Museu de Imagens do Inconsciente

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O Museu de Imagens do Inconsciente foi criado em 20 de maio de 1952, no Centro Psiquiátrico Pedro II (atualmente chamado Instituto Municipal Nise da Silveira), no Engenho de Dentro, Rio de Janeiro, por iniciativa da psiquiatra Nise da Silveira.

Núcleo de Terapia Ocupacional[editar | editar código-fonte]

Nise da Silveira, oposta aos tratamentos psiquiátricos vigentes na década de 1940 (eletrochoque, lobotomia, insulinoterapia.[1] ) implantou em 1946, no Centro Psiquiátrico Pedro II, o Serviço de Terapêutica Ocupacional. Foram criados ateliês de pintura e modelagem, permitindo aos internos uma nova forma de expressão e tratamento psiquiátrico, ainda inédito no Brasil. Na ocasião o Centro Psiquiátrico possuia aproximadamente 1500 internos, em sua maioria esquizofrênicos crônicos.

O museu é fundado com a finalidade de preservar os trabalhos produzidos nos ateliês, que servirão de base para uma maior compreensão dos pacientes. Assim, por meio desse museu, Nise da Silveira conseguiu levar as discussões do campo da saúde mental para toda a sociedade utilizando-se, principalmente, de várias exposições. A principal delas foi em Zurique, Suíça, durante o II Congresso Mundial de Psiquiatria, que contou com a presença de Jung. Além dessa exposição, houve centenas em cidades brasileiras e no exterior.

Tratava-se de um “Museu Vivo” [2] , pois, além dos trabalhos produzidos, abrigava também os criadores uma vez que dentro do museu havia um ateliê. O debate entre os críticos Mário Pedrosa e Quirino Campofiorito deu grande visibilidade ao museu. Aquele chamou a arte produzida no museu de “Arte Virgem” [3] e este, de forma depreciativa, de “arte primitiva” [4] . Entretanto, ambas acreditavam na relação existente entre arte e saúde mental.

No acervo do Museu contam obras de Adelina Gomes, Carlos Pertuis, Emygdio de Barros, Fernando Diniz e Octávio Inácio. Por seu valor artístico e científico, foram tombadas pelo Iphan oito coleções individuais, uma coleção de seis autores e outras 53.133 obras.[5]

Imagens do Inconsciente[editar | editar código-fonte]

Em 1989 foi lançado o filme Imagens do Inconsciente, de Leon Hirszman, que aborda três histórias: sobre a vida Adelina Gomes, Fernando Diniz e Carlos Pertuis.[6]

Sociedade dos Amigos do Museu de Imagens do Inconsciente (SAMII)[editar | editar código-fonte]

Em 5 de dezembro de 1974, surge a Sociedade dos Amigos do Museu de Imagens do Inconsciente (SAMII). Uma entidade de caráter civil, sem fins lucrativos, cujo objetivo era dar suporte e difundir os trabalhos do Museu. Essa Sociedade promoveu vários eventos, palestras, encontros, além da produção de vídeos sobre as questões que permeavam o Museu.

Referências bibliográficas[editar | editar código-fonte]

Livro de biologia mental

Referências

  1. Aperjrio: Uso de insulinoterapia em Psiquiatria Infantil Brasileira (2006). Visitado em 27/09/2008.
  2. MELO, W. Ninguém vai sozinho ao paraíso: o percurso de Nise da Silveira na Psiquiatria do Brasil. Tese de doutorado. Rio de Janeiro: Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), 2005.
  3. PEDROSA, M. Forma e Percepção Estética. São Paulo: EdUSP, 1995.
  4. OLIVEIRA, P. F.; MELO, W. Arte e Saúde Mental: mapeamento e análise de trabalhos na Região Sudeste. “IN: Encontro Nacional de Psicologia Social”, 15, 2009, Maceió. Anais ...Maceió: ABRAPSO, 2009.
  5. Patrimônio: Tombado pelo Iphan em 2003, o acervo do Museu de Imagens do Inconsciente é o único a articular arte e pesquisa sobre esquizofrenia. Visitado em 27/09/2008.
  6. Terra cinema: Imagens do Inconsciente (Trilogia). Visitado em 27/09/2008.

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Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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