Museu de Cluny

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O Museu de Cluny

O Museu de Cluny, oficialmente chamado de Museu Nacional da Idade Média (em francês: Musée National du Moyen Age), é um museu de Paris dedicado à preservação de um rico acervo de arte medieval.

O museu está instalado em dois edifícios históricos adjacentes: as Termas Galo-Romanas (séculos I-III d.C.) e a ala residencial dos monges de Cluny (século XV), chamada de Hôtel de Cluny. Sua coleção vem sendo reunida desde a formação do núcleo original de peças pertencentes ao colecionador Alexandre du Sommerard, que por algum tempo residiu no local. Desde sua fundação como museu em 1843 a coleção vem sendo ampliada, e hoje é capaz de formar um panorama abrangente de arte e história desde a Gália Romana até o século XVI.

História[editar | editar código-fonte]

No início do século XIII a Universidade de Paris se transferiu para a região que mais tarde se tornaria o Quartier Latin. Como era hábito, a universidade era a um tempo centro de estudo e moradia. O colégio foi erguido na segunda metade do século XIII onde hoje é a Sorbona, e já não existe mais, e a parte residencial foi levantada a partir de 1334, incorporando o frigidário das antigas Termas Galo-Romanas. Foi reconstruído no século XV pelo abade de Cluny, Jacques d'Amboise, numa combinação de elementos góticos e renascentistas, criando um pátio cercado de muros e duas alas de aposentos, de dois andares.

Em anos posteriores o edifício serviu para várias finalidades, e entre seus ocupantes estiveram Maria Tudor e o Cardeal Mazzarino, sendo confiscado pelo estado em 1793. Alexandre de Sommerard se mudou para lá em 1833 e instalou sua grande coleção de peças medievais e renascentistas, que constituíram o núcleo inicial do museu. Falecendo em 1842, sua coleção foi adquirida pelo estado e seu filho foi indicado curador, sendo aberta ao público no ano seguinte. A configuração do interior ainda é a mesma da época de sua construção, e o conjunto é um dos mais significativos exemplos de arquitetura do fim da Idade Média em Paris.

O frigidário das Termas Galo-Romanas, um dos trechos mais bem preservados dessas ruínas.

As Termas Galo-Romanas são um dos mais importantes sítios arqueológicos romanos em solo francês, remanescentes de um tempo em que Paris, a antiga Lutécia, se desenvolvia em uma grande cidade, com imponentes monumentos e villas aristocráticas. Parte do edifício está em um estado bastante razoável de conservação em virtude de seu uso continuado ao longo de toda a Idade Média, servindo a diferentes usos após sua desativação como casa de banhos. Divide-se em três espaços principais: O antigo frigidário (anexado ao Hôtel), uma calda e um caldário, estes últimos em estado de ruína parcial, mantendo ainda as paredes e fragmentos decorativos como mosaicos.

Os espaços do Hôtel e das Termas estão integrados num percurso museal unificado, com cerca de 20 salas de exposição. O complexo é completado por um jardim de 5 mil m² que recria em uma interpretação livre o espírito dos jardins medievais.

A coleção[editar | editar código-fonte]

O acervo do Museu de Cluny está dividido nos seguintes departamentos:

  • Antiguidade e início da Idade Média, com peças que atestam o processo de romanização da Gália e outras dos povos bárbaros invasores de períodos mais tardios, com jóias, elementos de cantaria e esculturas, placas de marfim esculpido, e peças litúrgicas. Muitos itens são originários de regiões distantes como o Egito, Ásia Menor, Império Bizantino e Espanha, registrando o intenso intercâmbio cultural e comercial entre a Gália e outras regiões do império romano.
Tapeçaria da série A Dama e o Unicórnio
  • Tapeçarias, Tecidos e Bordados, com uma das mais importantes coleções em seu gênero, com obras provenientes do Império Bizantino, Oriente Médio, Egito e Europa. Dentre as peças mais notáveis estão as tapeçarias da série A Dama e o Unicórnio, a Libertação de São Pedro, e a Vida de Santo Estevão.
  • Escultura Gótica, com rico acervo de peças que mostram a evolução da arte da escultura na Paris dos séculos XII e XIII, com uma série peças e fragmentos originários de catedrais e outras igrejas, que haviam sido roubadas ou depredadas na Revolução Francesa, e que vêm sendo recuperadas em uma feliz série de coincidências.
  • Pinturas, Miniaturas e Vitrais, reunindo itens de técnicas diversas mas que têm a cor como interesse central.
  • Marfim e Ourivesaria, com uma das mais ricas coleções de peças em metais e pedras preciosas e esmaltes, com obras-primas como as Coroas de Guazarrar, de Toledo, e o Altar de Bale, proveniente do tesouro da Catedral de Bale, e uma das maiores esculturas em marfim da Madonna hoje existentes.
  • Empréstimos, com uma variedade de obras em exposição temporária emprestadas de grandes museus da França, Europa e América.

Galeria de obras[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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