Nicolaísmo

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Nicolaísmo (ou Nicolacionismo ou Nicolaitismo) é uma heresia cristã cujos aderentes são chamados de Nicolaítas. A característica pela qual são mais lembrados é a sua posição em relação ao casamento. Segundo alguns autores (citar fontes), eles defendiam a poligamia (ou ter esposas em comum). Também é conhecido como Nicolaíta aquele que defende o casamento do clero.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Nico significa "conquistar" em grego e laíta significa "pessoas" (ou "povo"); daí, a palavra pode significar "conquistador de pessoas" ou "conquistador das pessoas". Todavia, "Nicolaíta" é , o nome dado aos seguidores do herético Nicolas (grego: Nikolaos) - o nome por si significando "vitorioso sobre as pessoas" (do grego "Nike" - vitória) ou "vitória das pessoas", que teria recebido ao nascer.1 Versão alternativa: Em Grego "Nikao" significa "conquistar" e "laíta" é uma derivação "laikos" que vem de "laos" que significa "os "leigos", povo, a massa, a plebe2 , aquele que não tem conhecimento aprofundado em determinada área"3 , o nome significa "conquistando os leigos"4 (pg 74)

História[editar | editar código-fonte]

A menção mais antiga aos Nicolaítas é no Apocalipse, no Novo Testamento. De acordo com Apocalipse 2:6-15, eles eram conhecidos nas cidades de Éfeso e Pérgamo. Neste trecho, a Igreja de Éfeso é enaltecida por "odiar os feitos dos Nicolaítas, que eu também odeio" e a Igreja de Pérgamo é acusada por "abrigar aqueles que tem as doutrinas deles [os Nicolaítas]". Não há nenhuma outra fonte primária para nos dar certeza sobre a natureza desta seita.

Diversos pais da igreja, incluindo Ireneu de Lyon, Epifânio de Salamis e Teodoreto mencionam este grupo. Ireneu o discute, mas nada acrescenta ao Apocalipse exceto que "eles levam vidas de indulgências ilimitadas"5 . Hipólito de Roma diz que o diácono "Nicolau" dos Sete diáconos (veja Atos 6:1) era o autor da heresia e líder da seita6 . São Vitorino de Pettau (ou Victorinus) diz que eles comiam oferendas dos ídolos7 . O venerável Beda afirma que Nicolas permitiu que muitos homens se casassem com sua esposa8 . Eusébio diz que a seita teve vida curta9 . Tomás de Aquino era da opinião que Nicolas incentivava ou a poligamia ou que os homens tivessem esposas em comum10 .

Interpretação[editar | editar código-fonte]

A declaração comum, de que os Nicolaítas suportavam a heresia antinômica de Corinto, não parece ter sido provada. Outra opinião, preferida por alguns autores, é que, por causa do caráter alegórico do Apocalipse, as referências aos Nicolaítas são apenas uma forma simbólica de referência11 .

Nicolaísmo (também é frequentemente citado com referência ao casamento do clero, especialmente em áreas rurais da Inglaterra, onde era geralmente aceito até o século 11.

Cyrus Scofield[editar | editar código-fonte]

Cyrus Scofield, em seu Notas sobre a Bíblia, seguindo o pensamento dispensacionalista, sugere que os Sete Selos no Apocalipse prenunciam as várias eras da história Cristã e que "Nicolaítas" "refere-se à primeira forma da noção de ordem clerical, ou 'clero', que depois dividiu igualmente a irmandade entre 'padres' e 'leigos'"12 .

Albert Barnes[editar | editar código-fonte]

Sobre os Nicolaítas citados no Apocalipse:

Cquote1.svg Vitringa supõe que a palavra é derivada do grego νικος, vitória, e λαος, pessoas, e que portanto ela está relacionada ao nome "Balaão", como significando tanto "senhor das pessoas" ou "ele venceu as pessoas"; e que, o mesmo efeito foi produzido pelas suas doutrinas quanto pelas de Balaão, que as pessoas eram levadas a fornicar e a se juntarem à adoração de ídolos. Elas poderiam ser chamadas de Balamitas ou Nicolaítas - ou seja, corruptores das pessoas. Mas a isto, podemos contrapor:
  1. que isso é forçado e só foi adotado para remover uma dificuldade;
  2. de que há inúmeras razões para supor que a palavra aqui utilizada refere-se a uma classe de pessoas que detém este nome e que eram bem conhecidas nas duas igrejas citadas;
  3. que, em «Assim tu tens igualmente aos que seguem o ensino dos nicolaítas» (Apocalipse 2:15), eles são claramente diferenciados daqueles que suportam a doutrina de Balaão
Cquote2.svg
Albert Barnes13

Nicolas[editar | editar código-fonte]

O Nicolas de Atos 6:5 é um nativo de Antioquia, um proselitista e um judeu convertido ao Cristianismo. Quando a Igreja ainda estava confinada a Jerusalém, ele foi escolhido pelo conjunto dos discípulos para ser um dos primeiros dentre os Sete Diáconos e ele foi ordenado pelos apóstolos, em cerca 33 dC. Os Nicolaítas, pelo menos até o tempo de Ireneu, alegavam que ele era o fundador da seita.

Em Epifânio[editar | editar código-fonte]

Epifânio de Salamis, um impreciso autor, relata alguns detalhes da vida de Nicolas, o diácono, e o descreve gradualmente afundando na mais grotesca impureza. e se tornando o originador dos Nicolaítas e outras seitas gnósticas libertinas:

[Nicolas] tem uma bela esposa e se absteve de relações sexuais imitando àqueles que ele acredita serem devotos de Deus. Ele persistiu nisto por um tempo, mas no fim não conseguiu suportar controlar sua incontinência....Mas por estar envergonhado da sua derrota e suspeitar que tenha sido descoberto, ele se aventurou em dizer "Não terá a vida eterna aquele que não copular todos os dias" 14
 
Epifânio, Panarion (Haer., 25.1),

Em Clemente de Alexandria[editar | editar código-fonte]

Acreditam no relato anterio, pelo menos em parte, Jerônimo e outros escritores do século 4 dC. Porém ele é irreconciliável com a visão tradicionalista dada ao caráter de Nicolas por Clemente de Alexandria, um autor mais antigo e mais criteriosos que Epifânio. Ele diz que Nicolas levou uma vida casta e criou seus filhos na pureza; que numa certa ocasião, tendo sido severamente repreendido pelos apóstolos como um marido ciumento, ele respondeu à acusação oferecendo sua esposa como candidata à esposa de qualquer outro; e que ele tinha o hábito de repetir um ditado que era atribuído ao evangelista Mateus também: "É o nosso dever lugar contra a carne e abusar dela". Suas palavras foram perversamente interpretadas pelos Nicolaítas como dando respaldo às suas práticas imorais. Teodoreto, em seu relato sobre seita, repete o argumento de Clemente, e acusa os Nicolaítas de falsidade ao lidar com o uso do nome do diácono. Louis-Sébastien Le Nain de Tillemont (teólogo francês do século XVII) conclui portanto que, se não o verdadeiro fundador, faltou-lhe sorte pois deu motivo para fundação da seita. Já August Neander (teólogo alemão do século XIX) argumenta que o fundador foi outro Nicolas.

Veja também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Etymology of the name Nicholas: "masc. proper name, from Gk. Nikholaos, lit. "victory-people," from nike "victory" + laos "people."" em inglês
  2. http://www.catequisar.com.br/texto/materia/especial/vocacao/12.htm
  3. http://www.priberam.pt/dlpo/default.aspx?pal=leigo
  4. www.apalavraoriginal.org.br/mensprof/1960-12-05.pdf
  5. Adversus Haereses, I, xxvi, 3; III, xi, 1.
  6. Philosph., VII, xxvi.
  7. St. Victorinus of Pettau, Commentary on the Apocalypse 2.1
  8. Bede, Explanation of the Apocalypse 2.16
  9. H. E., III, xxix.
  10. SCG III.124
  11. Healy, P. (1911). Nicolaites. In The Catholic Encyclopedia. New York: Robert Appleton Company. Retrieved February 22, 2009 from New Advent: http://www.newadvent.org/cathen/11067a.htm
  12. Nicolaitanes
  13. Barnes New Testament Notes
  14. Williams, Frank. The Panarion of Epiphanius of Salamis. Leiden; New York; København; Köln: E.J. Brill, 1987. p. 77. vol. Book I (Sects 1-46).

Este artigo incorpora material do livro "Easton's Bible Dictionary (1897)" (em inglês), uma publicação agora sob domínio público.
Este artigo incorpora material do livro "Catholic Encyclopedia (1913)" (em inglês), uma publicação agora sob domínio público.
Este artigo incorpora material do livro "Smith's Bible Dictionary", editado por William Smith, uma publicação agora sob domínio público.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]