Moulay Ali Cherif

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Moulay Ali Cherif
مولاي علي الشريف
Nome completo Sharif Sultan Abul Amlak Sidi Muhammad I as-Sharif bin 'Ali
Outros nomes Moulay Muhammad I
Conhecido(a) por  • Fundador da dinastia alauita
 • Sultão do Tafilalt (Sijilmassa)
Nascimento 9 de novembro de 1589
 Marrocos, Rissani
Morte 5 de junho de 1659 (69 anos)
Rissani
Etnia Árabe
Progenitores Pai: Ali al-Sharif al-Marrakshi
Ocupação Líder político e militar
Religião Islão

Moulay Ali Cherif (em árabe: مولاي علي الشريف; transl.: Mawlāy ʻAlī Sharīf'; Rissani, 9 de novembro de 1589 – Rissani, 5 de junho de 1659) foi um líder político e militar do Tafilalt (região histórica do sul de Marrocos) e é considerado o fundador da dinastia alauita, que reina em Marrocos desde o século XVII até aos nosso dias.

Outros nomes ou grafias do seu nome são, entre outros: Moulay Muhammad I, Moulay Mohammed I, Sharif Sultan Abul Amlak Sidi Muhammad I as-Sharif bin 'Ali, Moulay as-Sharif, Muhammad al-Sharif, etc.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Era o filho mais velho[a] de Ali al-Sharif al-Marrakshi e teve oito irmãos, entre os quais al-Hafid, al-Hadjdj, Mahriz, Marwan, Fadhl, Abu Zakariya, Mubarak e Said. Pertencia a uma família com muito prestígio no Tafilalt e na sua capital Sijilmassa, pois era descendente de Al Hassan Addakhil (l-Hesn d-Dakhl), um descendente do profeta Maomé originário de Iambo, no Hejaz (Arábia Saudita). Al Hassan Addakhil instalou-se no Tafilalt no século XIII como imã (líder religioso) a convite dos habitantes locais, que desse modo esperavam desfrutar da baraca (boa sorte e carisma religioso) que advinha de ser um xarife (descendente do Profeta).[1] [2]

Aproveitou a situação de anarquia e guerra civil em que mergulhou o império marroquino após a morte do sultão saadiano Ahmed al-Mansur (r. 1578–1603) para aumentar o seu poder, o que culminou em 1631 declarando-se sultão do Tafilalt.

Vista noturna do mausoléu de Moulay Ali Cherif em Rissani

No entanto, tinha pouco poder militar e mantinha uma forte rivalidade com Tabuasamt, uma fortaleza a pouca distância de Sijilmassa. Cerca de 1633 pediu ajuda a Abu l-Hasan Sidi Ali ibn Muhammad, governante do Suz (Tazerwalt), com quem mantinha relações amistosas, para combater Tabuasamt. Sidi Ali enviou tropas que se estabeleceram em Sijilmassa dispostas a marchar contra Tabuasamt, mas os berberes da região de Tabuasamt aliaram-se à Zaouïa de Dila, que enviou tropas em seu auxílio. Para evitar combater, acordou-se uma trégua entre julho de 1633 e junho de 1634. Sijilmassa ficou, na prática, sob o domínio de Sidi Ali, com o acordo de Moulay Ali Cherif, para ficar protegido contra os seus rivais.

Entretanto, numa tentativa de romper a amizade entre Sidi Ali e Muhammad al-Sharif, as gentes de Tabuasamt submeteram-se ao líder do Suz. Pouco depois disso, em 1636 o filho de al-Sharif, Muhammad II ibn Sharif (Mohammed I de Marrocos) reuniu 200 homens e tomou a fortaleza de Tabuasamt, massacrou a população e o saque rendeu um butim considerável. Sidi Ali enfureceu-se com este ato e ordenou ao seu delegado em Sijilmassa que prendesse Muhammad al-Sharif e lho enviasse para o Suz. Muhammad al-Sharif foi enviado à presença de Sidi Ali, que o manteve prisioneiro durante um ano, libertando-o em troca de um pesado resgate pago pelo filho em 1637 ou 1638.

Enquanto o pai esteve preso, Muhammad ibn Sharif deteve o controlo efetivo do governo do Talfilalt. O produto do saque de Tabuasamt permitiu-lhe reunir um pequeno exército, mas o seu poderio deveu-se ainda mais ao facto de se lhe terem aliado as tribos do Talfilalt, hostis à administração de Sidi Ali, que abusava dos seus poderes e cobravam todos impostos que podiam, geralmente injustos e muitas vezes com pretextos ridículos, como o imposto para estar à sombra no verão e outro para estar ao sol no inverno. Quando Moulay Ali Cherif voltou do cativeiro para Sijilmassa renunciou definitivamente do poder em favor do filho. As forças destes expulsaram as de Sidi Ali, e Muhammad II recebeu o juramento de fidelidade dos habitantes do Tafilalt cerca de 1640-1641.

Está sepultado em Rissani, cujo nome oficial é Moulay Ali Cherif em sua honra. O seu mausoléu é uma das atrações turísticas e religiosas daquela cidade saariana.

Filhos[editar | editar código-fonte]

  • Muhammad II ibn Sharif
  • Muhammad al-Harran
  • Murad Muhraz
  • Hasan
  • Yusuf
  • Rachid, sultão de Marrocos
  • Ismail, sultão de Marrocos
  • Ahmad
  • Muhammad al-Kabir
  • Hammada
  • Abbas
  • Said
  • Hashim
  • Ali
  • Muhammad al-Mahdi

Notas[editar | editar código-fonte]

[a] ^ Segundo outras fontes, era o sexto filho.[3]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. TAFILALT, or TAFILET (em inglês). encyclopedia.jrank.org. JRank Online Encyclopedia - Encyclopædia Britannica (edição de 1911). Página visitada em 1 de janeiro de 2012.
  2. Chebri, Aboulkacem (2003). Tafilalt : Sijilmassa et les ksours (em francês). www.zizvalley.com. Página visitada em 1 de janeiro de 2012. Cópia arquivada em 1 de julho de 2010.
  3. Buyers, Christopher. The Alawi Dynasty - Genealogy (em inglês). www.royalark.net. The Royal Ark. Página visitada em 24 de junho de 2012.