Museu Brasileiro da Escultura

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Museu Brasileiro da Escultura
Tipo Artes visuais
Inauguração 1995
Visitantes 70.000 (2009)[1]
Diretor Jorge Landmann
Website www.mube.art.br/
Geografia
País  Brasil
Cidade São Paulo

O Museu Brasileiro da Escultura (MuBE) é uma instituição cultural privada localizada no Jardim Europa, cidade de São Paulo. Foi inaugurado em maio de 1995, com o objetivo de divulgar os mais diversos segmentos da arte, priorizando a escultura e os suportes tridimensionais. Seu edifício-sede, uma das obras mais conhecidas do arquiteto Paulo Mendes da Rocha, é uma construção semi-subterrânea integrada a um jardim projetado por Burle Marx.[2] [3]

O museu surgiu como fruto da mobilização de uma associação de moradores do bairro, visando impedir a construção de um shopping center no local. O terreno foi cedido em regime de comodato pela prefeitura de São Paulo à Sociedade de Amigos dos Museus (SAM), mantenedora da instituição, por um período de 99 anos. Em 2007, esteve no centro de uma disputa judicial envolvendo a prefeitura e a SAM, acusada de uso indevido do espaço.[4]

Histórico[editar | editar código-fonte]

O Museu Brasileiro da Escultura tem sua origem em uma mobilização conjunta empreendida pela Sociedade dos Amigos do Jardim Europa (SAJEP) e pela Sociedade de Amigos dos Museus (SAM), sob coordenação da artista plástica Marilisa Rathsam, visando impedir a construção de um shopping center em um terreno de 7000 metros quadrados localizado na Avenida Europa, que, alegadamente, interferiria na tranqüilidade dos moradores do bairro.[5] Em 1987, durante a gestão Jânio Quadros, a prefeitura de São Paulo concedeu à Sociedade de Amigos dos Museus, em regime de comodato, o uso do terreno por um período de 99 anos, com a contrapartida de que o mesmo fosse destinado à construção de um equipamento cultural aberto à comunidade.[5] [6]

Após a concessão, a SAM idealizou a construção no local de um museu dedicado à escultura e à ecologia. O plano inicial previa o uso da futura instituição como centro de documentação e administração do acervo público de esculturas da cidade. O projeto do arquiteto Paulo Mendes da Rocha para a edificação foi escolhido por meio de concurso fechado e a sua construção se iniciou em 1988.[5] O projeto paisagístico do jardim, idealizado por Roberto Burle Marx, seria executado apenas parcialmente.[2]

A construção do museu levou oito anos e foi financiada em grande parte por doações do setor privado.[5] [7] Inaugurado em maio de 1995, com uma mostra de 140 obras de Victor Brecheret, o museu foi gerido desde então como um espaço expositivo dedicado a manifestações diversas, sem a preocupação de formar ou manter uma coleção permanente de obras de arte.[6] [8] [9]

Entre 1997 e 1999, Fábio Magalhães trabalhou como curador do MuBE, organizando uma mostra inédita no Brasil de esculturas de Max Ernst[10] , uma ampla retrospectiva de Giorgio de Chirico[11] e outra dedicada a César Baldaccini[12] . Nesses primeiros anos o museu também desenvolveu um programa educacional, com cursos e workshops voltados a mídias diversas e diferentes linguagens das artes visuais e criou uma divisão de audiovisual, responsável por uma programação de apresentações musicais e sessões de cinema.[8] [9] [13]

Após a saída de Fábio Magalhães e a redução no ritmo de exposições, no entanto, começaram a se registrar críticas à falta de consistência do projeto museológico. As críticas se intensificaram depois que a direção tomou atitudes polêmicas, como a instalação de um grande letreiro na lateral da viga sob o vão livre (posteriormente retirado) e de grades cercando o edifício.[14]

Em abril de 2007, após elaboração de um parecer do Departamento de Patrimônio Histórico que apontava desvio de função por parte da direção do MuBE, o prefeito Gilberto Kassab rescindiu a concessão administrativa do espaço. A prefeitura alegou que a direção do museu estava utilizando indevidamente o edifício para fins não relacionados a atividades artísticas – como feiras comerciais, lançamentos de produtos, desfiles de moda e festas de música eletrônica. O museu recorreu e obteve liminar permitindo-lhe continuar ocupando o espaço. Em 2008, o Órgão Especial do Tribunal de Justiça julgou o mérito da ação, dando ganho de causa ao museu.[4] [15]

A prefeitura declarou ter a intenção de retomar o edifício para servir de abrigo ao acervo da Pinacoteca Municipal, atualmente instalada no Centro Cultural São Paulo. A recisão do contrato recebeu apoio de parte da comunidade artística, por meio de um abaixo-assinado subscrito por 2000 personalidades do meio cultural, entre os quais os curadores Tadeu Chiarelli e Aracy Amaral e os artistas plásticos Leda Catunda, Regina Silveira e Jac Leirner. A direção do museu, por sua vez, obteve o apoio de outra parcela da comunidade artística, nomeadamente do escultor Caciporé Torres.[4] [16]

O desgaste provocado pelo embate com a prefeitura levou a diretoria do museu a cassar o mandato da presidente Marilisa Rathsam, à frente da instituição desde sua inauguração.[17] O empresário Jorge Landmann assumiu a presidência do MuBE, prometendo a profissionalização de sua gestão. Landmann anunciou que transformaria o museu em uma Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público), o que permitira à instituição ter acesso maior a incentivos fiscais. Também contratou Jacob Klintowitz para o cargo de curador.

Sob a curadoria de Klintowitz, o museu voltou a realizar exposições, elevando sua média anual de visitantes de 12 mil, em 2007, para 70 mil, em 2009. Destacaram-se neste período mostras dedicadas a artistas contemporâneos, como Pablo Atchugarry, Yutaka Toyota e Yukio Suzuki e a exposição Michelangelo no MuBE, com 25 réplicas em gesso da Gipsoteca dell’Istituto Statale d’Arte de Florença e dois desenhos originais de Michelangelo cedidos pela Fondazione Buonarroti. Em agosto de 2009, Klintowitz foi demitido pela direção, sob a alegação de que o museu não possuía verbas para manter o cargo. Na ocasião, o ex-curador declarou à imprensa que a diretoria do MuBE "entende que arte não traz dinheiro para o museu, que o espaço deve ter outras utilidades".[1] O presidente da instituição rebateu as críticas dizendo que o cargo de curador é "conceitualmente desnecessário" para uma instituição com o perfil do MuBE, concebida como um espaço múltiplo.[17]

Em novembro de 2010 o museu lançou o projeto MuBE Virtual, um acervo digital colaborativo sobre a produção escultórica nacional.[18] Em agosto de 2011 sediou a exposição do artista Steven Klein chamada USAnatomy, com ensaios de famosos como Madonna, Justin Timberlake, Angelina Jolie e Brad Pitt.

Ver também[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Museu Brasileiro da Escultura

Referências

  1. a b França, Valéria. MuBE manda embora curador e extingue cargo O Estado de S. Paulo. Página visitada em 6 de maio de 2010.
  2. a b Rocha & Artigas, 2000, pp. 86.
  3. Cultura Nacional - Arquitetura Portal Brasil. Página visitada em 5 de maio de 2010.
  4. a b c Loiola, Thompson. Ocupação do espaço do MuBE gera polêmica entre artistas e políticos de SP UOL Entretenimento. Página visitada em 6 de maio de 2010.
  5. a b c d Sperling, David. Museu Brasileiro da Escultura, utopia de um território contínuo Vitruvius. Página visitada em 6 de maio de 2010.
  6. a b Bronzatto, Thiago. MuBE: De onde veio? Para onde ele vai? Revista Cult. Página visitada em 6 de maio de 2010.
  7. O Museu - História Museu Brasileiro da Escultura. Página visitada em 6 de maio de 2010.
  8. a b MUBE - Museu Brasileiro de Escultura SampaArt. Página visitada em 6 de maio de 2010.
  9. a b A céu aberto, 2007, pp. 171.
  10. Esculturas de Max Ernst Museu Brasileiro da Escultura. Página visitada em 6 de maio de 2010.
  11. Retrospectiva Giorgio de Chirico Museu Brasileiro da Escultura. Página visitada em 6 de maio de 2010.
  12. Retrospectiva César Museu Brasileiro da Escultura. Página visitada em 6 de maio de 2010.
  13. O resgate do MuBE Fórum Permanente - Museus de arte: entre o público e o privado. Página visitada em 6 de maio de 2010.
  14. Cruz, José Armênio Brito. Mube violentado Vitruvius. Página visitada em 6 de maio de 2010.
  15. Mônica Bergamo (12 de agosto de 2008). Um teto para o museu Folha de S. Paulo em Canal Contemporâneo.. Página visitada em 6 de maio de 2010.
  16. Manifestantes protestam contra despejo do MuBE pela Prefeitura de SP Folha de S. Paulo em Fórum Permanente. (23 de abril de 2007). Página visitada em 6 de maio de 2010.
  17. a b Martí, Silas. MuBE demite o curador Jacob Klintowitz e revela falta de rumo Folha Online. Página visitada em 6 de maio de 2010.
  18. MuBE Virtual mubevirtual.com.br. (2011). Página visitada em 13 de julho de 2011.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Rocha, Paulo Mendes da & Artigas, Rosa. Paulo Mendes da Rocha. São Paulo: Cosac & Naify, 2000. 86-93 pp. vol. 1. ISBN 8586374768
  • A céu aberto. L’Officiel Brasil, São Paulo, n. 15, 2007, pp. 170–171.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]