Nicolás Antonio

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Nicolás Antonio
Gravura de Nicolás Antonio, do livro Retratos de Españoles ilustres, 1791.
Nascimento 31 de julho de 1617
Sevilha
Morte 13 de abril de 1684 (66 anos)
Madrid
Residência Espanha, Itália
Nacionalidade Espanha espanhol
Ocupação Bibliotecário

Nicolás Antonio (Sevilla, 31 de julho de 1617 - Madrid, 13 de abril de 1684), célebre erudito, precursor da moderna bibliografia espanhola.

Vida[editar | editar código-fonte]

Nicolás Antonio estudou Artes Liberais no Colégio de São Tomás, em Sevilha e tornou-se um cônego na Universidade de Sevilha em 1635. Após receber seu doutorado em Direito em Salamanca (1636-1639), retornou à sua cidade natal para escrever seu histórico tratado De Exilio (impresso pela primeira vez em 1659), e começou a escrever o seu registro monumental de escritores espanhóis. A fama de seu estudo chegou até Filipe IV, que lhe conferiu a Ordem de Santiago em 1645.

Em 1651 retornou novamente a Madrid para conseguir, segundo ele mesmo disse, "um emprego de letras", apresentando nesta ocasião o manuscrito de sua obra De exilio sive de exilii..., e três anos mais tarde estava em Roma acompanhando Luís de Guzmán Ponce de León, embaixador de Sua Majestade na Cidade Eterna, como agente geral da Espanha, do reino das Duas Sicílias e do ducado de Milão, cargos aos quais acrescentou à nomeação de agente da Inquisição.

Sua permanência em Roma prolongou-se por quase cinco décadas e permitiu-lhe continuar a sua busca incessante e aquisição de códices e manuscritos para montar uma biblioteca de mais de 30.000 volumes, rivalizando com a do Vaticano; mas foram tantos os gastos com sua formação que o Papa Alexandre VII teve de conceder-lhe um canonicato na catedral de Sevilha com isenção de residência (22 de maio de 1664), a fim de evitar a ruína total.

Em 1678 retornou a Madri como fiscal do Real Conselho de Cruzada, cargo que ocupou até sua morte em 13 de abril de 1684.

Suas bibliotecas deram um grande impulso na Espanha à ciência da bibliografia, e já no mesmo século XVIII numerosos eruditos se animaram a tentar completá-las com novas contribuições como Ambrosio José de la Cuesta y Saavedra (1653-1707), Andrés González de Barcia (1673 - 1743), Pablo Ignacio de Dalmases y Ros (1670-1718), José Finestres y Monsalvo (1688-1767), Jaime Caresmar (1717-1801), Faustino Arévalo (1747-1824) e José Cevallos y Ruiz de Vargas (1724-1776).

Obra[editar | editar código-fonte]

Suas principais obras foram: a Bibliotheca hispana vetus (1672) e a Bibliotheca hispana nova (póstuma, impressa em 1696). Nelas reúne de forma crítica uma grande quantidade de informação biobibliográfica precisa e crítica sobre todos os autores que escreveram na Espanha até sua época. A Vetus compreende desde Augusto até 1500, e a Nova de 1500 até 1700. Ambas foram reeditadas no século XVIII pelo ilustrado Francisco Pérez Bayer entre 1783 (Bibliotheca hispana nova) e 1788 (Bibliotheca hispana vetus).

A sólida erudição de Nicolás Antonio lhe fez desconfiar dos falsos cronistas, iniciando assim o hipercriticismo do Iluminismo e preparando a obra de Enrique Flórez. Sobre esse tema escreveu sua Censura de historias fabulosas, trabalho crítico sobre umas supostas crônicas descobertas no final do século XVI pelo padre Jerónimo Román de la Higuera, que não viu a luz até o novator Gregorio Mayans a publicar no século seguinte, em Valência, 1742.

A Bibliotheca Hispana consta de duas partes; a segunda, Bibliotheca Hispana Nova, surgiu em Roma em 1672 em dois volumes, reunindo todos os autores espanhóis de 1500 até 1672 e foi reeditada em Madrid em 1783 por iniciativa do diretor da Real Biblioteca de Madrid, Juan de Santander, que incorporou ao primeiro texto impresso numerosas adições e correções que o autor lhe fez nos últimos anos de sua vida; está escrita em latim e disposta em forma de dicionário, assim como acompanhada de vários índices que facilitam seu manejo. A primeira parte, ou Bibliotheca Hispana Vetus, compreende os escritores espanhóis desde Augusto até 1500, foi publicada em Roma em 1696 e sua edição foi custeada pelo cardeal Sáenz de Aguirre. As últimas páginas compreendem uma Bibiotheca arábico-hispana, que não deve ser confundida com a Bibliotheca hispano­rabínica, obra independente e da qual apenas restam algumas notas conservadas na Biblioteca Nacional de Madrid. Sua reedição no século XVIII, também a cargo a Biblioteca Real, foi publicada em 1788.

A edição de Joaquín Ibarra da Bibliotheca é tida como uma das melhores impressões espanholas do século XVIII, não apenas por suas discretas ilustrações, mas também pelo cuidado tipográfico. O desenho, a gravação e a fundição dos tipos foram feitos na oficina da Biblioteca Real com tipografias criadas expressamente para suas edições, que compreendem caracteres arábicos, hebreus, gregos e latinos produzidos por Gerónimo Antonio Gil.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências