Naturismo no Brasil

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No Brasil, a ideia de viver sem roupa é bem mais antiga do que imagina. Os indígenas, por exemplo, já andavam nus. Isso até 1500, quando chegaram os portugueses. O naturismo brasileiro deveria ser dividido em cinco eras, a saber:

Histórico[editar | editar código-fonte]

Primeiro Ato - Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Hábitos semelhantes ao conceito de naturismo atual já eram praticados pelos índios antes da chegada dos europeus. Na época do Descobrimento do Brasil (21 de abril de 1500) os índios nativos andavam nus como haviam feito por séculos. A cultura nativa era de respeito à natureza através do respeito às árvores, aos animais, aos rios e à terra. Eles sabiam que, respeitando estas coisas, as gerações futuras poderiam usufruir da mesma qualidade de vida que tinham. Eles tinham e obtinham o respeito dos outros olhando para o interior das pessoas, o corpo não era importante, mas o espírito era.

Quando o grupo de Pedro Álvares Cabral chegou a costa Brasileira o escrivão Pero Vaz de Caminha escreveu ao Rei de Portugal:

"…Pardos, nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas. Traziam arcos nas mãos, e suas setas…"

"…A feição deles é serem pardos, um tanto avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem feitos. Andam nus, sem cobertura alguma. Nem fazem mais caso de encobrir ou deixa de encobrir suas vergonhas do que de mostrar a cara. Acerca disso são de grande inocência…"

"…Ali andavam entre eles três ou quatro moças, bem novinhas e gentis, com cabelos muito pretos e compridos pelas costas; e suas vergonhas, tão altas e tão cerradinhas e tão limpas das cabeleiras que, de as nós muito bem olharmos, não se envergonhavam…"

Como podemos ver, os nativos estavam nus e não se envergonhavam disto. Eles eram vigorosos, bonitos, inocentes e, pela lenda popular, não entenderam as razões pela quais os portugueses usavam roupas que cheiravam tão mal debaixo daquele sol

Esta é a origem do naturismo no Brasil.

Segundo Ato - Negação[editar | editar código-fonte]

A segunda era do naturismo no Brasil vai de 1500 até 1945 quando o governo (influenciado pela igreja) tentou acabar totalmente com a cultura indígena, vestindo os índios e tornando-os "civilizados" (ignorando que eles tinham cultura, língua e estilo de vida).

Desta era se destacam histórias como a do alemão Hans Staden em 1550 e seus contatos com os Tupinambás em Santa Catarina e levado para Ubatuba, onde, depois de algum tempo, acaba se tornando um deles.

Mas a cultura nativa não foi totalmente aniquilada. E, informalmente, os brasileiros costumavam nadar nus nos rios, lagos e praias desertas. Dentro de suas casas, as famílias geralmente não usavam roupas. Mas tudo isto não era identificado como naturismo; era simplesmente natural.

Terceiro Ato - Luz del Fuego - Implementação[editar | editar código-fonte]

Com o final da segunda guerra mundial, uma onda de liberdade cobriu todo o mundo. O espírito da democracia no Brasil fez com que surgissem vários novos partidos políticos, e Dora Vivacqua, chamada de Luz del Fuego, uma atriz, criou o "Partido Naturalista Brasileiro" em 7 de setembro de 1949.

Em 20 de novembro de 1954 (apenas um ano depois que a INF foi organizada), Luz del Fuego criou no Rio de Janeiro o "Clube Naturista Brasileiro".

Os registros oficiais do Partido Naturista e do Clube Naturista podem ser encontrados em: "Registro Civil de Pessoas Jurídicas", nos livros A3 e A1. Estes registros equivaliam a algo como o atual CNPJ.

A revista "Freies Leban", no seu número 127, de janeiro de 1966, possui um artigo sobre o Clube Naturista Brasileiro e Luz del Fuego. O correspondente foi Paulo Pereira Silva, um jovem naturista do Rio de Janeiro.

A INF reconheceu oficialmente o grupo naturista brasileiro em 1965, quando publicou no seu Guia Anual uma nota sobre a "Fraternidade Naturista Internacional do Brasil” (FNIB), primeiro nome da Federação Brasileira de Naturismo.

Os estatutos do Partido e do Clube davam a Luz del Fuego o título de Presidente Perpétuo de ambos. Ela fez desta forma para manter o controle ético de ambos.

Os princípios básicos do Partido e do Clube eram: "estimular a pratica do naturismo, sob rígidos princípios morais e de higiene".

Quarto Ato - Repressão e Pausa[editar | editar código-fonte]

Em 1964 uma golpe ocorreu no Brasil e os militares tomaram o poder à força. Todos os partidos políticos foram considerados ilegais e as reuniões públicas eram controladas pelo governo.

Foi criado um governo de extrema direita no Brasil com total proibição de direitos políticos.

O Clube Naturista Brasileiro continuou a existir, mas ninguém tinha coragem de ir lá, por medo de ser considerado contrário ao regime.

Em 1967 Luz del Fuego morreu, assassinada em condições até hoje não esclarecidas.

A FNIB continuou a existir com dois grupos atuantes no Rio de Janeiro e Brasília e outros dois menores em Porto Alegre e Ubatuba. Destaca-se também a participação de Recife e Curitiba.

Os Diretores da FNIB na época foram Daniel de Brito, Paulo Pereira, Osmar Paranhos, Heit e Hans Frillman (da Alemanha).

Eles interromperam as reuniões públicas oficiais, mas mantiveram uma caixa postal para responder quaisquer dúvidas sobre naturismo por carta. Eles também mandavam notas para a "Sun & Health" e "Freires Leban", mas foram descontinuadas por causa do controle político sobre as comunicações.

Em 1972 a Associação Naturista Brasileira (ANB) - Novo nome dado à FNIB -, esteve oficialmente representada em Koversada, Iugoslávia no Congresso Internacional da INF.

Nos meados da década de 1970, grupos clandestinos tomavam banhos e se reuniam em Abricó (Rio de Janeiro-RJ), Olho de Boi (Armação dos Búzios-RJ) e praia de Ubatuba (Ubatuba-SP), mas sempre sem fazer alarme disto, para não chamar atenção.

Quinto Ato - Afirmação e Desenvolvimento[editar | editar código-fonte]

No inicio da década de 1980 o ditadura dava sinais de que estava se dissolvendo e a democracia começou a tomar forças novamente.

Um grupo em Santa Catarina, na cidade de Camboriú, começou a tomar banho sem roupas numa praia deserta e estranha chamada "Praia do Pinho".

Em 1984, a Revista Manchete, a maior revista semanal do Brasil à época, apresentou uma reportagem da então desconhecida Praia do Pinho. A revista fez da notícia sua matéria de capa e toda edição foi vendida rapidamente. Celso Rossi, motivado pela matéria, tomou contato com o local e, em 1986, criou a "Associação Naturista da Praia do Pinho" (atual AAPP) e, junto com Hans Frillmann, a Federação Brasileira de Naturismo" (FBrN) em 1988.

O grupo do Rio de Janeiro também veio à tona, e a Rio-Nat e outros grupos saíram da clandestinidade.

Rapidamente surgiram inúmeros grupos naturistas no Brasil, mas vários deles desapareceram tão rápido quanto surgiram.

Vários naturistas começaram a receber outros naturistas em seus sítios e casas para fazer reuniões naturistas. A política do Brasil estava na direção da liberdade e uma nova constituição havia sido promulgada.

Celso Rossi começou um grande trabalho pelo crescimento do naturismo no Brasil, criando várias associações e áreas naturistas, culminando com a primeira vila naturista da América Latina. Trata-se da Colina do Sol, que conta com casas, restaurante, mercado, academia, camping, hotel e outros.

A Praia de Tambaba foi oficializada rapidamente por lei municipal. A Praia do Abricó no Rio de Janeiro tentou fazer o mesmo e, em 1994 o prefeito do Rio de Janeiro, por recomendação do Secretário Municipal de Meio Ambiente, fez este decreto.

Um advogado começou uma batalha jurídica contra o naturismo no Abricó. Isto levou Pedro Ribeiro e Sergio Oliveira (presidente e vice da associação que controlava o naturismo no Abricó) a começaram uma campanha para que fosse criada uma lei federal sobre o naturismo. Eles escreveram um projeto de lei e pediram ao Fernando Gabeira, que era Deputado Federal (do Partido Verde) que o encaminhasse na Câmara dos Deputados, em Brasília. Este projeto foi chamado de Lei Gabeira e surgiu sob o número 1411, de 1988 (atualmente o número do projeto é PLC 13-2000).

Este projeto criaria as normas para o naturismo no Brasil. a Câmara dos Deputados aprovou este projeto e enviou ao Senado. O projeto encontra-se em trâmite nesta casa.

A batalha jurídica do Abricó terminou em 30 de setembro de 2003 e a Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro aprovou uma lei liberando a praia do Abricó aos naturistas. Por jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça a decisão sobre o Abricó é valida para qualquer outra praia brasileira.

A FBrN conta atualmente com cerca de 300 mil naturistas no Brasil, 29 grupos regionais, dez praias oficiais e alguns clubes. O investimento para criar um Resort Naturista no Brasil é bem baixo comparando com os custos em outros países.

Praias[editar | editar código-fonte]

Clubes[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]