Muladi

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O termo muladi (do árabe مولدونor, translit. muwallad, pl. muwalladun ou muwalladeen: "concebido por mãe não árabe"1 ), pode designar três grupos sociais presentes na Península Ibérica, na Idade Média:

  1. Cristão que abandonava o cristianismo, convertia-se ao Islã e vivia entre muçulmanos. Diferenciava-se do moçárabe, que se mantinha cristão em áreas de domínio muçulmano.
  2. Filho de um casamento misto cristão-muçulmano e de religião muçulmana.
  3. População de origem hispano-romana e visigótica que adotou a religião, a língua e os costumes do Islã para desfrutar dos mesmos direitos que os muçulmanos no Al-Andalus.2

Dentro do terceiro grupo distingue-se a nobreza visigoda, que acabou fundindo-se com a árabe, embora em zonas distantes tenha protagonizado movimentos secessionistas, como o dos Banu Qasi. Já nas camadas mais humildes da população, a maioria optou pela conversão, independentemente de considerações religiosas, apenas para livrar-se do imposto territorial e pessoal. Não obstante, no século IX, as diferenças socioeconômicas do Al-Andalus geraram frequentes tensões, manifestas na sublevação do Arrabal ou na rebelião de Umar bin Hafs bin Chafar. Este último, que se tornou célebre, nasceu em Ronda, de família goda, e seu avô se havia convertido ao Islã. Chegou a controlar politicamente uma área importante do Al-Andalus, tendo-se convertido ao cristianismo em 899 e instalado um bispo cristão em Bobastro.


Referências

  1. Diccionario de la Real Academía Española. <<muladí>>
  2. Ferrera Cuesta, Carlos (2005). Diccionario de Historia de España. Madrid: Alianza Editorial. ISBN 84-206-5898-7