Museu Imperial

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Museu Imperial
Tipo Museu de arte e de história
Inauguração 29 de Março de 1940
Diretor Maurício Vicente Ferreira Jr.
Website www.museuimperial.gov.br
Geografia
Localidade Petrópolis, no Rio de Janeiro, no
 Brasil

O Museu Imperial, popularmente conhecido como Palácio Imperial, é um museu histórico-temático localizado no centro histórico da cidade de Petrópolis, no estado do Rio de Janeiro, no Brasil. Está instalado no antigo Palácio de Verão do imperador brasileiro dom Pedro II.[1]

História[editar | editar código-fonte]

As origens do palácio remontam à passagem de dom Pedro I pela região da Serra Fluminense, mais precisamente na serra da estrela, a caminho das Minas Gerais durante uma viagem oficial para vistoriar as áreas de mineração e extração de ouro. Hospedando-se na fazenda do Padre Correia, encantado com a paisagem e clima ameno,o fez uma oferta para comprá-la. Com a recusa do proprietário, o imperador adquiriu um outro lote de terra em 1830, a Fazenda do Córrego Seco, onde pretendia levantar um palácio de verão, plano que não chegou a concretizar, este, deveria se chamar ''Palacio da Concórdia'', onde existia o velho casarão da fazenda. D. Pedro ainda se hospedaria muitas e muitas vezes na fazenda do padre correia, (esta já nas mãos da irmã do padre dona Arcângela Joaquina da Silva)principalmente por conta da saúde de uma de suas filhas, D. Paula. Muitas estimativas, contagens e progetos foram apresentados para a construção do Palacio, mas nenhuma delas chegou a ser executada. Em 7 de abril de 1831, D. Pedro abdicou. Já a bordo da nau inglesa que o levaria de volta para a Europa, ele listou os bens que deixaria no Brasil, bem como propriedades a serem vendidas, entre elas a ''Fazenda Imperial da Concordia''. Felizmente a venda não foi efetuada.

Pedro II[editar | editar código-fonte]

Após a morte de D. Pedro, houve muita confusão em relação as dívidas e hipotecas que sua majestade devia, e finalmente depois muito se arrastarem por tribunais, finalmente foi ela (a fazenda) passada a Pedro II, e o nome de Concórdia caiu em desuso, voltando a se chamar ''Córrego Seco''. Foi com Júlio Frederico Koeler, oficial do corpo militar de engenharia, que surgiu a ideia de colonizar a região do Córrego- Seco, isto durante a revitalização da estrada da estrela, que ligava o litoral a Paraíba do Sul, onde ele ficou na antiga casa da fazenda, e pode apreciar bem as '' terras de clima úmido e frio'', que não se prestavam a agricultura, e ai, justamente ai, se pretendiam construir uma colônia agrícola com imigrantes alemães. Paulo Barbosa, amigo de Koeler, que avia conhecido na academia militar de engenharia, avia apresentado um projeto ao imperador (quase um sonho pelas deficiências de orçamento da Casa Imperial) de um palácio em estilo Neoclássico na serra, dando continuidade a ideia de Pedro II, que deveria ser construído por imigrantes alemães, após a instalação dos mesmos na colônia da fazenda. Pedro II o aprova por meio de um decreto de forma solene, no qual é considerada a fundação de Petrópolis. Nesse decreto determinava Pedro II entre outras medidas, arrendar a Koeler a sua fazenda do Córrego-Seco, reservado um terreno para a edificação de seu palácio e suas dependências e jardins. Nota-se que nesse decreto só se fala em córrego seco. Como teria surgido então p nome Petrópolis, e quando teria entrado em uso? Paulo Barbosa, que não era homem de se vangloriar de coisas alheias, gabava-se de ser o autor do nome. O projeto oficial foi apresentado em 1843, onde se viam prontas a planta da cidade, do palácio e dependências.

Construção[editar | editar código-fonte]

Lançada a pedra fundamental, houve o nivelamento da área, para se começar as obras, que foram todas financiadas por mordomia da casa imperial, pois dizia Pedro II, que por a construção acontecer em sua propriedade particular, não se deviria utilizar de dinheiro do estado. Na planta de Petrópolis de Koeler, acha-se indicado o local do palácio num quadrilátero entre a rua do imperador e a rua da imperatriz. Via- se ainda outros edifícios no mesmo terreno, cuja identificação é impossível de ser feita. As obras tiveram inicio na ala direita do palácio, vindo os alicerces vinham de uma pedreira próxima (qual?). Foise utilizados bois para ''Puxar terra, pedra e madeira''. Foi-se continuando as obras da ala esquerda(que no inicio viu-se que era mais larga que a direita e mais tarde foi-se arrumada) foi ficando pronto o Sobrado, onde estão as entradas principais do palacio, além dos quartos. Todos os comodos foram ricamente (nem tanto) decorados e mobiliados com lindos estuques e moveis.

Os Jardins[editar | editar código-fonte]

O primeiro projeto apresentado foi de Glaziou, este paisagista oficial do imperador, que projetou os jardins da quinta da boa vista e diversos outros parques, mas foi recusado. Os jardins foram projetados por Binot, também francês. Ainda podem ser vistos o traçado primitivo dos jardins, desde pandalos da Africa, palmeiras da Australia, arvores de incenso, entre outras. Os jardins foram se modificando e diminiundo com o tempo, mas ainda podem ser vistos e apreciados.

Pedro II chegava a ficar no palacio não apenas no verão, mas em grande parte do ano. Chegava a ficar 9 meses no palacio. Foi de lá que ele veio no fatidico dia de 15 de novembro de 1889, quando a ré-pública foi proclamada.

Último retrato de dom Pedro I, de Simplício de Sá

A Coroa de Dom Pedro II

"A Fala do Trono", de Pedro Américo

Após 1889[editar | editar código-fonte]

Com o advento da república, a propriedade, alugada pela princesa Isabel, foi ocupada pelo Colégio Notre Dame de Sion, mais tarde dando lugar ao Colégio São Vicente de Paula. Um dos alunos do colégio, Alcindo de Azevedo Sodré, que mostrava grande interesse por história, acalentou o sonho de ver o palácio transformado em museu, o que se realizou através de um decreto do presidente brasileiro Getúlio Vargas de 16 de março de 1943, criando o Museu Imperial e indicando, como seu primeiro diretor, o mesmo Alcindo Sodré.

Grande parte da decoração interna ainda se preserva, como os pisos em pedras nobres, os estuques, candelabros e mobília, reconstituindo os ambientes originais de quando o palácio era habitado. A instituição é o museu mais visitado no país.[2]

Grande parte da decoração interna ainda se preserva, como os pisos em pedras nobres, os estuques, candelabros e mobília, reconstituindo os ambientes originais de quando o palácio era habitado. A instituição é o museu mais visitado no país.[2]

Acervo[editar | editar código-fonte]

O acervo do museu é constituído por peças ligadas à monarquia brasileira, incluindo mobiliário, documentos, obras de arte e objetos pessoais de integrantes da família imperial. Na coleção de pinturas, destacam-se a "Fala do Trono", de autoria de Pedro Américo, representando dom Pedro II na abertura da Assembleia Geral, e o último retrato de dom Pedro I, pintado por Simplício Rodrigues de Sá.

Particularmente importantes são as joias imperiais, com a coroa de dom Pedro II, criada por Carlos Marin especialmente para a sagração e coroação do jovem imperador, então com 15 anos de idade, e a coroa de dom Pedro I, além de diversas outras peças raras e preciosas, como o cofre de bronze dourado e porcelana oferecido pelo rei de França Luís Filipe I a seu filho Francisco Fernando de Orléans, príncipe de Joinville, por ocasião de seu casamento com a princesa dona Francisca; o colar de ouro, esmeraldas e rubis com insígnias do império que pertenceu à imperatriz dona Leopoldina, e o colar de ametistas da Marquesa de Santos, presente de dom Pedro I.

O acervo é distribuído nos seguintes espaços principais:

  • Sala de Jantar, com rico conjunto de móveis assinados por F. Léger Jeanselme Père & Fils, e serviço de louças.
  • Sala de Música, preservando instrumentos como um harpa dourada de fabricação Pleyel Wolff, um saltério do século XVIII fabricado no Rio de Janeiro e o pianoforte de fabricação inglesa Broadwood, que teria, segundo a tradição, pertencido a Dom Pedro I, e a espineta fabricada por Mathias Bosten em 1788, a única existente no mundo deste autor. Completa a sala mobiliário lavrado em jacarandá.
  • Sala de Estado, a mais importante do palácio, onde Dom Pedro recebia os visitantes oficiais. O trono, originalmente no Palácio da Quinta da Boa Vista, veio só mais tarde para o Museu Imperial, junto com objetos de adorno como vasos, porcelanas de Sèvres, consoles e espelhos decorados.
  • Gabinete de Dom Pedro II, onde o imperador passava a maior parte do dia em meio a instrumentos científicos e livros. Ali se preservam, entre outros objetos, sua luneta, o primeiro telefone do Brasil, que ele trouxe dos Estados Unidos, sua chaise-longue e diversos retratos pintados de familiares.
  • Aposentos das Princesas, preservando os ambientes originais ocupados pelas princesas dona Isabel e dona Leopoldina, com mobília em estilo dom José I.
  • Sala de visitas da Imperatriz, onde Dona Teresa Cristina recebia suas amigas em caráter privado, para conversas e sessões de bordados, com mobília correspondente.

Biblioteca[editar | editar código-fonte]

A rica biblioteca do Museu Imperial preserva um importante acervo bibliográfico com cerca de 50 mil volumes, especializados em História (principalmente do Brasil no período Imperial), história de Petrópolis e Artes em geral.

A seção de Obras Raras conta com itens preciosos como edições dos séculos XVI a XIX, periódicos, partituras, iluminuras, manuscritos, ex-libris, relatórios das Províncias e dos Ministérios e coleção de Leis do Império, totalizando cerca de 8 mil volumes. Destas peças, diversas pertenceram à família imperial e trazem anotações manuscritas, encadernações luxuosas e ilustrações.

A seção de livros de viajantes estrangeiros que passaram pelo Brasil nos séculos XVIII e XIX também é importante, documentando diversos aspectos da vida social e da paisagem natural brasileira de então, com obras de Debret, Rugendas, Saint-Hilaire, Maria Graham, Henry Koster, Louis Agassiz, Charles Darwin, Spix e Martius.

Arquivo Histórico[editar | editar código-fonte]

Dom Pedro II e dona Teresa Cristina nos jardins do Palácio Imperial de Petrópolis, c. 1888

O museu possui uma coleção de mais de 250 mil documentos originais que datam do século XIII e vão até o século XX. Especialmente interessante é a reunião de fotografias que documentam a história e a evolução dos aspectos urbanos e paisagísticos do estado do Rio de Janeiro e da cidade de Petrópolis.

Diversas coleções privadas enriquecem esta seção, como a de João Lustosa da Cunha Paranaguá, 2º Marquês de Paranaguá; a de Ambrósio Leitão da Cunha, Barão de Mamoré; a Coleção Barral-Monteferrat, com a correspondência entre D. Pedro II e a Condessa de Barral; o importante Arquivo da Casa Imperial Brasileira[3] , e diversas outras.

Projetos[editar | editar código-fonte]

  • Programa de Artes Visuais, em parceria com a FUNARTE, busca realizar exposições, seminários multidisciplinares, cursos e workshops, no intuito de capacitar profissionais, formar novas platéias e ampliar o conhecimento do público em geral. Também procura debater questões referentes à museologia, aos acervos nacionais e à evolução das artes plásticas contemporâneas.
  • Educação Patrimonial, um projeto perene do museu, que objetiva instruir adultos e crianças a respeito da apropriação consciente e valorização crítica de sua herança cultural, fortalecendo o sentido de identidade e cidadania. Subsidiando este projeto, o museu realiza visitas guiadas, oficinas de teatro de marionetes para crianças, recitais de música do século XIX reconstituindo o espírito dos saraus aristocráticos, e outras atividades educativas.
  • Projeto de Digitalização do Acervo do Museu Imperial - DAMI[4] . Esse trabalho disponibiliza imagens de todo o acervo do Museu Imperial na internet, de forma livre. Livros, documentos e objetos de todos os tipos são digitalizados e têm suas informações exibidas na página do projeto. Já existem milhares de objetos e documentos disponíveis para download.

Notas

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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