Nicolae Ceaușescu

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Nicolae Ceauşescu
Presidente da Romênia Roménia
Mandato 9 de dezembro de 1967
a 22 de dezembro de 1989
Antecessor(a) Chivu Stoica
Sucessor(a) Ion Iliescu
Vida
Nascimento 26 de janeiro de 1918
Scorniceşti, Olt
Morte 25 de dezembro de 1989 (71 anos)
Târgovişte, Dâmboviţa
Dados pessoais
Primeira-dama Elena Petrescu
Partido Partido Comunista
Assinatura Assinatura de Nicolae Ceaușescu

Nicolae Ceauşescu GColSE (Scorniceşti, 26 de janeiro de 1918Târgovişte, 25 de dezembro de 1989) foi um líder comunista, presidente da Romênia socialista de 1965 até sua execução em 1989.

Antes da Segunda Guerra Mundial[editar | editar código-fonte]

Diz-se que o seu primeiro contacto com o Partido Comunista Romeno deu-se quando roubou uma mala que continha, por acaso, panfletos do partido. Ao ser apanhado pela polícia, foi enviado para uma prisão junto com outros presos comunistas.

Foi membro do Partido Comunista Romeno (PCR), na altura ilegal, antes da Segunda Guerra Mundial e foi preso em 1936 e 1940. Após a Segunda Guerra Mundial, quando a Roménia começou a cair na alçada soviética, Ceauşescu foi secretário da União da Juventude Comunista (1944-1945). Depois da tomada de poder por parte dos comunistas em 1947, assumiu o cargo de ministro da Agricultura e serviu, em seguida, como ministro adjuvante das forças armadas no governo estalinista de Gheorghe Gheorghiu-Dej e chegou a ocupar a segunda posição na hierarquia do partido.

Chegada ao poder[editar | editar código-fonte]

Com a morte de Gheorghiu-Dej em março de 1965, Ceauşescu torna-se o líder do PCR e em 1967 chega à presidência do Conselho do Estado, convertendo-se rapidamente numa figura popular, graças à sua política independente, que desafiava a supremacia da União Soviética no país.

Na década de 1960, Ceauşescu acaba com a participação activa da Roménia na aliança militar do Pacto de Varsóvia, e chega mesmo a condenar a invasão da Checoslováquia em 1968. Em 1974, Ceauşescu passa a Presidente da Roménia, mantendo a sua posição independente em matéria de relações internacionais. A Roménia foi, por exemplo, um dos poucos países comunistas a participar nos Jogos Olímpicos de 1984, os quais tiveram lugar nos Estados Unidos. Além disso, foi o primeiro país do Bloco de Leste a cultivar relações oficiais com a Comunidade Europeia.

Consolidação como líder[editar | editar código-fonte]

Em 1971 visita a República Popular da China e a Coreia do Norte. Manifesta um grande interesse na ideia da "transformação nacional total" desenvolvida no programa político do Partido dos Trabalhadores da Coreia e posta em prática pela China durante a Revolução Cultural. Pouco tempo após o seu regresso à Roménia, Ceauşescu imita o governo norte-coreano, influenciado pela "filosofia do Juche" do ditador Kim Il-sung e encomenda a tradução e distribuição nacional de várias obras consagradas ao Juche.

Ceauşescu recusa-se a realizar reformas liberalistas. A evolução do seu regime segue o trilho estalinista imposto por Gheorghiu-Dej. A sua oposição ao controle soviético foi predominantemente determinado pela sua falta de força de vontade em mudar a política comunista seguida. A policia secreta (Securitate) manteve um controle firme sobre a liberdade de expressão e os meios de comunicação social e não tolera qualquer tipo de oposição. A situação agrava-se nos anos 80; para pagar a dívida externa acumulada devido ao processo acelerado de industrialização que havia tido lugar na década anterior, Ceauşescu ordena a exportação de grande parte da produção agrícola e industrial do país. O resultado foi a escassez de comida, energia e medicamentos, tornando a vida dos romenos uma luta diária pela sobrevivência. Ceauşescu institui ainda o culto da sua pessoa, ao estilo da Coreia do Norte, atribuindo a si próprio o título de título de "Conducător" (chefe) e chega mesmo a possuir um ceptro, em alusão à sua figura real. Do mesmo modo, vários elementos da sua família exerceram cargos políticos de peso, como é o caso da sua esposa Elena Petrescu e de seus irmãos Marin Ceaușescu, Ilie Ceauşescu e Nicolae Andruţă Ceauşescu.

Graça Machel, Nicolae Ceauşescu e Samora Machel, em Maputo, Moçambique, em 1979.

Em 1972, Ceauşescu dá início ao programa de sistematização, promulgado como uma forma de construir uma “sociedade socialista desenvolvida de forma multilateral”, veio implicar a demolição sistemática de múltiplas aldeias, o deslocamento da população para pequenas estruturas urbanas, muitas vezes mesmo sem esperar que os programas de construção estivessem concluídos. Bucareste sofreu enormes alterações com este programa, onde um quinto da parte velha da cidade é destruído para ser reconstruído segundo a perspectiva do autocrata. Muitas pessoas morrem durante a construção do Palácio do Parlamento (antes chamado de Casa Poporului, a Casa do Povo) em Bucareste, edifício onde se situa actualmente o parlamento e que constitui o segundo maior edifício do mundo, após o Pentágono.

A 14 de outubro de 1975 foi agraciado com o Grande-Colar da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada.[1]

Em 1978, Ion Mihai Pacepa, um experiente elemento do serviço secreto romeno (Securitate) deserta para os Estados Unidos, um duro golpe para o seu regime, que leva Ceauşescu a reestruturar a Securitate. O livro de Pacepa de 1986, Red Horizons: Chronicles of a Communist Spy Chief, revela pormenores do regime de Ceauşescu tais como a sua colaboração com terroristas árabes e a espionagem contra a indústria de países ocidentais.

Fim do comunismo e morte[editar | editar código-fonte]

O regime de Ceauşescu veio por terra após ordenar a forças militares normais e à Securitate que disparasse contra protestantes anticomunistas na cidade de Timişoara a 17 de dezembro de 1989. A rebelião alastrou-se pelo país inteiro, chegando a Bucareste, e a 22 de dezembro as forças armadas fraternizaram com os manifestantes. Nesse mesmo dia, Ceauşescu foge da capital de helicóptero com sua mulher, enquanto um ajudante apontava uma pistola à cabeça do piloto. O piloto aterra ao simular uma falha mecânica e Ceauşescu é capturado pelas forças armadas num bloqueio de estrada. No Natal de 1989, Ceauşescu e sua mulher são condenados à morte por vários crimes, incluindo genocídio, e executados em Târgovişte. A Roménia foi o único país do Bloco do Leste europeu com um fim violento do regime comunista.

Após a queda de Nicolae Ceauşescu, Ion Iliescu ganha as eleições presidenciais em 1990.

Filhos[editar | editar código-fonte]

Nicolae e Elena Ceausescu tiveram três filhos, Valentin Ceaușescu (nascido em 1948) um físico nuclear, Nicu Ceaușescu (1951-1996), também um físico, e uma filha Zoia Ceaușescu (1949-2006), que foi uma matemática.

Referências

Commons
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Presidentes da Roménia Bandeira da Áustria

Presidentes
Mihail Sadoveanu e Constantin Ion Parhon (Comitê presidencial interino) | Constantin Ion Parhon | Petru Groza | Ion Gheorghe Maurer | Gheorghe Gheorghiu-Dej | Chivu Stoica | Nicolae Ceauşescu | Ion Iliescu (primeiro mandato) | Emil Constantinescu | Ion Iliescu (segundo mandato) | Traian Băsescu