Negrinho do Pastoreio

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Negrinho do Pastoreio em seu cavalo baio.

Negrinho do Pastoreio é uma lenda afro-cristã muito contada no final do século XIX pelos brasileiros que defendiam o fim da escravidão, sendo muito popular na região Sul do Brasil.

Na versão da lenda escrita por João Simões Lopes Neto, o protagonista é um menino muito negro e pequeno, escravo de um estancieiro muito mau; este menino não tinha padrinhos nem nome, sendo conhecido como Negrinho, e se dizia afilhado da Virgem Maria. Após perder uma corrida e ser cruelmente punido pelo estancieiro, o Negrinho caiu no sono, e perdeu o pastoreio. Ele foi castigado de novo, mas depois achou o pastoreio, mas, caindo no sono, o perdeu pela segunda vez. Desta vez, além da surra, o estancieiro jogou o menino sobre um formigueiro, para que as formigas o comessem, e foi embora quando elas cobriram o seu corpo. Três dias depois, o estancieiro foi até o formigueiro, e viu o Negrinho, em pé, com a pele lisa, e tirando as últimas formigas do seu corpo; em frente a ele estava a sua madrinha, a Virgem Maria, indicando que o Negrinho agora estava no céu. A partir de então, foram vistos vários pastoreios, tocados por um Neguinho, montado em um cavalo baio.[1]

No livro “Como Nasceram as Estrelas”, de Clarice Lispector, a história “O Negrinho do Pastoreio” , entre outras lendas, foi abordada. Nessa versão, a história é escrita para o público infanto juvenil, sendo mais branda que a adaptação de Simões Lopes Neto, e mais detalhada que outras adaptações lançadas em formato de história em quadrinho focadas no público infantil.[2]

A lenda o negrinho do pastoreio possui muitas cenas fortes e duras, como muitos contos de fadas europeus. Assim como esses contos, a lenda gaúcha possui algumas adaptações que abordam a história de forma branda e bastante lúdica, em formato de livro infantil ou história em quadrinho. Como por exemplo: Lendas Brasileiras da Turma da Mônica, da Editora Girassol, e Coleção Folclore Mágico, da editora Ciranda Cultural. Nessas adaptações infantis o filho do patrão, uma criança, não abordado como vilão, e as formigas são amigas do Negrinho e não o mata.[3] [4]

No Cinema[editar | editar código-fonte]

O personagem foi interpretado por Grande Othelo no filme O Negrinho do Pastoreio, de 1973, dirigido por Antonio Augusto Fagundes.[5]

Referências

  1. João Simões Lopes Neto, Lendas do Sul, O Negrinho do Pastoreio [em linha]
  2. Agosto - Negrinho do Pastoreio. In: Lispector, Clarice. Como Nasceramas Estrelas: 12 Lendas Brasileiras. 3ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993. p.25-27.
  3. São Paulo: Ciranda Cultural, 2003.
  4. Turma da Mônica - Lendas Brasileiras: Negrinho do Pastoreio. Barueri:Girassol, 2010.
  5. Centro Técnico de Artes Cênicas, Grande Othelo, O Negrinho do Pastoreio [em linha]