Negacionismo

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Negacionismo (do francês négationnisme) é a escolha de negar a realidade como forma de escapar de uma verdade desconfortável.[1] Trata-se da recusa em aceitar uma realidade empiricamente verificável, sendo essencialmente uma ação que não possui validação de um evento ou experiência histórica.[2] Na ciência, o negacionismo é definido como a rejeição de conceitos básicos, incontestáveis e apoiados por consenso científico em favor de idéias tanto radicais quanto controversas.[3]

Foi proposto que as diversas formas de negacionismo possuem o denominador comum da rejeição de evidências maciças e a geração de controvérsia a partir de tentativas de negar que um consenso exista.[4] Os termos negacionismo do Holocausto e negacionismo da AIDS costumam ser empregados para descrever movimentos que negam a existência ou consistência de tais fatos, enquanto negacionistas climáticos foi usado para definir aqueles que recusam-se a aceitar que uma mudança climática está em curso.[5] [6] Supõe-se que o negacionismo seja provocado por diversos motivos, como crenças religiosas, proveito próprio ou como um mecanismo de defesa contra pensamentos perturbadores.[7]

O escopo da utilização da palavra negacionismo é controversa, sendo criticada por supostamente representar um método polêmico de suprimir pontos de vista alternativos. De forma similar, em um ensaio discutindo a importância do ceticismo, Clive James posicionou-se contra a utilização do termo negacionista para descrever aqueles que não acreditam na mudança climática, afirmando que isto "traz à tona o espetáculo de um fanático negando o Holocausto".[8] Celia Farber também foi contra ao termo negacionismo da AIDS, alegando que é injustificável situar esta crença no mesmo nível moral dos crimes nazistas contra a humanidade.[9] Robert Gallo et al., no entanto, defendeu esta comparação, afirmando que o negacionismo da AIDS é similar ao negacionismo do Holocausto por definir uma pseudociência que "contradiz um imenso conjunto de pesquisas".[10]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Janet Maslin (4 de novembro de 2009). Michael Specter Fires Bullets of Data at Cozy Antiscience in ‘Denialism’. New York Times.
  2. Paul O'Shea, A Cross Too Heavy: Eugenio Pacelli, Politics and the Jews of Europe 1917-1943, Rosenberg Publishing, 2008. ISBN 187705. p.20.
  3. Scudellari M. (Março de 2010). "State of denial". Nat. Med. 16 (3): 248 pp.. DOI:10.1038/nm0310-248a. PMID 20208495.
  4. Diethelm, PA and McKee, M (2009). "Denialism: what is it and how should scientists respond?". European Journal of Public Health
  5. Kim, Richard (2007-03-02). "Harper's Publishes AIDS Denialist". The Nation
  6. Ellen Goodman (9 de fevereiro de 2007). "No change in political climate". The Boston Globe
  7. David Hambling (setembro de 2009). "Abominable 'No' Men". Fortean Times UK
  8. Michael Fitzpatrick (9 de outubro de 2009). "Stop this witch hunt against ‘evil deniers’". Spiked
  9. Celia Farber (março de 2006). "Out of control: AIDS and the corruption of medical science". Harper's Magazine
  10. "Errors in Celia Farber's March 2006 article in Harper's Magazine". AIDS Education Global Information System