Neoliberalismo chileno

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Emblem-scales.svg
A neutralidade desse artigo (ou seção) foi questionada, conforme razões apontadas na página de discussão.
Justifique o uso dessa marca na página de discussão e tente torná-lo mais imparcial.

Neoliberalismo chileno é o termo que designa o sistema econômico que o Chile adotou após o golpe militar perpetrado por Pinochet em 11 de setembro de 1973.

Introdução[editar | editar código-fonte]

O Chile, quando sofreu o golpe militar liderado por Pinochet, responsável pelo bombardeio do palácio do Governo que assassinou o presidente democraticamente eleito Salvador Allende em 11 de setembro de 1973, adotou imediatamente um plano de ação chamado de O Ladrilho,[1] que foram preparados pelo golpista da direita, com o auxílio de um grupo de economistas, chamados pela imprensa internacional da época, os Chicago Boys, provenientes da Universidade de Chicago. Este documento continha os fundamentos do que, depois, viria a ser chamado de neoliberalismo.[2]

Os defensores do neoliberalismo apelidaram esse período de "milagre chileno". Mas as estatísticas frias mostram números pouco milagrosos: durante o regime Pinochet, entre 1972 e 1987, o PNB per capita do Chile caiu 6,4% em dólares constantes, caindo de US$ 3.600 em 1973 para 3.170 em 1993 (dólares constantes). Apenas cinco países da América Latina tiveram, em termos de PNB per capita, um desempenho pior que o do Chile durante a era Pinochet (1974-1989).[3] [4]

História[editar | editar código-fonte]

A história de construção da estabilidade financeira do Chile foi marcada por muito mais tentativas e erros do que se costuma supor. Muitos analistas costumam dividir o "milagre chileno" em dois "milagres": um "primeiro milagre" (1973-1982), quando os Chicago Boys e suas idéias monetaristas da Escola de Chicago reinaram absolutas - e que terminou na grande depressão de 1982 - e um "segundo milagre" chileno (definitivo), que foi o idealizado por Hernán Büchi (1985-1989).

O primeiro milagre 1973 -1982[editar | editar código-fonte]

Uma primeira crise irrompeu logo após o golpe que levou Pinochet ao poder, durante a primeira fase da crise do petróleo em 1973. Outra, iniciada em 1975, foi causada pela queda dos preços do cobre e pela alta do petróleo na segunda fase de sua crise.

Em 1981 a economia do Chile passou por seus mais graves abalos, graças à adoção da política keynesiana de cambio fixo, e não recomendado pela teoria neoliberal, durante os quais faliu a refinaria de açúcar Viña del Mar, espalhando pânico no setor empresarial.

Diante disso, Pinochet decidiu desvalorizar o peso de 39 para 46 por dólar. Em 1982 o PIB do Chile caiu 13.4% e o desemprego chegou a 19,6%. As pessoas cuja sobrevivência passou a depender exclusivamente de programas assistenciais chegaram a representar 30% da população.

O sistema bancário entrou em colapso, e houve uma corrida aos bancos. A fazenda teve que retroceder nas liberalizações, elevando a tarifa de importação de 9% para 20%. De 1973 a 1986 praticamente não houve crescimento econômico no Chile.

O segundo (definitivo) milagre chileno: Hernán Büchi 1985-1989[editar | editar código-fonte]

Pinochet trocou três vezes de ministro da fazenda, até finalmente acertar com Hernán Büchi, que promoveu uma onda de privatizações e conseguiu, finalmente, colocar a economia chilena no rumo do desenvolvimento econômico, tornando-se famoso como o responsável pelo segundo milagre chileno.[5] Büchi obteve seu MBA na Universidade de Columbia e tinha uma formação diferente dos Chicago Boys, embora compartilhasse de suas principais idéias econômicas. Logo ao tomar posse Büchi reverteu a maiorias das medidas econômicas keynesianas tomadas por seu antecessor imediato, Luis Escobar Cerda, mas não todas.

O Chile nunca seguiu completamente as recomendações do neoliberalismo, tendo privatizado apenas a metade de suas minas de cobre. A principal empresa do Chile, a Corporação do Cobre - CODELCO, (primeiro produtor mundial de cobre, e maior empresa do país, responsável por 45% das exportações chilenas, que fora nacionalizada em 1971 por um decreto do presidente Salvador Allende) continuou a ser uma empresa estatal e aporta anualmente recursos milionários ao orçamento governamental.[2] Na sua gestão, Büchi retornou a um certo liberalismo econômico, mas de forma muito mais controlada que a aplicada anteriormente pelos Chicago Boys.

Assim, contrapôs às medidas ortodoxas certas medidas intervencionistas como, por exemplo, uma forte desvalorização artificial do peso - que tornou-se sub-valorizado, favorecendo as exportações e dificultando as importações -, o rígido controle da taxas de juros pelo Banco Central e uma lenta, porém contínua, redução das tarifas alfandegárias.

No seu primeiro relatório como ministro da fazenda, Büchi justificou suas intervenções na economia chilena:

A política econômica é necessária para orientar corretamente o esforço da poupança e dos investimentos. A experiência nos ensinou a importância de uma adequada regulamentação das variáveis macroeconômicas, já que sem ela o mercado se desorienta e as poupanças se desperdiçam, ou fluem para o exterior, de forma que os investimentos se canalizam para operações improdutivas ou especulativas.[6]

Misturando suas convicções na eficiência dos mercados com medidas intervencionistas, como defendeu no texto acima (que poderia ter saído de uma manual econômico keynesiano), Büchi deixou de lado ideologias e dogmas econômicos para encontrar o conjunto ideal de medidas de política econômica que foram capazes de tirar o Chile da recessão em que havia mergulhado e assim criou os alicerces do "segundo" e definitivo milagre chileno.

Os resultados[editar | editar código-fonte]

As sucessivas tentativas e erros de dosagem nas medidas recomendadas pelo modelo neoliberal custaram ao Chile uma queda 30% do seu PIB, até que Büchi encontrasse o caminho certo para o crescimento. [carece de fontes?]

Quando ocorreu a democratização, em 1990, 38,6% da população chilena se encontrava abaixo da linha de pobreza. Pinochet privatizou a previdência social,[7] e até hoje 39% da população - quase a metade dos chilenos - não dispõe de nenhum tipo de seguridade social.

Para começar a corrigir estas distorções o Chile adotou, a partir de 2001, uma medida que é considerada a chave para sua estabilidade atual: a lei do superavit estrutural, de 1% do PIB - um mecanismo anticíclico, através do qual o governo economiza receita nos anos bons para poder gastar mais nos anos de vacas magras.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Ramírez, G. y Rosende, F. Responding to the Collapse: Chilean Banking Legislation after 1983 en Brock, Ph., comp., If Texas were Chile: A primer on banking reform. San Francisco: ICS Press, 1992. (em inglês)
  • Ramos, J. Auge y caída de los mercados de capitales en Chile: 1975-83.En Del Auge a la Crisis, Morandé, F.y Schmidt-Hebbel, K. (comps.). Santiago: ILADES, 1988. (em espanhol)
Ícone de esboço Este artigo sobre economia é um esboço relacionado ao Projeto Ciências Sociais. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.