Nello Nuno

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Nello Nuno de Moura Rangel (Viçosa, 1939  — Belo Horizonte, 2 de junho de 1975), mais conhecido como Nello Nuno, foi um pintor e desenhista brasileiro.

É considerado uma "lenda das artes de Minas Gerais"1 2 e precursor da pintura neo-expressionista dos anos 80.2

Seu estilo influenciou diversos artistas como Fernando Lucchesi, Jorge dos Anjos e Gélcio Fortes.1

Vida[editar | editar código-fonte]

Durante a adolescência em Viçosa, passou a desenvolver sua pintura influenciado pela mãe, Dona Udalga, que também pintava.3

Mudou-se para Belo Horizonte com a família, onde seu pai foi professor da Faculdade de Medicina da UFMG3 . Nesse período, conviveu com artistas que o influenciariam como Álvaro Apocalypse, Terezinha Veloso, Jarbas Juarez, Eduardo de Paula e Chanina.3

Casou com a artista Annamélia (Anna Amélia Lopes de Oliveira) e, após um período entre Lagoa Santa e Belo Horizonte, o casal acabou mudando-se, em 1965, para Ouro Preto com dois filhos pequenos quando, na verdade, passaria apenas um fim de semana com os amigos Álvaro Apocalypse e Haroldo Mattos.3

Em Ouro Preto, viveu da sua arte e marcou a cena artística após o período influenciado por Guignard.2 3

Jutamente com a esposa, fundou uma escola de artes que, em seguida, foi absorvida pela então criada Fundação de Arte de Ouro Preto (FAOP).4

Durante o período da ditatura militar, abrigou diversas pessoas perseguidas pelo regime.1

Sua vida é marcada por histórias, uma inclusive sobre a sua morte1 . Em um momento marcada por muito prestígio na carreira, faleceu, segundo algumas versões, por botulismo após ter consumido um patê durante uma noitada regada a vinho com amigos – entre eles o escultor Amilcar de Castro, em Lagoa Santa1 . Outros asseguram que ele teria tido meningite.1

Nello Nuno também foi professor da Escola Guignard da Universidade do Estado de Minas Gerais, da Fundação de Arte de Ouro Preto (FAOP) e da Escola de Belas-Artes da Universidade Federal de Minas Gerais.2

Estilo e recepção crítica[editar | editar código-fonte]

Nello Nuno produziu pinturas, desenhos, aquarelas, ilustrações, colagens e poemas.1

A exposição de suas obras ficou concentrada praticamente em Minas Gerais.3

O jornalista mineiro Walter Sebastião define a obra de Nello Nuno como "arrojada, múltipla, lírica e plasticamente poderosa", influenciada especialmente pela personalidade do autodidata de jeito "brincalhão, afetuoso, boêmio e solidário".1

Para o jornalista, escritor e crítico de arte Márcio Sampaio, o fato de Nello Nuno ter vivido em Ouro Preto teria marcado sua obra pelo trânsito de informações, diálogo com artistas e críticos de outros centros2 . Sua obra teria despontado pela inteligência plástica, defesa da liberdade criativa, uso das cores fortes, bom humor, atualização e multiplicidade de formas e linguagens.2 1 3

Suas obras estão expostas em acervos públicos como o Centro Cultural da UFMG, Museu Mineiro, BDMG Cultural, Aeroporto de Confins e Pinacoteca da Universidade Federal de Viçosa.2

As produções mais conhecidas são Beijagira (mistura de beija-flor e girassol), Surubicha (um "peixe-bicha"), cuja criação deu-se por influência do amigo escritor Murilo Rubião.1

Foi premiado no XX Salão Mineiro de Belas Artes, Museu de Arte da Pampulha, Belo Horizonte (1965); Salão de Arte Moderna do Distrito Federal (1965); Salão Paulista (1966); V Salão Nacional de Artes Plásticas de Belo Horizonte, Museu de Arte da Pampulha (1973); e Salão da Caixa Econômica do Estado de Goiás (1974).2

A carreira do artista foi celebrada com exposições como a realizada em ocasião de 25 anos da morte do artista no Palácio das Artes, em Belo Horizonte.1

Em Ouro Preto, uma galeria da FAOP recebeu o nome do artista.4

Em Viçosa e Belo Horizonte, premiações direcionadas às artes plásticas também têm o mesmo antropônimo.5

Exposições[editar | editar código-fonte]

Coletivas[editar | editar código-fonte]

2

Individuais[editar | editar código-fonte]

2

Póstumas[editar | editar código-fonte]

  • Exposição Nello Nuno-Annamélia, Galeria Guignard, Belo Horizonte (1976)
  • Palácio das Artes, Belo Horizonte (1980)
  • Os Verdes de Nello Nuno, com curadoria de José Alberto Nemer, em Belo Horizonte (19942
  • Nello Nuno - 10 anos depois, Espaço Cultural da Cemig, Belo Horizonte (1985)
  • Semana de Arte Nello Nuno-Annamélia, em comemoração aos 30 anos da Fundação de Arte de Ouro Preto (1998]
  • Nello Nuno - a poética do cotidiano, exposição em memória aos 25 anos da morte de Nello Nuno, Palácio das Artes, Belo Horizonte (2000)1

Referências

  1. a b c d e f g h i j k l Sebastião, Walter. (16 de novembro de 2000). Lenda das artes. Jornal Estado de Minas
  2. a b c d e f g h i j k Lima, Marcela Sia de. (31 de julho de 2009). FAOP restaura pintura de Nello Nuno do acervo da UFV. Universidade Federal de Viçosa, acesso em 8 de julho de 2010
  3. a b c d e f g Sebastião, Walter. (16 de novembro de 2000). Gauguin brasileiro. Jornal Estado de Minas
  4. a b Trem da Vale. Trem da Vale - Histórias de Vida (Anna Amélia Lopes de Oliveira, acesso em 8 de julho de 2010
  5. Academia de Letras de Viçosa. - Benito Taranto, acesso em 8 de julho de 2010