Neurogénese
Neurogénese é o processo de formação de novos neurónios no cérebro, acreditava-se que a neurogénese ocorria apenas no desenvolvimento do cérebro e não que ela continuava durante toda a vida, mas estudos feitos recentemente concluiram que a neurogénese ocorre continuamente.
[editar] Neurogénese adulta
Os neurónios nascem continuamente durante a idade adulta, sobretudo em duas regiões do cérebro:
A zona subventricular (ZSV) situada nas paredes dos ventrículos laterais, onde as novas células migram para o bulbo olfactório através do fluxo migratório rostral. A zona subgranular (ZSG), parte do giro dentado do hipocampo.
Muitas destas novas células morrem pouco depois de nascerem, mas algumas integram-se funcionalmente no tecido à volta do cérebro.
A neurogénese adulta é um exemplo recente da subversão de uma antiga teoria, com o fenómeno a ser largamente aceita pela comunidade científica apenas recentemente. Os neuroanatomistas mais antigos, incluindo Santiago Ramon y Cajal, consideravam o sistema nervoso fixo e incapaz de regeneração. Durante muitos anos, apenas poucos biólogos (incluindo Joseph Altman, Shirley Bayer, e Michael Kaplan) consideravam a possibilidade da existência da neurogénese adulta. Apenas recentemente, com a caracterização da neurogénese em pássaros, e o uso da microscopia confocal, se tornou razoavelmente bem aceite que a neurogénese hipocampal ocorre nos mamíferos, incluindo os humanos (Eriksson et al., 1998; Gould et al., 1999a). Alguns autores (especialmente Elizabeth Gould) sugeriram que a neurogénese adulta pode ocorrer também noutras áreas, incluindo o cortéx motor primário (e.g., Shankle et al. 1999, Gould et al., 1999b; Zhao et al., 2003), embora outros, incluindo Rakic (2002), se questionem sobre a evidência científica destas conclusões; num sentido geral, sugerem que as novas células podem ser gliais.
[editar] Neurogénese e aprendizagem
A função da neurogénese adulta não é certa – embora exista alguma evidência de que neurogénese hipocampal adulta seja importante para a aprendizagem e para a memória. Isto é talvez pouco surpreendente, visto o que sabemos do hipocampo e do seu papel na aprendizagem e na memória (vários autores, incluindo, por exemplo, Rolls & Treves (1998), postularam teorias integradas para o papel do hipocampo na aprendizagem e na memória). O modo como a aprendizagem seria afectada pela neurogénese não é claro, pois foram sugeridas recentemente várias teorias computacionais, incluindo a ideia de que os novos neurónios aumentam a capacidade de memória, reduzem a interferência entre as memórias, ou acrescentam informação sobre o tempo às memórias. Experiências com o intuito de anularem a neurogénese provaram ser inconclusivas, com alguns estudos a sugerirem que alguns tipos de aprendizagem são dependentes da neurogénese, e outros a não observarem qualquer efeito. Gould et al. (1999c) demonstrou que o acto de aprendizagem em si está associado ao aumento da sobrevivência neuronial. No entanto, as conclusões gerais de que a neurogénese adulta é importante para qualquer tipo de aprendizagem são equívocas.