Movimento Popular de Libertação de Angola

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Movimento Popular de Libertação de Angola
(MPLA)
Paz, Trabalho e Liberdade
Presidente José Eduardo dos Santos
Secretário Julião Mateus Paulo
Fundação 1 de dezembro de 1956 (57 anos)
Sede Av. Ho Chi Minh, nº 34, Luanda, Angola
Ideologia Actualmente:
Social democracia.[1]
Anteriormente:
Marxismo-Leninismo.
Publicação ÉME
Membros  (2008) 2 700 000[2]
Afiliação internacional Internacional Socialista
Assembleia Nacional de Angola
175 / 220
Espectro político Entre a Esquerda e a Centro-esquerda[3]
Ala jovem JMPLA
Ala feminina OMA
Cores Vermelho
Site http://www.mpla.org/

O Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) é um partido político de Angola, que governa o país desde sua independência de Portugal em 1975. Foi, inicialmente, um movimento de luta pela independência de Angola, transformando-se num partido político após a Guerra de Independência de 1961-74. Conquistou o poder em 1974/75, durante o processo de descolonização e saiu vencedor da Guerra Civil Angolana de 1975-2002, contra dois movimentos/partidos rivais, a UNITA e a FNLA

História[editar | editar código-fonte]

Angola
Coat of arms of Angola.svg

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Política e governo de
Angola



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Fundação, guerra anti-colonial, descolonização[editar | editar código-fonte]

O MPLA surgiu no fim dos anos 1950 [nota 1] da fusão de vários pequenos grupos anti-coloniais, inclusive da recentemente constituída célula de Luanda do Partido Comunista Português, iniciando a sua acção em 1961 [nota 2] entre os finais dos anos de 1950, princípios de 1960 agrupando as principais figuras do nacionalismo angolano, entre estudantes no exterior, sobretudo em Portugal - e lutadores contra o colonialismo que fugiam do interior de Angola.

Dirigido por António Agostinho Neto, e tendo como secretário geral Viriato da Cruz, o MPLA organizou uma luta armada contra a dominação colonial de Angola por Portugal. Em 1961, Lúcio Lara torna-se o seu secretário geral e o pivô da actividade organizacional e militar [nota 3] .

Um outro movimento, a FNLA (Frente Nacional de Libertação de Angola), havia começado acções de luta pouco antes. Apesar das tentativas, não foi viável o entendimento entre os dois movimentos [4] . Nos anos 1960 constituiu-se um terceiro movimento, a UNITA (União Nacional para a Independência Total de Angola).

Durante o seu combate anti-colonial, o MPLA conheceu várias dissidências importantes e até existenciais, a começar com a saída de Viriato de Cruz já em 1961. A crise mais grave deu-se no início dos anos 1970, quando o MPLA se dividiu em três "alas" praticamente autónomas - a "Revolta Activa", liderada por Mário de Andrade, e a "Revolta do Leste", liderada por Daniel Chipenda, ambas opostas a Agostinho Neto, e a "Ala Presidencial", fiel a Agostinho Neto. Esta dupla cisão foi superada em 1974, por uma conferência de unificação realizada na Zâmbia, mas levou à expulsão ou saída espontânea de uma série de elementos, e deixou profundas marcas.

Terminada a luta de libertação, na sequência do 25 de Abril em Portugal, os três movimentos, (MPLA, FNLA e UNITA) iniciaram de imediato entre eles uma luta armada pelo poder, com a ajuda dos países que os apoiavam. Proclamaram separadamente a independência do país, sem que tivesse acontecido a pacificação interna. Deste conflito, o MPLA saiu como vencedor imediato [5] .

É frequente, numa leitura etno-linguística e racial da política angolana ligar-se o MPLA à região dos Ambundu e ao segmento populacional dos mestiços. Esta leitura corresponde a uma realidade inicial que, no entanto, foi superada numa medida considerável, pela inclusão de elementos de outras proveniências tanto nos quadros como na base social de apoio [nota 4] .

O MPLA como força dominante da Angola independente[editar | editar código-fonte]

Em 1977, o MPLA sofreu um sério abalo com uma nova dissidência, liderada por Nito Alves que tentou um golpe de estado contra a direcção do partido. Esta tentativa, oficialmente designada por Fraccionismo, falhou de imediato graças à intervenção de tropas cubanas presentes no país, levando posteriormente a uma purga sangrenta que custou a vida a milhares de pessoas [6] [7] .

Sob o impacto destes acontecimentos, o MPLA adoptou durante o seu primeiro congresso, realizado em 1977, a designação "MPLA-PT" (MPLA - Partido do Trabalho) e os seus estatutos passaram a incluir a designação de partido Marxista-Leninista. O entendimento foi, no entanto, que se procuraria pôr em prática o modelo marxista do "socialismo", não o do "comunismo". O MPLA-PT governou Angola em regime de partido único, inspirado pelos sistemas então vigentes na Europa do Leste. Quando Angola passou em 1991 para o sistema democrático multipartidário, o MPLA abdicou do Marxismo-Leninismo e passou a ser um partido politicamente constituído próximo da social democracia, pelo seu discurso, mas de fortes tendências neo-liberais, pela sua prática.

Em 1992 Angola viveu as suas primeiras eleições, parlamentares e presidenciais. O MPLA ganhou as primeiras, mas nas últimas o seu candidato, José Eduardo dos Santos, não obteve a maioria absoluta requerida na primeira volta. A UNITA não aceitou estes resultados como correctos e válidos, desencadeando de imediato a Guerra Civil Angolana [8] .

Transformações contemporâneas[editar | editar código-fonte]

Em 2002, como resultado dos acordos do Luena, foram criadas condições para as eleições seguintes, graças aos esforços e entendimento dos angolanos, que culminou no tratado da paz em 4 de Abril de 2002 entre os principais intervenientes da guerrilha, o Governo e a UNITA. Desde então foram realizados esforços no sentido de fazer o país seguir o curso normal que deve seguir um país com um sistema democrático, e repor com isto a regularidade.

As eleições realizaram-se, a 5 de Setembro de 2008 e decorreram num clima de tranquilidade e paz social, tendo sido consideradas livres e justas e um exemplo para os outros países africanos, entrando numa era de consolidação da sua democracia bem como da liberdade de expressão e manifestação dos seus cidadãos.

Nas eleições legislativas realizadas em 2008, o MPLA ganhou por maioria absoluta com cerca de 82% dos votos enquanto que o seu mais directo oponente, a UNITA não foi além dos 10%. De uma maneira geral, não houve contestação aos resultados destas eleições [9] . Entretanto, nas eleições de 2012 o MPLA desceu cerca de 10%, mantendo embora uma maioria qualificada, e confirmando deste modo José Eduardo dos Santos na Presidência da República.

Menções na cultura popular[editar | editar código-fonte]

O MPLA é mencionado em alguns produtos culturais, mais notavelmente as canções "Anarchy in the U.K.", dos Sex Pistols e "Morena de Angola", de Chico Buarque. Na primeira, é feita uma comparação entre a Inglaterra do final da década de 1970 com a Guerra Civil Angolana. Na segunda, composta por Chico Buarque para Clara Nunes após uma visita a Angola, o MPLA é mencionado como uma forma sutil de demonstrar o despertar de uma consciência política na cantora.

Notas

  1. A historiografia oficial do MPLA indica geralmente 1956 como data de fundação, mas a investigação dos historiadores especializados na matéria bem como a documentação de Lúcio Lara apontam para um processo complexo concluído apenas em 1960. Ver p.ex. Jean Martial Arsène Mbah, As rivalidades políticas entre a FNLA e o MPLA (1961-1975), Luanda: Mayamba, 2012
  2. Ver "John Marcum. The Angolan Revolution. Cambridge/Mass. & Londres: MIT Press, 1969. vol. I The Anatomy of an Explosion (1950-1962).".
  3. A trajectória do MPLA até 1974 é documentada e ilustrada no livro "Associação Tchiweka de Documentação. Lúcio Lara (Tchiweka) 80 anos: Imagens de um percurso até à conquista da independência. Luanda: Edições ATD, 2010."
  4. Uma primeira análise detalhada deste aspecto é oferecida em "Fidel Raul Carmo Reis. Das políticas de classificação às classificações políticas (1950 - 1996): A configuração do campo político angolano. Contributo para o estudo das relações raciais em Angola. Lisboa: ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa, 2010. (Tese de doutoramento em história)".

Referências

  1. Santos, Hélia (2008), "MPLA (Angola)", A Historical Companion to Postcolonial Literatures - Continental Europe and its Empires (Edinburgh University Press): 480
  2. "N.º 1793 10.Abril.2008" - "Trata-se de um partido com 2 700 000 militantes,(...)" - http://www.avante.pt/pt/1793/emfoco/24123/ Face a uma população total de 20-6 milhões, o número adiantado neste fonte não merece credibilidade.
  3. Chefe de Estado angolano advoga sociedade inclusiva e de prosperidade - Consulado Geral da República de Angola em New York
  4. Jean Martial Mbah. Les rivalités politiques entre la FNLA et le MPLA, 1961 - 1975. Paris: Université de Paris I, 2005. 2 vol. (Dissertação de doutoramento em história)
  5. Franz-Wilhelm Heimer, O processo de descolonização em Angola, 1974-75, Lisboa: A Regra do Jogo, 1979
  6. Dalila Cabrita Mateus & Álvaro Mateus. A purga em Angola: Nito Alves, Sita Valles, Zé Van Dúnem: O 27 de Maio de 1977. Lisboa & Porto: Asa Editora, 2007.
  7. Rafael del Pino. Proa a la libertad. México: Planeta, 1991.
  8. Margaret Anstee. Órfão da Guerra Fria: Radiografia do colapso do processo de paz angolano, 1992/1993. Porto: Campo das Letras, 1997.
  9. Angolan ex-rebels accept defeat (em inglês) BBC (9 de Setembro de 2008). Página visitada em 20 de Dezembro de 2010.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Don Barnett & Roy Harvey, The Revolution in Angola: MPLA, Life Histories and Documents, Nova Iorque: Bobbs-Merrill, 1972
  • John Marcum, The Angolan Revolution, 2 vol., Cambrige/Mass. & Londres: MIT Press, 1969 e 1978
  • Mário de Andrade & Marc Ollivier, La guerre en Angola, Paris: Maspéro, 1971
  • Carlos Pacheco, MPLA: Um nascimento polémico. As falsificações da história, Lisboa: Vega, 1997
  • Lúcio Lara, Um amplo movimento: Itinerário do MPLA através de documentos e anotações, vol. I, Até Fevereiro de 1961, 2ª ed., Luanda: Lúcio & Ruth Lara, 1998, vol. II, 1961-1962, Luanda: Lúcio Lara, 2006, vol. III, 1963-1964, Luanda: Lúcio Lara, 2008
  • Jean-Michel Mabeko Tali: Dissidências e poder de Estado: O MPLA perante si próprio (1966–1977), Luanda: Nzila, 2001.
  • Fernando Tavares Pimenta, Angola no percurso de um nacionalista: Conversas com Adolfo Maria, Porto: Afrontamento, 2006.
  • Fátima Salvaterra Peres, A Revolta Activa: Os conflitos identitários no contexto da luta de libertação (em Angola), dissertação de mestrado, Universidade Nova de Lisboa, 2010
  • Edmundo Rocha, Angola: Contribuição ao estudo do nacionalismo moderno angolano. Testemunho e estudo documental. Período de 1950-1964, 2 volumes, Luanda: Nzila e Lisboa: Edição do autor, 2002 e 2003, respectivamente


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