Nascido para Matar

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Full Metal Jacket
Nascido para Matar (PT/BR)
 Estados Unidos
1987 • cor • 116 min 
Direção Stanley Kubrick
Roteiro Stanley Kubrick / Michael Herr (baseado em livro de Gustav Hasford
Elenco Matthew Modine
Adam Baldwin
Vincent D'Onofrio
R. Lee Ermey
Género guerra
Idioma inglês
Página no IMDb (em inglês)

Nascido para Matar (no original: Full Metal Jacket) é um filme norte-americano de 1987, do gênero drama de guerra, dirigido por Stanley Kubrick. O roteiro é baseado em romance de Gustav Hasford, The Short Timers.

É considerado um dos grandes filmes sobre a guerra do Vietnã, junto com Platoon e Apocalypse Now e um dos melhores filmes do cinema da década de 1980, com uma posição que pode ser interpretada como sendo anti-guerra.

Foi o penúltimo filme de Stanley Kubrick, e denota uma das marcas mais características desse diretor - o tema da desumanização. Aqui, ela é vista nos fuzileiros navais estadunidenses, que enlouquecem no rígido treinamento físico que recebem e também no campo de batalha.

O título original - Full Metal Jacket - é inspirado num tipo de munição militar, em que o projétil de chumbo é "encamisado" por uma liga metálica mais resistente.

Sinopse[editar | editar código-fonte]

O filme basicamente pode ser dividido em duas partes bastante distintas, ambas narradas desde o ponto de vista do soldado Joker (recruta graçola/gaiato no português), chamado assim pelos companheiros pelo estilo sarcástico de humor – seu nome jamais é confirmado durante o filme. Contudo, próximos aos 21 minutos do filme, quando o recruta Gaiato está ensinando o recruta Pyle (Lawrence) a transpor um obstaculo, subindo de um lado e descendo do outro, está escrito nas costas de suas camisetas: do recruta Pyle Lawrence e do recruta Gaiato seu nome Davis.

A primeira metade mostra o ingresso de jovens americanos na Academia dos Fuzileiros Navais, em preparação para serem enviados à guerra do Vietnam. Lá, eles passam para a tutela do sargento Hartmann, um militar linha-dura que exige que seus comandados estejam no seu primor físico e que carrega um forte orgulho de ser um fuzileiro. Entretanto, um dos novatos, Leonard Lawrence (batizado pelo Sargento Hartman como Recruta Pyle), claramente não está apto para o serviço militar, devido ao seu elevado peso e ao seu comportamento desajeitado. Lawrence comete erros constantemente nos treinos, a ponto de enervar seu instrutor e seus companheiros. Certa noite, estes decidem vingar-se e golpeiam fortemente o soldado para que este se dedique mais aos exercícios. A partir daí, Lawrence passa de um soldado medíocre a uma verdadeira máquina de guerra, ao mesmo tempo em que desenvolve uma personalidade psicopata, a ser exteriorizada no final desta primeira parte numa cena memorável ocorrida na latrina do quartel, onde Pyle executa o Sargento Hartman com seu fuzil e depois comete suicídio, em frente a um perplexo recruta Joker.

Na segunda parte do filme, vemos o soldado Joker já no Vietnam, trabalhando para o jornal do exército americano (Stars and Stripes). Ele tenta trabalhar com os artigos jornalísticos de um modo a retratar a realidade como ela se apresenta para seus leitores. Entretanto, durante a ofensiva Norte Vietnamita do Tet, Joker tem a oportunidade de estar em um combate, ao reencontrar seu antigo amigo, o soldado Cowboy. Ele junta-se a um destacamento que se envolve diretamente nos combates na cidade de Hue. Durante esta parte do filme, são vistos algumas opiniões dos soldados sobre o envolvimento dos Estados Unidos na guerra, bem como o tratamento que os militares davam aos nativos.

Elenco[editar | editar código-fonte]

Repercussão[editar | editar código-fonte]

O filme foi muito elogiado e é costumeiramente enunciado como um dos melhores trabalhos do diretor Stanley Kubrick, mas não está isento de críticas. Muitos acreditam que ele perdeu um pouco do seu impacto graças ao lançamento de Platoon, filme de temática similar, apenas um ano antes. Outros pensam que o filme em si é desequilibrado, alternando grandes momentos com cenas pouco inspiradas.

À época de seu lançamento, chamou muita atenção o duríssimo treinamento exigido dos fuzileiros navais, sob constante humilhação verbal vinda de seus superiores. O ator que interpretou o nada gentil sargento Hartmann, R. Lee Ermey, fora um fuzileiro na vida real e se inspirou em seus tempos como militar para criar o personagem. Outro fator de importância é o uso do humor negro, particularmente com os frequentes deslizes do soldado Lawrence, a verborragia do sargento Hartmann e com os comentários politicamente incorretos do soldado Animal Mother quando em ação no Vietnã.

Um último fator que despertou interesse foi o simbólico uso das duas últimas canções ouvidas no filme, de motivações completamente distintas. O filme termina com os fuzileiros cantando uma animada música sobre Mickey Mouse, mas logo em seguida, durante os créditos finais, é possível ouvir a sombria "Paint It Black", dos The Rolling Stones.

Trilha sonora[editar | editar código-fonte]

  1. Hello Vietnam, escrita por Tom T. Hall e interpretada por Johnny Wright[1]
  2. These Boots are made for walking, escrita por Lee Hazlewood e interpretada por Nancy Sinatra
  3. Wooly Bully, escrita por Domingo Samudio e interpretada por Sam the Sham e The Pharoahs
  4. The Marines Hymn, interpretada por The Goldman Band
  5. Chapel of Love, escrita por Jeff Barry, Ellie Greenwich e Phil Spector e interpretada por The Dixie Cups
  6. Surfin Bird, escrita por A. Frazier, C. White, T. Wilson Jr. e J. Harris e interpretada por The Trashmen
  7. Paint it black, escrita por Mick Jagger e Keith Richards e interpretada por The Rolling Stones

Música[editar | editar código-fonte]

A banda de metal industrial Ministry usou trechos de falas do filme na canção "Thieves"

A canção "Me So Horny", do grupo de rap estadunidense 2 Live Crew, contem trechos da fala da prostituta da cidade vietnamita de Da Nang, interpretada pela atriz Papillon Soo Soo ("...Me so horny, me love you long time...")

Principais prêmios e indicações[editar | editar código-fonte]

Oscar 1988 (EUA)

BAFTA 1988 (Reino Unido)

  • Indicado nas categorias de melhor som e melhor efeitos especiais.

Prêmio David Di Donatello 1988 (Itália)

  • Venceu na categoria de melhor produção estrangeira.

Globo de Ouro 1988 (EUA)

  • Indicado na categoria de melhor ator coadjuvante de cinema (R. Lee Ermey).

Academia Japonesa de Cinema 1989 (Japão)

  • Indicado na categoria de melhor filme estrangeiro.

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]