010, durante visita canônica de dom Emanuel d'Able do Amaral (Ordem de São Bento), abade da Abadia de São Sebastião, em Salvador. A partir de então, a Abadia de Montserrat é governada pelo prior, dom Paulo Henrique (Ordem de São Bento), até a eleição do novo abade.
[editar] Monges
- Dom Roberto Lopes (abade) - Dom José Palmeiro Mendes (antigo abade) - Dom Henrique de Gouvêa Coelho (prior) - Dom Basílio Silva (sub-prior) - Dom Anselmo Chagas de Paiva - Dom Beda Gonçalves de Andrade Silva - Dom Cipriano Cintra Chagas - Dom Columba Firmino Pinto - Dom Eduardo de Souza Schulz - Dom Emanuel Oliveira de Almeida - Dom Gregório Pereira Lima - Dom Ireneu Penna - Dom Justino de Almeida Bueno - Dom Lourenço de Almeida Prado - Dom Matias Fonseca de Medeiros - Dom Paulo Soares de Azevedo Coutinho - Dom Plácido Lopes de Oliveira - Dom Tadeu de Albuquerque Lopes - Dom João Batista Estevo Ferreira (diácono) - Irmão Adalberto Chalub - Irmão Agostinho de Oliveira Martins - Irmão Cassiano Capelli Gastaldi - Irmão Daniel Rodrigues Marques - Irmão João Evangelista Martins Afonso de Paiva - Irmão Mateus da Rocha - Irmão Mauro Victor Murilo Maia Fragoso - Irmão Miguel da Silva Vieira - Irmão Pascoal de Biase Quintão - Irmão Policarpo Nascimento da Luz - Irmão Simeão Martins Santos - Irmão Vital Barbosa Fajardo
[editar] Horários de Funcionamento
O mosteiro está aberto diariamente no horário das sete às dezoito horas.
Exige-se traje adequado para ingressar no templo.
A clausura do mosteiro não é aberta à visitação, com exceção de alguns dias, como Corpus Christi e Dia de Finados, quando os fiéis têm acesso ao interior do mosteiro, porém somente ao claustro.
[editar] A Missa Dominical
A tradicional missa dominical do Mosteiro de São Bento, celebrada com órgão e canto gregoriano, única na capital fluminense, atrai muitos visitantes. É um evento que faz parte do roteiro turístico da cidade; tão concorrido que se recomenda a chegada com cerca de trinta minutos de antecedência. Também apresentam-se regularmente, no mosteiro, orquestras e grupos de música de câmera.
Cristiano Rizzotto Vidal Pessôa é o organista do mosteiro.
Referências
- ↑ ROCHA, M. R. The Church of Saint Benedict. Rio de Janeiro: Studio HMF: Lúmen Christi, 1992 pp. 8, 14, 28
- ↑ ROCHA, M. R. The Church of Saint Benedict. Rio de Janeiro: Studio HMF: Lúmen Christi, 1992 pp. 8, 14, 28
- ↑ ROCHA, M. R. The Church of Saint Benedict. Rio de Janeiro: Studio HMF: Lúmen Christi, 1992 pp. 14, 28
- ↑ ROCHA, M. R. The Church of Saint Benedict. Rio de Janeiro: Studio HMF: Lúmen Christi, 1992 pp. 14, 28