Narcisismo

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"Narciso" (1590), pintura de Caravaggio, Galleria Nazionale d'Arte Antica, Roma

Narcisismo é o amor de um indivíduo por si próprio ou por sua própria imagem, uma referência ao mito de Narciso. O termo "narcisismo" foi introduzido na psiquiatria, no final do século XIX - e viria a ser adotado no campo da psicanálise - por Havelock Ellis (1898), para descrever uma forma de sexualidade baseada no próprio corpo do indivíduo.[1]

O narcisismo é atualmente um conceito na teoria psicanalítica, introduzido por Sigmund Freud em seu livro Sobre o narcisismo. A Associação Americana de Psiquiatria o classifica como Transtorno de personalidade narcisista, em seu Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM).[2] Freud acreditava que o narcisismo existe quando a libido está direcionada para o self.[3]

História[editar | editar código-fonte]

O termo "narcisismo" vem do mito grego de Narciso, um bonito jovem e indiferente ao amor que ao se ver refletido na água apaixonou-se pela própria imagem refletida.[4] [5]

O conceito de egoísmo excessivo tem sido reconhecido ao longo da história. Na Grécia antiga, o conceito foi entendido como arrogância. É só nos últimos tempos que foi definido em termos psicológicos:

  • Em 1752 a peça de Jean-Jacques Rousseau Narciso: ou o Auto-Admirador foi encenada em Paris.
  • Em 1898 Havelock Ellis, um sexólogo inglês, usou o termo "narciso-like" em referência a masturbação excessiva, em que a pessoa se torna seu próprio objeto sexual.[6]
  • Em 1899, Paul Nacke foi a primeira pessoa a usar o termo "narcisismo" em um estudo das perversões sexuais.
  • Otto Rank em 1911 publicou o primeiro trabalho psicanalítico especificamente em causa com o narcisismo, vinculando-a à vaidade e auto-admiração.[7]
  • Sigmund Freud publicou um artigo exclusivamente dedicado ao narcisismo, em 1914, chamado Sobre o narcisismo:. Uma Introdução.[8]
  • Em 1923, Martin Buber publicou um ensaio "Ich und Du" (Eu e Você), no qual ele apontou que nosso narcisismo muitas vezes nos leva a se relacionar com os outros como objetos em vez de igual para igual.[9]


Referências

  1. Guido Bolaffi (2003). Dictionary of Race, Ethnicity and Culture. SAGE Publications. p. 193. ISBN 978-0-7619-6900-6.
  2. Glen O. Gabbard. Psiquiatria Psicodinâmica na Pratica Clínica. Artmed. p. 361. ISBN 978-85-363-0939-2.
  3. Nicholas Bunnin; Jiyuan Yu (2008). [The Blackwell Dictionary of Western Philosophy. John Wiley & Sons. p. 453. ISBN 978-0-470-99721-5.
  4. Mario da Gama Kury (2003). Dicionário de Mitologia Grega e Romana. J. Zahar. p. 278. ISBN 978-85-7110-128-9.
  5. Ilan Brenman (2014). As 14 pérolas da mitologia grega. Escarlate. p. 53. ISBN 978-85-8382-009-3.
  6. Mark R. Leary; Rick H. Hoyle (2013). Handbook of Individual Differences in Social Behavior. Guilford Publications. p. 547. ISBN 978-1-4625-1489-2.
  7. Joseph Sandler; Peter Fonagy; Ethel Spector Person (2012). Freud's on Narcissism: an Introduction. Karnac Books. p. 56. ISBN 978-1-78049-108-0.
  8. José Nunes Fernandes (2014). O conceito da família em Freud. Letra Capital Editora LTDA. p. 51. ISBN 978-85-7785-252-9.
  9. Maurice S. Friedman (2012). Martin Buber and the Human Sciences. SUNY Press. p. 173. ISBN 978-1-4384-0337-3.

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