Nascimento de Jesus

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O nascimento de Jesus retratado numa tela de 1535-40, pintada pelo artista florentino Agnolo Bronzino.

O nascimento de Jesus é o mistério da encarnação. Na linguagem cristã, é a vinda de Jesus ao mundo, festejada pela Igreja nos quatro domingos que precedem o Natal.[1] Os quatro Evangelhos aceitos pela Igreja sublinham o caráter salvítico de seu advento[nota 1] [nota 2]

Grande parte do que é conhecido sobre o nascimento de Jesus, sua vida e seus ensinamentos é contado pelos Evangelhos canônicos: Evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João pertencentes ao Novo Testamento da Bíblia. Os Evangelhos Apócrifos apresentam também alguns relatos relacionados com a infância de Jesus. Mateus enfatiza a dimensão messiânica do advento ao colocar Jesus como descendente de uma linhagem que tem início em Abraão, o primeiro dos patriarcas.[2] Em Lucas, o anjo Gabriel assegura a Maria que está destinado a seu filho o trono de Davi, sobre o qual ele reinará para sempre.[3] Paulo reforça a linhagem que parte de Abraão e consuma-se em Jesus.[4]

Os Evangelhos narram os fatos mais importantes da vida de Jesus e insistem na importância da sua vinda, mas fornecem pouca informação sobre as circunstâncias de seu nascimento. Os Atos dos Apóstolos contam um pouco do que sucedeu nos 30 anos seguintes. As Epístolas (ou cartas) de Paulo também citam fatos sobre Jesus. Notícias não-cristãs de Jesus e do tempo em que ele viveu encontram-se nos escritos de Josefo, que nasceu no ano 37 d.C.; nos de Plínio, o Moço, que escreveu por volta do ano 112; nos de Tácito, que escreveu por volta de 117; e nos de Suetônio, que escreveu por volta do ano 120.

No entanto, é nos Evangelhos de Mateus e de Lucas que se tem melhores informações a respeito da infância de Jesus. Enquanto Mateus foi um dos doze apóstolos, Lucas teria empreendido uma pesquisa dos fatos que na sua época já eram relatados de modo que o seu Evangelho é o que mais contém informações a respeito da vida de Jesus na Terra, antes mesmo do seu nascimento. À genealogia israelita de Jesus, proposta por Mateus, Lucas prefere a mais universal, que remonta até "Adão, filho de Deus". [5] Marcos (1,1-11) e João (1,6-8) introduzem a figura de Jesus através das profecias de João Batista.

Fatos bíblicos que antecederam o nascimento de Jesus[editar | editar código-fonte]

Segundo o Evangelho de Lucas, o trabalho da vida de Jesus na Terra, fora iniciado por João Batista, filho de Zacarias. Este era um sacerdote judeu que tinha por esposa a Isabel, a qual, por sua vez era membro do ramo mais próspero do mesmo grande grupo familiar ao qual também pertencia Maria, a mãe de Jesus.

Zacarias e Isabel, embora estivessem casados há muitos anos fossem de idade avançada, não tinham filhos porque Isabel era estéril.

O anjo Gabriel apareceu a direita do altar de incenso a Zacarias e anunciou que suas orações haviam sido ouvidas por Deus e Isabel daria à luz um filho que deveria ser chamado por João. E disse mais: contou que seria “grande diante do Senhor” e que teria a virtude de Elias: o grande profeta que os orvalhos e a chuva se submeteram a sua palavra, o grande profeta que ressuscitou o filho de uma viúva, o grande profeta que chamou fogo do céu. Elias que teve sua maior jornada na luta contra os pecados do rei Acabe e da sua esposa Jezabel, promíscua e adoradora de Baal. Segundo Gabriel, João teria a virtude de Elias, como de fato procedeu contra Herodes e Herodias, e sendo respeitado entre os judeus.

Quando Gabriel anunciou o nascimento, Zacarias alegou que ele e sua esposa eram velhos para terem filhos. Por conta dessa incredulidade, Zacarias ficou mudo até o nascimento de João. Quando Zacarias terminou de servir no templo e voltou para casa, Isabel concebeu.

Seis meses depois do início da gravidez de Isabel, Gabriel foi até Nazaré e saudou Maria, mulher prometida a José: “Salve cheia de graça; o Senhor é contigo.” Foi anunciada a virgem que daria à luz um filho e que deveria ser chamado de Jesus. E disse mais: que seria chamado filho do Altíssimo, Filho de Deus. O anjo disse que Jesus seria “grande”. Observe-se que ele não seria “grande diante do Senhor”, como foi dito de João, ele seria o próprio Senhor que assentaria no trono de Davi e cujo João estaria adiante nos seus passos de anunciação.

Quando Maria perguntou como se daria tal coisa, pois era virgem, Gabriel anunciou que seria uma concepção do Espírito Santo.

Ela já estava comprometida em casamento com José e o noivado judaico era um compromisso tão sério que o noivo já se dizia marido e não podia desfazê-lo, senão por um repúdio e antes que tivessem tido qualquer envolvimento íntimo, se achou grávida pelo Espírito Santo. Segundo o evangelho segundo Mateus, José ao saber, quis deixá-la, achando que ela tinha tido outro homem, mas o anjo Gabriel apareceu a ele em sonho e lhe explicou o que estava acontecendo.

Como o anjo havia contado sobre a concepção de Isabel, Maria foi visitá-la e por revelação do Espírito Santo, naquela momento Isabel recebeu a palavra do conhecimento e clamou: “Bendita és tu entre as mulheres, e bendito é o fruto do teu ventre. E de onde me provém isto a mim, que venha visitar-me a mãe do meu Senhor?”

No dia da circuncisão de João, contrariando o costume judaico, Isabel escolheu o nome do menino: João; sem que houvesse tal nome na parentela de Zacarias, o mesmo foi interpelado a respeito daquela peculiaridade, e Zacarias escreveu numa tábua: “O seu nome é João”. E todos se maravilharam. E voltou a voz à boca de Zacarias.

Segundo a tradição cristã, João Batista, cujo nome significa "graça ou favor de Deus", cresceu habitando em desertos até o início de seu ministério quando haveria de mostrar-se em Israel e anunciar os dias de Jesus.

O Nascimento de Jesus[editar | editar código-fonte]

César Augusto, o responsável pelo censo dos judeus.

Jesus nasceu durante o reinado de Herodes, o Grande, que os romanos haviam designado para governar a Judeia. Os calendários são contados a partir do ano em que se supõe ter nascido Jesus, mas as pessoas que fizeram essa contagem equivocaram-se com as datas: Herodes morreu no ano 4 a.C., de modo que Jesus nasceu 3 anos antes, a quando dos censos do povo Judeu, que ocorreu, exactamente, 1 ano após os censos dos outros povos também subjugados ao poder Romano. Estes censos ocorreram para facilitar aos Romanos a contagem do povo e a respectiva cobrança dos impostos. Os Judeus sempre se opuseram a qualquer tentativa de contagem, por essa razão, esta ocorreu um ano depois de ter ocorrido nos povos vizinhos. Desde o século IV, os cristãos festejam o Natal, ou nascimento de Cristo, no dia 25 de Dezembro. A data real ainda é incerta, ver mais adiante.

A notícia do anjo Gabriel[editar | editar código-fonte]

Maria foi a mãe de Jesus. Ela e o carpinteiro José, seu marido, moravam em Nazaré, uma cidade da província da Galileia, no norte da Palestina. O Evangelho de Lucas conta que o arcanjo Gabriel apareceu a Maria e anunciou que ela ia dar à luz o filho de Deus, o prometido Messias.

Lucas relata também que, após receber a notícia do anjo, Maria já teria passado uns três meses com Isabel e Zacarias nas montanhas de Judá e que depois retornou para sua casa.

Mateus, por sua vez, traz a informação de que José, não teria compreendido inicialmente que Maria recebera a importante missão de conceber o Messias e se afastou de Maria, pelo que um anjo lhe pareceu em sonhos para que ele a recebesse.

Nascimento em uma manjedoura[editar | editar código-fonte]

O Presépio representa o local onde Jesus teria nascido. Na foto, presépio em Atenas.

Algum tempo antes de Jesus nascer, Maria e José foram a Belém, a fim de terem seus nomes registrados em um recenseamento. Devido a um decreto de César Augusto, todas as pessoas que viviam no mundo romano tiveram que se alistar em suas respectivas cidades, sendo que José era de Belém.

Belém era uma pequena cidade do sul da Judeia. Maria e José encontraram abrigo num estábulo, e foi aí que Jesus nasceu. Maria fez de uma manjedoura o berço para ele.

Os Evangelhos falam de pastores que, perto de Belém, viram anjos no céu e os ouviram cantar: Glória a Deus nas alturas e, na Terra, paz e boa vontade entre os homens [6] . Algumas traduções da Bíblia dizem: paz na Terra aos homens de boa vontade.

Circuncisão de Jesus[editar | editar código-fonte]

Jesus foi circuncidado em casa aos oito dias.Completados os dias da purificação da mulher(40 dias para filho homem,70 dias se fosse mulher) , Jesus foi apresentado ao templo por sua família para ser consagrado à Deus após circuncisão conforme tradição Judaica (Lv 12; Lc 2:22), quando então foi apresentado por Simeão e Ana.Os pais do menino foram abençoados,Jesus era a própria benção

A visita dos magos do Oriente[editar | editar código-fonte]

A Bíblia também relata que vieram sábios do oriente para ver o Messias recém-nascido. A princípio perguntaram por ele na corte de Herodes. Mais tarde puderam localizá-lo, seguindo até Belém a luz de uma estrela. Trouxeram a Jesus oferendas de ouro, incenso e mirra.

Herodes pedira-lhes que voltassem para informá-lo quando tivessem encontrado o menino, mas eles não fizeram isso. Herodes tomou-se de fúria e, com medo desse novo rei dos judeus, mandou que fossem mortos todos os meninos de Belém que tivessem dois anos de idade ou menos. Um anjo apareceu a José, em sonho, e o preveniu. José fugiu então para o Egito, com Maria e o menino Jesus. Só retornaram a Nazaré depois da morte de Herodes.

A visita teria realmente ocorrido?[editar | editar código-fonte]

A tradicional crença de que Jesus foi visitado em seu nascimento não é consenso no meio acadêmico. Para o professor de história antiga da Universidade Federal do Rio de Janeiro, André Leonardo Chevitarese, não haveria "evidências históricas" de que estes eram reis ou mesmo magos, nem que visitaram Jesus logo após seu nascimento[7] . Para o historiador, estes personagens teriam sido criados pelo evangelista Mateus como uma metáfora do reconhecimento de Jesus pelos povos daquela época. Somente no Século III os magos receberiam o título de reis, o que para André Chevitarese corresponderia a uma forma de legitimar a profecia que consta do Salmo 72. No Século IX os magos teriam enfim recebidos os nomes pelos quais são conhecidos até hoje.

A fuga para o Egito[editar | editar código-fonte]

Prosseguindo a leitura do livro de Mateus, mais adiante o evangelista informa a notícia de que José, avisado em sonhos a respeito de um plano de Herodes para matar Jesus, foge com Maria e o menino para o Egito.

O momento em que A família de Jesus foge para o Egito também não é suficientemente preciso na Bíblia. O fato de Herodes ter mandado matar todas as crianças de Belém do sexo masculino de dois anos para baixo pode significar que, depois do nascimento de Jesus na manjedoura, José ainda teria permanecido por algum tempo nessa cidade esperando que o menino estivesse em condições para suportar uma viagem de volta à Galileia.

Igualmente, não se sabe ao certo por quanto tempo a família de Jesus teria morado no Egito. Sabe-se apenas que Jesus permaneceu no Egito até a morte de Herodes, quando então José, após ser avisado por um anjo em seus sonhos, retorna para a cidade de Nazaré.

Data do nascimento de Jesus[editar | editar código-fonte]

As duas únicas cronologias do nascimento de Jesus contradizem-se. Mateus situa-o sob Herodes, Lucas no momento do recenseamento ordenado pelo imperador César Augusto: Herodes morreu em 4 a.C e o censo data de 6 d.C [8] O dia é também incerto: foi fixado por razões doutrinárias e litúrgicas no século IV. Apenas Lucas indica a circunstância em que ocorreu: Maria deu à luz em Belém (Palestina) porque a lei do recenseamento determinava o retorno das pessoas ao seu local de origem e Maria acompanhou o marido, José.[9]

Os romanos obrigaram o recenseamento de todos os povos que lhes eram sujeitos a fim de facilitar a cobrança de impostos, o que se tornou numa valiosa ajuda na localização temporal dos factos, uma vez que ocorreu exactamente 4 anos antes da morte de Herodes, no ano 8 a.C..

Entretanto, os Judeus tomaram providência no sentido de dificultar qualquer tentativa por parte dos ocupantes em contar o seu povo, pelo que, segundo a história, nas terras judaicas este recenseamento ocorrera um ano depois do restante império romano, ou seja no ano 7 a.C.. Em Belém, o recenseamento ocorrera no oitavo mês, pelo que se concluiu que, Jesus nascera provavelmente no mês de Agosto do ano 7 a.C..

Outros factos também ajudam a estimar a data exata. Conforme é relatado pelos textos bíblicos, no dia seguinte ao nascimento de Jesus, José fez o recenseamento da sua família, e um dia depois, Maria enviou uma mensagem a Isabel relatando o acontecimento.

A apresentação dos bebês no templo, bem como a purificação das mulheres teria de ocorrer até aos vinte e um dias após o parto. Jesus foi apresentado no templo de Zacarias, segundo os registos locais, no mês de Setembro num sábado. Sabe-se que Setembro do ano 7 a.C. teve quatro sábados: 4, 11, 18 e 25. Como os censos em Belém ocorreram entre 10 e 24 de Agosto, o sábado de apresentação seria o de 11. Logo Jesus teria nascido algures depois de 21 de Agosto do ano 7 a.C..

Notas

  1. O termo salvítico vem do latim medieval salvificum e equivale, no vocabulário teológico, a "soteriológico", da palavra grega soter (salvador).
  2. O adventus é a tradução latina do grego parousia (vinda ou retorno do Cristo).

Referências

  1. Briggs, Charles A. The fundamental Christian faith: the origin, history and interpretation of the Apostles' and Nicene creeds. C. Scribner's sons, 1913.
  2. São Mateus (1,1-17)
  3. São Lucas (1,32)
  4. Gálatas 3:16 — Bíblia online
  5. São Lucas (3, 23-38)
  6. Lucas 2:14
  7. Revista Superinteressante. Quem foram os três reis magos? Edição 172 de janeiro de 2002. Acessado em 27/02/2008.
  8. Revista Super Interessante — "Procura-se Jesus Cristo"
  9. São Lucas (2,6-7)

Ver também[editar | editar código-fonte]