Nakba

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Refugiados palestinos em 1948.

Nakba é uma palavra árabe (النكبة) que significa "catástrofe" ou "desastre" e designa o êxodo palestino de 1948 (em árabe, 1948 الهجرة الفلسطينية, translit. 1948 al-Hijra al-Filasṭīnīya),[1] [2] quando pelo menos 711.000 árabes palestinos, segundo dados da ONU, fugiram ou foram expulsos de seus lares, em razão da guerra civil de 1947-1948 e da Guerra Árabe-Israelense de 1948.[3] [4]

Muitos acreditam que Nakba tenha surgido, quando em 14 de maio de 1948 foi estabelecido um Estado Judeu em Eretz Israel, a ser conhecido como o Estado de Israel, conforme a resolução pertinente adotada  pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 29 de novembro de 1947, e a revolta árabe que se seguiu a este fato. No entanto o historiador árabe George Antonius, escrevendo sobre o nascente nacionalismo árabe, mostrou que o conceito Nakba foi criado em 1920.

O problema é que os árabes que viviam na região se viam como sírios e eram vistos como tal por outros sírios. Ao testemunharem a barreira artificial que estava sendo erguida dentro de sua pátria síria, pelas potências coloniais, os árabes sírios  que viviam na região ficaram furiosos, pois uma barreira estava sendo interposta dividindo os árabes sírios do norte dos árabes sírios do sul, sendo estes últimos aqueles que foram mais tarde denominados palestinos.

Na página 312 do livro The Arab Awakening,[5] publicado antes da fundação de Israel, George Antonius  escreve: "O ano de 1920 tem má fama nos anais árabes: a ele se referem como o Ano da Catástrofe (Am al-Nakba). Neste ano, ocorreram os primeiros levantes armados em protesto contra o acordo pós-guerra imposto pelos Aliados sobre os países árabes. Neste ano de 1920, os revoltas graves ocorreram na Síria, Palestina e Iraque ".

O que foi esta "catástrofe", i.e. Nakba, que aconteceu em 1920? Antes da Primeira Guerra Mundial, toda a área denominada Levante - o que hoje é Israel, os territórios ocupados, a Jordânia, o Líbano e a Síria - fazia parte do Império Otomano. Em 1919, com a derrota da Turquia e seus aliados pelas forças de coligação, em especial as poderosas França e Grã-Bretanha, dividiram o espaço  entre si: a Grã-Bretanha toma posse da região denominada Palestina, pelos romanos ; e a França passou a controlar a área que hoje contém o Líbano e a Síria. incluindo o que hoje é a Jordânia, enquanto a França assume o Líbano e a Síria.

Desta forma, o que antes era uma área unificada sob o domínio dos turcos otomanos, entre 1299 e 1922, onde se podia circular sem passaportes, passou a possuir fronteiras criadas por aquelas duas potências ocidentais, impedindo a livre passagem das pessoas para estarem com seus familiares ou para levar adiante seus negócios que haviam ficado dentro de novos países criados pelos europeus. Eles se revoltaram em decorrência desta nakba - desta "catástrofe" - porque consideraram profundamente ofensiva a imposição de se tornarem independentes da Síria e dos sírios. 

O êxodo palestino marca o início do problema dos refugiados palestinos, um dos principais elementos do conflito árabe-israelense.

Segundo a Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinos (UNRWA), refugiados palestinos são as "pessoas cujo lugar de residência habitual era o Mandato Britânico da Palestina entre junho de 1946 e maio de 1948 e que perderam suas casas e meios de vida como consequência da Guerra árabe-israelense de 1948",[6] ou seja, aqueles que foram obrigados a deixar a parte da Palestina que viria a constituir o Estado de Israel, indo para outras partes da região ou para países vizinhos.

A Resolução 194 da Assembleia Geral das Nações Unidas de 11 de dezembro de 1948 seria a primeira de uma série de resoluções da ONU a mencionar a necessidade de se chegar a um acordo equitativo e justo para o retorno dos refugiados ou para compensá-los pelas perdas e danos sofridos.[7] A ONU considera também os descendentes dos refugiados de 1948, de modo que o número total de refugiados registrados seria, atualmente, superior a 4 milhões.[8]

Já em 1948, o historiador sírio Constantine Zureiq utilizou pela primeira vez o termo Nakba para se referir ao acontecimento, em seu livro Ma'na al-Nakba ("O significado do Desastre")[9] Para o historiador israelense Ilan Pappé, o termo Nakba foi adotado, por razões compreensíveis, como uma tentativa de se contrapor ao peso moral do Holocausto dos judeus (Shoah), mas, ao se referir mais ao desastre em si e não a quem ou o que causou o desastre, o termo pode ter contribuído para a contínua negação pelo mundo da limpeza étnica da Palestina, a partir de 1948.[10] [11]

Segundo o acadêmico palestino Nur-eldeen Masalha mais de 80% dos habitantes árabes da região que viria a ser o Estado de Israel abandonaram suas cidades e aldeias.[12] O avanço dos judeus, como o ocorrido em Haifa, somado ao medo de um massacre, após o ocorrido em Deir Yaassin,[13] e o colapso da liderança palestina fizeram com que muitos dos habitantes árabes fugissem devido ao pânico. Uma série de leis israelenses sobre a propriedade da terra, aprovadas pelo primeiro governo israelense, impediu que os árabes palestinos retornassem posteriormente aos seus lares ou fizessem valer seus direitos de propriedade. Essas pessoas e muitos dos seus descendentes continuam a ser considerados refugiados.[14]

Durante a conferência de Lausanne de 1949, Israel propôs o retorno de 100.000 destes refugiados à região (embora não necessariamente às suas casas), incluindo 25.000 que haviam retornado de maneira sigilosa e 10.000 casos de reunião de famílias que haviam sido separadas.[15] A proposta estava condicionada a um tratado de paz que permitisse que Israel mantivesse o território que havia conquistado, e à absorção, pelos Estados árabes, dos 550.000 - 650.000 refugiados restantes. Os Estados árabes rejeitaram a proposta alegando tanto motivos políticos quanto morais.[16]

O status dos refugiados - em especial com referência ao direito de retorno ou ao direito de receber uma compensação - é um das principais questões envolvidas no conflito israelo-palestino.

Os eventos de 1948 são lembrados pelos palestinos todos os anos, no dia 15 de maio, o dia seguinte à comemoração da independência de Israel, no feriado que ficou conhecido como Dia da Nakba.[17] [18] Em fevereiro de 2010, o Knesset aprovou uma lei que proíbe manifestações públicas em Israel, no dia 15 de maio.[19]

História[editar | editar código-fonte]

Em 1947, a Assembleia Geral das Nações Unidas propôs a partição do Mandato Britânico da Palestina em dois estados - um judeu e outro árabe. A comunidade judaica aceitou o Plano de Partição da Palestina, enquanto a comunidade árabe palestina, apoiada pela Liga Árabe, rejeitou o plano, declarando que oporia resistência armada à sua implementação. Apesar da guerra que se seguiu, os palestinos não conseguiram evitar o estabelecimento do estado judeu, em 1948. Estima-se que, em decorrência da guerra, 700.000 árabes palestinos tenham sido expulsos de suas terras, ao mesmo tempo em que foram destruídas e despovoadas mais de 418 aldeias árabes[20] , cujos nomes Israel tratou posteriormente de apagar dos mapas.[21] Desde então, os palestinos expulsos e seus descendentes permanecem dispersos pelo mundo, na condição de refugiados,[22] Os palestinos se referem a esses eventos como al-Nakba ("A Catástrofe").

Referências

  1. Anger over Palestinian Nakba ban proposal (em inglês) BBC News (25 de maio de 2009). Visitado em 23-11-2010.
  2. Stern, Yoav. "Palestinian refugees, Israeli left-wingers mark Nakba", Ha'aretz, Tel Aviv, 13 de maio de 2008; Nakba 60, BADIL Resource Center for Palestinian Residency and Refugee Rights; Cleveland, William L. A History of the Modern Middle East, Boulder, CO: Westview Press, 2004, p. 270. ISBN 978-0-8133-4047-0
  3. 711.000 é o número estimado pelo General Progress Report and Supplementary Report of the United Nations Conciliation Commission for Palestine, Covering the Period from 11 December 1949 to 23 October 1950, publicado pela Comissão de Concilição das Nações Unidas, em 23 de outubro de 1950.U.N. General Assembly Official Records, 5th Session, Supplement N°. 18, Document A/1367/Rev. 1. Já segundo o Final Report of the United Nations Economic Survey Mission for the Middle East, esse número é estimado em 726.000 Comissão de Conciliação das Nações Unidas, 28 de dezembro de 1949. (A/AC.25/6/Part.1 p. 21 e 23) Posteriormente, no Progress Report referente ao período de 23 de janeiro a 19 de novembro de 1951, a estimativa é de 900.000. Porém, há controvérsias: as estimativas israelenses eram de aproximadamente 520.000 pessoas, enquanto as fontes palestinas falavam de 900.000 a um milhão de refugiados. Ver "The Consequences of Counterterrorist Policies in Israel", por Ami Pedahzur e Arie Perliger. In CRENSHAW, Martha (org.) The consequences of counterterrorism. New York: Russell Sage Foundation, 2010 ISBN978-0-87154-073-7 p. 356.
  4. McDowall, David e Palley, Claire. The Palestinians. [S.l.]: Minority Righs Group Report n°24. 10 pp. ISBN 0946690421.
  5. Antonius, George. The Arab Awakening: The Story of the Arab National Movement, by ,. December 1. ed. [S.l.: s.n.], 1939. p. 312.
  6. UNRWA
  7. Resolução 194 da Assembleia Geral das Nações Unidas.
  8. UNRWA. Número de refugiados registrados 1950-2008.
  9. Khoury, Elias. "For Israelis, an Anniversary. For Palestinians, a Nakba", The New York Times, 18 de maio de 2008.
  10. Pappé, Illan. The Ethnic Cleansing of Palestine. One World Publication 2006 (versão integral). Prefácio, p. xvii.
  11. The Ethnic Cleansing of Palestine by Ilan Pappe. Resenha de Stephen Lendman. Global Research, 19 de outubro de 2011.
  12. Masalha, Nur (1992). Expulsion of the Palestinians: the concept of "transfer" in Zionist political thought, 1882-1948. Instituto para Estudos Palestinos, ed. 2001, p. 175.
  13. Morris, Benny. The Birth of the Palestinian Refugee Problem Revisited, Cambridge University Press, 2004, pp. 239–240. ISBN 978-0-521-81120-0
  14. Kodmani-Darwish, p. 126; Féron, Féron, p. 94.
  15. Morris 2004, p. 577. "Israel formally informed the PCC of its readiness to take back '100,000' refugees on 3 August, making it conditional on 'retaining all present territory' and on the freedom do resettle the returnees where it saw fit."
  16. Safran, Nadav. Israel: The Embattled Ally, Harvard University Press, p. 336; Sela, Avraham. "Arab-Israel Conflict." The Continuum Political Encyclopedia of the Middle East. Ed. Sela. Nova York: Continuum, 2002. pp. 58-121. "Israel was willing to allow an agreed number of [refugees] to return (the figure of 100,000 was proposed) and to pay compensation for land and housing left behind .... The Arab states rejected Israel's arguments and proposals on both moral and political grounds" (pp. 77-78).
  17. In pictures: 'Catastrophe Day' protests. BBC News, 16 de maio de 2001. Página acessada em 23-11-2010.
  18. Reeves, Phil. Arafat defiant as wave of bloodshed stains disaster day. The Independent, 16 de maio de 2001.
  19. Knesset criminalises the commemoration of the "Nakba". Middle East Monitor, 25 de fevereiro de 2010.
  20. Khalidi, Walid (Ed.). (1992)
  21. All That Remains: The Palestinian Villages Occupied and Depopulated by Israel in 1948. Washington: Institute for Palestine Studies. ISBN 0-88728-224-5.
  22. Morris, Benny (2003). The Birth of the Palestinian Refugee Problem Revisited. Cambridge: Cambridge University Press. ISBN 0-521-00967-7, p. 604.

Imagens dos campos de refugiados palestinos, 1948[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]