Museu Casa da Hera

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

O Museu Casa da Hera, também conhecido como Chácara da Hera, é o melhor exemplo de habitação urbana de família rica durante o apogeu das plantações de café no vale do Paraíba do Sul. É a única residência desta região que mantém o mesmo mobiliário e tratamento original de seu interior desde o século XIX.

Chácara da Hera

História[editar | editar código-fonte]

A Casa da Hera pertenceu a Joaquim Teixeira Leite (1812-1872), um dos mais importantes comissários de café da região e filho do barão de Itambé. Não se sabe com exatidão a data de construção da casa, mas podemos situá-la na primeira metade do século XIX. A casa passa a ser propriedade dos Teixeira Leite por volta de 1840, quando, na iminência de seu casamento, Joaquim compra a casa para viver com sua futura esposa, Ana Esméria (Correia e Castro) Pontes França, filha do barão de Campo Belo. Joaquim José Teixeira Leite era irmão de [Francisco José Teixeira Leitte], barão de Vassouras.[1]

A última proprietária foi a filha de Joaquim José Teixeira Leite, a investidora financeira Eufrásia Teixeira Leite.

Em 1873, logo depois da morte dos pais, Eufrásia Teixeira Leite e a irmã partiram para viver em Paris. A irmã morreu na Europa e Eufrásia somente retornou para nos meados da década de 1920, já no final da vida, para passar breves temporadas na residência dos falecidos pais. Apesar de ficar praticamente fechada por quase cinqüenta anos, a casa era conservada por dois empregados que recebiam constantemente instruções detalhadas da patroa residente em Paris.[2]

Eufrásia Teixeira Leite faleceu em 1930 e deixou a maior parte de seus bens como herança para entidades filantrópicas de Vassouras. A Casa da Hera foi, certamente, a menor parte de sua herança.[3]

Uma das cláusulas do testamento de Eufrásia Teixeira Leite declarava: "conservar a Chácara da Hera com tudo que nela existisse no mesmo estado de conservação, não podendo ocupar ou permitir que fosse ocupada por outros". A casa e as terras da chácara foram herdadas pelo Instituto das Irmãs Missionárias do Sagrado Coração de Jesus.[3]

Em 1952, o ministro de relações exteriores Raul Fernandes conseguiu que a Casa da Hera fosse tombada pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional como expressão do cotidiano de uma família rica de fazendeiros e comissários de café do século XIX.[3]

Em 1965, o IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - assinou um convênio de caráter permanente com Instituto das Irmãs Missionárias do Sagrado Coração de Jesus no qual assumia a guarda e controle da Casa da Hera, que então passou a ser aberta à visitação pública.[3]

A casa ficou praticamente fechada e sem ocupantes, embora preservada por empregados, desde 1873 até ser aberta a visitação pública em 1965. Portanto, constitui-se em uma verdadeira cápsula do tempo.

Atualmente, o Museu Casa da Hera é administrado pelo Instituto Brasileiro de Museus - IBRAM, órgão do Ministério da Cultura.

O Museu Casa da Hera tem como missão principal, conservar, salvaguardar, pesquisar, expor, e difundir a história do século XIX no vale do Paraíba do Sul.

Arquitetura[editar | editar código-fonte]

A Cada da Hera situa-se a cerca de 300m da Praça Barão de Campo Belo, no centro histórico da cidade de Vassouras.

Originalmente, as paredes externas da Casa da Hera eram caiadas. O caseiro Manuel da Silva Rebelo, que a guardava enquanto Eufrásia Teixeira Leite vivia em Paris, plantou em 1897 a hera que cobriu suas paredes externas e que lhe dá um aspecto peculiar, além do nome atual.

A Chácara da Hera tem hoje 33.000 m² de área verde que incluem um túnel de bambus e palmeiras imperiais. A área original era 240.594 m². Em 1924, Eufrásia comprou a chácara Dr. Calvet com 73.447 m², que ficava ao lado da Chácara da Hera, no local onde atualmente está o Colégio Sul-fluminense de Aplicação,[3] antigo Colégio Regina Coeli. As duas propriedades formavam uma área contínua de pomares e mata que ia desde quase o centro da cidade de Vassouras até o atual bairro do Madruga.

A casa possui 62 janelas e 22 cômodos distribuídos entre área social e estar, íntima e de serviço.

Os ambientes sociais são os mais ricos e decorados, destacando-se pelo papel de parede de origem francesa. Ali estão um vestíbulo, a sala comercial, o salão vermelho e a sala de música e a sala de jantar.

Os quartos são extremamente simples e mais ainda a área de serviço com a cozinha onde se destaca o fogão à lenha e um filtro de pedra do século XIX.

A habitação prestava-se não só a residência, mas também às atividades comerciais de seu primeiro dono. Assim, além da sala comercial, há uma alcova que hospedava clientes que moravam em fazendas distantes e não podiam retornar depois da reunião de negócios.

Como toda residência do século XIX, a casa, mesmo imensa, não possuía banheiros. Uma antiga sala destinada a atividades de costura foi transformada em instalações sanitárias para uso dos visitantes do museu, sendo esta a única alteração feita desde século XIX.

Acervo[editar | editar código-fonte]

Além do mobiliário, quadros e objetos de uso doméstico originais, seu acervo inclui ainda uma coleção de trajes de origem francesa, considerada das mais importantes do Brasil.

A biblioteca possui 890 livros[1] e 3.000 periódicos[3] do século XIX. A maior parte do acervo bibliográfico é de livros técnicos de contabilidade e negócios utilizados pelo seu penúltimo proprietário, Joaquim José Teixeira Leite.

Há ainda um piano Henri Herz, raro exemplar do século XIX, do qual só há um outro igual em Estrasburgo na França.

Outros objetos de época foram doados por diversas pessoas da região.

Referências

Ver também[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Museu Casa da Hera
Ícone de esboço Este artigo sobre arquitetura é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.