Nestorianismo

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O Nestorianismo foi um grupo cristãos, resultado da doutrina de Nestório do Século V, segundo a qual há em Jesus Cristo duas naturezas distintas, uma humana e outra divina, completas de tal forma que constituem de Jesus um homem, a exemplo de gêmios siameses: possuidor de natureza divina e humana estando combinadas numa união mecânica mais que orgânica (juntos, porém diferenciadas). Em contraposição ao teólogos de Alexandria, que salientavam a divindade de Cristo, em Antióquia, os Nestorianos juntos a outros grupos defendiam a Humanidade de Cristo à custa de Sua Deidade. Embora Cristo tenha duas naturezas, não é duas pessoas, como no gnosticismo onde Jesus e Cristo são duas pessoas distintas e com diferentes funções.

Dentre outras doutrinas, os Nestorianos defendiam que Maria não é Theotokos (mãe de Deus), mas que é Christotokos (mãe de Cristo), ou seja, apenas mãe da parte humana de Cristo, e não da Divina; também não criam no purgatório, nem na adoração de imagens e relíquias (crenças essas revitalizadas pelos protestantes apartir do século XVI e evangélicos na atualidade).

Os Nestorianos continuaram a propagar o Evangelho, segundo concebiam, levando-o à Pérsia, Índia e China em 635 por Alopen. Na China, foram destruídos no fim do século IX.


Referências até aqui.

-Cristianismo Através dos Séculos, 2ed, Vida Nova, 1995 (p.109-110) -Verdade gnóstica ed.Kyrios,


O desenvolvimento do nestorianismo deu-se dentro das disputas cristológicas que sacudiram o cristianismo nos séculos III, IV e V, sendo proposto por Nestório, monge oriundo de Alexandria, que assumiu o bispado de Constantinopla. Isto o levou a opor-se a Cirilo de Alexandria, bispo daquela cidade.

Tanto os nestorianos quanto os partidários de Cirilo foram chamados ao Concílio de Éfeso, no ano de 431. A disputa centrou-se fundamentalmente em torno do título com o qual se devia referir a Maria, se somente christotokos (mãe de Cristo), como defendiam os nestorianos, ou de theotokos (mãe de Deus), como defendiam os partidários de Cirilo. O concílio ecumênico católico dirigido pelo papa Celestino I resolveu adotar como verdade de fé a doutrina proposta por Cirilo, concedendo a Maria o título de Mãe de Deus, e Nestório foi excomungado da Igreja Ortodoxa Copta, considerado como herege.

A diáspora nestoriana foi desterrada do Império Romano, encontrando refúgio no Império Sassânida. Todavia, em algumas regiões isoladas do Oriente Próximo é ainda possível encontrar nestorianos. Os nestorianos se propagaram pela Ásia Central, chegando até a China, e durante algum tempo influenciaram os mongóis, até a conversão destes ao lamaísmo, quando abandonaram o nestorianismo. Atualmente subsistem as igrejas nestorianas (conhecidas, de uma forma geral, como Igreja Assíria do Oriente) na Índia e no Iraque, Irã, China e nos Estados Unidos e em outros lugares onde haja migrado comunidades cristãs dos países citados.

A igreja nestoriana teve um papel fundamental na conservação de antigos textos gregos que foram traduzidos para o siríaco (um ramo do arameu). Mais tarde foram traduzidos para o árabe e no século XIII para o latim.


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