Nara Leão

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Nara Leão
Informação geral
Nome completo Nara Lofego Leão Diegues
Nascimento 19 de janeiro de 1942
Origem Vitória, Espírito Santo
País Brasil Brasil
Data de morte 7 de junho de 1989 (47 anos)
Gênero(s) Bossa-nova
MPB
Instrumento(s) voz
Período em atividade 1964 - 1989

Nara Lofego Leão Diegues (Vitória, 19 de janeiro de 1942Rio de Janeiro, 7 de junho de 1989) foi uma cantora brasileira.

História[editar | editar código-fonte]

Filha caçula do casal capixaba Jairo Leão, advogado, e Altina Lofego Leão, professora. Era descendente de imigrantes da Basilicata que imigraram para o Espírito Santo no século XIX (famílias D'Amico e Lofiego). Nara nasceu em Vitória e mudou-se para a Cidade do Rio de Janeiro quando tinha apenas um ano de idade, com os pais e a irmã, a jornalista Danuza Leão.[1]

Durante a infância, Nara teve aulas de violão com Solon Ayala e Patrício Teixeira, ex-integrante do grupo "Os Oito Batutas" de Pixinguinha. Aos 14 anos, em 1956, resolveu estudar violão na academia de Carlos Lyra e Roberto Menescal, que funcionava em um quarto-e-sala na rua Sá Ferreira, em Copacabana. Aos 18 anos, Nara tornou-se professora da academia.[2]

Musa da Bossa Nova[editar | editar código-fonte]

A Bossa Nova nasceu em 1957, quando Nara fazia reuniões no apartamento de seus pais, localizado no edifício Champ-Elysées, em frente ao posto 4, da Avenida Atlântica, em Copacabana, das quais participavam nomes que seriam consagrados no gênero, como Roberto Menescal, Carlos Lyra, Sérgio Mendes e Ronaldo Bôscoli.[3]

Daí em diante, Nara se reaproxima de Carlos Lyra, que rompeu a parceria musical com Bôscoli em 1960, e de ideias mais à esquerda. Inicia um namoro com o cineasta Ruy Guerra e se casa com ele um tempo depois. Nessa época passa a se interessar pelo samba de morro.[4]

A estreia profissional se deu quando da participação, ao lado de Vinícius de Moraes e Carlos Lyra, na comédia Pobre Menina Rica (1963). O título de musa da Bossa Nova foi a ela creditado pelo cronista Sérgio Porto. Mas a consagração efetiva ocorre após o golpe militar de 1964, com a apresentação do espetáculo Opinião, ao lado de João do Vale e Zé Keti, um espetáculo de crítica social à dura repressão imposta pelo regime militar. Maria Bethânia, por sua vez, a substituiria no ano seguinte, interpretando Carcará, pois Nara precisara se afastar por estar afônica. Nota-se que Nara Leão vai mudando suas preferências musicais ao longo dos anos 1960. De musa da Bossa Nova, passa a ser cantora de protesto e simpatizante das atividades dos Centros Populares de Cultura da UNE. Embora os CPCs já tivessem sido extintos pela ditadura, em 1964, o espetáculo Opinião tem forte influência do espírito cepecista. Em 1966, interpretou a canção A Banda, de Chico Buarque no Festival de Música Popular Brasileira (TV Record), que ganhou o festival e público brasileiro.[5]

Dentre as suas interpretações mais conhecidas, destacam-se O barquinho, A Banda e Com Açúcar e com Afeto -- feita a seu pedido por Chico Buarque, cantor e compositor a quem homenagearia nesse disco homônimo, lançado em 1980.

Tropicalismo[editar | editar código-fonte]

Nara também aderiu ao movimento tropicalista, tendo participado do disco-manifesto do movimento - Tropicália ou Panis et Circensis, lançado pela Philips em 1968 e disponível hoje em CD.[6]

Vida pessoal[editar | editar código-fonte]

Desde criança se interessava por música, e passou toda sua adolescência envolvida com música: Se reunia com amigos na praia ou em casa, tocava violão e escrevia letras. Em 1957 teve seu primeiro namorado, Roberto Menescal, seu amigo da época de escola e que frequentava sua casa nas reuniões musicais. O relacionamento terminou de forma amigável em 1958. Mesmo assim, Nara entrou em depressão e contraiu uma hepatite, proveniente de água contaminada. Após muito tempo afastada das aulas, decide abandonar os estudos no segundo ano colegial para se dedicar somente a estudar música.[7]

Neste mesmo ano de 1958 arrumou seu primeiro emprego: Como secretária de redação do “Tablóide UH”, caderno de utilidades comandado por Alberto Dines no jornal Última Hora, jornal esse cujo dono era Samuel Wainer, futuro marido de Danuza Leão e cunhado de Nara. Em menos de um ano, a jovem Nara foi promovida a repórter do tablóide.[8]

Ainda como secretária, Nara conheceu Ronaldo Bôscoli, já que ele também lá como redator, apesar de estar envolvido com a música, o que aproximou os dois. Ele passou a frequentar a casa de Nara nas rodas musicais. Em 1959, Nara e Bôscoli começam a namorar. Nesse período de namoro, Nara começa a se destacar como cantora formado por seu grupo de amigos. O namoro com Bôscoli terminou em 1961, quando ele a traiu com a cantora Maysa, durante uma turnê em Buenos Aires. A jovem entra em depressão e rompeu com Bôscoli, nem mesmo ficando sua amiga. No mesmo ano, começa a namorar o compositor Carlos Lyra, porém, o relacionamento chega ao fim no término do ano de 1961.[9]

No início de 1962, já se apresentando pelo país com seu grupo de amigos em pequenos shows de bossa nova, conhece um compositor estrangeiro: O moçambicano Ruy Guerra. Os dois começam a namorar. Nesta época passa a se apresentar como cantora solo e de fato profissional em boates do Rio. Também grava o seu primeiro disco e começa a se apresentar na televisão.[10]

Em 1963 casa-se somente no civil com Ruy Guerra. Nara não se muda de bairro e continua morando com o marido em Copacabana, próxima de seus pais. Nos anos subsequentes cresce sua fama, novos discos surgem, e ela rompe com a bossa nova, passando a cantar outros gêneros musicais, se interessando em cantar samba de morro. No começo fora criticada, por acharem que ela combinava com bossa e ter sempre que cantar bossa, mas depois fora muito aplaudida, pois sua musicalidade se encaixava em qualquer melodia.[11]

Em 1965 seu casamento chega ao fim, por desentendimentos. A separação oficial é pedida com urgência pela cantora, e o divórcio, que costumava demorar a sair, sai no mesmo ano. Ainda em 65, a cantora passa a ficar mais conhecida, não somente por sua belíssima voz, mas também por sua opinião sincera e polêmica sobre os assuntos que envolviam o país, como a ditadura, concedendo diversas entrevistas no rádio e na TV.[12]

Em 1966, a cantoria tira férias e viaja por toda Europa e Nova York com a família. Ao voltar, começa a trabalhar como apresentadora de programas de TV e continua gravando discos e fazendo shows. Neste ano começou a namorar o cineasta Cacá Diegues. Em seis meses de namoro, o casal fica noivo.[13]

Em 1967 começa a participar de festivais de música e a fazer shows internacionais. Em 26 de Julho casa-se no civil e na igreja com Cacá Diegues. Os dois continuam vivendo em Copacabana. Com a agenda cheia de compromissos profissionais, o casal adia a viagem de lua de mel, acabando por passá-la no Rio. No fim do ano, surge um convite para Nara cantar em Paris. Entusiasmada, leva o marido junto e lá finalmente eles têm a lua de mel que tanto planejaram. Ao voltar para o Rio e por influência do marido, começa a fazer cursos de teatro e a fazer participações como atriz no cinema.[14]

No ano de 1968 começa a apresentar musicais em teatros de Ipanema. Também passa a se envolver mais com política, e junto com o marido, participa de protestos e manifestações públicas contra a ditadura. Nara começa a compor melodias contra o governo militar, indo claramente contra a ditadura, o que passa e incomodar os governantes, que instalaram a censura.[15]

Em 1969, Nara aparece cantando rapidamente no filme dirigido pelo marido, Os Herdeiros, assim como também Caetano Veloso. Diminui seus shows no Brasil, pois se vê ameaçada no país: O governo estava mandando prender qualquer um que fosse contra a ditadura. Recebe um convite e viaja para fazer uma temporada de shows em Portugal. Neste ano sua carreira já a estava incomodando, pois não podia ir em nenhum lugar que já era perseguida por fãs. Estava visivelmente estressada.[16]

Em agosto, viaja para Londres, onde nas rádios e TV's locais dá entrevistas dizendo que sua carreira de cantora está encerrada. Ela e o marido voltam ao Brasil, na esperança de estar tudo mais calmo, como noticiavam as rádios. Nara recebe ameaça do governo, de colocá-la na cadeia, por ela ter feito músicas de oposição a ditadura e o marido por dirigir filmes que retratavam o que se passava no país. Assustada, ela e o marido viajam para Paris, onde compram uma casa e passam a viver.[17]

Em 1970 volta atrás em sua decisão e passa a fazer pequenos shows. No início do ano descobre estar grávida, o que é uma grande felicidade, para ela e seu marido, Cacá. Em 28 de Setembro de 1970, em Paris, nasce a primeira filha do casal, Isabel. Em abril de 71, Quando a filha completou 7 meses de vida, Nara descobre estar novamente grávida, o que é uma enorme surpresa e emoção a ela e Cacá.[18]

Em 1º de janeiro de 1972, Nara e Cacá voltam a morar no Brasil. No dia 17, no bairro de Copacabana, nasce o segundo filho do casal: Francisco.[19]

Nara passa a gravar algumas músicas e participar de pequenos festivais. Não quer mais a agitação da carreira que antes tinha, e passa a se dedicar exclusivamente ao marido e aos filhos.[20] . Ainda em 1972 ela faz um dos papeis principais do filme musical de Cacá Diegues, Quando o Carnaval Chegar.

Em 1973 participa como atriz de alguns filmes e passa a fazer pequenos shows pelo Brasil. Neste ano, volta a estudar, e termina o último ano do colegial, atual ensino médio, antigo científico.[21]

Em 1974, grava alguns discos e participa de festivais. Passou no vestibular de Psicologia na PUC-RJ. Ser psicóloga era um antigo desejo que possuía, e seguiria esta profissão, caso não fosse cantora. Agora que tinha diminuído seu ritmo de trabalho, passa a se dedicar aos estudos, filhos e casamento, porem sem deixar a música de lado, sua maior inspiração. De fato, Nara planejava abandonar a música mas não chegou a deixar a profissão de cantora, apenas diminuindo o ritmo de trabalho e modificando o estilo dos espetáculos, pois considerava muito cansativa a vida de uma cantora, já que agora tinha uma família para se preocupar constantemente.[22]

No ano de 1975 fez poucos trabalhos, gravando e lançando apenas um disco, que foi sucesso de vendas, o que a fez ganhar o troféu de Melhor Cantora do Ano.[23]

Em 1976 não trabalhou, e tirou este ano para estudar e cuidar do lar. Em 1977 volta com força total, lançando novos discos, viajando o Brasil participando de espetáculos, fazendo novas amizades no ramo musical, que lhe abriram portas, gravando música de outros cantores, também escrevendo e compondo suas melodias, e se apresentando em rádio e TV.[24]

Por desentendimentos constantes nos último anos, Nara e Cacá se divorciam, mas em comum acordo, a cantora continuou assinando o sobrenome do marido, Diegues.[25]

No ano de 1978, divulga discos e passa a fazer shows nacionais e internacionais. Sua faculdade de psicologia tem de ser interrompida para Nara manter sua agenda de cantora.[26]

Em 1979, fazendo muito sucesso, Nara sentiu-se muito mal, com dores fortes de cabeça, tonturas e desmaio, e ficou internada. A cantora descobre possuir um tumor inoperável no cérebro. Ele surgiu de um coágulo e jamais poderia ser operado, pois estava numa área delicada do cérebro. Caso fosse operada, a cantora faleceria na cirurgia e caso sobrevivesse, teria sequelas, como ficar cega ou paralítica. Apavorada, a partir daí entrou em depressão e começou a tomar remédios fortíssimos para tentar diminuir o tumor, que era benigno. A descoberta desta doença contribuiu para Nara abandonar a carreira musical, mas voltou atrás e no ano seguinte retornou com muito sucesso.[27]

Apesar de seu emocional abalado, isso não a fez se entregar a depressão: Nos anos 80 fez muito sucesso, viajando o Brasil e o mundo, lançando novos discos, gravando canções, atuando em muscais no teatro e fazendo parcerias musicais. Nesta época viajou para o Japão, onde divulgou a Música Popular Brasileira. De vez e quando passava mal em algum show, mas logo se restabelecia. Começa a fazer shows sozinha com seu violão, e também volta a se interessar por política, participando de eventos públicos a favor da eleição direta para presidente no Brasil.[28]

Em 1986 sua saúde piora, passando a ter dores mais fortes de cabeça e esquecimento das coisas que fazia. Sua dose de remédios fora aumentada e descobriu-se que seu tumor cresceu, mas também diminuiu, porém não desaparecia. Nara passa a maior parte do ano em repouso e internações, apesar de ainda fazer pequenos shows pela Zona Sul do Rio.[29]

Em 1987 e 1988, tem uma considerável melhora de saúde e passa a fazer temporadas de shows em casas noturnas do Rio com alguns integrantes de seu grupo de bossa nova da adolescência.[30]

Morte[editar | editar código-fonte]

Em 1989 faz sua última apresentação no Pará. Ao voltar para o Rio, sua saúde piorou e precisou ficar internada por meses, quando seu tumor cerebral rompeu, ocasionando uma hemorragia. A cantora faleceu na Casa de Saúde São José, no dia 7 de junho.[31]

Seu último disco foi My foolish heart, lançado naquele mesmo ano, interpretando versões de clássicos americanos.[32]

Após a morte[editar | editar código-fonte]

Em 2002, seus discos lançados anteriormente em LPs foram relançados em duas caixas separadas - uma com o período 1964-1975 e a outra 1977-1989 - trazendo também faixas-bônus e um livreto sobre sua biografia. Mesmo depois de ter morrido há anos, suas músicas ainda eram sucesso, como até hoje são.[33]

Em 2007, a cantora Fernanda Takai gravou o disco Onde Brilhem os Olhos Seus, onde interpreta canções típicas do repertório de Nara Leão, fazendo assim uma homenagem. Em janeiro de 2012, seu acervo de fotografias, músicas e documentos foi digitalizado e aberto para consulta.[34]

Discografia[editar | editar código-fonte]

1964 - Nara
1964 - Opinião de Nara
1965 - O Canto Livre de Nara
1965 - Cinco na Bossa
1965 - Show Opinião
1966 - Nara Pede Passagem
1966 - Manhã de Liberdade
1966 - Liberdade, Liberdade
1967 - Nara
1967 - Vento de Maio
1968 - Nara Leão
1969 - Coisas do Mundo
1971 - Dez Anos Depois
1972 - Quando o Carnaval Chegar
1974 - Meu Primeiro Amor
1977 - Os Saltimbancos
1977 - Meus Amigos São Um Barato
1978 - Debaixo Dos Caracóis Dos Seus Cabelos
1979 - Nara Canta en Castellano
1980 - Com Açúcar, Com Afeto
1981 - Romance Popular
1982 - Nasci Para Bailar
1983 - Meu Samba Encabulado
1984 - Abraços E Beijinhos e Carinhos Sem Ter Fim… Nara
1985 - Nara e Menescal - Um Cantinho, Um Violão
1986 - Garota de Ipanema
1987 - Meus Sonhos Dourados
1989 - My Foolish Heart

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. [[1]]
  2. [[2]]
  3. [[3]]
  4. [[4]]
  5. [[5]]
  6. [[6]]
  7. [[7]]
  8. [[8]]
  9. [[9]]
  10. [[10]]
  11. [[11]]
  12. [[12]]
  13. [[13]]
  14. [[14]]
  15. [[15]]
  16. [[16]]
  17. [[17]]
  18. [[18]]
  19. [[19]]
  20. [[20]]
  21. [[21]]
  22. [[22]]
  23. [[23]]
  24. [[24]]
  25. [[25]]
  26. [[26]]
  27. [[27]]
  28. [[28]]
  29. [[29]]
  30. [[30]]
  31. [[31]]
  32. [[32]]
  33. [[33]]
  34. CASALETTI, Danilo. O acervo digital de Nara Leão. Visitado em 12 de janeiro de 2012.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]