N/T Serpa Pinto

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N/T Serpa Pinto
O N/T Serpa Pinto durante a Segunda Guerra Mundial
Carreira   Bandeira da marinha que serviu
Estaleiro Workman & Clark de Belfast
Lançamento Setembro 1914
Descomissionamento 7 de agosto de 1954
Patrono Alexandre de Serpa Pinto
Porto de registo Lisboa
Número de registo G-407 de 8 de maio de 1940
Indicativo de chamada CSBA
Armador(es) Companhia Colonial de Navegação
Viagem inaugural Maio de 1940
Período de serviço 1940-1955
Estado Desmantelado em Antuérpia em 1955
Outro(s) nome(s) RMS Ebro:1915-1922
Princeza Olga: 19351940
Características gerais
Tipo de navio Navio de passageiros de dois hélices
Classe RMS Ebro
Arqueação 8 267 toneladas
Comprimento 142.47 m
Boca 17 m
Pontal 6.85 m
Propulsão 2 Veios
6 000 cv
Velocidade Máxima: 15.5 nós
Cruzeiro:14.0 nós
Tripulação 160 Tripulantes
Passageiros 600 passageiros, sendo:
1ª Classe: 250
3ª Classe: 350

O N/T Serpa Pinto foi um navio de passageiros que foi operado pela Companhia Colonial de Navegação na Carreira da América do Norte (LisboaNova Iorque), na "Rota do Ouro e Prata" (Lisboa–Rio de JaneiroBuenos Aires) e na "Rota das Caraíbas" (Lisboa–Havana), entre 1940 e 1955.

Foi o navio de passageiros que, durante a Segunda Guerra Mundial mais viagens transatlânticas realizou entre Lisboa, Nova Iorque e Rio de Janeiro, transportando refugiados da guerra em geral, e particularmente judeus em fuga do nazismo, trazendo de volta à Europa, cidadãos de origem germânica expulsos dos países americanos. Adquiriu assim popularidade, ficando conhecido pelos epítetos de "Navio da Amizade", "Navio Herói"[1] e "Navio do Destino".

História[editar | editar código-fonte]

Construção[editar | editar código-fonte]

Inicialmente denominado de RMS Ebro, foi encomendado pelo Royal Mail ao estaleiro Workman & Clark de Belfast, onde foi lançado ao mar em setembro de 1914. Possuía 137 metros de comprimento e 17 metros de boca.

Serviço da Grã-Bretanha[editar | editar código-fonte]

O Royal Mail tinha planeado usar o navio na carreira das Índias Ocidentais Britânicas nas Caraíbas, mas devido à eclosão da Primeira Guerra Mundial, ele realizou apenas uma única viagem, em abril de 1915.

Devido ao conflito, ele e o seu irmão gémeo, o RMS Assequibo, foram requisitados pela Marinha Real Inglesa para serem transformados, conjuntamente com quatro outros paquetes do Royal Mail, em cruzadores auxiliares, armados com oito canhões de 152mm (6 polegadas) e minas anti-navio, integrados no 10º Esquadrão de Cruzadores, onde prestaram serviço em escoltas de comboios.

Ao final do conflito, foi devolvido ao Royal Mail, mas este optou por vendê-lo à Pacific Steam Navigation Company (PSNC), que o empregou na Carreira Nova IorqueChile, via Canal do Panamá, onde permaneceu até ao colapso da companhia em 1930, fruto da Grande Depressão. O navio permaneceu fundeado no rio Avon durante cinco anos.[2]

Serviço da Jugoslávia[editar | editar código-fonte]

Em fevereiro de 1935 o navio foi vendido à Jugoslavenska Lloyd e rebatizado como Princesa Olga. Sob bandeira Jugoslava, foi empregado na carreira DubrovnikHaifa, transportando passageiros e carga geral.

Em 1940, poucas semanas antes da invasão da Jugoslávia pelas tropas da Alemanha Nazi, o navio foi vendido à Companhia Colonial de Navegação.

Serviço da Companhia Colonial de Navegação[editar | editar código-fonte]

Adquirido em março de 1940, navegou para Lisboa em abril do mesmo ano, sendo rebatizado como N/T Serpa Pinto.

A primeira viagem sob bandeira portuguesa ocorreu em maio de 1940, com partida de Lisboa e destino a Lourenço Marques, em Moçambique, transportando cerca de 260 passageiros.

No mesmo ano, diante do aumento do número de passageiros que desejavam fugir à guerra na Europa, refugiando-se na América do Sul, a CCN destacou um navio para fazer a carreira LisboaRio de Janeiro, aparelhando para isso o antigo paquete N/T Colonial (antigo navio alemão "Ypiranga", construído em 1908 e adquirido em 1930), para a viagem entre Lisboa e o porto de Santos, com escalas no Funchal, ilha de São Vicente e Rio de Janeiro. O N/T Colonial transportou quase 2 mil passageiros para a América do Sul naquele ano.

Com a entrada da Itália na Segunda Guerra Mundial (junho de 1940) e o consequente encerramento das suas carreiras marítimas, apenas três companhias de navegação mantiveram as suas carreiras transatlânticas: as portuguesas Companhia Colonial de Navegação e Companhia Nacional de Navegação, e a espanhola Ybarra, de Sevilha.

A partir de agosto de 1940 o N/T Serpa Pinto iniciou a sua atividade nas carreiras transatlânticas para o Brasil e para os Estados Unidos.

A operação de um paquete, mesmo de um país neutral, no oceano Atlântico em pleno conflito mundial era uma tarefa difícil e perigosa. O navio era frequentemente detido por navios britânicos e estadunidenses, e por submarinos alemães para ser inspeccionado.

A maior ameaça ocorreu na noite de 26 de maio de 1944, quando se dirigia a Filadélfia. Um submarino alemão ordenou a evacuação total dos passageiros para os escaleres e solicitou a Berlim o torpedeamento do N/T Serpa Pinto. Durante toda a noite a tripulação e os passageiros aguardaram nos escaleres pela decisão do estado-Maior da Marinha Alemã. Pela madrugada chegou a resposta do Almirante Dönitz a não autorizar o afundamento. Os escaleres voltaram ao navio, mas, na operação de abordagem do mesmo, faleceram 3 passageiros.[3]

Durante a Segunda Guerra o N/T Serpa Pinto realizou dez viagens de ida e volta entre o Brasil e a Argentina, e outras tantas aos Estados Unidos.

O N/T Serpa Pinto manteve-se na chamada "Rota do Ouro e Prata" até julho de 1953, quando foi transferido para a "Rota das Caraíbas" completando, entre 1953 e 1954, doze viagens de ida e volta a Havana, com escalas em Vigo, Funchal, La Guaira e Curaçao.[4]

A 9 de julho de 1954 partiu em sua última viagem, na rota Lisboa–ilha de São Vicente-Rio de Janeiro-Santos.[5]

Desmantelamento[editar | editar código-fonte]

Após a sua última viagem, o navio permaneceu atracado em Lisboa até 6 de setembro de 1954, quando partiu a reboque, com destino ao desmantelamento na Bélgica.[6]

Referências

  1. Resenha: Serpa Pinto, o navio do destino. in Casa Stefan Zweig, 2 Set 2009, consultado em 21 Out 2011.
  2. Rossini, José Carlos. (5 de Janeiro de 1992). "Navios: o Serpa Pinto" (em pt). A Tribuna de Santos.
  3. de Dijn, Rosinne. Das Schicksalsschiff.: Rio de Janeiro - Lissabon - New York (em de). 1ª ed. [S.l.]: Deutches Verlag – Anstalt, 2009. 1 vol. ISSN 978-3-421-04350-4
  4. Rossini, José Carlos. (5 de Janeiro de 1992). "Navios: o Serpa Pinto" (em pt). A Tribuna de Santos.
  5. Bonsor, N.R.P. (Julho 2010). Ebro/Princes Olga/Serpa Pinto (em en).
  6. Bonsor, N.R.P. (Julho 2010). Ebro/Princes Olga/Serpa Pinto (em en).