Muhammad I ibn Nasr
Muhammad ibn Nasr (em árabe, محمد بن نصر), também designado Muhammad I ibn al-Ahmar (Arjona, 1194 - Granada, 1273). Foi o primeiro rei do Reino de Granada, fundador da dinastia epônima dos nasridas. Governaria entre 1238 e 1273, com o apelido de al-Galib bi-llah (o vitorioso por Deus), embora fosse mais conhecido como Al-Ahmar (O Vermelho) pela coloração vermelha da sua barba.
Índice |
[editar] Origens
Membro dos Banu Nasr, família que afirmava proceder de um dos companheiros que tinham acompanhado o profeta Maomé durante a Hégira, assentaram-se na Taifa de Saragoça onde permaneceram até 1118 quando foi conquistada pelo rei Afonso I de Aragão, obrigando os Banu Nasr a se mudarem para Arjona onde, em 1194, nasceria o futuro Muhammad I.
[editar] Sultão de Arjona
Em 1212, por causa da Batalha das Navas de Tolosa o poder dos almóadas começa a declinar dando origem aos chamados Terceiros reinos de Taifas, entre os quais destacaria a Taifa de Múrcia criada em 1228 e que, sob o mandato de Ibn Hud, estenderia o seu domínio sob todo o Al-Andalus, exceto as taifas de Valência e Niebla.
Muhammad ibn Nasr, embora dedicado à agricultura (Ibn al-Khatib recolhe que herdou de seus pais extensos domínios "que cultivava com as suas próprias mãos"), alcançou reconhecimento e prestígio na sua cidade natal ao encabeçar operações militares de defesa da fronteira perante as incursões cristãs.
Estas incursões cristãs e as contínuas derrotas que sofrem as tropas de Ibn Hud provocam o mal-estar populacional contra este e são aproveitadas por Muhammad ibn Nasr para, com o apoio da sua família encabeçada pelo seu tio Yahya ibn Nasr e dos Banu Asquilula com os que se tinha aparentado por matrimônio, alçou-se a 16 de julho de 1232 contra o rei da taifa de Múrcia e proclamou-se sultão da Taifa de Arjona que haverá de ser o gérmen do futuro reino nasrida de Granada.
Imediatamente inicia a expansão territorial tomando Guadix, Baza e Jerez. As conquistas continuam em 1233 com a tomada de Úbeda, Porcuna, Córdova e Jaén, cidade esta adonde transladará a sua capital.
Seu seguinte objetivo era obter Sevilha, para o qual assina uma aliança com o seu rei Muhammad al-Bayi, quem se fez com o poder após destronar o irmão de Ibn Hud, e a quem conseguem derrotar na sua tentativa por reconquistar a cidade. Após fazer assassinar ao monarca sevilhano, Muhammad ibn Nasr situa como governante de Sevilha ao seu parente Ali ben Asquilula quem após somente um mês no poder ver-se-á obrigado a fugir quando os sevilhanos optam por reconhecer como rei a Ibn Hud quem além disso, em 1235, reconquistara Córdova e, em 1234, conseguira que o califa de Bagdade reconhecera-lhe oficialmente como governante de todo o Al-Andalus.
As perdas territoriais e o apoio político conseguido pelo seu rival ao ser reconhecido como o governador de Al-Andalus obrigam a Muhammad ibn Nasr a render homenagem a Ibn Hud reconhecendo-o como emir e prestando-lhe vassalagem em troca de ser reconhecido como senhor de Arjona, Jaén e Porcuna.
[editar] Rei de Granada
Esta situação cambiará quando, em 1236, Ibn Hud rende a cidade de Córdova ao rei castelhano Fernando III declarando-lhe vassalagem. Os altos impostos que se compromete a pagar ao rei castelhano provocam o descontente da população e o seu assassinato em 1237. Muhammad ibn Nasr aproveita a conjuntura para tomar sucessivamente, e ao longo de 1238, Almeria, Málaga e Granada onde fixará a sua nova capital proclamando-se rei com o nome de Muhammad I
Sua entrada em Granada a realizará pela Porta de Elvira proclamando Wa lā gāliba illā-llāh|Wa lâ Ghâlib illâ Allâh (Não há outro vencedor que Allah), frase que, além de dar origem ao seu apelido: al-Galib bi-llah (o vitorioso por Deus), tornar-se-ia na divisa da dinastia nasrida, aparecendo repetida em todos os palácios nasridas construídos nos dois séculos posteriores, inclusive na própria Alhambra cuja construção iniciará Muhammad I sobre a fortificação que já dominava a cidade.
Com as conquistas de Granada, Almeria e Málaga Muhammad I conseguiu o máximo domínio territorial que atingirá a dinastia nasrida embora somente o manterá durante 8 anos pois esta grande expansão territorial irá despertar o receio dos reinos cristãos, especialmente do rei castelhano Fernando III quem, na Primavera de 1244, conquista Arjona e, após sitiar infrutuosamente Granada durante 20 dias, cerca a cidade de Jaén até obrigar Muhammad I a pactuar, em 1246, a entrega da cidade, a declarar-se vassalo do rei cristão com um pagamento de 150.000 maravedis anuais e a emprestar-lhe ajuda militar em troca de uma trégua de 20 anos.
A perda territorial implicaria uma vantagem para Muhammad I pois permitiu-lhe dedicar-se a fortalecer o seu reino sem a preocupação de possíveis ameaças exteriores, pois a sua vassalagem com Fernando III protegia-o não somente dos castelhanos mas também dos aragoneses, cujo rei, Jaime I, fixou os seus objetivos expansionistas em Valência e as ilhas Baleares.
O apoio militar a que obriga o acordo far-se-á efetivo em 1248 quando o rei granadinho pôs a disposição de Fernando III um contingente de 500 ginetes que intervieram de jeito decisivo na reconquista cristã de Sevilha.
O acordo de paz foi renovado à morte de Fernando III pelo seu filho, o rei Afonso X o Sábio quem novamente receberá o apoio militar de Granada na conquista, em 1262 da taifa de Niebla. Nesse mesmo ano Muhammad I tenta a conquista de Ceuta embora fracassará estrepitosamente ao sofrer uma severa derrota.
O pacto com os castelhanos vai a romper-se em 1264 quando o Reino de Granada, após a queda da taifa de Niebla, passa a ser o único objetivo de reconquista que resta a Afonso X e Muhammad I busca novos aliados nos reis merínidas que de 1258 governavam parte do território do atual Marrocos. O envio de tropas e o apoio do nasrida aos levantamento mudéjares de Jerez e Múrcia provocam que Afonso X e Jaime I reajam enviando tropas que, após sufocarem os rebeldes, sitiam Granada, embora terminem sofrendo uma severa derrota.
A situação foi aproveitada pelos governadores de Málaga e Guadix que, ainda sendo parentes políticos de Muhammad I quem os tinha posto à frente do exército, sentem-se deslocados pela chegada dos Merínidas e em 1266 sublevam-se e declaram-se vassalos de Afonso X. Em resposta Muhammad I sitiou Málaga durante 3 meses e, ao não conseguir a sua conquista, chegou a um acordo com o rei castelhano-leonês pelo qual, em troca de um tributo de 250.000 maravedis anuais e à renúncia a Jerez e Múrcia, conseguiu que Afonso X não emprestasse apoio algum aos sublevados.
O descumprimento do pacto por parte de Afonso X provocou que Muhammad I apoiasse os nobres castelhanos que, encabeçados por Nuño González de Lara, se rebelaram em 1272, conseguindo em troca o apoio destes na tomada de Antequera nesse mesmo ano.
No seu aspecto religioso, e uma vez que se apropriou de Granada, abandonou as suas tendências sufis e ascéticas para apoiar a doutrina religiosa de rito maliki, a majoritária em todo o mundo muçulmano magrebino.
Antes de falecer, a 20 de janeiro de 1273 ao cair de um cavalo, deixou como herdeiro ao seu filho primogênito Abu Abd Allah Muhammad, conhecido com o apelido de al-Faqih (o jurisconsulto), que subiu ao trono com o nome de Muhammad II.
Sob o seu reinado começou a construção da zona palaciana da A Alhambra, que até então era estritamente uma estrutura militar que defendia a cidade de Granada, ampliando para isso o sistema de condução de águas.
| Precedido por - |
Rei de Granada 1238-1273 |
Sucedido por Muhammed II al-Faqih [editar] Bibliografia
Referências
|