Nicéforo Briênio (usurpador)

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Nicéforo Briênio
Usurpador do Império Bizantino
Governo
Reinado 1077-1078
Antecessor Miguel VII Ducas
Sucessor Nicéforo III Botaniates
Vida
Pai Nicéforo Briênio

Nicéforo Briênio (português brasileiro) ou Nicéforo Briénio (português europeu) (em grego: ; em latim: Nicephorus Bryennius), dito "o Velho" para diferenciá-lo de seu filho (ou neto), foi um general bizantino que tentou se estabelecer como imperador bizantino no final do século XI. Seus contemporâneos o consideravam como o melhor estrategista militar do império[1] Briênio teve pelo menos um filho. Não é claro se o general e o historiador Nicéforo Briênio, que era casado com a filha do imperador Aleixo I Comneno, Ana Comnena, era seu filho ou seu neto.[2]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Nicéforo conseguiu subir consistentemente nos escalões militares, a ponto de lhe ser dado um importante comando por Romano IV Diógenes na Batalha de Manziquerta em 1071.[3] Comandando a ala esquerda das forças bizantinas, foi um dos pouquíssimos generais que tiveram bom desempenho na batalha.[1] [4]

Em 1072-1073, serviu como duque do Tema da Bulgária, onde conseguiu restabelecer a ordem após uma série de revoltas[5] e foi, depois, elevado à importante posição de duque de Dirráquio.[6] Por volta de 1077, Nicéforo, agora já não mais governador, se desencantou com o imperador Miguel VII Ducas por causa de seu tratado como os turcos seljúcidas no qual grandes porções de terra na Anatólia foram entregues a eles[7] e decidiu que Miguel era um governante inepto e incapaz. A fraqueza do imperador, a avareza de seus principais ministros e a descoberta de que o principal ministro de Miguel, Niceforitzes, o havia marcado para morrer encorajaram-no a tentar tomar para si o trono.[8]

Rebelião e últimos anos[editar | editar código-fonte]

Reunindo um exército de trácios, búlgaros, greco-macedônios, eslavos, italianos, francos, uzes e gregos, em novembro de 1077 suas forças alcançaram as muralhas de Constantinopla.[8] Sem se preocupar com os habitantes, permitiu que suas tropas saqueassem e queimassem os subúrbios da cidade, uma decisão que provocou tamanha resistência às suas reivindicações que ele acabou sendo forçado pelo detestado Miguel a levantar o cerco e se retirar para a Trácia,[4] usando como desculpa uma incursão dos pechenegues na região.[7]

Esta falta de apoio político permitiu que Nicéforo III Botaniates se tornasse o imperador. Ele logo ofereceu a Briênio o título de césar se se submetesse, algo que Briênio se recusou a fazer. Botaniates então enviou o jovem Aleixo I Comneno contra ele com um exército composto de cristãos asiáticos, francos e uma cavalaria turca.[9] Apesar de ter um exército significativamente superior, na Batalha de Calávrita, perto do rio Halmiro, Briênio foi derrotado, capturado e, posteriormente, cegado.[10] Como ele não representava mais uma ameaça, Nicéforo III permitiu-lhe que mantivesse suas propriedades e terras, além de conceder-lhe mais honras. Briênio aparentemente se retirou para Adrianópolis,[11] onde, apesar de sua cegueira, liderou a defesa da cidade contra um ataque cumano em 1094/1095[1] e, em 1094, contra uma rebelião de um pretendente ao trono que alegava ser Constantino Diógenes, o filho de Romano IV Diógenes que morrera em 1073.[12]

Referências

  1. a b c Canduci 2010, p. 276
  2. Kazhdan 1991, p. 329
  3. Norwich 1993, p. 348
  4. a b Norwich 1995, p. 3
  5. Norwich 1993, p. 359
  6. Comnena 1148, p. Livro I, cap. IV
  7. a b Finlay 1884, p. 55
  8. a b Norwich 1993, p. 360
  9. Finlay 1884, p. 57
  10. Norwich 1993, p. 361
  11. Kazhdan 1991, p. 331
  12. Comnena 1148, p. Livro X, cap. II

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Fontes contemporâneas[editar | editar código-fonte]

Fontes modernas[editar | editar código-fonte]

  • Canduci, Alexander. Triumph & Tragedy: The Rise and Fall of Rome's Immortal Emperors (em inglês). [S.l.]: Pier 9, 2010. ISBN 978-1741965988.
  • Finlay, George. History of the Byzantine and Greek Empires from 1057 - 1453 (em inglês). [S.l.]: William Blackwood & Sons, 1884. vol. 2.
  • Kazhdan, Alexander Petrovich. The Oxford Dictionary of Byzantium. Nova Iorque e Oxford: Oxford University Press, 1991. ISBN 0-19-504652-8.