Mulemba

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Como ler uma caixa taxonómicaMulemba
Ficus thonningii

Ficus thonningii
Estado de conservação
Status iucn2.3 NT pt.svg
Quase ameaçada
Classificação científica
Reino: Plantae
Clado: angiospérmicas
Clado: eudicotiledóneas
Clado: rosídeas
Subreino: Tracheobionta
Superdivisão: Spermatophyta
Subclasse: Hamamelididae
Ordem: Urticales
Família: Moraceae
Género: Ficus thonningii Blume
Espécie: Ficus L.
Nome binomial
Ficus thonningii
Blume
Commons
O Commons possui imagens e outras mídias sobre Mulemba

A Mulemba (Ficus thonningii) ou figueira africana é uma árvore sarmentosa da família das Moráceas, de seiva leitosa de tom rosado. Apresenta um porte elevado, chegando a atingir 15-20m de altura. A copa é volumosa e muito ramificada, sendo muito apreciada pela sombra que produz. Dá-se em terrenos secos e arenosos. Apresenta raízes aéreas, conhecidas popularmente por barbas. Os frutos, Sicónios, nascem nas axilas das folhas, com 8–12 mm de diâmetro e atraem uma grande variedade de pássaros. As folhas são simples de verde brilhante escuro, finas tipo papel ou ligeiramente rugosas, margem lisa, elíptica ou oblongada, por vezes bastante compridas, agrupados em extremidades nos galhos. Às vezes, abaixo do folhas, aparecem pequenas flores, amarelas ou vermelha. O nome genérico vem do latim clássico “ficus” (figueira de cultivo) derivada da palavra Persa fica e o epíteto foi dado em honra do coleccionador de plantas Dinamarquês Peter Thonning (1775-1848).

Descrição[editar | editar código-fonte]

Visco da Mulemba

A Mulemba é a árvore real Angolana, já que à sua sombra se reuniam os chefes e Reis. Era nestas seculares árvores que os miúdos da escola iam colher o visco (a seiva é leitosa e muito adesiva) para colocar estrategicamente na ponta de uma vara, que dissimulavam muito bem no meio da folhagem das árvores, para apanharem pássaros que depois colocavam em gaiolas. Era também debaixo de algumas destas árvores, sempre frondosas e que existiam junto das residências dos Sobas, que estes reuniam os séquitos dos seus sobados para resolverem todas as “macas” (problemas) que existiam, fossem elas de que natureza fosse.

Ecologia e distribuição[editar | editar código-fonte]

Folhas da Mulemba

Habitat natural[editar | editar código-fonte]

A espécie encontra-se amplamente espalhada nas florestas dos planaltos, prados abertos, zonas ribeirinhas e rochosas e, por vezes, na savana. Ocorre naturalmente em Angola, República Democrática do Congo (ex-Zaire) e Tanzânia.

Distribuição Geográfica[editar | editar código-fonte]

Angola, Benim, Botswana, Burkina Faso, Camarões, República Centro Africana, Chade, Congo, Costa do Marfim, República Democrática do Congo (ex-Zaire), Djibouti, Eritreia, Etiópia, Gana, Guiné-Bissau, Quénia, Madagáscar, Malawi, Moçambique, Namíbia, Nigéria, Ruanda, Senegal, Serra Leoa, África do Sul, Sudão, Suazilândia, Tanzânia, Togo, Uganda, Zâmbia e Zimbábue.

Limites Biofísicos[editar | editar código-fonte]

Esta espécie cresce numa ampla variedade de solos, em especial nos favorecidos pela luz, profundos e bem drenados, com uma precipitação média anual a variar entre os 750–2000 mm. Em termos de altitude, é comum encontrar exemplares entre os 1000–2500 m acima do nível médio do mar.

Fruto da Mulemba

Biologia Reprodutiva[editar | editar código-fonte]

Flores unisexuadas, polinizadas por pequenas vespas, que se desenvolvem em algumas das flores e vivem em simbiose no interior do Sicónio. A dispersão das sementes é feita pelos morcegos. No sul de África, a floração e frutificação, ocorrem a para a maior parte do ano, sendo o pico em Outubro.

Nome em outras linguas[editar | editar código-fonte]

(Africânder) gewone wurgvy, (Árabe) jammeiz al abiad, (Inglês) bark-cloth fig, common wild fig, strangler fig, (Francês) India-laurel fig, (Fula) bikeshi, (Hausa) chediya, (Shona) gerina, (Espanhol) álamo jagüey, Arbol de Washington, Laurel, (Swahili) mrumbapori, mtschamwa, (Tigrigna) shibaka, (Yoruba) odan, (Zulo) umBombe, (Ibinda) Nsanda.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Beentje HJ. 1994. Kenya trees, shrubs and lianas. National Museums of Kenya.
  • Bein E. 1996. Useful trees and shrubs in Eritrea. Regional Soil Conservation Unit (RSCU), Nairobi, Kenya.
  • Birnie A. 1997. What tree is that? A beginner's guide to 40 trees in Kenya. Jacaranda designs Ltd.
  • Coates-Palgrave K. 1988. Trees of southern Africa. C.S. Struik Publishers Cape Town.
  • Crane E, Walker P. 1984. Pollination directory for world crops. International Bee Research Association, London, UK.
  • Dale IR, Greenway PJ. 1961. Kenya trees and shrubs. Buchanan’s Kenya Estates Ltd.
  • Eggeling. 1940. Indigenous trees of Uganda. Govt. of Uganda.
  • Friis I. 1992. Forests and forest trees of northeast tropical Africa. Her Majesty’s Stationery Office, London.
  • Gupta RK. 1992. Multipurpose trees for agroforestry and wasteland utilization. Oxford & IBH Publishing Co. PVT. Ltd.
  • Hamilton A.C. 1981. A field guide to Uganda forest trees.
  • Hines DA, Eckman K. 1993. Indigenous multipurpose trees for Tanzania: uses and economic benefits to the people. Cultural survival *Canada and Development Services Foundation of Tanzania.
  • Hong TD, Linington S, Ellis RH. 1996. Seed storage behaviour: a compendium. Handbooks for Genebanks: No. 4. IPGRI.
  • ICRAF. 1992. A selection of useful trees and shrubs for Kenya: Notes on their identification, propagation and management for use by farming and pastoral communities. ICRAF.
  • Katende AB et al. 1995. Useful trees and shrubs for Uganda. Identification, Propagation and Management for Agricultural and Pastoral Communities. Regional Soil Conservation Unit (RSCU), Swedish International Development Authority (SIDA).
  • Keay RW. 1989. Trees of Nigeria. Claredon Press Oxford.
  • Mbuya LP et al. 1994. Useful trees and shrubs for Tanzania: Identification, Propagation and Management for Agricultural and Pastoral Communities. Regional Soil Conservation Unit (RSCU), Swedish International Development Authority (SIDA).
  • Noad T, Birnie A. 1989. Trees of Kenya. General Printers, Nairobi.
  • Palmer E, Pitman N. 1972. Trees of Southern Africa Vol. 2. A.A. BalKema Cape Town.
  • Record SJ. 1972. Timbers of the New World. Yale University Press.
  • Venter F, Venter J-A. 1996. Making the most of Indigenous trees. Briza Publications.
  • von Maydell HJ. 1986. Trees and shrubs of the Sahel - their characteristics and uses. GTZ 6MBH, Eschborn.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]