Movimento Nacionalista Revolucionário (Bolivia)

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Movimiento Nacionalista Revolucionario
Fundação 7 de Junho de 1942 (71 anos)
Sede La Paz,  Bolívia
Afiliação internacional Nenhuma

O Movimento Nacionalista Revolucionario (MNR) é um partido político boliviano fundado em 7 de junho de 1942 por Carlos Montenegro e cujo presidente foi seu cunhado, Augusto Céspedes. Governou a Bolívia através das Presidencias de Víctor Paz Estenssoro, Hernán Siles Zuazo e Gonzalo Sánchez de Lozada. Os presidentes Wálter Guevara Arze e Lidia Gueiler Tejada iniciaram suas carreiras políticas neste partido, mas depois fizeram cisões no partido.

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

O MNR foi gestado após a Guerra do Chaco (1932-1935) entre Paraguai e Bolívia. Ao finalizar a guerra, com o consequente esgotamento militar e críticas a classe governante, a oligarquia dos barões do estanho e dos latifundiários, surge uma série de movimentos nacionalistas para acabar com esta situação.

Neste período subiram ao poder uma série de governos de curta duração (1935-1952) de diversas iniciativas e muito contraditórios. O MNR forja uma aliança entre a classe media e setores operários e elabora um plano nacionalista que se desencadeia na tomada do poder, seja por meios democráticos ou através de uma revolução burguesa, para acabar com o sistema político e o modo de produção imperante.

O MNR e a Revolução de 52[editar | editar código-fonte]

No ano de 1951 o Movimento Nacionalista Revolucionário obtêm um triunfo parcial nas eleições, com uma maioria parcial. A Lei Eleitoral estabelecia que o Congresso Nacional deveria eleger o Presidente da República entre os três partidos políticos mais votados: o Movimento Nacionalista Revolucionario, o PURS (governista) e a Falange Socialista Boliviana. Neste ano se forma uma Junta Militar de Governo para evitar a chegada ao poder do MNR, mas este lançou mão de uma quartelada em 1952 para fazer valer o resultado eleitoral. Em La Paz e Oruro as massas saíram às ruas entre os dias 9 de abril e 11 de abril, derrotando o exército, mas com um saldo de 490 mortos. É formado um governo provisório a cargo de Hernán Siles Zuazo junto com Juan Lechín Oquendo, que assume o mandato até o regresso de Víctor Paz Estenssoro de seu exílio na Argentina.[1]

O MNR neoliberal[editar | editar código-fonte]

O MNR conseguiu ser reeleito após longos anos de governos militares nos períodos 1985-1989; 1993-1997; e 2002-2003, mas aqui já perdeu todo o seu caráter nacionalista e adere as pressões imperialistas, principalmente norte-americanas, à liberalização econômica, principalmente através de um famoso "decreto supremo": o "21060", e um processo de privatização, mais conhecido como "capitalización" das principais empresas estatais, utilizando-se também de reformas econômicas de tipo neoliberal.

Passou a ser um partido de centro direita na década de 80, no quarto e último governo de Víctor Paz Estenssoro, e finalmente na década de 90 e começos do século XXI nos governos de Gonzalo Sánchez de Lozada, acabando com a sua doutrina inicial estatista e revolucionaria aa década de 50. Durante estos anos o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial impulsionavam os processos capitalizadores ou privatizadores nos países semicoloniais a nível mundial e a Bolívia não foi exceção. O MNR seguiu esta corrente nestes anos.[2]

Divisões[editar | editar código-fonte]

Devido as lutas internas e diferenças ideológicas do MNR várias outras organizações se cindiram dele:

Movimento Nacionalista Revolucionario Auténtico (MNRA, em 1960), posteriomente Partido Revolucionario Auténtico (PRA) de Wálter Guevara Arze

Partido Revolucionario da Izquierda Nacionalista (PRIN, em 1971) de Juan Lechín Oquendo e Lidia Gueiler Tejada

Movimento Nacionalista Revolucionario de Izquierda (MNRI, em 1971) de Hernán Siles Zuazo

Movimento Nacionalista Revolucionario Histórico (MNRH em 1978)

Movimento Nacionalista Revolucionario da Vanguardia (MNRV)

Referências