Museus Vaticanos

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Museus Vaticanos
Tipo Museu de arte
Inauguração 1506 (508 anos)
Visitantes 4 310 083 (2008)[1]
Diretor Antonio Paolucci
Website mv.vatican.va
Geografia
Localidade Cidade do Vaticano, Vaticano
Museus Vaticanos, vistos da Basílica de São Pedro

Os Museus Vaticanos constituem um conglomerado de renomadas instituições culturais da Santa Sé, que abrigam extensas e valiosas coleções de arte e antiguidades colecionadas ao longo dos séculos pelos diversos pontífices romanos. Além destas instituições relativamente independentes entre si, das quais algumas possuem também sub-seções mais ou menos autônomas, os Museus Vaticanos supervisionam uma série de outros espaços dentro dos palácios da cidade do Vaticano, como galerias e capelas, que por si mesmos guardam alto interesse arquitetônico, histórico e artístico.

Histórico[editar | editar código-fonte]

Planta dos Museus Vaticanos

Desde a Idade Média o papado foi acumulando um significativo acervo de obras de arte, algumas remontando ao Império Romano, que eram mantidas no Patriarcado de Latrão, a antiga residência papal. Entre as peças mais importantes estavam a Loba capitolina, a Estátua equestre de Marco Aurélio e fragmentos de duas estátuas colossais representando Constantino I, mas nesse período não havia uma consciência museológica, a coleção não era sistematizada e não havia um programa de aquisições. Somente ao longo do Renascimento, quando surgiu um renovado interesse pela arte e cultura clássicas da Antiguidade, e os grandes aristocratas começaram a formar importantes coleções privadas de relíquias arqueológicas e objetos de arte antigos, é que a ideia moderna de museu começou a se formar. Acompanhando essa tendência, em 1503 o papa Júlio II criou um espaço no Vaticano, o Pátio do Belvedere, construído por Bramante, para receber parte de sua coleção pessoal e de algumas obras antigas importantes que haviam sido recentemente descobertas em escavações e adquiridas pela Igreja, como o Apolo Belvedere.[2]

Entretanto, no período da Contra-Reforma, o papa Pio V dissolveu a coleção reunida por Júlio, preservando apenas as peças que não possuíam ligações com a Antiguidade pagã, e as outras foram transferidas para o Antiquarium do Capitólio, que mais tarde deu origem aos Museus Capitolinos, ou foram incorporadas a coleções privadas da nobreza italiana, e o interesse pelo colecionismo só voltou a aparecer entre os papas no início do século XVIII, não apenas por causa do valor estético das obras de arte, mas também para documentar a história primitiva da Igreja. Nesse período a ciência da Arqueologia estava se consolidando e renascia o estudo da Antiguidade. Foram realizadas muitas escavações arqueológicas na Itália e Roma se tornou o maior centro europeu de comércio de antiguidades. A Igreja detinha o privilégio de adquirir à sua escolha, antes de outros colecionadores, um terço de todos os achados das escavações no Lácio e em muitos casos adquiria uma proporção muito maior, ao mesmo tempo em que o papado buscava entre os nobres a aquisição de peças suplementares. Os papasClemente XIV e Pio IX, na segunda metade do século, deram grande impulso ao colecionismo, criaram leis para impedir a evasão de antiguidades da Itália, compraram coleções inteiras de nobres falidos, empregaram uma grande equipe de restauradores para recuperar as antiguidades adquiridas e reformaram partes do Vaticano para receber esse acervo que crescia rapidamente, fundando o Museu Pio-Clementino, o núcleo museológico inicial dos Museus Vaticanos, estruturado de forma moderna.[2]

Entrada dos Museus Vaticanos

Com a invasão de Roma em 1798 por Napoleão Bonaparte muitas das obras recolhidas foram confiscadas e levadas a Paris, entre elas o Apolo Belvedere e o Laocoonte, desfalcando seriamente o acervo papal. Pio VII procurou compensar as perdas adquirindo grande quantidade de outras peças, proibiu a saída de antiguidades dos Estados Pontifícios, fundou o Museu Chiaramonti, construiu o Braccio Nouvo e a Galeria Lapidaria para lápides e epígrafes antigas, e indicou o escultor Antonio Canova como Inspetor-Geral de Antiguidades e Belas Artes, que conseguiu em 1816 trazer de volta para Roma parte do espólio tomado por Napoleão. Gregório XVI continuou a obra de seus antecessores, fundando o Museu Etrusco (1828), o Museu Egípcio (1839) e o Museu Gregoriano Profano de Latrão (1844), com uma seleta de peças romanas de caráter pagão que não foram consideradas adequadas para permanecerem em exposição nos recintos do Vaticano. Foi ampliado em 1854 sob Pio IX com a ramificação do Museu Pio-Cristão, com esculturas, sarcófagos e outras obras de caráter cristão. Mas quando a capital do Reino de Itália foi tranferida de Florença a Roma em 1870, o papado perdeu seu privilégio sobre as aquisições arqueológicas, e a entrada de novos itens foi muito reduzida.[2] [3]

No século XX, o interesse aquisitivo se diversificou, foram criados museus etnológicos, históricos e de arte moderna, e as coleções começaram a ser reorganizadas de acordo com critérios museológicos mais aprimorados. Pio X estabeleceu em 1910 o Lapidário Hebreu, com inscrições de antigos cemitérios judeuss de Roma doadas pelos marqueses de Pellegrini-Quarantotti. Pinacoteca Vaticana foi criada por Pio XI em um edifício especialmente construído para ela, e em 1926 foi fundado o Museu Missionário-Etnológico. João XXIII reorganizou as coleções do Museo Gregoriano Profano, do Museo Pío-Cristão e do Lapidário Hebreu e as transferiu do Palácio de Latrão para o atual edifício dentro do Vaticano, inaugurado em 1970. Em 1973 foi criada a Coleção de Arte Religiosa Moderna e Contemporânea, sendo instalada nos Apartamentos Borgia. No mesmo ano foi organizado o Museu Histórico do Vaticano, com uma série de retratos papais expostos nos apartamentos papais de Latrão e uma seção de carruagens e automóveis. Em 2000, foi inaugurada uma nova entrada para o complexo de museus, com instalações para vários serviços e onde são expostas obras de arte especialmente criadas para o ambiente. No itinerário dos Museus Vaticanos estão incluídos os palácios vaticanos, onde se encontram outros espaços e coleções de grande importância como a Capela Sistina, as Salas de Rafael, a Galeria dos Mapas, a Galeria das Tapeçarias, a Galeria dos Candelabros e os Apartamentos Borgia.[2] [3]

Jardim da Pinha

Museu Pio-Clementino[editar | editar código-fonte]

Fundado em 1771 pelo papa Clemente XIV, de início continha obras do Renascimento e Antiguidade, mas a coleção foi reestruturada por Pio VI para receber obras gregas e romanas. Atualmente compreende 54 salas de exposição. Algumas das principais são:

  • Gabinete do Apoxiômenos, especialmente dedicado à exposição de uma importante cópia romana de um atleta de Lisipo, no momento em que realiza a higiene após a competição. Na sequência se encontra a famosa escadaria de Bramante, uma jóia da arquitetura barroca.
  • Pátio Octogonal, com importante estatuária, onde primam o celebre Grupo de Laocoonte e seus filhos, o Apolo Belvedere, cópia de Leocarés, e o Perseu de Canova.
  • Sala dos Animais, com estatuária zoomórfica romana, extensamente restaurada no século XVIII.
  • Galeria das Estátuas, com importante estatuária com peças como o Apolo sauróctono, cópia de Praxiteles, a Ariadne adormecida, da escola pergamenha, e o Candelabro Barberini.
  • Sala das Musas, com esculturas gregas, das quais são notáveis o grupo de Apolo e as Musas e o Torso Belvedere, de Apolônio de Atenas.
  • Sala da Rotunda: cujo nome deriva da bela cúpula de cobertura, obra de Michelangelo Simonetti, contém diversos mosaicos e estatuária, onde se destaca o Hércules dourado.
  • Gabinete de Máscaras, cujo nome provém de um mosaico no piso encontrado na Villa Adriana. Também abriga estátuas importantes como uma cópia da Afrodite de Cnido, de Praxiteles.
  • Sala da Cruz Greca: com um grande mosaico instalado no centro, proveniente de Túsculo, e os sarcófagos de Constâncio Cloro e Helena de Constantinopla.

Museu Chiaramonti[editar | editar código-fonte]

Recebeu este nome de seu fundador, Pio VII, membro da família Chiaramonti, que organizou a sua coleção de estátuas, frisos e sarcófagos no início do século XIX, com a supervisão de Antonio Canova. Dentre suas mais de mil peças se encontra a famosa estátua Augusto de Prima Porta. Faz parte deste museu o Braccio Nuovo, com cópias de esculturas gregas e outras romanas, como uma cópia do Doríforo de Policleto, dois pavões de bronze dourado da era Adriana, uma representação antropomórfica do rio Nilo procedente do antigo Templo de Ísis junto ao Panteão. No piso foram instalados mosaicos.

Outra seção do Museu Chiaramonti é a Galeria Lapidaria, com mais de 3 mil inscrições e tabuletas, a maior em seu gênero em todo o mundo, mas é uma coleção fechada para o público e apenas estudiosos a ela têm acesso, através de uma autorização especial.

Museu Gregoriano Etrusco[editar | editar código-fonte]

Fundado por Gregório XVI em 1837, para receber peças encontradas em uma série de escavações desenvolvidas a partir de 1828 em antigas cidades da Etrúria que então faziam parte dos Estados Pontifícios. Em 1870, o papado perdeu a soberania sobre a área e a coleção passou a ser ampliada somente através de aquisições, das quais foram de importância superlativa a Coleção Falcioni e a Coleção Giacinto Guglielmi, ou de doações, como a da Coleção Benedetto Guglielmi e a da Coleção Mario Astarita.

Em seu conjunto, o acervo do Museu Etrusco mostra peças datando do século IX a.C. ao século I a.C., com cerâmicas, bronzes, objetos em ouro e prata. Uma seção especial é composta de vasos gregos (embora encontrados em necrópoles etruscas) e italiotas (de cidades helenísticas do sul da Itália). Outra seção do museu é o Antiquarium Romanum, com peças provenientes de Roma e do Lácio, com bronzes, cerâmicas, vidros e elementos de arquitetura. As peças são expostas no antigo Palazzetto de Inocêncio VIII e em outro prédio anexo, ambos com expressiva decoração original de afrescos de Federico Barocci, Taddeo Zuccari, Santi di Tito e Niccolò Circignani.

De suas 22 salas de exposição são especialmente importantes:

  • Sala II, com grandes afrescos de Federico Barocci e Federico e Taddeo Zuccari, com cenas da vida de Moisés e Aarão. Além da decoração esta sala abriga o núcleo mais significativo da coleção gregoriana, com peças encontradas na necrópole de Sorbo de Cerveteri.
  • Sala IV, com diversos monumentos de vários tipos (sarcófagos, urnas, relevos funerários, esculturas e inscrições), de várias procedências e cobrindo uma período de mais de cinco séculos.
  • Salas V e VI, com expressiva coleção de terracotas votivas e uma reconstituição de um recinto sagrado etrusco, com estatuária, altares e oferendas votivas.
  • Salas VII e VIII, mostrando a rica reunião de objetos de joalheria etrusca, com sua técnica refinada que não tinha paralelos na Antiguidade. Também mostra peças que já fazem parte do período romano.
  • Sala IX, dedicada à exposição da coleção dos Marqueses Guglielmi de Vulci, que foi em parte comprada e em parte doada. É uma coleção eclética com cerca de 800 itens etruscos e gregos que abrangem um largo intervalo de tempo entre a arcaica civilização Villanova e a fase helenística.
Cerâmica italiota (Vulci) com cena religiosa, Museu Etrusco
  • Sala XII, decorada por Daniele da Volterra e seus discípulos, hoje abriga a Coleção Falcioni, igualmente uma reunião eclética de objetos coletados sem um critério lógico, mas que bem representa o colecionismo do século XIX. Possui uma série de itens valiosos, com peças da civilização Villanova, vasos da Ática, cerâmicas, bronzes e diversos outros objetos de joalheria antiga e moderna.
  • Sala XIV, dedicada ao Antiquarium Romanum, uma seção mais ou menos autônoma que foi formada com a seleção de diversas obras antigamente misturadas às coleções etruscas e italiotas do Museu Etrusco.
  • Sala XVI, com antiguidades romanas e uma seção especial para os achados dentro dos limites do Vaticano, uma área que é povoada desde o período do Império Romano, com uma série de achados de tumbas, incluindo a do apóstolo Pedro.
  • Salas XVII e XVIII, abrigando a Coleção de Vasos, também de caráter independente e que inclui uma rica coleção de vasos gregos pintados descobertos durante escavações da Etrúria durante o século XIX, quando este tipo de obra recebeu mais atenção dos especialistas e descobriu-se que esta técnica é de origem grega e não etrusca, como até então se acreditava por força da grande quantidade de peças encontradas em cidades etruscas.
  • Sala XXII, com uma reunião de vasos italiotas, produzidos em colônias gregas do sul da Itália e Sicília entre o fim do século V a.C. e o século IV a.C., com peças da Basilicata, Pesto (Campânia), e Apúlia, e uma seção comparativa com exemplares etruscos da mesma época.

Museu Gregoriano Egípcio[editar | editar código-fonte]

Fundado por Gregório XVI em 1839, o museu é dedicado à preservação de um acervo de monumentos e artefatos do antigo Egito procedentes de escavações na própria Itália (provavelmente trazidos durante a era imperial) e coleções privadas adquiridas no século XIX. A fundação deste museu deriva do interesse pelo país demonstrado pelo papado, uma vez que a região teve um papel importante na tradição religiosa judaico-cristã. O museu ocupa nove salas, um terraço e uma ala com peças da Mesopotâmia, Síria e Palestina.[4] Dentre elas se destacam:

  • Sala I, com estelas e estátuas com inscrições hieroglíficas, dispostas em ordem cronológica. A decoração do ambiente é em estilo egípcio e introduz o visitante à atmosfera antiga daquele país, e as peças em exibição cobrem um período de mais de 25 séculos, desde o Antigo Reinado até a era cristã, com uma grande estátua de Ramsés II no seu trono instalada no centro deste espaço.[5]
  • Sala III, uma reconstrução do canopus e do serapeum da Villa Adriana em Tivoli, uma das estruturas arquitetônicas mais interessantes da antiga propriedade imperial, compondo originalmente um quadrilátero a céu aberto decorado com colunas e arcadas em torno de um grande espelho d'água, que reconstituía simbolicamente o mar Mediterrâneo e as civilizações em seu entorno, indicadas com estatuária nos respectivos estilos. Na reconstrução estão instaladas diversas estátuas monumentais, como a de Osíris-Ápis nascendo do lótus, quatro exemplares de Osíris-Antínoo e um busto colossal de Ísis-Sótis-Deméter.[6]
  • Sala VIII, dedicada a material proveniente da Mesopotâmia, Síria e Palestina pré-clássicas trazido por expedições arqueológicas empreendidas por instituições católicas. Mostra tabuletas, cilindros e selos com inscrições cuneiformes, e peças de metalurgia.[9]

Pinacoteca Vaticana[editar | editar código-fonte]

A ideia de uma galeria especial para o acervo de pinturas, aberta ao público, nasceu em 1817, após a queda de Napoleão, quando um grande número de obras-primas confiscadas pelo francês, retornou ao Vaticano. Contudo, a Pinacoteca Vaticana só foi inaugurada oficialmente em 27 de outubro de 1932 em um prédio especial, projetado por Luca Beltrami a pedido de Pio XI, resolvendo o antigo problema de exposição e armazenagem adequada da coleção de quase 500 peças reunidas pelo papado desde 1790.

As obras ocupam 18 salas e compreendem um período que vai desde o gótico até o século XIX. Dentre os mestres ali representados estão Giotto, Fra Angelico, Melozzo da Forli, Perugino, Rafael, Leonardo da Vinci, Reni, Ticiano, Veronese, Poussin, Botticelli, Caravaggio e Crespi.

Museu Missionário-Etnológico[editar | editar código-fonte]

Fundado por Pio XI em 12 de novembro de 1926 no encerramento da Exposição Missionária Universal daquele ano. Até 1963, estava instalado em Latrão, sendo transferido para sua locação atual no Vaticano em 1973. O núcleo inicial da coleção - cerca de 40 mil peças - foi selecionado dentre mais de 100 mil propostas de doação oferecidas ao Papa, de missões de todo o mundo e das 400 dioceses representadas na grande mostra.

Desde então o acervo vem sendo ampliado por novas doações, das quais foram importantes a do Museu Borgiano para a Propagação da Fé, a coleção de numismática chinesa do padre Giuseppe Kuo, os retratos de indígenas esculpidos por Ferdinand Pettrich, a coleção de objetos pré-históricos da Escola Britânica de Arqueologia em Jerusalém, e a rica coleção de objetos cerimoniais reunida pelo padre Kirschbaum em Nova Guiné.

A coleção atual conta com mais de 80 mil itens, organizados em dois grandes grupos: um com objetos ligados às várias religiões do mundo, e outra com obras resultantes da evangelização.

Museu Gregoriano Profano e Museu Pio-Cristão[editar | editar código-fonte]

O Museu Profano foi fundado em 1844 em Latrão com um acervo de estátuas, baixos-relevos e mosaicos da era romana. Em 1854, foi ampliado com a criação do Museu Pio-Cristão, com uma coleção de sarcófagos e estatuária paleocristãos. Mais tarde foram criados novos espaços para receber monumentos provenientes de escavações em Óstia e outros locais. Sob Pio X, foi criado o Lapidário Hebreu, com uma pequena mas expressiva coleção de epígrafes e lápides de cemitérios hebreus de Roma. João XXIII transferiu as obras para sua localização atual dentro do Vaticano.

Coleção de Arte Religiosa Moderna e Contemporânea[editar | editar código-fonte]

Instalada nos antigos aposentos privados do Papa Alexandre VI, conhecidos como os Apartamentos Borgia, com decoração de Pinturicchio. Após sua morte o local foi abandonado e só foi reaberto ao público no século XIX. Hoje serve de sede da coleção de mais de 600 obras em escultura, pintura e gravura de mestres recentes como Klee, Chagall, Kandinsky e Gauguin, coletadas a partir do pontificado de Paulo VI.

Outros espaços importantes[editar | editar código-fonte]

Salas de Rafael[editar | editar código-fonte]

As Salas (ou Stanze) de Rafael são um grupo de quatro aposentos decorados entre 1508 e 1524 pelo grande pintor renascentista e seus auxiliares, a pedido do Papa Júlio II.

  • A Sala de Constantino era reservada para recepções e cerimônias oficiais, e foi completada somente após a morte de Rafael por seus discípulos, com os desenhos preparatórios deixados por ele. Seu nome deriva de Constantino, que reconheceu o cristianismo e o livrou das perseguições. Os painéis ilustram quatro episódios do triunfo da fé cristã: A visão da Cruz, a Batalha de Constantino contra Maxêncio, O Batismo de Constantino e A Doação de Constantino. A decoração é completada por retratos de papas e figuras alegóricas. O teto pintado é obra de Tommaso Laureti.
  • Sala de Heliodoro, usada antigamente para audiências privadas. A decoração segue um programa político em torno dos movimentos de libertação italiana do domínio francês, e ilustra cenas do Antigo Testamento e da História antiga, com as composições principais da Missa de Bolsena, a Libertação de São Pedro, o Encontro de Leão, o Grande, com Átila, e a Expulsão de Heliodoro do Templo. Cenas secundárias foram pintadas por Luca Signorelli, Bramantino, Lorenzo Lotto e Cesare da Sesto.
  • Sala da Segnatura, com os mais famosos afrescos de Rafael, que inauguram a Alta Renascença na Itália: A Disputa do Santíssimo Sacramento, ilustrando a Verdade Sobrenatural, a Escola de Atenas, referindo-se à Verdade Racional, as Virtudes, expressando o Bem, e o Parnaso com Apolo e as Musas representando a Beleza. Esta sala era usada pela mais alta corte pontifícia, a Segnatura Gratiae et Iustitiae, presidida pelo próprio Papa.
  • Sala do Fogo no Burgo, usada por Júlio II também para reuniões da Segnatura, sendo decorada por Perugino. Mais tarde Leão X passou a usá-la para suas refeições e foi redecorada por Rafael, ilustrando as aspirações políticas de Leão X através de cenas da vida de dois papas anteriores com o mesmo nome: Leão III (A coroação de Carlos Magno e A justificação de Leão III) e Leão IV (Fogo no Burgo e a Batalha de Óstia), mas em todas as cenas o retrato do papa é o de Leão X.

Capela Sistina[editar | editar código-fonte]

A Capela Sistina é uma capela do Palácio Apostólico, residência oficial do papa. Foi erguida entre 1475 e 1483, durante o pontificado de Sisto IV. De arquitetura despretensiosa, a capela é, contudo, um relicário para um mundialmente famoso conjunto de afrescos, executados por Michelangelo no teto e na parede do altar, e mestres como Perugino, Botticelli, Ghirlandaio, Signorelli, Pinturicchio, Piero di Cosimo e outros mais nas paredes laterais, representando diversas cenas bíblicas. A cena do Juízo Final, de Michelangelo, é um dos maiores marcos da arte maneirista e de toda a pintura ocidental.

Galeria dos Candelabros[editar | editar código-fonte]

Construída em 1761, era antigamente uma galeria aberta, que foi fechada no final do século e recebeu decoração de afrescos no século XIX. Ali se expõem finas obras de estatuária romana da época helenística, mosaicos e uma série de grandes candelabros vindos de Otricoli.

Galeria dos Mapas[editar | editar código-fonte]

Com uma série de 40 mapas monumentais pintados em afresco nas paredes, realizados a partir de desenhos de Ignazio Danti, representando as possessões da Igreja no pontificado de Gregório XIII, e um teto em abóbada de berço ricamente decorado em estilo renascentista.

Sala da Biga[editar | editar código-fonte]

Um ambiente com decoração setecentista, onde estão expostas importantes obras de estatuária, como uma monumental biga em mármore do século I, restaurada no século XVIII, e uma cópia do Discóbolo de Míron.

Nova entrada[editar | editar código-fonte]

Inaugurada em 2000, é um espaço de arquitetura contemporânea arrojada que oferece vários serviços: segurança, vestiário, central de informações e visitas guiadas, loja, berçário e posto de pronto-socorro, além de salas para exposições especiais e eventos diversos. Várias obras de arte são expostas neste ambiente, como um grande mosaico policromo do século I, uma escultura moderna de Giuliano Vangi e as monumentais portas de bronze da entrada.

Referências

  1. Dossier Musei 2008 - Touring Club Italiano.
  2. a b c d Claridge, Amanda. Rome: an Oxford archaeological guide Oxford University Press, 1998. pp. 386-.
  3. a b Noticias históricas. Museos Vaticanos. Página oficial
  4. Museo Gregoriano egípcio Página oficial dos Museus Vaticanos.
  5. Museo Gregoriano Egipcio - Sala I Página oficial dos Museus Vaticanos.
  6. Museo Gregoriano Egipcio - Sala III Página oficial dos Museus Vaticanos.
  7. Museo Gregoriano Egipcio - Sala V Página oficial dos Museus Vaticanos.
  8. Museo Gregoriano Egipcio - Sala VI Página oficial dos Museus Vaticanos.
  9. Museo Gregoriano Egipcio - Sala VIII Página oficial dos Museus Vaticanos.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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