Museu Júlio de Castilhos

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Museu Júlio de Castilhos

O Museu Júlio de Castilhos é o mais antigo museu do Rio Grande do Sul. Está instalado em dois antigos casarões de Porto Alegre, localizados na rua Duque de Caxias 1231 e 1205, no centro da cidade.

O museu é aberto a visitações de terça-feira a sábado, das 10h às 18h, com entrada franca. Nas segundas-feiras o expediente é interno e para atendimento a pesquisadores, mediante agendamento.

Histórico do prédio[editar | editar código-fonte]

Reconstituição do antigo dormitório de Júlio de Castilhos

O prédio principal atualmente ocupado pelo museu, de número 1231, é um destacado modelo de residência urbana aristocrática do século XIX. Foi construído em 1887, com projeto do coronel de engenheiros Catão Augusto dos Santos Roxo, herói da Guerra do Paraguai, para ser sua residência. Em 1897 foi aberta uma subscrição entre os membros do Partido Republicano Rio-Grandense (PRR) para adquirir o palacete para morada de seu presidente, Júlio de Castilhos, ex-presidente do estado, que passou a ocupá-lo, com sua esposa Honorina e seus seis filhos, entre 1898 e 1903, data de sua morte.

Após o falecimento da viúva, em 1905, o prédio foi comprado pelo governo do estado, e para lá foi transferido o acervo do museu. Em sua memória foi mantida uma sala,reconstituindo o antigo dormitório do casal e seu gabinete.

Em 1909 a casa foi reformada para adaptá-la às atividades museais. Em 1925 foram construídas duas salas no pavimento superior, e entre 1968 a 1973 realizaram-se obras no telhado, forro, assoalho e nas redes hidráulica e elétrica, sendo reaberto a tempo de comemorar os seus 70 anos.

Em 1980 o governo adquiriu a casa vizinha, número 1205, construída entre 1917 e 1918, a fim de que os espaços expositivos do museu pudessem ser ampliados. As reformas de adaptação terminaram em 1996. A casa anexa foi moradia de outro ex-governante do estado, Borges de Medeiros, seguidor de Julio de Castilhos. No ano seguinte o casarão principal passou por nova restauração no telhado e no forro. Ambos os prédios foram tombados pelo Patrimônio Estadual, em 1982. Outras obras de manutenção da sua estrutura, revitalização dos seus espaços internos e reorganização da museografia foram executadas em 2007.

A instituição[editar | editar código-fonte]

Houve tentativas anteriores de criar um museu no Rio Grande do Sul. Um deles funcionou junto ao Instituto Histórico e Geográfico da Província de São Pedro (IHGSP), fundado em 1860, extinto em 1863, e que criou um museu em 1862. Além disso um decreto estadual de 17 de dezembro de 1885 previa a criação de um museu estadual, o que aparentemente não ocorreu.[1]

O Museu do Estado foi finalmente criado em 30 de janeiro de 1903, por decreto de Borges de Medeiros, então presidente do estado, como museu antropológico, artístico e histórico, para abrigar objetos que vinham sendo coletados desde 1901 e estavam depositados nos pavilhões construídos para a 1ª Exposição Agropecuária e Industrial do estado, que aconteceu no atual Parque da Redenção.

Arte Missioneira: São Francisco Xavier, século XVIII

Seu primeiro diretor foi Francisco Rodolfo Simch, dirigindo até 1925, com um intervalo entre 1919 e 1922, quando assumiu interinamente Hugo Debiasi. Em 1905 o museu foi transferido para a casa de Júlio de Castilhos, e em 1907 renomeado Museu Júlio de Castilhos, quando passa a servir funções celebrativas ao político.[1]

Constituído de quatro seções: zoologia e botânica; mineralogia, geologia e paleontologia; antropologia e etnografia; e a seção de ciências, artes e documentos históricos. O museu permanecia a maior parte do tempo com suas portas fechadas ao público, recebendo somente pesquisadores, fornecendo pareceres técnicos, principalmente à Secretaria de Obras do Estado, ao qual era vinculado.[1]

Até a década de 1920 pode ser enquadrado na categoria de Museu de História Natural. Em 1925 foi desligado do Serviço Geológico e Mineralógico da Secretaria de Obras, passando à tutela da Secretaria do Interior. Seu antigo diretor, Francisco Rodolfo Simch, passa a dirigir o Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul, enquanto Alcides Maia assume como novo diretor. A estrutura também foi redefinida, em duas seções: uma de história nacional e outra de história natural. Durante o Estado Novo, em 23 de março de 1939, Emílio Kemp é nomeado diretor do museu, cargo em que permaneceu até 1950, quando se aposentou. Neste período o museu volta sua política de atuação para o público, deixando de concentrar seu trabalho somente em pesquisa, transcrição e catalogação de documentos.[1]

Sob a direção de Dante de Laytano, em 1954, os objetivos do museu foram redefinidos, passando a museu histórico, priorizando o folclore e o estudo das tradições. Assim, desvincula-se do Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul, e desmembra suas coleções de história natural e arte moderna, dando origem ao Museu de Ciências Naturais e ao Museu de Arte do Rio Grande do Sul, criados no mesmo ano.[1]

Em 2004 iniciou um projeto de informatização do catálogo de sua coleção, facilitando o acesso das informações a pesquisadores, público interessado e à própria equipe da casa. Em 2005 a instituição recebeu verbas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a instalação de um completo sistema de segurança interno, com câmeras de vídeo, monitores e sensores anti-furto.

Acervo[editar | editar código-fonte]

O acervo do museu é voltado para a preservação e divulgação de materiais de várias épocas e locais importantes para a história do Rio Grande do Sul, democratizando o conhecimento e possibilitando a formação de visões críticas sobre a história local. As mais de dez mil peças, tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), se agrupam em uma ampla variedade de categorias, como iconografia, armaria, documentos, filatelia, heráldica, elementos das culturas indígenas, indumentária, instrumentos musicais, instrumentos de trabalho, máquinas, medalhas, peças de arte missioneira, mobiliário, numismática, objetos decorativos, objetos de uso pessoal, objetos ligados à Revolução Farroupilha e à Guerra do Paraguai, sigilografia, tesserologia, utensílios domésticos e viaturas.

Salas de exposições[editar | editar código-fonte]

Sala Indígena
Alegoria Farroupilha, guache do século XIX

Nas salas de exposição de longa duração, a museografia adota modelo temático diferente para cada sala, assim distribuídas:

  • Sala Indígena, enfocando aspectos das atividades sociais e culturais dos grupos indígenas que habitaram o Rio Grande do Sul, com armas, cerâmicas, artesanato e instrumentos de trabalho de diversas etnias, como os Kaingangues e Guaranis.
  • Pátio dos Canhões Farroupilhas, integrado em 2003 aos espaços de exposição e remodelado em 2007, mostra ao público canhões que pertenceram à esquadra de Giuseppe Garibaldi e que, por longo tempo, jaziam no fundo do arroio Santa Izabel, em Camaquã, onde foi travada uma das batalhas da revolução. Os canhões foram recuperados em 1926 e doados à instituição.
  • Revolução Farroupílha, mostra de peças ligadas ao conflito que ocorreu no século XIX no Estado, compreendendo retratos de líderes da Revolução como Bento Gonçalves e David Canabarro, armas e objetos de uso pessoal da época.

Projetos[editar | editar código-fonte]

Além das salas de exposição permanente, o museu abre seus espaços para exposições temáticas temporárias de seu próprio acervo, bem como oferece a oportunidade de que outras coleções e artistas convidados exponham em suas dependências.

Fazem parte das atividades regulares do museu as visitas didáticas mediadas, dedicadas principalmente a escolares.

Curiosidades[editar | editar código-fonte]

Tanto Júlio de Castilhos como sua esposa Honorina morreram no velho casarão de forma trágica. Ele, após uma mal-sucedida cirurgia para remoção de um câncer na traquéia; e ela, inconsolável com a perda do marido, suicidou-se. Isso levou o prédio a ser considerado mal-assombrado, e registram-se os testemunhos de diversas pessoas que alegam ter avistado vultos dos falecidos.

Outras peças do acervo[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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