Movimento estudantil brasileiro

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A expressão movimento estudantil brasileiro engloba o conjunto dos movimentos estudantis que já ocorreram no Brasil.

História[editar | editar código-fonte]

O primeiro registro do movimento estudantil brasileiro data de 1710, quando soldados franceses invadiram o território brasileiro, na época pertencente à Portugal. Os soldados do francês Jean-François Duclerc foram expulsos da cidade do Rio de Janeiro por milhares de estudantes de conventos e escolas religiosas da cidade, que os enfrentaram.[1] no entanto, o movimento só nasceu em 1901, com a fundação da Federação dos Estudantes Brasileiros, que teve pouco tempo de duração. Até 1910, o movimento estudantil brasileiro não teve nenhum papel significativo na sociedade brasileira. Nesse ano, o I Congresso Nacional de Estudantes, em São Paulo, foi realizado, culminando com a deliberação para criação de uma União Nacional de Estudantes.[2] Com a Revolução de 1930 no Brasil, os estudantes se organizaram em entidades como a Juventude Comunista, Juventude Integralista, Federação Vermelha dos Estudantes e a União Democrática Estudantil.[2]

Essas organizações aceleraram e aumentaram o desejo pela criação de uma única entidade que representasse os estudantes e a luta por uma sociedade mais justa. Contudo, foi somente em 1937 que, no Rio de Janeiro, a representação máxima dos estudantes foi criada. O nome escolhido foi União Nacional dos Estudantes (UNE), sob a direção de Ana Amélia Queirós Carneiro de Mendonça. A UNE, então, começou a se organizar em congressos anuais, sempre buscando atuar junto à sociedade. Durante a II Guerra Mundial (1939-1945), os estudantes se organizaram e lutaram contra os países do Eixo e pressionaram o então presidente brasileiro Getúlio Vargas a tomar uma posição firme durante a guerra. O Clube Germânia, principal reduto dos militantes nazifascistas na cidade do Rio de Janeiro,[3] foi ocupado pelos estudantes em 1942, resultando na posterior concessão pelo governo brasileiro do prédio para que se tornasse a sede da UNE. No mesmo ano, a entidade foi reconhecida pelo decreto-lei 4 080 como entidade representativa dos universitários brasileiros.

Nas décadas seguintes, os estudantes foram protagonistas de marcantes lutas. Na década de 1950, por exemplo, a UNE encabeçou uma campanha nacional pelo monopólio estatal da extração do petróleo em solo brasileiro. A campanha ficou conhecida como "O Petróleo É Nosso". Nos anos antecedentes à ditadura militar brasileira (1964-1985), a entidade intensificou a luta pelas reformas sociais no país, desagradando as camadas mais conservadoras da sociedade, como os militares que se sentiam incomodados com as ações dos estudantes.

Cronologia do movimento estudantil brasileiro

Prova disso é a invasão e incêndio à sede da UNE logo após a tomada de poder pelos militares:

Cquote1.svg No dia 1 de Abril de 1964, o golpe militar mostrou, instantaneamente, a sua disposição com os estudantes. Destituído o governo legal, a UNE foi invadida, saqueada e queimada num paroxismo de ódio que escapa ao terreno puramente político para cair na esfera psiquiátrica. Cquote2.svg

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A entidade passou então a agir ilegalmente devido à Lei Suplicy de Lacerda. Isso, entretanto, não para os estudantes que continuavam se reunindo e organizando ações contra a ditadura militar. Em 1966, em Belo Horizonte, por exemplo, ocorreu a passeata dos calouros da Universidade Federal de Minas Gerais. Na época, a polícia foi acionada e a movimentação violentamente reprimida. Isso resultou na passeata do silêncio e na greve geral dos estudantes, que também acabou em repressão por parte do regime. Essas passeatas acabaram tendo um efeito na sociedade, como relata Poerner:[5]

Cquote1.svg As passeatas irritaram o governo e reanimaram a oposição, à medida que ampliavam o movimento estudantil, mobilizando-o, também para invasão dos restaurantes universitários, arbitrariamente fechados, e para as greves contra o pagamento de anuidades. Aos cartazes estudantis de Abaixo a ditadura, Viva a soberania nacional, Povo sim, ditadura não, Abaixo o imperialismo, O voto é do povo e Se são fortes, abram as urnas, bem como o Hino Nacional – entoado em todas as passeatas -, o povo reagia, invariavelmente, com aplausos e chuvas de papel picado do alto dos edifícios. Cquote2.svg

[6]

A repressão ao movimento estudantil continuou com mais frequência e mais violência. Estudantes foram mortos, torturados e feridos em vários confrontos com os militares. Em um destes, o jovem estudante secundarista Edson Luís foi morto a tiros pela polícia. O ato causou revolta, e mais protestos contra a ditadura eclodiu pelo país. Esse fato também marcou a mudança na postura do movimento estudantil brasileiro, que passou a se utilizar de violência para enfrentar a violência dos militares.

Após a instauração do Ato Institucional Número Cinco, em 1968, ficou cada vez mais impossível a atuação estudantil brasileira. A prisão, tortura e morte dos que, de acordo com os parâmetros da ditadura, representavam uma ameaça à segurança nacional, tornou-se uma atividade corriqueira. Em consequência, estudantes começaram a aderir à luta armada como forma de lutar pela volta da democracia no país. Contudo, a repressão militar continuou, culminando no silenciamento do movimento estudantil e restando, a este, organizar algumas atividades nas instituições de ensino.

Foi a partir de 1974 que o movimento estudantil começou sua reconstrução. O primeiro DCE Livre foi criado em São Paulo, significando que "este não estava subordinado à universidade como as entidades consideradas 'legais'".[7]  Com a liberação da organização estudantil pela legislação, em 1985 a UNE participou da campanha Diretas Já e começou a auxiliar na criação de centros e diretórios acadêmicos e grêmios estudantis nas instituições de ensino.

Após o fim do Regime Militar, a maior movimentação estudantil aconteceu em 1992 com o pedido de impeachment do presidente Collor. Os estudantes pintaram seus rostos para ir às ruas pedir o impeachment, o que lhes rendeu o apelido de "caras-pintadas".

Caras-pintadas em manifestação em frente ao Congresso Nacional do Brasil em setembro de 1992

Atualmente, a atuação estudantil encontra-se fragmentada, sem o poder de mobilização de outrora. De acordo com Mesquita, "O movimento estudantil passa por uma crise de representatividades e organicidade que se manifesta na sua intervenção fragmentada e na pouca expressividade entre os estudantes".[8] Ainda de acordo com Mesquita,[8] a apatia crescente dos estudantes se dá pela falta de novos espaços de participação para os estudantes, resultando em poucos estudantes interessados. Além disso, a estrutura organizacional das entidades estudantis continua com seus modelos hierarquizados, não contemplando a nova realidade do jovem brasileiro, que demanda novas formas de organização na esfera política. 

No dia 24 de março de 2003, estudantes organizados pelo Movimento Estudantil Popular Revolucionário atacaram o Consulado dos Estados Unidos no Rio de Janeiro. Foi a primeira demonstração de violência revolucionária da juventude brasileira desde as manifestações da época do regime militar.

Organização atual[editar | editar código-fonte]

Atualmente, o movimento estudantil brasileiro se concretiza de maneira formal em entidades de representação estudantil:

Bandeira da UNE sendo esticada no 50º congresso da entidade, em 2007, em Brasília

Ainda se encontram outros tipos formais, como: associações de casa de estudantes, Atlética Esportiva, Executivas de curso etc.

De maneira informal, o movimento estudantil pode ser organizado a partir de afinidades por temas: político, religioso, esportista, acadêmico, cultural etc.

Commons
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Referências

  1. Mundo jovem. Disponível em http://www.mundojovem.com.br/gremio
  2. a b http://dce.unifesp.br/historiame Acesso: 18/05/2014
  3. http://www.une.org.br/2011/09/historia-da-une/ Acesso: 18/05/2014
  4. Poerner, 1986:29 apud Santana,2007:48 Tese: Atuação Política do Movimento Estudantil no Brasil: 1964 a 1984. USP. 2007, São Paulo.
  5. 1986 apud Santana, 2007:75. Tese: Atuação Política do Movimento Estudantil no Brasil: 1964 a 1984. USP. 2007. São Paulo
  6. Poerner, 1995:247 apud Santana, 2007:75. Tese: Atuação Política do Movimento Estudantil no Brasil: 1964 a 1984. USP. 2007. São Paulo
  7. Santana, 2007:187 Tese: Atuação Política do Movimento Estudantil no Brasil: 1964 a 1984. USP. 2007. São Paulo
  8. a b 2003:121 Movimento estudantil brasileiro: Práticas militantes na ótica dos Novos Movimentos Sociais, Magazine: Revista Crítica de Ciências Sociais, ed-66, October 2003: 117-149.
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