Newsgame

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Newsgames são jogos eletrônicos baseados em acontecimentos reais e em aspectos do jornalismo e das notícias. [1]

O termo newsgames abrange um vasto campo de trabalhos produzidos na interseção entre o campo dos videogames e do jornalismo.[2] Esse gênero de jogos eletrônicos é geralmente baseado em histórias e acontecimentos reais, mas os newsgames também podem oferecer experiências fictícias baseadas em fontes reais.

Para Miguel Sicart, newsgames são jogos sérios baseados em eventos atuais, produzidos com a intenção de estimular o debate público. [1] Já o designer de jogos uruguaio, Gonzalo Frasca, um dos pioneiros no trabalho e pesquisa com newsgames, associa esse gênero de jogos eletrônicos às charges e cartuns políticos, que buscam transmitir uma opinião e fazer com que os jogadores analisem um determinado fato, notícia ou acontecimento, a partir de uma visão determinada pela mecânica e os objetivos do jogo. Esse processo é chamado por Ian Bogost de “retórica processual”.[3] No Brasil o gênero tem sido usado em sites de de publicações como Superinteressante, Estadão e G1. [4] O newsgame Filosofighters da Superinteressante, inclusive, atingiu repercussão internacional[5] numa apuração que explicava conceitos básicos de filosofia através de um jogo de luta.

Retórica processual[editar | editar código-fonte]

O pesquisador, critico e designer de videogames, Ian Bogost, professor do Georgia Institute of Technology, descreve a “retórica processual” como “persuadir por meio de processos” ou a forma como um videogame incorpora uma ideologia em sua estrutura computacional. [3] Para Bogost, os jogos eletrônicos, por meio das regras e objetivos impostos ao jogador, podem persuadi-lo a enxergar uma situação a partir de um ponto de vista ou posicionamento politico, estabelecido pelo autor do jogo. Por exemplo, no newsgame Kabul Kaboom[6] , de Gonzalo Frasca, sobre a guerra do Afeganistão, o jogador deve coletar a comida e desviar das bombas que caem do céu. Entretanto, após pouco tempo, é fácil perceber que não há como vencer e o jogo sempre termina em derrota. Esse processo, chamado por Bogost de “retórica processual da derrota”, revela a opinião do criador do jogo de que “uma politica externa que envolva despejar comida e bombas em um mesmo país, no final, sempre terminará com as bombas matando e ferindo as pessoas que deveriam receber a ajuda humanitária”.[3] Da mesma forma, no newsgame , September 12th[7] , também de Frasca, o objetivo é eliminar os terroristas, por meio de bombardeios aéreos, mas sem atingir os civis. Porém, logo o jogador percebe que é impossível atingir apenas os terroristas. Novamente as regras e objetivos do game demonstram o posicionamento do autor de que não é possível eliminar terroristas com bombardeios, sem atingir também civis.

Tipos de newsgames[editar | editar código-fonte]

No livro “Newsgames: Journalism at Play”, Ian Bogost, Simon Ferrari e Bobby Schweizer dividem os newsgames em seis categorias: atualidades, infográficos, jogos documentários, quebra-cabeças, educativos e jogos em comunidade.

Newsgames sobre atualidades – com a facilidade cada vez maior de se produzir jogos rapidamente e a custos menores, é possível produzir games sobre notícias e acontecimentos recentes. Esse jogos geralmente são jogos marcados por uma forte opinião e/ou critica por parte do autor. Esse tipo de newsgames possui forte identificação com os editoriais jornalísticos e cartuns políticos e de críticas sociais.

Newsgames infográficos – são jogos que surgem de uma evolução dos infográficos jornalísticos, adaptados para os meios digitais. Os infográficos digitais permitem novas formas de interação e se comportam mais como games, onde os jogadores podem simular diferentes cenários e situações, baseados em informações de acontecimentos reais.

Newsgames documentários – são jogos que abordam fatos históricos e atuais de forma semelhante aos documentários e reportagens investigativas. Normalmente são jogos maiores, que oferecem experiências dos acontecimentos que são noticia, impossíveis de serem assimiladas no noticiário convencional; ou que recriam espaços, acontecimentos e sistemas do passado que só poderiam se compreendidos, de outra forma, por meio de filmes de arquivo ou da imaginação.

Newsgames quebra-cabeças – são jogos que surgem da adaptação de palavras cruzadas e questionários sobre noticias para o mundo digital, dando origem a novos quebra-cabeças e jogos casuais. Newsgames educativos – são jogos que contribuem para o aprendizado do jornalismo. Jogos que oferecem informações diretas ou indiretas sobre como ser um bom jornalista ou sobre a importância do jornalismo para os cidadãos e a sociedade.

Newsgames de comunidade – são jogos que estimulam e criam comunidades e grupos locais, muitas vezes situando o jogo parte no mundo virtual e parte no mundo real.

No Brasil[editar | editar código-fonte]

O Brasil tem tido papel de destaque na criação de jogos jornalísticos [8] , especialmente através do site da Superinteressante. Os newsgames passaram a ser produzidos no Brasil por volta de 2007[9] , ainda de maneira intuitiva , em sites como Mundo Estranho, G1 e Aventuras na História. O primeiro newsgame da Superinteressante foi "CSI: Ciência contra o Crime"[10] , desenvolvido pelo Núcleo Jovem Digital, na época coordenada pelo jornalista Rafael Kenski - pioneiro na criação de ARGs (Alternate reality game) no Brasil. A produção de jogos no Núcleo Jovem cresceu entre os anos 2009 e 2012, quando sua equipe digital foi liderada pelo jornalista Fred Di Giacomo[11] e contava com colaboradores pioneiros no gênero como os designers Daniel Apolinario e Fabiane Zambon e os programadores Bruno Xavier e Doug Kawazu. Entre os jogos da Super, o que atingiu maior repercussão foi o jogo Filosofighters que recebeu resenhas elogiosas da PC Gamer inglesa[12] , ganhou prêmios e atraiu jogadores do mundo todo.

A produção inovadora de jogos jornalísticos no Brasil foi tema de matéria no "Niemans Lab" de Harvard e no site do Kinght Center[13] , ligado à Universidade do Texas.

Exemplos de newsgames[editar | editar código-fonte]

Referências