Musicografia braile
Musicografia Braille é uma área do estudo da música que está focada em prover o acesso de deficientes visuais e pessoas de visão reduzida ao material musical escrito em tinta através do sistema de grafia braile.
Toda partitura pode ser escrita com os 63 símbolos Braille, indicando todos os detalhes possíveis em partituras escritas a tinta. Apesar disso, há pouco material e softwares que possibilitem o trabalho nesta área. Muitas vezes este fato é agravado pela falta de experiência dos professores de música para lecionar aos deficientes visuais alegando que é impossível passar o conteúdo das partituras efetivamente.
Isso torna muito difícil a inclusão de músicos deficientes nas escolas e faculdades de música. As partituras em Braille proporcionam sua autonomia e independência e abrem novas possibilidades de trabalho. O uso de software específico pode dar ao músico deficiente a possibilidade de escrever suas próprias composições e ainda imprimi-las em tinta.
Índice |
[editar] Louis Braille e a Criação do seu Sistema de Grafia.
Vivia em Coupvray, uma pequena cidade a 40Km de Paris-França, onde seu pai tinha uma loja que fabricava artigos de couro. Brincando nessa loja feriu um dos olhos com uma sovela, logo fica cego dos dois olhos.
Na Escola para Cegos, em Paris, aprendeu a ler as vinte e seis letras sentido-as com os dedos. As letras em relevo tinham 20 cm de altura e um pequeno artigo tomava vários livros, cada livro pesava em média de 4Kg.
Tomou conhecimento da Sonografia. Desenvolvida por Charles Barbier da la Serre, especialista em criptografia, veterano das Guerras Napoleônicas e das Revoluções Francesa e Americana. Esse sistema utilizava pontos e linhas, marcados por um instrumento cortante num papel grosso e significavam sons ao invés de letras.
Aos 15 anos, estudou esse sistema e começou a adaptá-lo até chegar no formato de seis pontos. Cada combinação indicava uma letra do alfabeto ou uma pequena palavra, além das marcas de pontuação. Logo escreve o primeiro livro usando o Sistema Braille.
No início houve descrença quanto à veracidade do Sistema, diziam que Louis decorava o que lhes ditavam e inventava o que escrevia. As pessoas não acreditavam nele, nem mesmo o Governo Francês. Entre os professores do instituto, que não eram cegos, não houve aceitação talvez por sentirem seus cargos ameaçados ao se depararem com um sistema novo para aprender. Contudo, aos 17 anos, se torna professor de álgebra, gramática, música e geografia dessa escola. Com 19 anos adapta seu sistema à notação musical. Em 1829, Braille tem 20 anos e apresenta-se à inspeção militar. Fica "livre", segundo os inspetores militares, por "não poder ler nem escrever". Continuou seus esforços no aperfeiçoamento do Sistema e seu ensino.
Falece aos 43 anos em 1852. Toda a Imprensa parisiense ignorou a sua morte, e só em 1854 é que o Estado francês adotaria o Braille como forma de comunicação oficial para os cegos.
[editar] O Sistema Braille no Brasil.
Em 1854, o sistema foi adotado pelo Imperial Instituto dos Meninos Cegos, atual instituto Benjamin Constant, sendo a primeira instituição da América latina a utilizá-lo.
1929. O Brasil adotou o Código Internacional de Musicografia Braille.
Devido à reforma ortográfica da língua portuguesa de 1942, o sistema sofre adaptação para o português.
Entre 1942 e 1963 encontra-se tentativas de criar abreviaturas e contrações. Caíram em desuso em prol da unificação internacional do sistema.
1994. Adoção de uma tabela unificada para a informática.
A União Brasileira de Cegos criou a Comissão Brasileira de Braille, formada por cinco membros, em 1995.
Foi instituída no Ministério da Educação em 1999, vinculada à Secretaria da Educação Especial, a Comissão Brasileira de Braille. Favorecendo a troca de material entre Comissões de outros países.
[editar] Breve História da Musicografia.
Na França o seu uso foi amplo e eficaz. Depois chegou compêndios na Inglaterra em 1871, na Alemanha em 1879 e uma versão nova em Paris em 1885, com discrepância entre eles. Um comissão internacional de representantes desses três países mais a Dinamarca unificou o código, finalizando-o em 1888 em Colônia, que é a estrutura que permanece atualmente.
Louis Braille modificou totalmente a primeira versão da grafia ao longo da vida. A sua versão final é base da hoje utilizada.
Ela vem sendo acrescida e revisada, principalmente pelos sucessivos congressos de unificação, até chegar ao último manual publicado em 1996.
Foi usada partitura em tinta grafada em relevo e em escala maior. Fora a dificuldade de compreensão há a impossibilidade de ser grafada pelo próprio cego.
Há pesquisas para o desenvolvimento da grafia musical utilizando oito pontos ao invés dos seis. Mas antes de lançar uma renovação da escrita musical, trariam de instaurar uma unificação, resolvendo problemas da informática aplicada à musicografia e unindo forças no problema de formação de pessoas. Esse se mostra ser o maior déficit no assunto em nível mundial.
O Novo Manual Internacional de Musicografia Braille teve sua primeira edição na língua inglesa, em 1996. Em 1999, no Espanhol. A edição em Português foi lançada em 2004.
Todos os símbolos e regras que figuram neste manual foram aprovados pelos delegados-assistentes na conferência de Saanen (1992). Com a padronização mundial vem o favorecimento ao intercâmbio de partituras entre países de línguas diferentes.