Nascimento Moraes

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José Nascimento Moraes (São Luís (Maranhão), 19 de março de 1882) foi um escritor, poeta, romancista, cronista, ensaísta e jornalista brasileiro.

O autor foi uma grande figura do cenário maranhense do início do século XX, destacando-se por suas obras jornalísticas e literárias, que focavam, sobretudo, a contraposição das questões elitistas e abolicionistas. Lutou contra os conceitos racistas da época, atraindo aliados e inimigos à sua causa.

De suas obras publicadas, destaca-se “Vencidos e Degenerados”, cujo tema central é o retrato da sociedade maranhense em vista às questões sociais, como o preconceito e a pobreza extrema. A obra projetou nacionalmente o autor como um dos melhores retratistas sociais da época, igualado a nomes como Lima Barreto e Aluísio Azevedo.

Foi professor do Liceu Maranhense e presidente da Academia Maranhense de Letras. Teve alunos, hoje conhecidos, como José Sarney e Ferreira Gullar, também atuantes nas temáticas sociais brasileiras. Nascimento Moraes teve um filho, batizado com o mesmo nome, que seguiu a mesma trajetória literária e jornalística e foi defensor dos direitos da população negra, com a mesma dedicação que o seu pai teve à causa. Sobre o pai, Nascimento Moraes Filho afirma que, além das obras de cunho naturalista e revolucionário, a contribuição principal está no fato de que seu pai foi um exemplo vivo da superação de preconceitos. Para ele, o pai foi um vitorioso em sua profissão, reconhecido em seu estado e em todo o país. José Nascimento Moraes faleceu no dia 22 de fevereiro de 1958 com 76 anos.


Vencidos e Degenerados[editar | editar código-fonte]

O livro do autor maranhense, Nascimento Moraes, “Vencidos e Degenerados”, foi publicado pela primeira vez em São Luís do Maranhão no ano de 1915, demorou dois anos para ficar pronto devido às dificuldades e pobreza de recursos dá época, o romance, um dos mais importantes de sua carreira, é um retrato da sociedade maranhense entre os séculos: XIX e XX. A obra inicia-se no dia 13 de maio de 1888, meio a notícia da abolição da escravatura, estende-se pela república mostrando o desenrolar da vida dos personagens e seus sonhos. As idealizações são confrontadas à realidade política e social.

A narração possui uma linguagem descritiva, não é dividida em capítulos e sim trechos longos. Os personagens apresentados são humanizados, mas poucos são enfatizados psicologicamente. O romance não se enquadra totalmente no Naturalismo, pois não possui a parte Determinista, oscila entre aquele e o Realismo. As personagens femininas são fracas, assim como alguns intelectuais na estória.O universo do livro, Vencidos e Degenerados, se assemelha com O Mulato de Aluísio Azevedo, é certo que existem diferenças, uma delas é o fato daquele ser uma obra de cunho abolicionista.

O romance pode parecer um tanto quanto pessimista, como quando Domingos Daniel Aranha, um dos personagens, diz “nada somos e nada poderemos ser amanhã”, em certos aspectos aborda política e degradação de costumes.

Descrição dos Personagens[editar | editar código-fonte]

João Olivier é Jornalista, orador fluente trabalha na imprensa em favor dos oprimidos. Pai adotivo de Cláudio, mulato que segue carreira jornalística, é o personagem central do livro. É filho biológico de Andreza Vital e Domingos Daniel Aranha, ambos ex-escarvos, freqüentadores da taverna de João Machado, português conhecido como Paletó Queimado. João da Moda, uma espécie de líder em um grupo de intelectuais desconhecidos e desfavorecidos, cujo participa Armênia Magalhães, moça de meia-idade, figurava na alta sociedade até cair em desgraça devido a um romance. O que ocorre na vida de todos os personagens diz respeito a Zé Catraia, escravo liberto, "o popular mais popular de todos", ele sabe de tudo o que se passa na cidade.

Referências[editar | editar código-fonte]