Namárië

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Question book.svg
Este artigo não cita fontes confiáveis e independentes (desde outubro de 2013). Por favor, adicione referências e insira-as corretamente no texto ou no rodapé. Conteúdo sem fontes poderá ser removido.
Encontre fontes: Google (notícias, livros e acadêmico)
Poema "Namárië" de Tolkien, escrito em Quenya.

Namárië é um poema de J. R. R. Tolkien escrito em Quenya, uma língua artificial, e publicado pela primeira vez em O Senhor dos Anéis (no volume The Fellowship of the Ring, livro 2, capítulo "Adeus a Lórien"). Ele tem o subtítulo "Lamento de Galadriel em Lórien", que em Quenya é Altariello nainië Lóriendessë. O poema aparece apenas em um outro livro de Tolkien, The Road Goes Ever On.

A palavra Quenya namárië é uma forma reduzida de á na márië, que significa literalmente "estar bem", uma fórmula élfica usada para cumprimentar e para o adeus.[1]

"Namárië" é o mais longo texto Quenya do O Senhor dos Anéis e também um dos mais longos textos contínuos em Quenya que já foi escrito por Tolkien.[2] Foi reescrito várias vezes pelo autor antes de atingir a forma que foi publicado (veja O Poema abaixo). Muitas versões em Tengwar foram feitas por Tolkien. Uma tradução para o inglês é fornecida no livro.

O Poema[editar | editar código-fonte]

O poema, largamente divulgado pelo mundo, diz o seguinte:

Ai! laurië lantar lassi súrinen,
Yéni únótimë ve rámar aldaron!
Yéni ve lintë yuldar avánier
mi oromardi lissë-miruvóreva
Andúnë pella, Vardo tellumar
nu luini yassen tintilar i eleni
ómaryo airetári-lírinen.
Sí man i yulma nin enquantuva?
An sí Tintallë Varda Oiolossëo
ve fanyar máryat Elentári ortanë
ar ilyë tier undulávë lumbulë
ar sindanóriello caita mornië
i falmalinnar imbë met, ar hísië
untúpa Calaciryo míri oialë.
Sí vanwa ná, Rómello vanwa, Valimar!
Namárië! Nai hiruvalyë Valimar!
Nai elyë hiruva! Namárië!

Tradução portuguesa[editar | editar código-fonte]

Ah! Como ouro caem as folhas ao vento,
Longos anos inumeráveis como as asas das árvores!
Os longos anos passaram como goles rápidos do doce hidrómel
Em grandiosos salões para lá do Ocidente,
Sob as abóbadas azuis de Varda
Onde as estrelas tremem no canto
Da sua voz sagrada e majestosa.

Quem me voltará a encher a taça?

Pois agora a Acendedora, Varda, a Rainha das Estrelas,
Do Monte Sempre Branco, ergueu as mãos como nuvens
E todos os caminhos ficaram profundamente imersos em sombra;
E vinda de uma região cinzenta, a escuridão assenta
Nas ondas espumosas entre nós
E a névoa cobre para sempre as jóias de Calacirya.
Agora perdida, perdida está Valimar para os do Leste!

Adeus! Talvez encontres Valimar.
Talvez tu mesmo a encontres. Adeus!

Tradução brasileira[editar | editar código-fonte]

Ah! Como ouro caem as folhas ao vento,
Longos anos inumeráveis como as asas das árvores!
Os longos anos se passaram como goles rápidos do doce hidromel
Em salões altos além do oeste,
Sob as abóbadas azuis de Varda
Onde as estrelas tremem na canção
De sua voz de Santa e Rainha.

Quem agora há de encher-me a taça outra vez?

Pois agora a Inflamadora, Varda, a Rainha das Estrelas,
do Monte Semprebranco, ergueu suas mãos como nuvens
E todos os caminhos mergulharam fundo nas trevas;
E de uma terra cinzenta a escuridão se deita
sobre as ondas espumantes entre nós
E a névoa cobre as jóias de Calacirya para sempre .
Agora perdida, perdida para aqueles do Leste está Valimar!

Adeus! Talvez hajas de encontrar Valimar.
Talvez tu mesmo hajas de encontrá-la. Adeus!

Tradução luso-brasileira literal[editar | editar código-fonte]

Ah! Douradas caem as folhas devido ao vento;
Séculos incalculáveis como as asas das árvores.
Os séculos como doces goles passaram,
Em salões altos, de um doce hidromel,
Além do Poente, de Varda sob as
Abóbadas azuis, onde faíscam as estrelas
Por meio da canção de sua voz de Rainha Santa.

Agora, quem a taça para mim reencherá?

Pois ora a Inflamadora, Varda, do Semprenevado
Como nuvens suas mãos a Rainha das Estrelas ergueu;
E todos os caminhos engoliu a treva.
E, de um reino cinzento, repousa a escuridão
Sobre as muitas ondas entre eu e ela.
E a névoa encobre as jóias de Calacirya na eternidade.
Agora oculta está, do Leste oculta, Valimar!

Adeus! Seja que encontres Valimar...
Que tu encontre-la! Adeus!

Glossário[editar | editar código-fonte]

Para compreender melhor o poema, veja uma breve explicação dos termos em negrito:

  • Varda, intitulada "a Rainha das Estrelas" e "a Inflamadora" (ou "a Acendedora"): Varda era uma Valië, a maior entre elas, e ela era a Senhora que inflamava as estrelas e as colocava acima do céu, numa região chamada Ilmen.
  • Monte Semprebranco (ou Sempre Branco; ou ainda Semprenevado): era a maior montanha entre as Pelóri, e em élfico era chamado de Oiolossë. O nome original é Taniquetil, a torre sobre a qual ficam os palácios de Varda e Manwë.
  • Calacirya: quando foram erguidas as Pelóri, a luz das estrelas foi bloqueada, então foi feita esta fenda, a “Fenda da Luz”, para deixar passar a luz das estrelas que os elfos amavam. Lá estava Túna, uma colina sobre a qual nasceu Tirion.
  • Valimar: em Valinor os Valar construíram uma cidade, e ela foi chamada de Valmar, ou Valimar. No poema Namárië acima, Valimar equivale a Valinor.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. J.R.R. Tolkien, "Parma Eldalamberon", 17, p. 162.
  2. Pesch, Helmut W.. Elbisch (em alemão). [S.l.]: Bastei Lübbe, 2003. p. 25. ISBN 3-404-20476-X.