Narrador não confiável

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Na literatura, no cinema, no teatro e na música, um narrador não confiável (pré-AO 1990: narrador não-confiável) (um termo estabelecido por Wayne C. Booth, em 1961, no seu livro The Rhetoric of Fiction) é um narrador cuja credibilidade foi seriamente comprometida. A utilização deste tipo de narrador é chamado de narração não-confiável e é um modo narrativo que pode ser desenvolvido pelo autor para uma série de razões, embora habitualmente para fazer uma declaração negativa sobre o narrador. Esta não-confiabilidade pode ser devido à instabilidade psicológica, a um forte viés, a uma falta de conhecimento, ou mesmo uma tentativa deliberada de enganar o leitor ou a platéia. Narradores não-confiáveis são normalmente narradores de primeira pessoa, mas narradores de terceira pessoas também podem ser não-confiáveis.

A natureza do narrador às vezes é imediatamente evidente. Por exemplo, uma história pode abrir com o narrador fazendo claramente uma falsa ou delirante alegação, ou admitir estar gravemente doente mental, ou a história em si pode ter um quadro no qual o narrador aparece como uma personagem, com pistas de sua não-confiabilidade. Um uso mais comum e dramático da não-confiabilidade atrasa a revelação (clímax) até perto do final da história. Estes pontos finais força o leitor a reconsiderar os seus pontos de vista e experiências da história. Em muitos casos, o narrador não-confiável nunca é totalmente revelado, mas apenas bravamente apresentado, deixando o leitor a pensar o quanto o narrador deve ser confiável e de como a história deve ser interpretada.

A figura literária do narrador não-confiável não deve ser confundida com outras figuras de linguagem, como eufemismo, hipérbole, ironia, metáfora, falácia patética, personificação, sarcasmo, sátira; podendo, no entanto, coexistir com essas figuras, como em American Psycho, de Bret Easton Ellis, uma sátira cujo narrador pode ou não ser confiável (e, portanto, não é credível). Do mesmo modo, novelas históricas, ficções especulativas e sequências de sonho claramente delimitados geralmente não são considerados casos de narração não-confiável, apesar de descrever eventos que não poderiam ou não acontecer.

Alguns trabalhos sugerem que todas os narradores são inerentemente não-confiáveis devido ao auto-interesse, viés pessoal ou memória seletiva; "narradores confiáveis" seriam "narradores não-confiáveis" sem dicas ou pistas de muitas de suas próprias não-confiabilidades ".[1]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. A LEITURA SIMPÁTICA DO ASSOMBRO. Idéias do Jornal do Brasil (23/08/2008). Página visitada em 11/10/2008.
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