Movimento estudantil brasileiro

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Question book.svg
Esta página ou secção não cita nenhuma fonte ou referência, o que compromete sua credibilidade (desde Março de 2008).
Por favor, melhore este artigo providenciando fontes fiáveis e independentes, inserindo-as no corpo do texto por meio de notas de rodapé. Encontre fontes: Googlenotícias, livros, acadêmicoScirusBing. Veja como referenciar e citar as fontes.

Movimento estudantil brasileiro é um movimento social gerado pelos universitários, em sua maioria, estudantes de ensino superior em território brasileiro.

Organização[editar | editar código-fonte]

O movimento estudantil pode se concretizar de maneira formal em entidades de representação estudantil:

  • No ensino superior temos:
    • Nacionalmente a UNE;
    • Nos estados federativos a UEE;
    • Nas instituições de ensino o DCE;
    • Nos cursos nacionalmente as executivas e federações de curso;
    • Nos departamentos é a Representatividade Estudantil.
    • Nos cursos das instituições os Diretórios acadêmicos e Centros Acadêmicos;
    • Nas turmas os representantes de turma.

Ainda se encontra outros tipos formais como: associações de casa de estudantes, Atlética Esportiva, Executivas de curso, etc.

Na maneira informal o movimento estudantil pode ser organizado a partir de afinidades por temas: político, religioso, esportista, acadêmico, cultural etc.

História[editar | editar código-fonte]

Cronologia do movimento estudantil brasileiro

O movimento estudantil brasileiro nasceu em 1710 quando soldados franceses invadiram o território brasileiro, na época pertencente à Portugal. Eles, entretanto, foram expulsos por milhares de estudantes de conventos e escolas religiosas que os enfrentaram. [1]

De forma organizada, o movimento só nasceu em 1901 com a fundação da Federação dos Estudantes Brasileiros que teve pouco tempo de duração. Até 1910, o ME brasileiro não teve nenhum papel significativo na sociedade brasileira. Nesse ano, o I Congresso Nacional de Estudantes em São Paulo é realizado, culminando com a deliberação para criação de uma União Nacional de Estudantes. [2] Com a Revolução de 1930 no Brasil, os estudantes se organizam em entidades como a Juventude Comunista, Juventude Integralista, Federação Vermelha dos Estudantes e a União Democrática Estudantil.[2]

Essas organizações aceleram e aumentam o desejo pela criação de uma única entidade que representasse os estudantes e a luta por uma sociedade mais justa. Contudo, é somente em 1937 que, no Rio de Janeiro, a representação máxima dos estudantes é criada. O nome escolhido foi União Nacional dos Estudantes (UNE), sob a direção de Ana Amélia Queirós Carneiro de Mendonça. A UNE então começa a se organizar em congressos anuais sempre buscando atuar junto à sociedade. Durante a II Guerra Mundial, os estudantes se organizam e lutam contra os países do Eixo e pressionam o então presidente Getúlio Vargas a tomar uma posição firme durante a guerra. O Clube Germânia, principal reduto dos militantes nazi-fascitas, [3] é ocupado pelos estudantes em 1942, resultando na concessão do prédio para que fosse a sede da UNE. No mesmo ano, a entidade é reconhecida pelo decreto de lei no 4080 como entidade representativa dos universitários brasileiros.

Nas décadas seguintes, os estudantes foram protagonistas de marcantes lutas. Na década de 50, por exemplo, a UNE encabeçou uma camapanha nacional pelo monopólio estatal da extração do petrólio em solo brasileiro, a campanha ficou conhecida como “O Petróleo É Nosso”. Nos anos antecendentes à ditadura militar brasileira, a entidade intensifica a luta pelas reformas sociais no país, desagradando as camadas mais conservadoras da sociedade, como os militares que se sentiam incomodados com as ações dos estudantes.

Prova disso, é a invasão e incêndio à sede da UNE logo após à tomada de poder pelos militares:

No dia 1 de Abril de 1964, o golpe militar mostrou, instantaneamente, a sua disposição com os estudantes. Destituído o governo legal, a UNE foi invadida, saqueada e queimada num paroxismo de ódio que escapa ao terreno puramente político para cair na esfera psiquiátrica[4]

A entidade passa então a agir ilgalmente devido à Lei Suplicy de Lacerda. Isso, entretanto, não para os estudantes que continuam se reunindo e organizando ações contra à ditadura militar. Em 1966, em Belo Horizonte, por exemplo, ocorre a passeata dos calouros da UFMG. Na época, a polícia foi acionada e a movimentação violentamente reprimida. Isso resulta na passeata do silêncio e na greve geral dos estudantes, que também acaba em repressão por parte do regime. Essas passeatas acabam tendo um efeito na sociedade como relata Poerner[5] .

“As passeatas irritaram o governo e reanimaram a oposição, à medida que ampliavam o movimento estudantil, mobilizando-o, também para invasão dos restaurantes universitários, arbitrariamente fechados, e para as greves contra o pagamento de anuidades. Aos cartazes estudantis de Abaixo a ditadura, Viva a soberania nacional, Povo sim, ditadura não, Abaixo o imperialismo, O voto é do povo e Se são fortes, abram as urnas, bem como o Hino Nacional – entoado em todas as passeatas -, o povo reagia, invariavelmente, com aplausos e chuvas de papel picado do alto dos edifícios”[6] .

A repressão ao movimento estudantil continuou com mais frequencia e mais violência. Estudantes foram mortos, torturados e feridos em vários confrontos com os militares. Em um destes, o jovem estudante secundarista, Edson Luís,  foi morto a tiros pela polícia. O ato causou revolta e mais protestos contra a ditadura eclodiu pelo país. Esse fato também marcou a mudança na postura do ME brasileiro que passou a se utilizar de violência para enfrentar a violência dos militares.

Após a instauração do Ato Institucional no 5 (AI5), ficou cada vez mais impossível a atuação estudantil brasileira. A prisão, tortura e morte dos que reprensetavam uma ameça à segurança nacional, de acordo com os parâmetros da ditadura, tornou-se uma atividade corriqueira. Em consequência, estudantes começaram a aderir à luta armada como forma de lutar pela volta de democracia. Contudo, a repressão não foi contida, culminando no silenciamento do movimento estudantil, restando a este organizar algumas atividades nas instituições de ensino.

É a partir de 1974 que  o ME começa sua reconstrução. O primeiro DCE Livre é criado em São Paulo, significando que “este não estava subordinado à universidade como as entidades consideradas “legais”[7] .  Com a liberação da organização estudantil pela legislação, em 1985 a Une participa da campanha Diretas Já e começa a auxiliar a criação de Centros e diretórios acadêmicos e grêmios estudantis nas instituições de ensino.

Após o fim do Regime Militar, a maior movimentação estudantil aconteceu em 1991 com o pedido  de impeachment do presidente Collor. Os estudantes pintavam seus rostos para ir às ruas, o que lhes deu o nome de caras-pintadas.

Atualmente, a atuação estudantil encontra-se fragmentada sem tanto poder de mobilização como antes vista. De acordo com Mesquita, "O movimento estudantil passa por uma crise de representatividades e organicidade que se manifesta na sua intervenção fragmentada e na pouca expressividade entre os estudantes" [8] . Ainda de acordo com Mesquita[8] , a apatia crescente dos estudantes se dá pela falta de novos espaços de participação para os estudantes, resultando em poucos estudantes interessados. Além disso, a estrutura organizacional das entidades estudantis continuam com seus modelos hierarquizados, não contemplando a nova realidade do jovem brasileiro, que demanda novas formas de organização na esfera política. 

No dia 24 de Março de 2003, estudantes organizados pelo MEPR atacaram o Consulado dos Estados Unidos no Rio de Janeiro. Foi a primeira demonstração de violência revolucionária da juventude brasileira desde as manifestações da época do regime militar.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Ícone de esboço Este artigo sobre movimentos sociais é um esboço relacionado ao Projeto Ciências Sociais. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.


Referências[editar | editar código-fonte]

  1. http://www.mundojovem.com.br/gremio-estudantil/o-movimento-estudantil-na-historia-do-brasil Acesso em: 18/05/2014
  2. a b http://dce.unifesp.br/historiame Acesso: 18/05/2014
  3. http://www.une.org.br/2011/09/historia-da-une/ Acesso: 18/05/2014
  4. Poerner,1986:29 apud Santana,2007:48 Tese: Atuação Política do Movimento Estudantil no Brasil: 1964 a 1984. USP. 2007, São Paulo.
  5. 1986 apud Santana, 2007:75. Tese: Atuação Política do Movimento Estudantil no Brasil: 1964 a 1984. USP. 2007. São Paulo
  6. Poerner, 1995:247 apud Santana, 2007:75. Tese: Atuação Política do Movimento Estudantil no Brasil: 1964 a 1984. USP. 2007. São Paulo
  7. Santana, 2007:187 Tese: Atuação Política do Movimento Estudantil no Brasil: 1964 a 1984. USP. 2007. São Paulo
  8. a b 2003:121 Movimento estudantil brasileiro:  Práticas militantes na ótica dos Novos Movimentos Sociais, Magazine: Revista Crítica de Ciências Sociais, ed-66, October 2003: 117-149.