Nélson Gonçalves

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Nélson Gonçalves
Informação geral
Nome completo Antônio Gonçalves Sobral
Também conhecido(a) como Rei do Rádio
Nascimento 21 de junho de 1919
Origem Santana do Livramento, Rio Grande do Sul
País Brasil Brasil
Data de morte 18 de abril de 1998 (78 anos)
Gênero(s) MPB
Extensão vocal barítono
Período em atividade 1941-1998
Gravadora(s) RCA Victor

Nélson Gonçalves (nome artístico de Antônio Gonçalves Sobral, Santana do Livramento, 21 de junho de 1919 — Rio Grande do Sul 18 de abril de 1998) foi um cantor e compositor brasileiro. Terceiro maior vendedor de discos da história do Brasil, com mais de 75 milhões de cópias vendidas, fica atrás apenas de Roberto Carlos, com mais de 120 milhões e Tonico & Tinoco com aproximadamente 150 milhões. Seu maior sucesso foi a canção A volta do boêmio.

Biografia / Carreira[editar | editar código-fonte]

Nasceu no interior do Rio Grande do Sul, mas mudou-se com os seus pais, portugueses de Lisboa, para São Paulo, no bairro do Brás. Quando criança, era levado para praças e feiras pelo seu pai, que precisava sustentar a família, e para isso, além de fazer outros serviços, fingia-se de cego e tocava violino, enquanto Nelson cantava, agradando os transeuntes e ganhando gorjetas.[1]

Sua família era muito humilde e por isto, Nelson teve que abandonar os estudos no início de sua adolescência, para ajudar o pai a sustentar o lar. Foi jornaleiro, mecânico, engraxate, polidor e tamanqueiro. Querendo ganhar mais dinheiro e seguir uma profissão, se inscreveu em concursos de luta e venceu, tornando-se lutador de boxe na categoria peso-médio, recebendo, aos dezesseis anos de idade, o título de campeão paulista de luta. Após o prêmio, só ficou mais um ano lutando, pois queria investir em seu sonho de infância: Ser artista.

Mesmo com o apelido de "Metralha", por causa da gagueira, tomou coragem e não se deixou levar pelos preconceitos, e decidiu ser cantor, após deixar os ringues de luta. Em uma de suas primeiras bandas, teve como baterista Joaquim Silva Torres. Foi reprovado duas vezes no programa de calouros de Aurélio Campos. Finalmente foi admitido na rádio PRA-5, mas dispensado logo depois.

Nesta época, em 1939, aos 20 anos, casou-se com sua noiva, Elvira Molla. Com Elvira teve um casal de filhos: Nelson Ramos Gonçalves Filho e Marilene Gonçalves. Sem emprego, trabalhava como garçom no bar do seu irmão, na avenida São João.

Neste mesmo ano, seguiu para o Rio de Janeiro com a esposa, onde trilhou mais uma vez o caminho dos programas de calouros. Foi reprovado novamente na maioria deles, inclusive no de Ary Barroso, que o aconselhou a desistir.

Fm 1941, conseguiu gravar um disco de 78 rotações, que foi bem recebido pelo público. Passou a crooner do Cassino Copacabana (do Hotel Copacabana Palace) e assinou contrato com a Rádio Mayrink Veiga, iniciando uma carreira de ídolo do rádio nas décadas de 40 e 50, da escola dos grandes, discípulo de Orlando Silva e Francisco Alves.

Alguns de seus grandes sucessos dos anos 40 foram Maria Bethânia (Capiba), Normalista (Benedito Lacerda / Davi Nasser), Caminhemos (Herivelto Martins), Renúncia (Roberto Martins / Mário Rossi) e muitos outros. Maiores ainda foram os êxitos na década de 50, que incluem Última Seresta (Adelino Moreira / Sebastião Santana), Meu Vício É Você e a emblemática A Volta do Boêmio (ambas de Adelino Moreira).

No final dos anos 40, seu casamento com Elvira estava abalado, por muitas brigas conjugais devido aos ciúmes de Elvira. Em uma turnê por Minas Gerais, Nélson conheceu Maria, uma fã, que se declarou apaixonada por ele. Não resistindo a jovem, os dois passaram a ter um caso, e Nélson sempre ia visitá-la no interior de Minas. A moça engravidou, mas não revelou a Nélson, por medo de a família saber que ela se envolveu com um homem casado, pois Maria sabia que Nélson jamais largaria a esposa para ficar com ela. Ele até poderia assumir o bebê, mas a família de Maria não aceitaria vê-la sendo mãe solteira. Assim, a jovem terminou o relacionamento e Nélson ficou sem entender o porque. Nélson, então, já não mais feliz no casamento com Elvira, entrou com o pedido de divórcio, que foi dado pela esposa. Só em 1991 Nélson conheceu a filha que teve com a amante, Maria, mas esta já havia falecido. Após exame de DNA, comprovou-se que Lílian realmente era sua filha. Sendo assim, ele aceitou feliz esta nova filha, que conheceu seus meio-irmãos, sendo bem aceita por eles.

Na década de 50, além de shows em todo o Brasil, chegou a se apresentar em países como Uruguai, Argentina e Estados Unidos, no Radio City Music Hall.

Logo após o divórcio conhece Lourdinha Bittencourt, substituta de Dalva de Oliveira no Trio de Ouro. Os dois se apaixonam e após alguns anos de namoro, casam-se, em 1952. O casal passou os primeiros anos em lua-de-mel, e não pensavam em ter filhos, já que Lourdinha era muito vaidosa com o corpo e apesar de ser apenas quatro anos mais nova que o marido, se considerava jovem demais para ter filhos. Apesar da felicidade no início do casamento, com os anos a união foi se deteriorando, e o casamento durou até 1959, quando Lourdinha pediu o divórcio, devido as traições de Nélson.

No início da década de 60, Nélson conheceu Maria Luiza da Silva e começaram a namorar. Em poucos anos noivaram e em 1965, casaram-se. O casal teve dois filhos: Ricardo da Silva Ramos Gonçalves e Maria das Graças da Silva Ramos Gonçalves. Em homenagem a filha, sua caçula tem seu apelido no refrão da música Até 2001. (É no gogo gugu).

O casamento passou por grandes tribulações, quando Nélson se envolveu com cocaína, em 1958. Usando drogas por anos, sua esposa lutou contra o vício de Nélson, e apesar disto, Nélson foi preso em flagrante em 1965 por porte de drogas, e passou um mês na Casa de Detenção, o que lhe trouxe problemas pessoais e profissionais. Por todo esse tempo, sua esposa o visitou no presídio e juntava economias dela e do marido, que pagavam seu tratamento e seu advogado. Após sair da cadeia e diminuir o uso de drogas, voltou a lançar o disco A Volta do Boêmio nº1, um grande sucesso.

Após poucos anos, abandonou de vez o vício, sempre com o apoio de sua mulher. Totalmente recuperado, retomou sua carreira, cada vez mais bem sucedida.

Continuou gravando regularmente nos anos 70, 80 e 90, reafirmado a posição entre os recordistas nacionais de vendas de discos. Além dos eternos antigos sucessos, Nélson Gonçalves sempre se manteve atento a novos compositores, e chegou a gravar canções de Ângela Rô Rô (Simples Carinho), Kid Abelha (Nada por Mim), Legião Urbana (Ainda É Cedo) e Lulu Santos (Como uma Onda). Compôs e gravou A Deusa do Amor, com Lobão.

Ganhador de um prêmio Nipper da RCA, dado aos que permanecem muito tempo na gravadora, sendo somente Elvis Presley o outro agraciado. Durante sua carreira, gravou mais de duas mil canções, 183 discos em 78 rpm, 128 álbuns, vendeu cerca de 75 milhões de discos, ganhou 38 discos de ouro e 20 de platina.[2]

Morreu em consequência de um infarto agudo do miocárdio no apartamento de sua filha Margareth, no Rio de Janeiro. Encontra-se sepultado no Cemitério São João Batista no Rio de Janeiro.

Dramatizações[editar | editar código-fonte]

A vida de Nélson Gonçalves teve sua biografia dramatizada nas seguintes obras:

  • Na década de 90, foi encenado nas principais capitais do país o musical Metralha.
  • Em 2001 foi lançado o documentário Nélson Gonçalves, contando a sua trajetória, com direção de Elizeu Ewald e protagonizado por Alexandre Borges e Júlia Lemmertz, e tendo a sua filha Margareth Gonçalves como produtora executiva.

Discografia[editar | editar código-fonte]

1990 Auto - Retrato

Maiores sucessos[editar | editar código-fonte]

(ordem cronológica)

  • 1941 - Se Eu Pudesse um Dia
  • 1942 - Dorme que Eu Velo por Ti
  • 1942 - Fingiu Que Não Me Viu
  • 1942 - Renúncia
  • 1943 - Noite de Lua
  • 1943 - Quando a Saudade Vier
  • 1943 - Não Sou Feliz nos Amores
  • 1943 - A Saudade É um Compasso de Mais
  • 1943 - A Mulher do Seu José
  • 1943 - Solidão
  • 1943 - Perfeitamente
  • 1944 - Sabiá de Mangueira
  • 1944 - Quase Louco
  • 1944 - Dos Meus Braços Tu Não Sairás
  • 1944 - Ela me Beijou
  • 1945 - Eu Não Posso Viver Sem Mulher
  • 1945 - Aquela Mulher
  • 1945 - Meus Amores
  • 1945 - Maria Bethânia
  • 1946 - Pelas Lágrimas
  • 1946 - Seus Olhos na Canção
  • 1946 - Segure no Meu Braço
  • 1946 - Quando É Noite de Lua
  • 1946 - Menina dos Olhos
  • 1946 - A Você
  • 1946 - Coração
  • 1946 - Espanhola
  • 1947 - Dona Rosa (com Isaura Garcia)
  • 1947 - Segredo
  • 1947 - A Rainha do Mar
  • 1947 - Odalisca
  • 1948 - Princesa de Bagdá
  • 1948 - Perdôo, Sim
  • 1949 - Normalista
  • 1949 - Quando Voltares
  • 1949 - Pepita
  • 1952 - Confete Dourado
  • 1953 - Camisola do Dia
  • 1953 - Meu Vício É Você
  • 1954 - Carlos Gardel
  • 1954 - Francisco Alves
  • 1955 - Último Desejo
  • 1955 - Esta Noite me Embriago
  • 1955 - Hoje Quem Paga Sou Eu
  • 1956 - Nossa Senhora das Graças
  • 1956 - Por um Beijo de Amor
  • 1956 - Meu Vício É Você
  • 1956 - Natal Branco (com o Trio de Ouro)
  • 1957 - A Volta do Boêmio
  • 1957 - Pensando em Ti
  • 1957 - História da Lapa
  • 1957 - Grilo Seresteiro
  • 1958 - Escultura
  • 1958 - Pensando em Ti
  • 1959 - Prece ao Sol
  • 1959 - Revolta
  • 1959 - Deusa do Asfalto
  • 1960 - Meu Dilema
  • 1960 - Chore Comigo
  • 1960 - Queixas
  • 1961 - Negue
  • 1961 - Fica Comigo Esta Noite
  • 1962 - Dois Amores
  • 1963 - Enigma

Referências

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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