Musteriense

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Abrigo de Le Moustier.

Musteriense ou musteriana é uma cultura englobada dentro do Paleolítico Médio, na qual domina o homem-de-neandertal, com umas datas compreendidas entre 300000 e 40000 B.P.

O seu nome procede do abrigo rochoso de Le Moustier (na região da Dordonha, França), onde Gabriel de Mortillet descobriu em 1860 uma indústria lítica pré-histórica, associada com os fósseis de Homo neanderthalensis encontrados em 1907.

As ferramentas musterienses eram feitas pelos neandertais em datas compreendidas entre 300000 a.C. e 40000 a.C., antes dos humanos modernos chegarem à Europa entre 70000 a.C. e 32000 a.C.

Ferramentas de pedra similares têm sido encontradas em toda a Europa sub-ártica e também no Oriente Médio e norte da África.

Deste período aparecem os primeiros rituais funerários, o canibalismo ritual, o culto ao urso das cavernas.

Características[editar | editar código-fonte]

Um utensílio de começos de Musteriense: núcleo de Sílex procedente do nível TD-11 da jazida da "Gran Dolina" em Atapuerca.

Aparecem as primeiras cabanas ao ar livre nos lugares de clima mais cálido, enquanto nos de um clima mais frio (ou nos momentos de clima frio) o homem refugia-se ao abrigo de cavernas.

Aparecem os primeiros enterramentos relacionados com três tipos de ritos basicamente:

Técnica do talhe Levallois.

A indústria lítica é realizada basicamente sobre lascas e caracterizada pelo uso da técnica Levallois, que permite obter utensílios mais especializados.

O método da técnica de talhe levallois consiste em obter uma ou várias lascas de certa forma predeterminada a partir de uma preparação particular do núcleo, em forma facetada. Produzem-se lascas de formas aproximadamente triangulares ou de tartaruga, das quais podem surgir, com retoques marginais, raspadeiras, ou com um retoque maior, pontas de projétil.

Utensílios[editar | editar código-fonte]

Indústria lítica destacada:

  • Pontas musterienses, feitas sobre lasca, triangulares robustas, ligeiramente curvadas na base (estilo "forma de sapato") e com retoques fortes nos bordos (tipo "escadiforme".
  • Fendedores, realizados sobre lasca, normalmente grande, que se caracteriza pelo seu gume transversal.
  • Facas de dorso, lascas ou lâminas largas, nas quais um gume foi trabalhado com retoque abrupto.
  • Denticulados, realizado sobre lasca, onde o gume está trabalhado com uma série de entalhes.
  • Raspadores, utensílios nos quais a parte ativa é constituída por uma frente moderadamente arredondada.
  • Perfuradores, têm uma ponta fina e acerada.
  • Raspadeiras, são instrumentos realizados sobre lasca ou sobre lâmina, por retoque contínuo.
  • Buris, têm na sua parte ativa um fio reto ou em bisel.

São característicos as ferramentas com cabos.

Classificação[editar | editar código-fonte]

O Musteriense acostuma dividir-se em vários grupos. A seguinte divisão sistematizada foi realizada por François Bordes, baseando-se nas indústrias que há em abrigos e cavernas do sudoeste francês e algumas dos loess e terraços do norte da França. Os tipos de musteriense estabelecidos são os seguintes:

Expansão[editar | editar código-fonte]

Na Europa ocidental abundam os restos da cultura musteriense, cujo conhecimento aprofundou-se com os achados da Serra de Atapuerca. Na "Sima do Elefante" apareceram instrumentos líticos do tipo musteriense associados ao Homem-de-neandertal, com fósseis de cavalos e cervos; enquanto, na "gran Dolina" o nível TD10 assinala a transição entre o Acheulense e o Musteriense, há por volta de 350 000 anos. Mais em cima, nos níveis TD11 e TD12, com cerca de 300 000 anos de antiguidade, aparecem utensílios sobre lasca de tamanho pequeno e mediano, e núcleos de extrações centrípetas bastante padronizados. Do mesmo volume de pedra tirava-se maior quantidade de gume. Esta técnica é associada no restante da Europa aos Neandertalenses.

Encontraram-se em Navarra alguns utensílios na Serra de Urbasa, destacando-se os de Coscobilo, em Olazagutia, que apresenta com frequência o sílex em placas. Em Andaluzia apareceram restos na caverna de Carigüela. França amostra o maior número de vestígios musterienses. Na Itália registram-se vários achados e em Croácia, o de Krapina.

A prolongação para o oriente é clara: entre 1925 e 1932, no Monte Carmelo, Dorothy Garrod descobriu restos ósseos neandertaleses e modernos e abundante material cultural, incluídas peças musterienses, nas cavernas de Tabun, Wad e Skhul; outros achados musterienses produziram-se em Kiik Koba (Crimeia); na caverna de Shanidar da cordilheira de Zagros (Iraque) e em Teshik Tash, perto de Baisum (Uzbequistão).

Ver também[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • ANDERSON-GERFAUD, P. e HELMER, D. (1987) "L'emmanchement au Moustérien"; La main et l'outil: manches et emmanchement préhistoriques: 37-54; Stordeur, D., (Éd.), Travaux de la Maison de l'Orient 15.
  • ARSUAGA FERRERAS, Juan Luis (1999) El collar del Neandertal. Madrid: Ediciones Temas de Hoy. ISBN 84-7880-763-4)
  • BORDES, F. et Bourgon, M. (1951) "Le complexe moustérien: Moustériens, Levalloisien et Tayacien" L'Anthropologie 55: 1-23.
  • BORDES, F. (1953) "Essai de classification des industries 'moustériennes'"; Bulletin de la Société Préhistorique Française, t. L, pp. 457-466.
  • BOËDA, E. (1994) Le concept Levallois : variabilité des méthodes. Paris: CNRS, monographie du CRA n° 9, 280 p.
  • CARBONELL, Eudald; S. GIRALT,; B. MÁRQUEZ ET AL (1992) "El conjunto lito-técnico de la Sierra de Atapuerca en el marco del Pleistoceno Medio europeo". Evolución humana en Europa y los yacimientos de la sierra de Atapuerca: 445-533. Jornadas Científicas, Castillo de La Mota, Medina del Campo. Valladolid: Consejería de Cultura y Turismo, 1995. ISBN 8478463860
  • FARIZY, C., DAVID, F. e JAUBERT, J. (1994) Hommes et bisons du Paléolithique moyen à Mauran (Haute-Garonne). Paris, CNRS, XXXème supplément à Gallia Préhistoire.
  • FÉBLOT-AUGUSTINS, J. (1997) La circulation des matières premières au Paléolithique. Liège: ERAUL.
  • JAUBERT, Jacques (1999) Chasseurs et artisans du Moustérien, Paris: La Maison des Roches ISBN 2-912691-05-2
  • MAUREILLE, B. (2004) Les premières sépultures. Paris: Le Pommier.