Mundurucus

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Mundurucus
Munduruku
Maytapu
Cara Preta
Wuyjuyu
Wuy jugu
Líder mundurucu no Amazonas
População total

11 630

Regiões com população significativa
 Brasil (Amazonas, Mato Grosso e Pará) 11 630 Funasa, 2010[1]
Línguas
língua mundurucu
Religiões
xamanismo
Etnia
Munduruku

Os mundurucus,[2] também chamados Munduruku,[3] Weidyenye, Paiquize, Pari, Maytapu e Caras-Pretas, e autodenominados Wuyjuyu ou Wuy jugu,[4] são um grupo indígena brasileiro que habita as áreas indígenas Cayabi, Munduruku, Munduruku II, Praia do Índio, Praia do Mangue e Sai-Cinza, no sudoeste do estado do Pará;[5] as terras indígenas Coatá-Laranjal e São José do Cipó, no leste do estado do Amazonas; e a Reserva Indígena Apiaká-Kayabi, no oeste do estado do Mato Grosso. Têm uma população de 11 630 (Fundação Nacional de Saúde, 2010[6] ) ou mais indivíduos, distribuídos em cerca de trinta aldeias. Falam a língua mundurucu, a qual pertence à família linguística mundurucu e ao tronco linguístico tupi.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

O nome "mundurucu" é o nome com que um grupo rival dos mundurucus, os parintintins, os denominam. Significa "formigas vermelhas" e é uma referência ao ataque em massa que os mundurucus costumavam realizar sobre seus inimigos.[7]

História[editar | editar código-fonte]

Segundo seu mito de origem, os mundurucus foram criados por Karosakaybo na aldeia Wakopadi, próximo às cabeceiras do rio Krepori. Na segunda metade do século 18, começaram os primeiros contatos registrados com os não índios. Nessa época, os mundurucurus dominavam o vale do rio Tapajós, região que era conhecida como Mundurucânia. Era costume dos mundurucus mumificarem os crânios de seus inimigos derrotados, aos quais atribuíam propriedades mágicas. Com a derrota dos mundurucus frente às várias expedições militares portuguesas, eles foram alojados em aldeamentos missionários e passaram a fornecer as chamadas drogas do sertão.

A partir de meados do século 19, o advento do ciclo da borracha marcou o aumento da presença de não índios em território tradicional mundurucu.[8] Atualmente, os mundurucus lutam para preservar a posse de seu território tradicional diante de garimpos ilegais, construção de hidrelétricas e criação de hidrovias.[9]

Polêmica sobre o uso da terra[editar | editar código-fonte]

Mundurucus em aquarela de 1828 de Hércules Florence

No início de 2012, a imprensa teve acesso a um contrato que representantes da tribo teriam firmado com uma empresa estrangeira em que "os índios se comprometem a não plantar ou extrair madeira das terras nos 30 anos de duração do acordo".[10] Em troca, a empresa irlandesa Celestial Green Ventures, que se apresenta como líder no mercado mundial de créditos de carbono, pagaria 30 parcelas anuais de 4 000 000 de dólares estadunidenses de 2012 até 2041.

O contrato teria sido assinado pelo presidente da Associação Indígena Pusuru, em desacordo com a vontade da maioria, segundo o vice-prefeito (índio) do município de Jacareacanga. Além da preservação da vegetação nativa, o contrato daria, à empresa, "a totalidade dos direitos sobre créditos de carbono e todos os direitos de créditos de certificados ou benefícios que se venham a obter por meio da biodiversidade dessa área",[10] o que abriria uma brecha para a biopirataria.

A discussão exemplifica casos em que contratos firmados por indígenas incluem cláusulas abusivas, e que, de acordo com parecer da Advocacia-Geral da União,[10] devem sofrer intervenção direta da União - o que também é sintomático da insegurança jurídica desse tipo de contrato no Brasil.

Confronto com a polícia em julho de 2012[editar | editar código-fonte]

Em 3 de julho de 2012, índios da etnia mundurucu atacaram uma delegacia no município de Jacareacanga, no estado do Pará, em protesto pela morte do índio Lelo Akay e posterior liberação, pela polícia, dos suspeitos do crime.[11] [12] [13]

Língua[editar | editar código-fonte]

Os mundurucus possuem um sistema numérico particular. Pierre Pica, juntamente com Stanislas Dehaene e Elizabeth Spelke, desenvolveu um trabalho seminal com os mundurucus revelando as propriedades psicofísicas e linguísticas do sistema de contagem mundurucu. Os mundurucus só possuem palavras para números até cinco. Apesar disso, eles são capazes de realizar diversas operações aritméticas de forma aproximada com acuidade similar à de indivíduos ocidentais que receberam educação formal em matemática. [14]

Literatura[editar | editar código-fonte]

Daniel Munduruku é um escritor mundurucu que se destaca na área da literatura infantil.

Commons
O Commons possui imagens e outras mídias sobre Mundurucus

Referências

  1. Povos Indígenas no Brasil: 2006-2010 2011, p. 9-16
  2. FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 1 171.
  3. Povos indígenas no Brasil. Disponível em http://pib.socioambiental.org/pt/povo/munduruku. Acesso em 28 de agosto de 2014.
  4. Povos indígenas no Brasil. Disponível em http://pib.socioambiental.org/pt/povo/munduruku/794. Acesso em 28 de agosto de 2014.
  5. Índios vendem direitos sobre terras na Amazônia, Yahoo!, acessado em 11 de março de 2012
  6. SOCIOAMBIENTAL, Inst. Munduruku. Página da web. Acesso em 12 de março de 2012.
  7. Povos indígenas no Brasil. Disponível em http://pib.socioambiental.org/pt/povo/munduruku/794. Acesso em 28 de agosto de 2014.
  8. Povos indígenas no Brasil. Disponível em http://pib.socioambiental.org/pt/povo/munduruku/796. Acesso em 28 de agosto de 2014.
  9. Povos indígenas no Brasil. Disponível em http://pib.socioambiental.org/pt/povo/munduruku. Acesso em 28 de agosto de 2014.
  10. a b c O ESTADO DE S. PAULO, Por milhões de dólares, índios vendem direitos sobre terras na Amazônia. Edição de domingo, 11 de março de 2012. Página A22.[1]
  11. http://tertulino.blogspot.com.br/
  12. http://globotv.globo.com/rede-liberal-pa/jornal-liberal-1a-edicao/v/delegado-geral-de-policia-da-informacoes-sobre-seguranca-em-jacareacanga/2024926/
  13. http://www.orm.com.br/2009/noticias/default.asp?id_noticia=598243&id_modulo=388
  14. Riley, Alex Bellos ; illustrations by Andy. Alex's adventures in numberland. Paperback ed.. ed. London: Bloomsbury, 2010. ISBN 9781408809594.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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