Nereida (satélite)

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Nereida
Satélite Netuno II
Imagem de Nereida tirada pela Voyager 2.
Imagem de Nereida tirada pela Voyager 2.
Características orbitais[1]
Semieixo maior 5 513 818 km
Excentricidade 0,7507
Período orbital 360,13 d (0,986 a)
Inclinação 7,090 °
Argumento do periastro 281,117
Longitude do nó ascendente 335,570
Características físicas[2] [3]
Diâmetro equatorial 340 ± 50 km km
Massa 3,1×1019 kg kg
Densidade média 1,5 g/cm³
Gravidade equatorial ~0,007 g
Dia sideral 0,48 d (11,52 h)
Velocidade de escape ~0,156 km/s
Albedo 0,155

Nereida (ou mais raramente Nereide), também conhecido como Netuno II, é o terceiro maior satélite natural de Netuno, com um diâmetro de cerca de 340 km. Foi descoberto por Gerard Kuiper em 1949.

Descoberta e nomeação[editar | editar código-fonte]

Nereida foi descoberto em 1 de maio de 1949 por Gerard P. Kuiper, em imagens tiradas no Observatório McDonald. Ele propôs o nome no relato da descoberta. O satélite foi nomeado a partir das Nereidas, ninfas marinhas da mitologia grega e atendentes do deus Netuno.[4] Foi a segunda e última lua de Netuno a ser descoberta antes da chegada da Voyager 2 (não contando uma única observação de uma ocultação por Larissa em 1981).[5]

Órbita e rotação[editar | editar código-fonte]

Nereida orbita Netuno em uma direção prógrada com um semieixo maior de 5 513 400 km, mas sua alta excentricidade de 0,7507 o leva entre 1 372 000 km e 9 655 000 km do planeta.[1]

A órbita anormal sugere que Nereida pode ser um asteroide ou objeto do cinturão de Kuiper capturado, ou que foi uma lua interna no passado e foi perturbada durante a captura de Tritão.[6]

Em 1991 o período de rotação de Nereida foi estimado em 13,6 horas por análises da curva de luz.[7] Mais tarde em 2003 outra medição estimou um período de 11,52 ± 0,14 horas.[3] No entanto essa determinação foi disputada. Outras pesquisas não descobriram nenhuma modulação periódica na curva de luz de Nereida.[8]

Características físicas[editar | editar código-fonte]

Nereida é o terceiro maior satélite de Netuno e tem um raio médio de 170 km,[2] bem grande para um satélite irregular.[3] Sua forma não é conhecida.[8]

Desde 1987 algumas observações fotométricas do satélite detectaram grandes variações no brilho (magnitude 1), que pode acontecer ao longo de anos ou meses, mas às vezes até mesmo ao longo de alguns dias. Por outro lado, alguns astrônomos que observaram Nereida não observaram essas variações. Isso significa que elas podem ser caóticas. Ainda não há explicações para essas variações, mas se elas existem, estão relacionadas com o período de rotação. Devido à órbita elíptica Nereida pode estar tanto no estado de precessão forçada quanto em rotação caótica (como Hipérion). Em qualquer caso sua rotação é bastante irregular.[8]

Espectralmente Nereida tem cor neutra[9] e gelo de água já foi detectado em sua superfície.[6] Seu espectro parece ser intermediário entre Titânia e Umbriel, o que sugere que sua superfície é composta de uma mistura de gelo de água e alguns materiais espectralmente neutros;[6] bem diferente do espectro típico de um asteroide, sugere que Nereida se tenha formado em volta de Netuno ao invés de ser um corpo capturado.[6]

Halimede, que tem cores similares, pode ser um fragmento de Nereida que foi quebrado durante uma colisão.[9]

Exploração[editar | editar código-fonte]

A única sonda espacial que visitou Netuno foi a Voyager 2, que passou a 4 700 000 km de Nereida[10] entre 20 de abril e 19 de agosto de 1989.[11] Ela obteve 83 imagens da lua com precisão de observação de 70 km a 800 km.[11] Antes da chegada da Voyager 2, observações de Nereida eram limitadas a observações terrestres que só podiam estabelecer seus elementos orbitais e brilho.[12] Embora as imagens obtidas pela sonda não têm resolução suficiente para distinguir formações na superfície, a Voyager 2 foi capaz de medir o tamanho de Nereida e descobriu que tem cor cinza e que tem um albedo maior que os outros pequenos satélites de Netuno.[5]

Referências

  1. a b Jacobson, R.A. (2009). JPL (Solar System Dynamics) (30/03/2009). Página visitada em 01/02/2011.
  2. a b Planetary Satellite Physical Parameters. JPL (Solar System Dynamics) (13/07/2006). Página visitada em 24/01/2008.
  3. a b c Grav, T.; M. Holman, J. J. Kavelaars. (2003). "The Short Rotation Period of Nereid". The Astrophysical Journal 591: 71–74. DOI:10.1086/377067.
  4. Kuiper, Gerard P.. (1949). "The second satellite of Neptune". Publications of the Astronomical Society of the Pacific 61: 175–176. DOI:10.1086/126166.
  5. a b Smith, B. A.; Soderblom, L. A.; Banfield, D. et al. (1989). "Voyager 2 at Neptune: Imaging Science Result". Science 246 (4936): 1422. DOI:10.1126/science.246.4936.1422. PMID 17755997.
  6. a b c d Brown, Michael E.; Koresko, Christopher D.; Blake, Geoffrey A.. (12/1998). "Detection of Water Ice on Nereid" (pdf). The Astrophysical Journal 508 (2): L175–L176. DOI:10.1086/311741.
  7. Williams, I.P.; Jones, D.H.P.; Taylor, D.B.. (1991). "The rotation period of Nereid". Monthly Notices of the Royal Astronomical Society 250: 1P–2P.
  8. a b c Shaefer, Bradley E.; Tourtellotte, Suzanne W.; Rabinowitz, David L.; Schaefer, Martha W.. (2008). "Nereid: Light curve for 1999–2006 and a scenario for its variations". Icarus 196: 225–240. DOI:10.1016/j.icarus.2008.02.025. Arxiv.
  9. a b Grav, T.; Holman, M.J.; and Fraser, W.. (2004). "Photometry of Irregular Satellites of Uranus and Neptune" (pdf). The Astrophysical Journal 613: L77–L80. DOI:10.1086/424997. Arxiv.
  10. Jones, Brian. Exploring the Planets. Italy: W.H. Smith, 1991. 59 p. ISBN 0-8317-6975-0
  11. a b Jacobson, R.A.. (1991). "Triton and Nereid astrographic observations from Voyager 2". Astronomy and Astrophysics Supplement Series 90 (3): 541–563.
  12. PIA00054: Nereid. NASA (29/01/1996). Página visitada em 08/11/2009.