Neuralgia do trigêmeo

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Nevralgia do trigêmeo
Vista detalhada do nervo trigêmeo, mostrado em amarelo.
Classificação e recursos externos
CID-10 G50.0, G44.847
CID-9 350.1
DiseasesDB 13363
eMedicine emerg/617
MeSH D014277
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Nevralgia do nervo trigêmeo também conhecida como Neuralgia do trigêmeo, Síndrome da dor facial paroxística, Doença de Fothergill, Prosopalgia dolorosa ou ainda como Tique doloroso (do francês tic douloureux)[1] [2] é um distúrbio neuropático do nervo trigêmeo que causa episódios de dor intensa nos olhos, lábios, nariz, couro cabeludo, testa e/ou mandíbula.

Prevalência[editar | editar código-fonte]

É mais comum em mulheres numa proporção de 3 para cada 2 homens e geralmente os sintomas aparecem após os 40 anos, com a maioria dos novos casos surgindo entre os 60 e 70 anos. Sua incidência anual é de cerca de 4,3 em 100.000 na população geral. A manifestação bilateral ocorre apenas em 3% dos casos. A área mais comum atingida é a maxilar.[3]

Sinais e sintomas[editar | editar código-fonte]

É uma afecção incomum, caracterizada por ataques recorrentes de dor lancinante e súbita, descrita como um choque doloroso intenso e incapacitante. É conhecida como uma das doenças mais dolorosas do mundo.[3]

Mesmo um toque de leve ou pequenos movimentos já podem ser suficientes para causar uma crise dolorosa, que apesar de geralmente durar apenas alguns segundos pode desencadear outros processos dolorosos mais prolongados. Depois de uma crise a dor e sensibilidade geralmente diminuem um pouco, porém esse período de remissão tendem a ficar cada vez mais curtos conforme a doença progride.[2]

A dor pode ser desencadeada por falar, beber, escovar os dentes, barbear-se, mastigar, tocar levemente no rosto, por certas expressões faciais, reflexos ou até mesmo por um vento mais forte e pode ocorrer diversas vezes ao longo do dia.[3]

Esse diagnóstico é bastante genérico pois pode se referir a várias áreas faciais atingidas diferentes por causas diversas, exigindo assim tratamentos diferentes dependendo de cada caso.

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

Exames neurológicos podem ser feitos para identificar doenças subjacentes ou para diagnósticos em menores de 40 anos.

O diagnóstico é essencialmente clínico, seguindo os critérios diagnósticos definidos pela IASP (International Association for the Study of Pain) e pela ICHD/IHS (International Classification of Headache Disorders/International Headache Society) são:

  1. Ataques paroxísticos (intensos) de dor com duração de uma fração de segundo a dois minutos, afetando uma ou mais divisões do nervo trigêmeo;
  2. A dor tem pelo menos uma das seguintes características:
    • Intensa, súbita, superficial ou como uma facada.
    • Precipitada por fatores-gatilho ou de áreas-gatilho;
  1. Os ataques são similares aos dos outros pacientes já descritos;
  2. Nenhum distúrbio neurológico é clinicamente evidente;
  3. Não é atribuído a outra doença

Frequência de áreas atingidas[editar | editar código-fonte]

Geralmente atinge apenas um lado da face, sendo as áreas afetadas mais comuns[3] :

  • Ramo maxilar (35%)
  • Ramo mandibular (30%)
  • Ramos maxilar e mandibular simultaneamente (20%),
  • Ramos oftálmico e maxilar (10%),
  • Ramo oftálmico (4%)
  • Todos os ramos trigeminais (1%).

Diagnóstico diferencial[editar | editar código-fonte]

Outras causas possíveis da dor crônica na face são[3] [4] :

Causas[editar | editar código-fonte]

Existem diversas possíveis causas, e os mecanismos que levam a esse transtorno ainda não estão totalmente esclarecidos. Dentre as possibilidades mais comuns estão[2] :

Ou qualquer outro problema que possa danificar um ou mais nervo sensitivo da área em questão.

Frequentemente está associado com quadros escleróticos degenerativos do organismo, porém existem casos que ela ocorre sem nenhuma lesão ser identificada no local.[2]

Tratamento[editar | editar código-fonte]

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A carbamazepina é um dos remédios mais eficazes e utilizados.

O tratamento medicamentoso mais utilizado é a base de anticonvulsivantes como a carbamazepina(Tegretol) e/ou difenilhidantoína (Hydantal) ou de narcóticos. O tratamento com carbamazepina pode ser iniciado com uma dose 100 mg/dia com aumento gradual de 100 mg a cada 2-3 dias até atingir o efeito desejado ou chegar ao máximo de 1.600 mg/dia. A quantidade ideal vai depender da tolerância, intensidade dos sintomas e efeitos colaterais.[5] Outros medicamentos com efeitos analgésicos podem ser usados simultaneamente para amenizar a dor.

Existem vários tratamentos cirúrgicos possíveis, dentre eles: a alcoolização, microdescompressão vascular e termocoagulação com radiofrequência. como objetivo seccionar parte das raízes sensitivas do nervo dependendo do local afetado. Procedimentos menos invasivos como eletromioestimulação também podem ser usados.[2] Para saber qual dos tratamentos é o mais eficaz é preciso descobrir antes qual a causa que levou a lesão do nervo trigêmeo e o sucesso também vai depender de como o organismo do paciente reagir à intervenção médica.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Artigo sobre a doença com relato de caso Revisão bibliográfica sobre Neuralgia do trigêmio

Referências

  1. http://www.datasus.gov.br/cid10/v2008/webhelp/g50_g59.htm
  2. a b c d e HM Frizzo, PN Hasse e RM Veronesse (2004) Neuralgia do trigêmeo: uma revisão bibliográfica analítica. Revista de Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial v.4, n.4, p. 212 - 217, out/dez - 2004 http://www.revistacirurgiabmf.com/2004/v4n4/pdf/v4n4.1.pdf
  3. a b c d e OLIVEIRA, Caio Marcio Barros de; BAAKLINI, Luis Gustavo; ISSY, Adriana Machado and SAKATA, Rioko Kimiko. Neuralgia do trigêmeo bilateral: relato de caso. Rev. Bras. Anestesiol. [online]. 2009, vol.59, n.4 [cited 2011-08-08], pp. 476-480 . Available from: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-70942009000400010&lng=en&nrm=iso>. ISSN 0034-7094. http://dx.doi.org/10.1590/S0034-70942009000400010.
  4. Zakrzewska JM - Diagnosis and differential diagnosis of trigeminal neuralgia. Clin J Pain 2002;18:14-21.
  5. LUCENA, Z. T. Revisão sobre o uso da carbamazepina no tratamento de algias. F Med, v.90, p.63-70, 1985.